30 de agosto de 2007

Paranóia

Paranóia (Disturbia), de D. J. Caruso



Paranóia é uma releitura de Janela Indiscreta de Alfred Hitchcock, já que conta a história de uma pessoa, impedida de sair de casa, e para não cair no tédio começa a observar a vizinhança até que alguns acontecimentos estranhos o levam a pensar que o vizinho é um assassino. Ao invés de simples aparatos como binóculo e a câmera fotográfica com lente de longo alcance, aqui os personagens dispõem de itens mais sofisticados como celulares de câmera, binóculos noturnos, câmeras etc, para ser a versão high tech de Janela Indiscreta. Além disso substitui-se os maduros adultos protagonista do filme de 1954 por adolescentes americanos estereotipados. Shia Labeouf mais uma vez demonstra seu talento, mas é insuficiente para carregar o filme todo nas costas e tudo desanda quando a ação resolve acontecer e o resultado se mostra frustrante caindo em todos os clichês possíveis. O cineasta D. J. Caruso decepciona novamente. Seu filme de estréia, A Sombra de Um Homem, com Val Kilmer, demonstrava um diretor de enorme talento. Pelo visto, foi sorte de iniciante.

por ronald

28 de agosto de 2007

Janela Indiscreta (Rear Window), de Alfred Hitchcock



Meu Hitchcock favorito. James Stewart vive um fotógrafo preso em seu apartamento por conta de uma perna quebrada. Sem conseguir dormir direito passa a observar de sua janela a sua vizinhança e acompanhar as várias histórias que acontecem. Mas Hitchcock não faz aqui um simples thriller ou suspense policial como normalmente em seus outros filmes. Janela Indiscreta é um filme sobre o cinema. A janela é a tela. Cada apartamento observado é um filme com seus respectivos personagens e gêneros. O público assiste a um filme onde o seu protagonista assiste a vários filmes, sendo que este é o ponto central da narrativa. A motivação dos corpos. E Hitchcock exercita seu estilo sempre em busca de inovações e aqui talvez seja o ponto máximo de vanguarda em termos de técnica narrativa filmando toda a ação dentro de um mesmo ambiente. Com Grace Kelly e Thelma Ritter também no elenco, Janela Indiscreta é uma profunda alegoria de idiossincrasias do mestre do suspense. A principal dela: o próprio universo cinematográfico.

por ronald

26 de agosto de 2007

O Fantasma de Goya

O Fantasma de Goya (Goya's Ghosts), de Milos Forman



Não é uma cinebiografia do famoso e polêmico pintor espanhol Francisco Goya, cujo trabalho escandalizou a igreja católica e retratou muito bem a ocupação francesa na Espanha no período da Revolução francesa e é justamente estes dois elementos que formam o pano de fundo de O Fantasma de Goya para narrar uma história que possui o artista somente como um dos protagonistas, da mesma forma que o diretor havia feito em Amadeus, por exemplo e diferente de O Povo contra Larry Flint, que é, definitivamente, uma biografia. Não vale a pena dissertar sobre a história para não estragar a surpresa, que não possui nada demais, mas é um mistério, já tendo em vista que não se trata de uma cinebiografia. Vale destacar as atuações do trio protagonista, principalmente Natalie Portman, além de todo trabalho de recriação histórica. A direção de Milos Forman, apesar de ainda segura, já não surpreende tanto como os filmes de início de sua carreira como Um Estanho no Ninho e Amores de uma Loira, assim como as ultrapassadas críticas contra a igreja católica já não trazem nada de novo. Funciona mais como uma história bem contada, o que seria um destaque há alguns anos, mas não em 2007, um bom ano para o cinema que já lançou por aqui obras como Medos Privados em Lugares Públicos, A Comédia do Poder, Cartas de Iwo Jima, O Hospedeiro, Zodíaco, entre outros.

por ronald

24 de agosto de 2007

Um Cão Andaluz

Um Cão Andaluz (Un chien andalou), de Luis Buñuel



Com cerca de 15 minutos de duração, Um Cão Andaluz (1929) é uma das peças vanguardistas mais importantes do cinema, composto por várias situações surrealistas que envolvem cenas de violência e sexualidade que escandalizaram o público da época considerando que ainda era o cinema mudo. Mas a idéia do choque era o objetivo do diretor Luis Buñuel e de seu colaborador Salvador Dalí (sim, o grande pintor surrealista) para romper com as formalidades da época – da mesma forma que Dalí também fazia em seus quadros – gerando sequencias fantásticas e a famosa cena onde uma navalha corta o globo ocular de uma mulher, entre outras bizarrices surreais.

