24 de dezembro de 2006

Melhores do ano

Fim de ano, Natal, tempo de comemorar, e todo esse blá blá blá... enfim, esse vai ser o último post de 2006, que já está acabando e em Janeiro estaremos de volta, ou estarei, já que perdi meus colaboradores e carrego esse domínio nas costas já há algum tempo (tomara que eles se comovam e tentem arranjar um tempinho pra voltar colaborar em 2007).

E pra fechar com chave de ouro, nada melhor que a lista dos melhores do ano. A lista é formada somente pelos filmes lançados comercialmente em 2006 e resolvi não colocar em ordem de preferência, a não ser o primeiro lugar, que pertence a Caché, do Michael Haneke. Quando fiz a lista com 10 filmes, não consegui encaixar alguns dos que gostei, então acho que uma relação contendo 15 filmes resolveria o problema. Então vamos à lista, o Top 15 2006:


Caché, de Michael Haneke
O Sabor da Melancia, de Tsai Ming Liang
A Criança, de Jean Pierre e Luc Dardenne


A Dama de Honra, de Claude Chabrol
O Tempo que Resta, de François Ozon
Os Infiltrados, de Martin Scorsese


Ponto Final, de woody Allen
Munique, de Steven Spielberg
A Dália Negra, de Brian de Palma


O Ano em que Meus Pais Sairam de Férias, de Cao Hamburger
Miami Vice, de Michael Mann
O Labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro


2046, de Wong Kar Wai
O Segredo de Brokeback Moutain, de Ang Lee
A Lula e a Baleia, de Noah Baunbach

Infelizmente não deu pra ver Amantes Constantes, do Garrel, acabou não passando nesse lugarzinho que eu moro. Mas foi um ótimo ano para o cinema e espero que 2007 seja melhor. Aguardo ansiosamente pra ver:

Inland Empire, de david Lynch
Grind House, de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez
Zodiac, de David Fincher
300, de Zack Snyder
Maria Antonieta, da Sophia Coppola
Flags of Our Fathers e Letters from Iwo Jima, de Clint Eastwood.
Apocalypto, de Mel Gibson
Bug, de Willian Friedkin
Diary of the Dead, de George A. Romero
There Will Be Blood, de Paul Thomas Anderson
Youth Without Youth, de Francis Ford Coppola
E muitos outros que não me lembro agora...

Então, até o ano que vem!

Ronald Perrone

23 de dezembro de 2006

O Iluminado

O Iluminado



The Shining, USA/UK, 1980. DE Stanley Kubrick. COM Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd. 146 min. HORROR.

Quando escreveu o roteiro de O Iluminado, o diretor Stanley Kubrick nem esquentou os miolos em adaptar fielmente a obra do mestre do suspense literário, Stephen King. Dessa forma, acelerou e sintetizou ao máximo os fatos do livro para chegar aos finalmentes, deixando vários pontos à deriva ou passarem muito depressa, como é o caso da loucura de Jack Torrance, que sobe à cabeça rápido demais. Quem não leu o livro, na maioria dos casos, aceita satisfeito o que lhe é apresentado na tela. Mesmo assim, O Iluminado pode ser considerado um dos mais impressionantes filmes de terror de todos os tempos. Nada abala o poder das imagens que hipnotizam o espectador de horror e medo, como na cena em que Danny vê algo no fundo do corredo logo depois de virar a esquina em seu velocípede. Ou o rio de sangue que jorra abundantemente dos elevadores. Até mesmo o famoso “HERE'S JOHNNY”, com Jack Nicholson (sensacional) empunhando um machado. São cenas que se tornaram clássicas do cinema fantástico e de horror. Kubrick dirige com uma perfeição incrível cada cena, cada fragmento de película, compondo com detalhes e elementos específicos do gênero que transformou O Iluminado num verdadeiro pesadelo sóbrio, indiscutivelmente.

Por Ronald

21 de dezembro de 2006

Babel

Babel



Babel, USA/MEX, 2006. DE Alejandro González Iñárritu. COM Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal. 142 min. DRAMA.

