30 de abril de 2008

Mais horror europeu...

Além de A Invasora, terror francês que comentei por aqui há algumas semanas, outros ótimos filmes de terror europeu me surpreenderam por esses dias:


[REC] (2007), de Jaume Balagueró e Paco Plaza: Zombie Movie espanhol que inicia quando uma repórter de TV, Ângela, e seu cameraman, Pablo, visitam um departamento de bombeiros para realizar uma matéria sobre esta profissão. Quando soa o alarme, os dois acompanham os bombeiros responsáveis pela chamada até um prédio onde a polícia já se encontra em cena e quase todos os moradores estão na portaria.

A coisa fica feia quando uma mulher em um apartamento ataca um dos policiais enquanto Pablo e Ângela gravam tudo. Na tentativa de sair do prédio para levar o ferido, eles são impedidos e o edifício fica bloqueado prendendo todos os residentes, os repórteres, policiais e os bombeiros do lado de dentro sem qualquer explicação.

O filme todo é acompanhado pela câmera subjetiva de Pablo. É a linguagem que está em voga no momento, principalmente para filmes de terror, como foi em Cloverfield e o novo filme do George Romero. Embora este tipo de montagem renuncie elementos que poderiam fornecer uma atmosfera mais densa, é uma forma interessante de narrar os fatos absurdos com certo realismo e veracidade.

Calvaire (2004), de Fabrice Du Welz: Este filme belga não é algo que podemos elogiar pela originalidade. Já se viu diversas vezes a premissa de um protagonista que, por determinado motivo, acaba no meio nada e enfrenta dificuldades maiores do que previa por conta de um louco que o torture, ou abuse sexualmente ou faça qualquer tipo de maldade física ou psicológica.

No caso de Calvaire, um artista itinerário que viaja para a próxima cidade onde vai alegrar os corações de velhinhas com suas canções de amor, acaba ficando no meio do caminho quando seu carro quebra nos arredores de uma vila. Ele se hospeda em uma pousada onde Bartel, o excêntrico dono do local, o recebe.

Existem muitas referencias à Massacre da Serra Elétrica e uma pitada de Straw Dogs e Deliverance, mas Calvaire não é tão desprovido de originalidade. Por trás de sua superfície, existe toda uma história de amor pervertida de um homem doente. É um estudo perturbador da insanidade humana. Além disso, é brilhante a forma como Du Welz conduz tão pouca história desdobrando-se numa exploração de personagens bizarros, alusões pseudo-religiosas e imagens de forte impacto visual.

26 de abril de 2008

Colors (1988), de Dennis Hopper

Ótimo filme policial dos anos 80 dirigido pelo ator/diretor Dennis Hopper (aqui somente atrás das câmeras). Sean Penn e Robert Duvall fazem os papeis "policial jovem" e "policial experiente", tendo como cenário uma Los Angeles pichada pelas cores das gangues. Todos os elementos - desde o roteiro de Michael Schiffer a fotografia de Haskell Wexler, até a música de Herbie Hancock – combinam perfeitamente para proporcionar autenticidade ao material. Mas a cereja do bolo é o contraste dos personagens de Penn, com seu modo agressivo e até certo ponto sádico de agir, e o jeito tranqüilo e calculado de Duvall. Os dois estão excelentes. Penn em inicio de carreira demonstrando que viria a ser um dos maiores atores americanos e o velho Duvall, já naquela época vencedor de um Oscar e com um currículo cheio de preciosidades. E ainda há a direção de Hopper (que não é muito lembrado por esse ofício de diretor), subestimada pela continuidade narrativa desconexa que na verdade reforça o drama dos personagens em todas as vertentes da trama e ainda dá um charme à obra.

23 de abril de 2008

The Mechanic, aka Assassinato a Preço Fixo (1972), de Michael Winner

The Mechanic é um dos melhores filmes da parceria entre o diretor Michael Winner e o ator Charles Bronson. É também um dos menos conhecidos. Os dois fizeram um amontoado de filmes bacanas na década de 70 e 80, entre eles a série Desejo de Matar que Winner dirigiu até o terceiro capítulo e deu ao seu protagonista um certo status dentro de seu nicho. Charles Bronson foi sinônimo de cinema de ação de qualidade na época e merecia essa notoriedade, embora muita gente ainda o subestime como ator.

