O cine art está de luto... de novo.





Além de ser um dos melhores film-noir já realizado, A Beira do Abismo é conhecido pela complexidade do seu roteiro, tanto que nem o próprio autor do livro do qual o filme foi baseado, Raimond Chandler, conseguia responder os questionamentos da produção quanto aos detalhes da trama. Apesar disso, é o típico filme em que esses mínimos detalhes do entrecho não importam em nada. Basta acompanhar Humphrey Bogart, com sua cara de pedra, olhar expressivo e língua afiada repleta de frases ambíguas, entrando nas mais diversas e misteriosas situações das quais nem sabemos direito o motivo, transformando a complexa trama policial numa surpreendente jornada em preto e branco com uma bela femme fatale, interpretada por Lauren Bacall. Dirigido habilmente por Howard Hawks – talvez seu melhor filme – A Beira do Abismo, além de configurar-se entre os grandes clássicos do cinema noir, ultrapassa os limites do gênero. Permanece a notoriedade.por ronald




A noite dos Mortos Vivos é um marco no cinema de horror. A visionária visão de George A. Romero se tornou padrão para os filmes de Zumbis em suas próprias seqüências e até produções de outros diretores, cuja inspiração nasceu deste aqui. É um filme feito com as tripas. O diretor criou um verdadeiro clássico cultuado no mundo inteiro com uma premissa muito simples, sem recursos financeiros e técnicos e um elenco totalmente desconhecido. O filme se apóia na força de suas imagens que cria um sentimento de tensão e angustia quando um grupo de pessoas fica encurralado numa casa cercada por zumbis famintos de carne humana. E o que não falta é momentos de violência explícita e visual, ainda em fase de exercício de direção por parte de Romero, o que se tornaria mais seguro já no segundo filme da saga dos mortos, Dawn of the Dead, mesmo assim, vísceras, tripas e membros são bem servidos aos zumbis ao longo de A Noite dos Mortos Vivos. Deve ter causado um bocado de arrepios no publico da época. Hoje em dia é diversão garantida. por ronald
ao som de england, bloc party



É incrível como todas as características dos filmes do diretor Michael Bay – reprovadas em sua filmografia inteira – funcionam perfeitamente em Transformers que é disparado seu melhor trabalho. O filme é uma adaptação do famoso desenho que assistíamos na Xuxa quando criança na década de 80. Bons tempos... Enfim. por ronald,
ao som de Plans, bloc party



Treze homens e um assalto mirabolante (obviamente, o segredo). Nenhuma mulher. Em Treze Homens e um Novo Segredo, Reuben (Elliot Gould), o "patrono" da gangue de Danny Ocean, é traído em um negócio milionário e consequentemente quase morre de um infarto. Vendo que o velho pode não sair dessa, o grupo decide roubar o ex-sócio de Reuben e dar algum sentido à sua morte. Como nos filmes anteriores, não somente o assalto é a principal atração, mas a sua prepação e brilhante execução. A direção neste filme é totalmente setentista. Todas as características de filmes dos anos setenta, como closes rápidos e exagerados nos rostos dos personagens, atores acompanhados de longe, e até mesmo um toquezinho nas roupas. Com cenas engraçadíssimas, confesso que uma em particular me fez rir por uns bons 5 minutos, quando ninguem mais no cinema ria da piada, o filme consegue manter o ritmo estratégico da elaboração do roubo, sem ofender a inteligência do expectador (bem, não muito). Excelente pedida para o final de semana com os amigos ou com a namorada.por monsenhor
Quantas vezes teria visto este filme? Não sei dizer, acho que comecei umas cinco ou seis vezes, ou vi um pedaço do meio ou do final. Mas de uma só vez? Acho que nenhuma. por romulo, o carranca




O cinema de Chabrol é o do comportamento. Basta observar o modo de agir de alguns personagens secundários em A Comédia do Poder e facilmente nota-se os pequenos detalhes que compoem uma estética diferenciada que só mesmo um veterano da Nouvelle Vague poderia se preocupar em proporcionar, não só aqui, mas também em seus ultimos trabalhos. Mesmo com um tema aparentemente mais importante, o famoso escândalo político ocorrido na França em meados anos 90, conhecido como ELF, que é o trampolim narrativo, mas é na construção dos personagens, a linguagem corporal de cada um em quadro e nos bastidores da trama que se concentram as preocupações de Chabrol, que ainda aporveita para lançar um olhar cínico sobre a burguesia francesa. Isabelle Hupet está maravilhosamente ácida no papel da juiza que impõe-se no jogo da disputa de poder, cujas cenas são verdadeiras revelações de direção repleta de detalhes que tornam o cinema de Chabol obrigatório. por ronald
ao som de smokers outside the hospital doors, editors




