American Gangster, aka O Gangster (2007), de Ridley Scott





Desta vez Ridley Scott acertou a mão. Como diretor talvez tenha errado poucas vezes, pois geralmente suas fitas possuem um digno tratamento estético com um trabalho coeso de equipe, principalmente com seus diretores de fotografia. Mas o resultado final, constantemente, perde força por conta dos roteiros, indo do mediano (
Gladiador,
Os Vigaristas) ao péssimo (
Falcão Negro em Perigo,
Hannibal), filmes que não deixam de ser vergonhosos para quem já fez algo como
Blade Runner,
Alien e
Os Duelistas no início da carreira.
Em
O Gangster, Scott trabalha com o roteirista Steven Zailian (
A Lista de Schindler) e coloca em seu currículo um filme de máfia, onde existe um Denzel Washington inspiradíssimo vivendo Frank Lucas, um gangster que revolucionou o tráfico de drogas ao vendê-las por preço de banana e Russel Crowe competente no honesto policial que lembra muito o
Sérpico de Pacino no filme de Sidney Lumet. Todo elenco coadjuvante está muito bem, embora sejam superficiais, menos Josh Brollin, que vai se revelando cada dia mais um bom ator e tem uma participação mais definida aqui.
Baseado em fatos acontecidos na década de 70, o roteiro sempre busca um realismo ao desenvolver as situações e se posicionar no contexto histórico da época como o Vietnan, etc. Desta forma, Scott conduz a narrativa por longos 157 min sem tirar a atenção do espectador, a não ser por exceder demais na vida pessoal do policial, mas nada que prejudique. É um filme que se estrutura nas imagens, o que é característico do diretor, e o impacto visual é ainda mais interessante com o belo roteiro e na utilização da violência, como na cena do tiroteio no apartamento e as picadas de seringas dos drogados.
O Gangster foi cogitado há algum tempo para o Oscar de 2008. Realmente, acho que agora não. Devem ter produções com mais chances do que ele. Mas é um filme que conta um pouco da história americana, muito bem produzido e vários detalhes que a academia adora. Eu arrisco uma indicação para Denzel Washington no seu papel ambíguo (ora sentimental e frio, ora explosivo e violento) de poderoso chefão do Harlen ou o neo Superfly.
por ronald