Inicialmente, haviam pensado em Cliff Robertson para papel de Arthur Bishop que, graças a Deus, ficou com Bronson. Robertson é ótimo ator e muitos outros também poderiam ter feito o personagem, mas para Bronson serviu como uma luva, pois é justamente no seu estilo de atuar (que seus detratores tanto detestam) que vem todo o charme que o personagem exigia para deixar marcas. Sua limitação em se expressar, transmitir sentimentos e até a forma como joga o cabelinho de lado são detalhes que ajudam a compor uma persona que nenhum outro ator conseguiria.

Arthur Bishop é um homem complexo. Ele tem tudo que quer e pode fazer o que quer. Mora numa bela mansão, possui bastante tempo para praticar esportes, beber um bom vinho, ouvir música clássica e planejar seu próximo assassinato. Ele é o melhor nessa profissão. Suas mortes são verdadeiras obras primas da frieza humana. Mas é um homem solitário, deprimido. Em determinada cena, ele paga uma prostituta (Jill Ireland, que foi casada com Bronson) para lhe escrever uma carta de amor, apenas pra se sentir apegado por alguém. Esse tipo de atitude demonstra todo estado de espírito de Bishop.

Outro detalhe interessante que demonstra a sua frieza é o encontro com Harry McKenna, um sujeito que foi amigo de seu pai e que trabalha na mesma organização que ele. Harry pede que Bishop tente convencer os superiores de livrar a sua cara, já que, por algum motivo, seu nome está sujo com a organização e Bishop tem uma certa moral com os criminosos porque seu pai era um dos conselheiros mais influentes da organização. No mesmo dia, Bishop recebe o pacote contendo as informações de seu próximo alvo, que é ninguém menos que Harry.

Da mesma forma como sempre fez, traça seu plano e mata com tranqüilidade sua vítima sem deixar qualquer resquício de amizade atravessar o caminho. Seu método de trabalho é dos mais surpreendentes. É pra entrar no grupo de melhores matadores profissionais da história do cinema. Nada de agir como “cowboy”, que significa matar a vítima rapidamente com um disparo ou algo nesse sentido. Seu método envolve paciência e análises calculadas que fazem de tudo para que os resultados pareçam mortes naturais. Como o ataque cardíaco que provocou em Harry.

Uma das únicas coisas na vida que ainda lhe dá prazer, e se orgulha muito disso, é seu trabalho. Por isso, nada impede que o realize, mesmo que precise continuar sendo o homem amargurado que é. Mas a situação muda no funeral de seu amigo, quando reencontra o filho do morto, Steve (Jean Michael Vincent, que é um péssimo ator!) e detecta alguma simpatia pelo rapaz, provavelmente sente um saudosismo em relação a sua própria juventude.

Já Steve enxerga uma figura madura em Bishop. Uma admiração muito forte. Algumas trocas de olhares fazem até parecer outra coisa e no mal sentido. Quando assisti com meu pai, ele soltava umas expressões do tipo, “Esse Charles Bronson ‘tá’ muito viado”. E eu tinha que explicar que não é bem assim. Que é mais uma admiração no sentido de preencher algum vazio de suas almas. Bishop exerga sua juventude no garoto enquanto Steve vê uma figura paterna que não teve enquanto seu pai estava vivo. Mas aí o meu velho achava mais ainda que eles fossem homossexuais. Mas tudo bem.

Antes de acabar o funeral, os dois saem e realizam uma jornada de descobertas. Bishop percebe o comportamento frio do rapaz em relação à morte do pai e de outras situações. Em uma seqüência, Steve assiste, sem mexer um dedo pra impedir, sua namorada cortar os pulsos. Logo, Bishop percebe que o rapaz serviria como um ótimo substituto. E Steve acaba descobrindo a profissão de Bishop e o interesse deste em colocá-lo no ramo. O rapaz aceita ingressar na profissão de mecânico, termo utilizado para definir os matadores de aluguel.