Além de ser bom filme, Babel demonstra mais uma vez o talento de Alejandro Gonzáles Iñarritu em filmar dramas humanos em situações extremas. Mas o que incomoda é que Iñarritu e o roteirista Guillermo Arriaga repetem pela terceira vez a mesma fórmula. De certa forma, funciona e conta com momentos e situações criativas, porém parecem cada vez mais óbvias de maneira geral, perdendo aquele tesão que Amores Brutos (00) proporcionou, por exemplo.

Assim como nos anteriores, um acidente catalisa ações e reações envolvendo vários lugares diferentes com personagens que, aparentemente, não possuem nenhuma ligação com a história central. Com o decorrer da narrativa, as múltiplas histórias e personagens são costurados formando uma rede que os une a um único fato. Em Babel, o diferencial está na monstruosa abrangência afetada pelo acidente. Amores Brutos e 21 Gramas (03), o mesmo acontecia em uma única cidade. Aqui, pelo menos quatro paises são envolvidos: Estados Unidos, México, Marrocos e Japão.

Sem tempo para se aprofundar nas personas, o filme sofre um pouco com a superficialidade de personagens. Entretanto, as histórias paralelas conseguem prender a atenção com a ótima direção de Iñarritu (sempre com a câmera à mão, de forma grosseira e crua) e o bom trabalho do elenco, que se esforça para convencer perante as situações desesperadoras que enfrenta, mesmo havendo pontos um tanto exagerados.

Bastante aplaudido em Cannes, a obra está acima da média dos filmes americanos atuais, graças ao trabalho de Iñarritu (cuja direção venceu Cannes este ano) e do seguro elenco. Mas não deixa de ser quase gritante a inferioridade de Babel quanto os filmes anteriores do cineasta. Mas se tratando de 2006, talvez consiga uma vaga na minha lista de melhores do ano.

Por Ronald

18 de dezembro de 2006

O Sabor da Melancia

O Sabor da Melancia



Tian bian yi duo yun, HONG KONG, 2005. DE Ming-liang Tsai. COM Kang-sheng Lee, Shiang-chyi Chen, Kuei-Mei Yang. 114 min. DRAMA/MUSICAL.

O Sabor da Melancia é um típico alienígena dentro da perfeita filmografia de Tsai Ming Liang. O diretor mantém seu estilo, porém inverte alguns elementos comuns de seus filmes anteriores. As chuvas constantes cedem lugar a uma Taipei que passa por uma onda de calor e seca, levando as pessoas buscarem meios de se refrescarem. O teor sexual presente outrora, mas nunca ou quase nunca filmado por Liang, dessa vez se apresenta quase explicitamente, praticamente sexo real e com uma melancia no meio...

Tecnicamente, O Sabor da Melancia é o filme mais ágil do cineasta, com uma edição que corta mais que o usual, já que geralmente Liang filma longos planos seqüências e economiza nos cortes. Mas lógico que quem está acostumado com os enlatados americanos sofreria da mesma forma nas mãos deste aqui.

O filme é a continuação de What Time Is It There? (01). Basicamente, os personagens centrais se reencontram criando certa trama que ameaça numa historinha romântica entre rapaz e moça. Porém, ela descobre que uma produção pornográfica está sendo feita no andar de cima de seu apartamento, e o protagonista é justamente seu amado. Além de tudo, o filme é entrecortado com várias apresentações musicais surrealistas que aparecem de repente ao longo da projeção.

Tanto nos números musicais quanto na bizarra situação amorosa, Tsai Ming Liang mostra sua virtuose na arte de dirigir e por isso, ganhou o prêmio de melhor diretor em Berlin em 2005. O máximo do êxtase filmado , entretanto, está na cena final de O Sabor da Melancia, um dos melhores do ano, realizado pelo simples prazer e gozo (literalmente) de filmar um cinema onde o orgasmo tem que ser olhando na cara da pessoa amada.