Enquanto Homem Aranha e Piratas do Caribe mantêm-se tranquilamente há não sei quanto tempo nos cinemas capixabas, este aqui ficou apenas duas semanas em cartaz com horários horríveis e inacessíveis. Agora, como colocar na cabeça da distribuidora que O Hospedeiro bota qualquer filme de herói ou de pirata no chinelo? A única vantagem é o status cult que vem recebendo. Fora isso, merecia sair em um circuito mais abrangente. A grande massa iria ter o privilégio de ver um Blockbuster de qualidade, o que é raro. A fita possui uma sintonia muito forte com o público. Perfeito exemplar "Filme de Monstro", um sub gênero que já fez a cabeça de muita gente na metade do século passado e criou várias figuras famosas. Um dos mais importantes é justamente o oriental Godzilla. Resultado de uma mutação ocorrida pela incompetente decisão de um cientista americano na Coréia, o mostro de O Hospedeiro é das mais interessantes criaturas do cinema atual. A cena em que surge, a luz do dia, correndo atrás de pessoas desesperadas é um incrível trabalho de direção, edição, efeitos especiais, som, fotografia que funcionam corretamente para criar uma sequência realista e impactante. Parece que estamos ali querendo fugir daquela “coisa” que vai crescendo diante dos olhos. A partir daí, o diretor Bong Joon-ho desenvolve uma trama familiar com membros peculiares, cuja identificação com o público é hermética, mas existe de alguma forma. É uma relação que interage e atinge os dieversos sentimentos da platéia, seja com humor ou no caos proporcionado pelo monstro. Ainda há uma visão crítica ao imperialismo, militarismo, a política de informação e etc. Tópicos relevantes que deixam a história com um teor ainda mais elaborado. Mas a diversão é garantida de qualquer forma, na melhor escala possível. por ronald
ao som de la route, vive la fete

Atrasado como sempre, só agora vou falar sobre este filme depois que quase todos os blogs e sites de cinema já expressaram suas opiniões. A única virtude de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado é o tratamento com os efeitos especiais. A concepção visual do personagem Surfista Prateado é sensacional e é um deslumbre acompanhar seus movimentos e acrobacias sob sua prancha. Mas os elogios, infelizmente, acabam aqui, porque os incríveis efeitos são insuficientes diante da bomba que é o filme. Começando pelo roteiro cheio de buracos, diálogos dos mais bobocas possíveis, repleto de gracinhas de personagens tentando parecer engraçados e suas atitudes não convencem diante das situações enfrentadas. Os atores também não ajudam muito, por exemplo, Jéssica Alba está linda com a mesma proporção que é uma péssima atriz. Nem as cenas de ação empolgam. Primeiro porque são bastante curtas, esporádicas e segundo, os heróis são poucos aproveitados. Sempre que parece que “é hora de quebrar o pau”, a sequência acaba. Em nenhum momento, o diretor consegue criar um clímax. Uma das faltas mais graves do filme, e que seria talvez a solução para um final que renderia boas doses de ação, é a forma física de Galactus. Porque não fazer um Galáctus igual dos quadrinhos? O pário entre o Surfista Prateado e o Quartento Fantástico contra o vilão comedor de planetas é um dos grandes momentos das HQ's. Não sei qual foi daquela nuvem sem graça e a facilidade que o surfista teve para destruí-la é frustrante. Uma bobagem sem tamanho. Em certo momento, o casal Sr. Fantástico e A Mulher invisivel, decidem abandonar tudo e viver uma vida pacata no campo e constituir família. Deveriam ter feito isso mesmo. Infelizmente, no final da históra, resolvem que não vão abandonar a vida de herói, e pelo visto, nem os produtores devem abandonar a franquia, o que é uma pena. por ronald
ao som de this modern love, bloc party



Ainda não entendi qual foi a sina quanto ao ultimo trabalho do inglês Guy Ritchie. Na verdade, sei sim, é o típico caso da incompreensão: se não entende, não gosta. O filme foi massacrado pela critica e péssimo de bilheteria. Ta certo que Revolver é o mais fraco dos filmes do diretor (sem contar, é lógico, aquela bomba, Destino Insólito). O que conta mesmo é Jogos, Trapaças e dois Canos Fumegantes e Snatch, Porcos e Diamantes, mas nem por isso, deve-se passar batido por esse aqui. Tem seus méritos. Aliás, Revolver está num nível muito mais elevado que a grande maioria dos filmes de ação que Hollywood produz atualmente. Visualmente, a fita possui um tratamento admirável e na direção, várias passagens virtuosas de enquadramentos e movimentos de câmera acompanhadas pelas batidas eletrônicas da trilha e ritmadas com uma edição de vanguarda, principalmente nas cenas de ação onde Ritchie cria um dos seus personagens mais marcantes: um assassino sangue frio, mas muito sentimental. A trama, realmente é complexa e deixa várias pontas em aberto dificultando a compreensão do fundo, ainda mais no ato final quando o filme conota um lado psicológico sem se preocupar em explicar ou expor conclusões. Outra diferença entre os filmes anteriores é a falta do humor negro que predominava a narrativa. Aqui, fica de fora. Mesmo assim, Revolver deve ser visto, sem preocupações compreensivas, vale mais pelo impacto visual.por ronald
ao som de well worn hand, editors