Aqui no Brasil o filme recebeu o nome de Assassinato a Preço Fixo, mas como comentou sabiamente o Felipe M. Guerra em sua crítica para o site Boca do Inferno, o preço dos assassinatos nunca é mencionado então como sabemos se é fixo? Por isso, prefiro chamar o filme de The Mechanic mesmo, que é o título original. De qualquer forma, Bishop coloca o rapaz em um programa de treinamento super rápido para se tornar um mecânico. O roteiro não trata com muita profundidade dessa relação de professor aluno. Ao invés, tenta criar de uma vez, rápidas seqüências de ação para quebrar o ritmo paradão que o filme possui, pois a verdadeira ação neste filme é psicológica.

Um alvo chega por encomenda e logo Steve vai poder fazer seu primeiro trabalho junto com seu mentor. Durante a ação, algo dá errado e Bishop precisa resolver a burrada do garoto. Melhor para o publico que vislumbra uma ótima seqüência de perseguição de motos. Entretanto, a organização criminosa fica furiosa pela bagunçada operação, e começa a questionar a competência de Bishop. Sendo assim, resolve mandá-lo para uma operação de urgência na Itália tendo que fazer no estilo Cowboy de matar que Bishop tanto detesta. Ao mesmo tempo em que desconfia deste trabalho urgente, ele descobre provas indicando que Steve já teria seu primeiro alvo, o próprio Bishop.

Michael Winner foi um dos bons (entre muitos) diretores de ação policial nos anos 70. Hoje não é muito lembrado, infelizmente. Talvez se não tivesse recusado Operação França ou a refilmagem de King Kong tudo seria diferente. Em The Mechanic, ele administra muito bem o ritmo, principalmente nas seqüências de ação, como a já citada perseguição de motocicleta e o grande final onde o tiro come solto nas paisagens italianas. Winner, geralmente era o editor de seus filmes, mas sempre com o pseudônimo Arnold Crust.

The Mechanic é lento para um filme de ação, mas muito bem pensado. E possui excesso de diálogos para um ator como Charles Bronson. Embora os geniais 16 minutos iniciais não tenham uma fala sequer. Apenas a elaboração perfeita de um assassinato realizado por Bishop, um dos melhores personagens desenvolvidos por Bronson. E ainda assim, quando o filme exagera nos diálogos, Bronson consegue demonstrar segurança em expressar as angustias do personagem tão bem quanto dizer suas falas.

20 de abril de 2008

O cinema de Andy Warhol

Blood for Dracula (1974), de Paul Morrissey: Na verdade Warhol apenas produziu. Acho que título do post deveria ser “O cinema de Paul Morrissey”, que foi o roteirista e diretor do dito cujo aqui. Mas com certeza o nome do famoso artista plástico chama mais a atenção. Warhol e Morrissey fizeram outras parcerias, incluindo Flesh for Frankenstein, que eu ainda não vi, mas já estou providenciando. Blood for Dracula é uma variação atípica da criação de Bram Stoker. É um Drácula que sai durante o dia, embora seja um tanto frágil à luz, não tem problema em pegar ou ver cruzes, mas não gosta delas, não come alho e o único sangue que bebe é de virgens.

O filme inicia na Romênia dos anos 30 com Udo Kier, ainda novo, vivendo um Conde Dracula exótico, moribundo, fraco e necessitado de sangue já que não consegue arranjar virgens para chupar o cangote. É então convencido pelo seu criado, Anton, o estranho Arno Juerging, para ir à Itália, país religioso que preza pelo cabaço de suas filhas, diferente da Romênia onde a virgindade é algo escasso.

Chegando ao país da bota, é recebido pelo Marquês di Fiore e sua esposa, que possuem quatro filhas. O Marquês é o grande diretor italiano Vittorio de Sica e seu personagem, falido financeiramente, aproveita para beneficiar-se das intenções do Conde que anuncia o desejo de se casar com uma de suas filhas. O grande problema é o criado da família (Joe Dallesandro) com pensamentos socialistas que acredita na queda da classe dominadora enquanto pratica o coito com duas filhas do Marquês, e ao mesmo tempo.