Por Ronald

14 de dezembro de 2006

O Labirinto do fauno

O Labirinto do Fauno



El Laberinto del Fauno, MEX/ESP/USA, 2006. DE Guillermo del Toro. COM Ivana Baquero, Maribel Verdú, Sergi López. 119 min. Warner. FANTASIA.

A supra suprema de Guillermo del Toro. Não que seja uma obra prima do cinema, mas é significativo dentro da filmografia do diretor, que estava fazendo um trabalho interessante nos Estados Unidos (Blade II (02), Hellboy (04)), mas resolveu retornar ao México para a produção de O Labirinto do Fauno. O filme é um esforço notável de misturar as histórias de contos de fadas com o horror, além de inserir esses elementos no contexto histórico da revolução espanhola, da mesma forma como fez no ótimo A Espinha do Diabo (01), filme que deu reconhecimento mundial a del Toro.

Criar o contraste entre a fantasia e a realidade, foi a grande sacada do filme, graças ao grafismo utilizado de forma diferente em ambas as situações. De um lado, o mundo de fantasias vista pelos olhos de uma criança, repleto de figuras folclóricas e ambientes imaginários. Do outro, a realidade sob a égide da guerra com uma violência gráfica explícita que desconcerta o espectador, causando um estranhamento, já que o filme é protagonizado por uma criança.

Há a representação do mal em O Labirinto do Fauno na forma do oficial do exército espanhol, Vidal (Sergi Lopez), um personagem incrivelmente frio e violento, que se casa com a mãe de Ofélia, a protagonista do filme. Vidal, ótimo na pele de Lopez, é responsável pelas cenas mais chocantes do filme e Guillermo se aproveita muito bem dele para dar ênfase no contraste da fantasia e realidade.

Longe das imposições dos estúdios americanos, Toro dirige o filme à vontade, podendo, principalmente, dar o tom desejado para O Labirinto do Fauno. O resultado é uma obra poderosa, poética e extremamente melancólica. Uma visão pessimista de um triste conto de fadas.

Por Ronald

7 de dezembro de 2006

Fonte da Vida

Fonte da Vida



The Fountain, EUA, 2006. DE Darren Aronofsky. COM Hugh Jackman, Rachel Weisz, Ellen Burstyn. 96 min. Warner. SCI-FI.

Desde o seu primeiro filme, o diretor Darren Aronofsky foi um divisor de águas entre os seguidores do cinema underground americano. Há quem ame e há quem odeie PI (98) e Réquiem Para um Sonho (00). Eu acabei ficando do lado de quem gosta. Aliás, Réquiem é um dos melhores filmes dos últimos anos, dentro do circuito independente americano, na minha opinião.

E o pior é que isso me causou ansiedade na espera dos seis longos anos até o lançamento de Fonte da Vida (nesse período Aronofsky entrou em vários projetos que não saiam do lugar). Digo pior porque, após esses seis longos anos, o filme se apresenta como um dos piores do ano. Uma tremenda decepção, já que se trata da obra de um dos mais promissores da nova geração de cineastas americanos.

Fonte da Vida até pode conseguir agradar alguns que enxergam com mais sensibilidade o tema espiritual que o filme aborda. Tema que, na verdade, possui certo interesse. O problema está na forma como o diretor se aproveita do propósito de maneia patética e gananciosa. É o cumulo do ridículo para um diretor seguro como Aronofsky, levar às telas um romance brega, e sem a mínima capacidade de administrar seus atores. Hugh Jackman está totalmente inexpressivo e seu personagem não consegue cria empatia com o publico, por mais apelativos que sejam as situações e o roteiro irregular escrito pelo próprio diretor.

A forma como tentam vender o filme com um sentimentalismo gratuito é banal. Em vez de salvar o filme que poderia ser apenas ruim, acaba se transformando num vexame. O belo visual (ah, isso tem!) faz um contraste muito grande com a essência de Fonte da Vida. E é um contraste também na curta carreira desperdiçada por Aronofsky. Com o dinheiro e o tempo gasto aqui, dava pra fazer umas três películas com a mesma qualidade que seus filmes anteriores.

Por Ronald