Joe D’Amato é um dos diretores mais subversivos do cinema e tudo se confirma agora em contato com essa obra de peso que transgride todos os tabus morais e éticos pré-estabelecidos pelo mundo moderno. Buio Omega, a grosso modo, é uma mórbida história de amor que nem a morte pôde separar, literalmente. Partindo dessa premissa, o roteiro cria diversas situações envolvendo profanação de tumulo, necrofilia, escatologia, canibalismo e uma sessão de tortura visual das boas não recomendadas para quem tem estômagos sensíveis. Destaque para a cena de autopsia onde, apesar de todas as limitações de misé em scene de D’Amato durante o filme, o diretor apresenta segurança e habilidade para conduzir tamanho sadismo estético com realismo e veracidade. Buio Omega é um filme de baixo orçamento e totalmente independente (que produtora iria financiar um roteiro grotesco desse?) e muitas sacadas são resolvidas com bastante criatividade e incríveis efeitos especiais de maquiagem. Mesmo pobre visualmente (embora a mansão seja repleta de detalhes que compõem perfeitamente o cenário) o diretor consegue bons momentos com a câmera na mão dando um ritmo ideal à trama, sempre acompanhado pela incessante trilha musical do grupo Goblin. Ousado e perturbador, Buio Omega é cinema extremo em alta voltagem. por ronald
ao som de your eyes open, keane
Pelo visto, Transformers atingiu seu objetivo como caça níqueis. Vem batendo recordes de bilheterias e já recheou os bolsos dos produtores. Agora só falta esperar estrear aqui e ver se o filme tem qualidade. E este “qualidade” significa “divertido”, lógico! Não vamos esperar nada levado sério de um filme com robôs gigantes, né? Ainda mais dirigido pelo Michael Bay.
Uma ótima notícia para os fãs de Indiana Jones e que estavam um tanto céticos quanto ao novo filme, assim como eu. O produtor Frank Marshall disse que não serão utilizados efeitos de computação gráfica na nova aventura. Ainda acrescentou que Spielberg é consciente em relação às filmagens e que pretende realizar da mesma forma que os outros filmes da série! Enquanto isso, as filmagens vão acontecendo a todo vapor e essa foto aí do lado é a primeira de Harrison Ford já a caráter. Até que não está muito ruim.
Primeira vez que escrevo alguma coisa num blog. Venho justamente para falar sobre um filme péssimo! Ainda está na memória o dia que vi pela primeira e única vez. Faz alguns anos. Dançando no Escuro é seu nome. Lembro também que na ocasião, assisti com mais alguns parentes, incluindo meu irmão Ronald, fundador deste blog. Recordo-me que todos dormiram durante o filme, ou saíram do local desistindo definitivamente da fita. Eu e meu irmão, como bons cinéfilos, assistimos até o fim, mesmo com o mau gosto estampado em cada fragmento de filme. Chato, tedioso, cansativo, besta e irritante, Dançando no Escuro possui uma história triste e apelativa que força o publico a chegar até o fim, para ver o que acontecerá. Porém, nem isso consegue fazer, pois normalmente as pessoas comuns não assistem até o final. No caso, assisti até seu ultimo minuto catastrófico, pois não gosto de falar de algum filme sem assisti-lo por completo.por romulo



Filmes de assassinos em série já povoam o mundo do cinema muito antes de serial killer’s existirem. Exageros à parte, em meio a tantos filmes do gênero, ainda é difícil achar algum que realmente seja bom e que seja lembrado. Pois bem, aqui o tema novamente é abordado para dar vida a um dos melhores filmes do gênero lançados ultimamente. Memórias de um Assassino, como foi lançado aqui no Brasil, é baseado numa história real passado na Coréia do Sul dos anos 80. Em meio aos acontecimentos históricos no país, corpos de mulheres estupradas começam a aparecer. Entra em ação a não muito bem equipada (tanto de recursos, quanto de mão-de-obra) equipe de investigação de crimes hediondos da polícia local. O filme caminha com situações engraçadas (sem tirar a seriedade do tema), investigações sem sucesso e muito suspense. Em momento algum se apresenta uma narrativa arrastada ou sem graça na narrativa. Novas mortes vão surgindo e assim novos suspeitos, dando corda para a história. Com algumas reviravoltas interessantes, atuações convincentes e a direção de Joon-ho Bong (do recente O Hospedeiro, que passou nos cinemas brasileiros) que dá ao filme um ar meio sombrio. Vale a conferida.por monsenhor