Morrissey subverte a história para um estudo visual-erótico-sanguinário e até político (na visão do criado). O conflito entre ele e o conde é símbolo de lutas entre classes, sendo que os dois dentro do contexto têm o mesmo objetivo de ter nos braços as filhas do Marquês. Uma dialética ambiciosa para um filme de terror aparentemente oportunista e apelativo para sangreira e mulher pelada.

A busca pela virgem prossegue dentro da mansão do Marquês, embora como já se sabe, duas das filhas, Rubinia e Saphiria, são muitos sapecas. São bonitas também e protagonizam várias cenas de nudez com as petecas cabeludas e encenações de sexo soft-core com o pobre criado socialista. Logo, o vampirão abre olho em cima delas, já que as outras duas filhas são, inicialmente, rejeitadas. Esmeralda, a mais velha é desprovida de beleza e Perla, a mais linda entre todas é muito nova.

O Conde rapidamente descobre que as duas beldades não são virgens de uma maneira visceral. Após chupar o pescoço de suas vítimas para retomar suas forças, seu corpo rejeita o sangue impuro criando seqüências que fazem valer a excelente performance de Kier vomitando sangue em expressões angustiadas. Kier possui muita presença, com uma linguagem corporal que lembra os atores do cinema mudo. Como no início, se maquiando em frente ao espelho (sem ver seu reflexo, lógico).

Morrissey parece ter uma afinidade em criar o choque no publico. Seja no catártico e sangrento desfecho ou na forma como apresenta os costumes de uma época a fim de expandir os limites do que era aceitável dentro do comportamento de uma sociedade com relação à sexualidade, que é um dos pontos principais explorados no filme. A direção é bem característica dos exploitations da época, com zoons e closes enfocando os exageros e os excessos. Desde o olhar expressivo de Kier até mesmo os litros de xarope derramados.

Ainda há a participação especial de Roman Polanski como um italiano espetinho que sacaneia Anton com um jogo bobo. Polanski estava realizando What? em um set de filmagens na Itália perto do local onde Morrissey filmava Blood for Dracula, um filme pouco falado aqui no Brasil, mas recomendável para os amantes dos verdadeiros filmes de terror e que estão cansados de ver sempre a mesma porcaria.

19 de abril de 2008

Top 10 de cada década

Anos 90

1. Crash, Cronenberg
2. Magnólia, P T Anderson
3. Os Imperdoáveis, Eastwood
4. Barton Fink, Coens
5. Boogie Nights, PTA
6. Fogo Contra Fogo, Mann
7. Pulp Fiction, Tarantino
8. Os Bons Companheiros, Scorsese
9. O Pagamento Final, De Palma
10. Violência Gratuita, Haneke

Anos 80

1. Amante, Cassavetes
2. Era uma Vez na América, Leone
3. Paris, Texas, Wenders
4. Touro Indomável, Scorsese
5. Veludo Azul, Lynch
6. Videodrome, Cronenberg
7. Blade Runner, Scott
8. A Barriga do Arquiteto, Greenaway
9. Santa Sangre, Jodorowsky
10. Agonia e Glória, Fuller

É uma pena que aqui não consegui colocar nenhum filme do John Carperter que nesta década realizou pelo menos quatro obras primas que merecem o mesmo destaque que os citados na lista: O Enigma do Outro Mundo, Fuga de Nova York, Os Aventureiros do Bairro Proibido e Eles Vivem.

Anos 70

1. Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia, Peckinpah
2. O Espírito da Colméia, Erice
3. A Morte de um Bookmaker Chinês, Cassavetes
4. Taxi Driver, Scorsese
5. Laranja Mecânica, Kubrick
6. Profissão: Repórter, Antonioni
7. O Discreto Charme da Burguesia, Buñuel
8. Two-Lane Blacktop, Hellman
9. The Holy Mountain, Jodorowsky
10. Profondo Rosso, Argento

Anos 60

1. O Desprezo, godard
2. Era uma Vez no Oeste, Leone
3. 2001 - Uma Odisséia no Espaço, Kubrick
4. Paixões que Alucinam, Fuller
5. Persona, Bergman
6. O Ano Passado em Marienbad, Resnais
7. Oito e Meio, Fellini
8. O Homem que Matou o Facínora, Ford
9. O Samurai, Melville
10. Os Pássaros, Alfred Hitchcock

