28 de fevereiro de 2008

4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias

4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (2007), de Cristian Mungiu



O filme romeno de Cristian Mungiu é uma verdadeira descida ao inferno. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias se passa numa Romênia dos anos 80 sofrida pelas mudanças políticas e o diretor trabalha muito bem toda a atmosfera de hábitos referentes àquela época. É neste ambiente que acompanhamos Otília (Anamaria Marinca, excepcional) em sua jornada infernal com o objetivo de conseguir um aborto para sua amiga, Gabita. Mungiu é extremamente realista na direção e sua preocupação consiste na ação e no árduo processo sofrido pela protagonista, deixando um gosto amargo no público. É interessante o distanciamento do diretor em relação ao seu objeto. O aborto é apenas um pano de fundo que se desdobra nas várias situações de desconforto, como na perturbadora sequencia no quarto de hotel ou o angustiante jantar em família, onde se percebe claramente o estado de espírito de Otília depois de tudo que passou. Mungiu, embora jovem, transparece um grau de maturidade exemplar em termos de direção. O filme venceu a Palma de Ouro em Cannes do ano passado e é um sério candidato a um dos melhores deste ano.

por ronald

26 de fevereiro de 2008

O Pagamento Final

O Pagamento Final (1993), de Brian de Palma



Estava revendo O Pagamento Final no Tele Cine Cult. É incrível como descubro novos detalhes neste filme que cresce a cada revisão. É um equilíbrio perfeito entre o exercício de direção inventivo e as obsessões do diretor com um roteiro formal que segue uma narrativa reta, centrada em gêneros clássicos como filmes de gangster e o suspense policial. Quando vi ainda moleque há alguns anos, achei a trama um pouco inchada, mas hoje, entendendo um pouco mais o cinema de Brian De Palma, percebo o mundo de situações e detalhes narrativos que o diretor procura enfatizar. Não apenas na trama como a presença de Sean Penn fazendo o advogado junkie irresponsável (que já valeria o filme todo) ou a relação de Carlitos com a Stripper, mas todo o cuidado na elaboração de cada seqüência, não como exibição estéril de maestria, e sim como uma prova de maturidade plena do diretor.

por ronald

25 de fevereiro de 2008

Oscar 2008

Oscar mais que merecido.

Ps: era óbvio que isso iria acontecer mas achei uma pena a Academia ignorar, na homenagem aos que morreram, um dos grandes diretores do cinema trash italiano, Bruno Mattei, que faleceu em 2007.

24 de fevereiro de 2008

Rambo 4

Rambo 4 (2008), de Silvester Stallone: O que mais surpreende em Rambo 4 é como Stallone realizou, em pleno século XXI um filme da década de 80. Uma ode à nostalgia e ao autêntico cinema de ação. O filme é bem seco e direto com uma trama superficial e alguns diálogos piegas. Mas quando a ação acontece, vale o filme todo. A violência é extrema e Stallone tem muita noção de onde coloca sua câmera e de como movimentá-la. Trabalho de um verdadeiro mestre de ação. O diretor parece um pouco perdido na tentativa de humanizar o personagem tornando-o uma variação de Rocky na selva. Ainda assim é um deleite para os fãs ver o personagem de volta às telas. Já as mocinhas, vão achar tudo muito violento, uma falta de respeito contra a vida humana. O filme mostra explicitamente atrocidades, decapitações, estupro, crianças morrendo, membros decepados aos montes, um verdadeiro Canibal Holocausto do cinema de ação. Só faltou o Stallone arrancar um pedaço de carne e enfiar na boca.