por ronald

22 de agosto de 2007

Os Simpsons

Os Simpsons - O Filme (The Simpsons Movie), de David Silverman



Logo no início, Homer Simpson levanta da cadeira do cinema no qual está passando o filme Comichão e Coçadinha e diz: “pra que estamos pagando pra ver algo que podemos assistir em casa de graça?”. De certa forma, ele está certo, porque é exatamente o que acontece em Os Simpson – O Filme, porém a produção acertou em cheio em levar às telas um filme com cara de episódio de televisão. A Série que há quase 20 anos conquistou uma legião de fãs e criou os personagens politicamente incorretos mais adorados, chega agora em sua versão para o cinema, mas tirando a duração e os elaborados efeitos de computação gráfica, não há nada de novo. Se dividissem em duas ou três partes, passaria despercebido como fizeram com o episódio em que o Sr. Burns foi baleado (alguém lembra?). Os mesmos elementos cômicos e as mensagens que assistimos todos os dias na TV estão no filme e mesmo assim, continua genial como sempre.

por ronald

20 de agosto de 2007

Medos Privados em Lugares Públicos

Medos Privados em Lugares Públicos (Coeurs), de Alain Resnais



A partir de uma peça teatral, Alain Resnais analisa a vida de seis pessoas solitárias da classe média francesa e suas frustrações amorosas em Medos Privados em Lugares Públicos, de 2006. É um filme de sentimentos. Somos apresentados aos personagens e com simples planos e movimentos de câmeras, o diretor traduz a intimidade sentimental de cada um dos seis protagonistas que apesar de interagirem e entrecruzarem entre si, acabam passando a solidão e o vazio de suas vidas. Além disso, o diretor possui muita noção de espaço e sabe trabalhar com genialidade sobre os locais fechados, sempre buscando um ângulo inventivo, algum movimento mais interessante, nem que pra isso utilize de toda a trucagem cinematográfica dos estúdios de cinema. Uma outra característica dos cenários é a presença constante de divisórias como no bar, no quarto do casal, no escritório dos corretores, que enfatiza a sensação de solidão dos personagens mesmo quando estão juntos. O filme prova a sobriedade de um dos veteranos mais importantes ainda na ativa com fitas como Hiroshima Mon Amour e O Ano Passado em Marienbad no currículo. Aqui, apresenta um espetáculo cinematográfico que se configura entre um dos melhores filmes de 2007.

por ronald

18 de agosto de 2007

Black Snake Moan

Black Snake Moan, de Craig Brewer



Escrito e dirigido por Craig Brewer (Ritmo de um Sonho), Black Snake Moan (2006) é uma bizarrice que tem o defeito de passar uma mensagem muito explícita e fácil, mesmo não sendo o objetivo. Mas só de ter Samuel L. Jackson interpretando um blues man aposentado que acabou de ser largado pela mulher, puto da vida e buscando fazer algo que seja certo para sua redenção, já vale o ingresso (apesar de não ter estreado no Brasil ainda e nem sei se vai...). Christina Ricci vive uma ninfomaníaca drogada que, após levar uma surra, é encontrada por Jackson à beira da estrada inconsciente. É a chance do “motherfucker” dar uma de bom Samaritano. Leva a moça pra casa, acorrenta-a como se fosse uma cadela e diz que vai “cura-la”. Infelizmente, Black Snake Moan é cheio de irregularidades e em alguns momentos se arrasta com dificuldade, mas o diretor sempre encontra algumas soluções interessantes para não deixar o filme esfriar.

por ronald

16 de agosto de 2007

Mimzy - A Chave do Universo, de Robert Shaye



The Last Mimzy (2007) chega com a promessa de ser o melhor filme de aventura e ficção científica desde ET - O Extra Terrestre de Steven Spielberg. Pena que fica somente na promessa. O filme conta a história de dois irmãos que numa viagem no feriado da páscoa, encontram na praia uma misteriosa caixa. Claro que como toda boa criança de 6 e 8 anos, os irmão decidem descobrir o que é e o que há na caixa. Começa então a aventura (que aventura?), onde os dois irmãos terão de ajudar a salvar o futuro da humanidade. O filme consegue entregar uma boa trama, que se desenvolve de maneira envolvente e bem contada, mas parece que perto dos últimos momentos, a história começa a correr e muita coisa fica flutuando no nada, deixando um grande buraco na trama que poderia tranquilamente se desenrolar com mais precisão. Típico finalzinho holywoodiano, direção mediana, e as crianças até que trabalharam bem, porém o resultado final poderia ter proporcionado uma experiência realmente muito envolvente e que talvez chegasse mesmo a ser melhor que ET.