Anos 50

1. No Silencio da Noite, Ray
2. A Marca da Maldade, Welles
3. Crepúsculo dos Deuses, Wilder
4. Os Incompreendidos, Truffaut
5. Janela Indiscreta, Hitchcock
6. Hiroshima mon Amour, Resnais
7. Rastros de Ódio, Ford
8. Noites de Cabíria, Fellini
9. Glória Feita de Sangue, Kubrick
10. Meu Tio, Tati

Anos 40

1. Ladrões de Bicicleta, De Sica
2. Festim Diabólico, Hitchcock
3. Cidadão Kane, Welles
4. A Felicidade não se Compra, Capra
5. O Tesouro de Sierra Madre, Huston
6. O Boulevard do Crime, Carné
7. Obsessão, Visconti
8. As Vinhas da Ira, Ford
9. A Beira do Abismo, Hawks
10. Pacto de Sangue, Wilder

Anos 30

1. Luzes da Cidade, Chaplin
2. Scarface, Hawks
3. A Idade do Ouro, Buñuel
4. M, Fritz Lang
5. A Regra do Jogo, Renoir
6. L'Atalante, Vigo
7. Freaks, Browning
8. O Diabo a Quatro, MaCarey
9. Limite, Peixoto
10. No Tempo das Diligências, Ford

Anos 20

1. O Martirio de Joana D'arc, Dreyer
2. A General, Keaton
3. Um Cão Andaluz, Buñuel e Dali
4. Aurora, Murnau
5. Metrópolis, Lang
6. Em Busca do Ouro, Chaplin
7. O Encouraçado Potenkin, Eisenstein
8. Nosferatu, Murnau
9. O Gabinete do Dr. Kaligari, Wiene
10. A Ultima Gargalhada, Murnau

17 de abril de 2008

Bava alugado

5 Bambole per la Luna D'Agosto (1970), de Mario Bava: É interessante como mesmo sendo um mestre do cinema de horror, Mario Bava eventualmente trabalhava de aluguel para seus produtores, embora tivesse controle quase total do material e de tudo que estava sendo filmado. No entanto, em 5 Bambole per la Luna D'Agosto, Bava entrou no projeto apenas dois dias antes de começarem as filmagens. Mesmo dizendo que o roteiro não passava de uma versão de uma história de Agatha Christie (Ten Little índios, que Bava odiava), o diretor foi convencido pela insistência dos produtores Pietro e Mario Bregni, mas com uma condição: que recebesse adiantado.

Ou seja, ele tava mais preocupado em encher o bolso de dinheiro mesmo, mas até que o resultado não é desastroso nem nada disso. O diretor conseguiu manter uma ótima atmosfera de suspense com um clima de psicodelismo e musicalidade referente ao período, mas está longe de ser o Mario Bava de Sei Donne per L’assassino, A Máscara do Demônio, Rabid Dogs e muitos outros, embora tenha algumas sacadas geniais como a contagem de corpos pendurados no frigorífico a cada assassinato ocorrido. O elenco possui alguns dos habituais colaboradores do cinema de horror italiano da época, como a beldade linda e maravilhosa Edwige Fenech que já vale uma "assistida". Vale também como curiosidade para os apreciadores do trabalho do cineasta.
(este final foi típico de resenha feita às pressas por varios motivos... mas tudo bem.)

14 de abril de 2008

Road Movie existencialista

Two-Lane Blacktop (1971), de Monte Hellman: Tentei escrever pouco sobre o filme, mas quando comecei, percebi que não dava pra tratar desta obra prima do cinema americano de forma tão superficial. Não que minha análise seja densa, nem tenho capacidade pra tanto, mas ficou um pouco mais detalhado que de costume.

Logo no início somos apresentados ao piloto e seu mecânico (assim são mencionados nos créditos), personagens que vivem nas estradas dirigindo um Chevy 1955 realizando pegas pra ganhar um trocado. Vivem num universo particular dos carros possantes, da fumaça dos carburadores, dos roncos dos motores e das corridas clandestinas, cujos carros são modificados minimamente para um melhor desempenho.