22 de fevereiro de 2008

Santa Sangre (1989), de Alejandro Jodorowsky: Santa Sangre é mais uma grande realização do chileno Alejandro Jodorowsky. Existe uma trama, obviemente não convencional (e que nem vale a pena dissertar para aguçar a curiosidade), onde o diretor insere, no decorrer da narrativa, todas as suas obsessões formando um um fluxo alegórico de situações insólitas e imagens de forte impacto visual carregados de simbolismo. É tanta informação (daria pra escrever uma tese) que após uma hora de filme, a impressão é que já se viu de tudo, mas sempre surge em cena algo ainda mais surpreendente, o que proporciona mais uma viagem alucinante ao cinema de Jodorowsky.

por ronald

20 de fevereiro de 2008

Cannibal Holocaust

Cannibal Holocaust (1980), de Ruggero Deodato: Ruggero Deodato deveria estar em plena forma criativa quando concebeu Cannibal Holocaust. Basicamente, o filme é sobre uma expedição na selva amazônica em busca dos equipamentos e dos rolos de filmes de uma equipe de documentaristas que desapareceu quando realizava um filme sobre uma tribo canibal do local.

A diferença entre Cannibal Holocaust e os outros filmes de canibais (surgindo aos montes na época) é o pacto que o diretor estabelece com o publico sobre a forma como o cineasta manipula as imagens em cena para que tudo leve a crer que o que se passou fosse o mais realista possível, o que de fato acontece. Basta observar a chocante seqüência final (embora o filme inteiro seja intenso, violento ao extremo e muito realista) e concluir o porquê de tanto estardalhaço sobre a obra.

por ronald

18 de fevereiro de 2008

Michael Clayton

Com o computador em manutenção, tive que improvisar essa atualização beeem informal no trampo:

Michael Clayton, aka Conduta de Risco (2007), de Tony Gilroy: Bom filme do roteirista aspirante a cinasta Tony Gilroy, cuja idéia do roteiro surgiu quando o diretor visitava agências de advocacia para escrever o Advogado do Diabo. O roteiro, aliás, é o que há de mais interessante, e não é só pela história em si, uma inteligente trama/denuncia sobre as grandes corporações, mas pela profundidade e a forma como trata o personagem de George Clooney, a todo instante provando que não é apenas um rosto bonito. O sujeito sabe atuar muito bem!

por ronald

14 de fevereiro de 2008

Holy Mountain

The Holy Mountain (1973), de Alejandro Jodorowsky



Os filmes do artista multiuso chileno Alejandro Jodorowsky são experiências visuais das mais fascinantes, ou chocantes, se for o caso. The Holy Mountain é composto por situações que variam do bizarro extremo ao sublime em todos os sentidos, desde a sua composição estética carregada de simbolismos, até à sua estrutura narrativa conduzida num ritmo onírico, um delírio de imagens, personagens, arquitetura, onde o cineasta demonstra a sua virtuose no mais variados campos das artes como a construção estética surrealista dos cenários (uma das produções mexicanas mais caras), além da forte influência dos quadrinhos, outra paixão de Jodo.

O diretor aliás, em The Holy Mountain, encarna um guru zen que guia seus discípulos até a tal montanha sagrada. Uma jornada simbolista e religiosa que, provavelmente, deve ter chocado os sensores e agradado os jovens lisérgicos daquela geração, com as questões e provocações contra o sistema capitalista e os costumes da igreja, além do ocultismo, as imagens subliminares, violência gráfica, nudez, escatologia e a veracidade das cenas que trazem consigo uma necessária liberação catártica.

por ronald

12 de fevereiro de 2008

Sweeney Todd

Sweeney Todd (2007), de Tim Burton



A primeira vez que se ouviu falar no nome Sweeney Todd foi num conto escrito por Thomas Pecket Prest, publicado em 1946 e logo adaptado para o teatro. Na década de 70, Stephen Sondheim e Hugh Wheeler deram origem ao famoso espetáculo musical. Mas há quem acredite que de fato tenha existido um barbeiro responsável por mais de 160 assassinatos na Londres do século XVIII.

Com base nessa lenda, o diretor Tim Burton resolveu levar às telas a história do barbeiro assassino. Uma incrível tragédia gótica sobre vingança que mistura os gêneros que formam as obsessões do cineasta acrescentada de uma boa dose de violência e humor negro. A condução dessa jornada de sangue e vingança é conduzida com muita habilidade por Burton, que já possui experiência com suspense e musical.