por monsenhor

13 de agosto de 2007

Time

Time, de Kim ki Duk



Questões relacionadas à fragilidade humana, tanto psicológica quanto física, perante o tempo é o tema abordado em Time (2006), que narra a história de um casal com problemas no relacionamento, cuja parte feminina, ciumenta ao extremo, decide sumir por um tempo considerável, fazer uma cirurgia plástica modificando completamente seu rosto para dar uma renovada em seu relacionamento, sem contar com as graves conseqüências que essa decisão proporciona na vida do casal. O filme é também um ótimo estudo de identidade realizado pelo coreano Kim Ki Duk, que é bom diretor, cinematográfico e trabalha o aspecto visual com certa beleza, como nas cenas na praia onde os corpos humanos interagem com as esculturas imóveis que, indiferente ao tempo, permanecerão estáticos. O ser humano não.

por ronald

11 de agosto de 2007

O Albergue - Parte II

O Albergue – Parte II



Hostel: Part II, USA, 2007. DE Eli Roth. COM Lauren German, Roger Bart, Heather Matarazzo. 93 min. HORROR.

O Albergue nunca foi uma obra prima do horror, mas conseguiu mexer com os nervos do público com suas cenas de tortura e violência explícita, além do seu lado sutil de criticar os americanos e o mínimo que se esperava de sua continuação é que fosse no mesmo nível do primeiro. É o que alcança o diretor Eli Roth com seu novo filme, nada mais que isso. Em O Albergue 2, o cineasta repete a fórmula de uma maneira diferente, alterando alguns elementos possíveis de forma que este não se torne uma cópia do outro. Uma das soluções encontradas por Roth foi passar o ponto de vista para um grupo feminino, o que torna vários detalhes mais interessantes, principalmente porque Roth é um dos diretores mais subversivos do cinema de horror americano e seu O Albergue - Parte II demonstra claramente isso na sua segurança, objetividade, na vontade de querer chocar e nas suas obsessões pelos filmes que o influenciaram como é o caso do cinema oriental que serviu de base para O Albergue e conta com uma interessante ponta de takashi Miike. A grande inspiração em O Albergue – Parte II é o cinema de horror italiano e também conta com a presença de alguns célebres responsáveis de um considerável número de filmes de horror, como o diretor Ruggero Deodato (numa ponta mais que perfeita) e a ainda bela Edwige Fenech, a veterana atriz do terror italiano. Assim como o primeiro, o que este não poderia deixar de ter são as cenas de violência extrema e muito sangue, detalhes que Roth não economiza. Uma pena a notícia de que a fita não passará nos cinemas brasileiros...

por ronald
ao som de Whistle For The Choir, the fratellis

9 de agosto de 2007

O grito - Atraves de um espelho

Através de um Espelho



Såsom i en spegel, Suécia, 1961. DE Ingmar Bergman. COM Harriet Andersson, Max von Sydow, Gunnar Björnstrand. 89 min. DRAMA.

A primeira parte de uma trilogia composta também por Luz de Inverno e O Silêncio, realizada pela incansável busca de Bergman por uma interpretação divina. Elaborado ao extremo, em Através de um Espelho, o diretor desenvolve o tema com lucidez e frieza ao mesmo tempo em que constrói uma das cenas mais impressionantes de sua filmografia, quando Harriet Andersson grita “Deus é uma aranha!”.

por ronald



O Grito



Il Grido, Itália, 1957. DE Michelangelo Antonioni. COM Steve Cochran, Alida Valli, Betsy Blair. 116 min. DRAMA.

Abandonado pela mulher, um homem retorna para a terra em que passou a infância numa jornada caminhando pelos vilarejos reconstruindo seu passado. O Grito é uma leitura do melodrama pela visão de Antonioni que extrai de seu roteiro um poderoso conjunto de situações melancólicas captadas com um tratamento plástico visual num preto e branco belíssimo, além de ser um exercício de direção que se tornaria marca registrada a partir de A Aventura, composto pelos famosos tempos mortos

por ronald