Este universo é quebrado com a entrada de outros dois personagens em cena. A garota sem destino que viaja com eles de carona e GTO, vivido por Warren Oates, um sujeito que corre pelas estradas dando carona às pessoas e inventando histórias. Eles decidem apostar uma corrida até Washington DC. É durante esse trajeto e seus contratempos que Monty Hellman estrutura a narrativa.

A trama é bastante simples e a tal corrida é o que menos importa para o diretor. O foco se encontra em seus personagens, o cotidiano e a catarse do universo particular. É interessante como a mesma maneira que transformam seu carro minimamente para o desempenho, acaba refletindo no relacionamento limitando-os também em falar somente o mínimo, o essencial. quase não acontece diálogos entre os dois e quando ocorre, 90% é sobre carros. Warren Oates, um dos meus atores preferidos desta época, tem aqui uma de suas melhores performances e é engraçado como assume várias personalidades a cada passageiro que pega carona.

Hellman é um diretor que não filma espetáculos. Não esperem ver aqui cenas grandiosas de carros em disputas de alta velocidade em ritmo de videoclip. Hellman filma o espaço. Ou melhor, a ação dentro do espaço. É o que torna Two-Lane Blacktop tão essencial. A forma como o cineasta captura as imagens com poesia espacial que define a profundidade do campo de ação sem precisar mexer um centímetro de câmera. E ainda há o final emblemático, a película que queima, o destino indefinido que os aguarda.

11 de abril de 2008

French Horror Flick

A Invasora (2007), de Alexandre Bustillo e Julien Maury: Estreando o novo visual do blog depois de ver esse filmezinho francês que vem ganhado uma certa notoriedade por um grupo de cinéfilos que aprecia um catálogo de violência explícita, mutilações e litros de sangue sem se preocupar em pensar. Mas funciona, e isso que importa. Trata de uma busca pela sobrevivencia agressivamente perturbadora que vai levantar muitas sobrancelhas durante a projeção.

A premissa é bastante simples, plausível, sem divagações, mas coloca o espectador num estado de espírito de tensão com um show de imagens chocantes recheadas de elementos que vão desde o terror psicológico com o mais alto grau de violência on screen. Há um belíssimo contraste entre estilo francês de filmar e o gore que remete aos diretores italianos como Fulci e Argento e que difere de longe das produções americanas com adolescentes retardados. Não recomendo às pessoas com estômago fraco, cardíacos e grávidas (principalmente!).

10 de abril de 2008

A Coisa (1985), de Larry Cohen

Produto classe B que virou cult dos anos 80 recheado de elementos do “terrir” (o terror que faz rir, obviamente) que ainda fascina depois de tantos anos, os mesmos olhos de moleque que assistia escondido dos pais. A coisa do título é um organismo parecido com um sorvete que, para o deleite do público, acaba sendo distribuído como um produto comestível dos mais deliciosos e aos poucos transforma seus consumidores em zumbis controlados e viciados. De alguma maneira, uma forte crítica ao consumo capitalista se forma beneficamente como pano de fundo do entrecho. Mas o que ainda surpreende são as maquiagens e os efeitos de trucagem que Larry Cohen e sua equipe utilizam com criatividade.

7 de abril de 2008

Boarding Gate (2007), de Olivier Assayas

Um dos bons motivos para não perder este filme (se é que vai chegar por aqui) se chama Asia Argento. De exótica beleza e sexy da ponta do cabelo até dedinho do pé, a filha de Dario Argento ainda demonstra talento singular e capacidade de carregar o filme nas costas. O que não quer dizer que o diretor não tenha seus méritos, pelo contrário, o francês Olivier Assayas provavelmente seja um dos cineastas mais maduros do cinema atual e seu estilo de direção e movimentação de câmeras ultrapassam os limites da criatividade. Mas não consigo imaginar o mesmo impacto com outra atriz vivendo a protagonista com a mesma intensidade de Asia. Outro elemento surpreendente é a escolha de Michael Madsen que cumpre um papel de tamanha importância para a trama. Madsen é esnobado por Hollywood, sendo lembrado pelas participações nos filmes de Tarantino. Em Boarding Gate ele cala a boca dos detratores com um excelente desempenho e ainda tem o privilégio de enfiar a cara na bunda da Asia!