Alguns números musicais são explicativos por demais, outros substituem os próprios diálogos, e acabam soando inadequados, ao invés de dar o tom onírico que deveria. Mas existem outras seqüências muito bem aproveitadas e executadas pelos atores, como o número na praia, ou aquela em que Johnny Depp solta a voz enquanto corta as gargantas de suas vítimas.

Depp, aliás, repete pela sexta vez a parceria com o diretor no papel do macabro barbeiro. O desafio de atuar e cantar lhe rendeu uma merecida indicação ao Oscar de melhor ator neste ano. O filme ainda foi indicado nas categorias de figurino e direção de arte, outros atrativos à parte. O visual gótico cinzento faz referencia ao estado de espírito do protagonista: perturbado com sede de vingança, enquanto os bons momentos vividos e relembrados por ele, possuem um tratamento visual claro e carregado de cores.

Sweeney Todd satisfaz perfeitamente os amantes do cinema de Burton e apreciadores de musicais. Mas exige um pouco de paciência para o publico que têm aversão ao gênero e, até mesmo, não possui estômago para agüentar alguns litros de sangue sendo derramado a esmo dos pescoços daqueles que se sentam na cadeira do demoníaco barbeiro da Rua Fleet.

por ronald

10 de fevereiro de 2008

Cloverfield

Cloverfield (2008), de Matt Reeves



Mais um filme de monstro? Que nada! Cloverfield é uma experiência cinematográfica de forte impacto visual, experimental e ousado, diferente de produções enlatadas acumuladas de clichês e seus monstros artificiais.

A grande sacada é o ponto de vista mostrado sob a lente de uma câmera amadora, cuja originalidade narrativa não divaga nem explica surgimentos e motivações, ao invés, dá realidade documental aos fatos absurdos enquanto explora os elementos típicos dos monster’s movies. Travelings elaborados e gruas com sequencias pomposas cedem lugar para a subjetividade trêmula. O alto grau de veracidade de algumas cenas são de cair o queixo.

A câmera epilética (não por modismo de diretores tentando ser hype) causa desconforto, enfatiza a tensão e ainda retira a gratuidade das cenas, embora haja momentos explícitos da(s) criatura(s) criada(s) por computação gráfica, neste caso, não possuem aspecto de borracha, são discretos e muito bem trabalhados para interagir com os atores e cenários de forma convincente.

JJ Abrams cuidou muito bem da produção. Filmado em apenas 33 dias sob o título Slusho, um falso nome para não chamar a atenção, Cloverfield pega de surpresa os desavisados e pode não agradar a todos (por experiência própria, algumas pessoas – a maioria adolescentes – saíram da sessão indignados), mas é uma opção interessante pra quem quer diversão de qualidade que não ofende.

por ronald

7 de fevereiro de 2008

Os Olhos Sem Rosto (1960), de Georges Franju: Consagrado como obra prima do horror mundial, narra a bizarra história de um famigerado médico cirurgião que faz de tudo para reconstruir o rosto de sua bela filha, desfigurada por um terrível acidente. Nem que, para isso, tenha de cometer seqüestros de lindas jovens e as utilizar como cobaias, retirando os músculos faciais das pobres moças, o que gera, com muito realismo, seqüências de verdadeiro impacto visual. O diretor francês Georges Franju, com as imagens fantásticas que cria, ainda dá um tom poético à aterrorizante história obrigatória para os amantes do horror.

Phenomena (1985), de Dario Argento: Mais um excelente trabalho do italiano que mistura elementos do giallo com um toque sobrenatural ambientado nos belos Alpes suíços. É neste ambiente que acontece uma série de misteriosos assassinatos que coloca em risco a vida de Jeniffer, uma jovem americana residente de um colégio interno e que possui a capacidade telepática de se comunicar com insetos, sendo considerada uma aberração pelas colegas. Ainda adolescente, Jeniffer Connely é quem dá vida á personagem e já demonstra um incrível talento ao se colocar em situações extremas, como na perturbadora cena em que cai num tanque cheio de um denso líquido de restos humanos. Argento, com seu estilo único de filmar, nos brinda com um verdadeiro banho de sangue e violência gráfica da melhor qualidade.

por ronald