6 de abril de 2008

Charlton Heston

1924 - 2008

Perseguidor Implacável (1971), de Don Siegel

Vi este aqui há um tempinho. É o primeiro longa que deu origem ao famoso policial personificado por Clint Eastwood: Harry Callahan, o tira mais durão de São Francisco, mais conhecido como Dirty Harry, um sujeito que age de acordo com suas próprias leis, cujos ideais nem sempre vão de acordo com os burocráticos métodos da policia. Esta espécie de personagem contribuiu para a formação de um estereótipo de policiais inabaláveis e “anarquistas” que surgiram aos montes na década de 70 e 80.

Perseguidor Implacável é claramente baseado nos eventos do famoso serial killer Zodíaco, no qual foi tema recente do filme de David Fincher, lançado no ano passado. Mas ao contrário do realismo impresso na adaptação, aqui o assassino enfrenta o policial casca grossa.

Clint foi uma escolha interessante para viver o personagem (após ter sido oferecido a John Wayne, Paul Newman e até Frank Sinatra!), que não exigia uma performática, antes tivesse uma presença marcante em cena. E é o que o eterno Pale Raider tem de sobra. Prova disso é a cena onde o bandido mantém um ônibus escolar como refém e avista de longe a figura de Dirty Harry estática, fria, esperando tranquilamente em cima de uma ponte pronto pra fazer sua Magnun cuspir bala calibre 44.

3 de abril de 2008

Breves comentários sobre o rapaz de skate e o detetive maluco....

Paranoid Park (2007), de Gus Van Sant: Serve tanto como veículo para que Van Sant lance seu olhar pedófilo e questionador sobre a juventude alienada americana como também reitera a posição de vanguarda que ele ocupa entre os cineastas americanos. Também corresponde a um amadurecimento na linha de evolução de um processo magistralmente definido em Gerry, depois aplicado em Elephant e Last Days.

Mad Detective (2007), de Johnnie To e Ka-Fai Wai: É um drama policial sólido, que possui o diferencial de carregar o nome de Johnnie To como diretor (além de Wai). Três ótimas sacadas pra sintetizar: a) Bum, o detetive louco do título, é um dos personagens mais bizarros que já surgiu nos filmes de To; b) a maneira como os diretores mostram a subjetividade de Bum e seus métodos de investigação é genial; c) o final com o lance dos espelhos é encenado com maestria e faz boa alusão ao clássico A Dama de Shangai, de Orson Welles.

1 de abril de 2008

Filmes de Março e dois caras legais que partiram...



Segue a lista do mês de Março com revisões em negrito:

20 MILLION MILES TO EARTH (1957), de Nathan Juran ***
O RATO QUE RUGE (1959), de Jack Arnold ****
VIDEODROME (1983), de David Cronenberg *****
ONCE (2006), de John Carney***
FESTIM DIABÓLICO (1948), de Alfred Hitchcock *****
ARRIVEDECI, AMORE, CIAO (2006), de Michele Soavi ****
O ORFANATO (2007), de Juan Antonio Bayona ***
THE MECHANIC (1972), de Michael Winner ****
SANGUE NEGRO (2007), de Paul Thomas Anderson *****
SUKIYAKI WESTERN DJANGO (2007), de Takashi Miike ****
CASSANDRA’S DREAMS (2007), de Woody Allen ***
O NOVO MUNDO (2006), de Emanuele Crialese ****
YOUTH WITHOUT YOUTH (2007), de Francis Ford Coppola **
THE MIST (2007), de Frank Darabont ****
LA TERZA MADRE (2007), de Dario Argento ****
EM BUSCA DO OURO (1925), de Charles Chaplin *****
LADRÕES DE BICICLETA (1948), de Vittorio de Sica *****
O RAIO VERDE (1986), de Eric Rohmer ****
IRMA VEP (1996), de Olivier Assayas *****
AURORA (1927), de F.W. Murnau *****
MAD DETECTIVE (2007), de Johnnie To e Ka-Fai Wai ****
PARANOID PARK (2007), de Gus Van Sant ****
BEST SELLER (1987), de John Flynn *****

Richard Widmark

1914 - 2008

Jules Dassin

1911 - 2008