27 de novembro de 2007

Obsessão (1943), de Luchino Visconti



Considerado o expoente neo-realista italiano, Obsessão é também o primeiro trabalho solo do mestre Luchino Visconti na direção. O filme manteve-se por um bom tempo desconhecido por causa das questões legais que envolve a obra em que se baseia, já que Visconti não tinha o direito de filmar O Destino Bate a Sua Porta, de James M. Cain. Mas tirando esses problemas, Obsessão é narrado com muito cuidado por Visconti com um alto teor de erotismo que, até então, via-se raramente no cinema mundial. Os corpos são motivados pelo desejo carnal, simplesmente e Visconti conduz toda essa gama de sensações e situações definindo um tom que serviu de pilar para muitos filmes da década de 40 que buscavam uma ousadia driblando a censura da época.

por ronald

25 de novembro de 2007

Repulsa ao Sexo

Já estou com Redacted (Brian de Palma), Control (Anton Corbijn) e O Sobrevivente (Werner Herzog) aqui em casa pra assistir. Enquanto não encontro tempo para vê-los, continuo postando minhas resenhas de preciosos e clássicos títulos da filmografia mundial...

Repulsion, aka Repulsa ao Sexo (1965), de Roman Polanski



Primeiro filme de Roman Polanski falado em inglês. É também dos mais pertubadores. E não é somente pelo tema de cunho paranóico-sexual, mas pelo belíssimo trabalho estético em preto e branco, um claro-escuro sufocante que à medida que as situações ficam mais extremas para personagem de Catherine Deneuve, mais as paredes vão se fechando em cima dela. Deneuve apresenta um dos seus desempenhos mais impressionantes, no papel de uma moça que vive na casa de sua irmã em Londres e possui uma estranha fobia dos homens. Quando a irmã e o namorado decidem viajar num feriado, o período de isolamento no apartamento agrava ainda mais a paranóia na cabeça da personagem que acaba se deixando levar pela insanidade até resultar em um macabro desfecho. O tom de pesadelo empregado é um dos feitos mais brilhantes que faz de Repulsa ao Sexo uma obra prima do horror psicológico.

por ronald

22 de novembro de 2007

Vicio Frenetico

Bad Lieutenant, aka Vício Frenético (1992), de Abel Ferrara



Existe até certo, ponto uma história policial onde uma freira é estuprada e Harvey Keitel inicia as devidas investigações policiais. Mas nada disso interessa para o diretor Abel Ferrara, a não ser como pano de fundo, pois não deixa de ser um tanto subversiva uma trama como essa. Ainda mais se ela perdoa os estupradores e se recusa a identificá-los perante a polícia. O que importa realmente é a descida ao inferno do personagem de Keitel, um policial de Nova York viciado em jogos, drogas e com a cabeça à prêmio por causa de dívidas. Apesar do mundo de corrupção, prostituição, violência e drogas em que vive, não consegue suportar a idéia do estupro da freira, por isso, dedica na medida do possível, resolver o caso para sua redenção ao mesmo tempo em que aposta sua própria vida num jogo de baseball. Vício Frenético é daqueles filmes pesados e melancólicos, desses que têm a capacidade de colocar o espectador pra baixo com situações desconfortáveis e imagens escuras e sufocantes. Além de ter Harvey Keitel dando uma aula de atuação.

por ronald

20 de novembro de 2007

We Own the Night

We Own the Night, aka Os Donos da Noite (2007), de James Gray



O tratamento dado às questões familiares, simplesmente, já faria de Os Donos da Noite um filme diferenciado, e não somente mais um exemplo do gênero policial, e mesmo se o fosse, já seria um bom filme pela trama. Mas é ainda mais profundo. São conseqüências causadas por atos humanos que dão motivos para mais ações que vão estruturando um filme muito mais complexo do que aparenta ser. Acontece de um veterano policial, vivido por Robert Duvall ter orgulho de ver um filho, Joe (Mark Walbergh), seguir seus passos na polícia, ao mesmo tempo em que seu outro filho, Bobby (Joaquim Phoenix), a ovelha negra da família, gerencia um grande bar, local perfeito para encontrar traficantes. É em Bobby que o diretor James Gray aposta suas fichas e o coloca como o personagem que o público vai acompanhar o ponto de vista. O caso é que Bobby é o personagem que sofre as maiores transformações. Das cenas iniciais ao desfecho, há uma decadência muito absurda na medida que faz suas escolhas. Mesmo as certas, acarretam resultados de perda e ao final, apesar da redenção, já não possui o mesmo sentimento do início. Phoenix no papel de Bobby possui uma energia muito boa e vem demonstrando ser ótimo ator.

James Gray é um diretor de detalhes e sua mise en scène causa um estranhamento belíssimo, principalmente filmando situações dramáticas. Suas decisões em o que e como mostrar certos quadros demonstram um talento diferenciado dos demais diretores americanos. Seus personagens aparecem em algumas cenas espremidos pelos cenários, pelas penumbras, e até simples planos têm um efeito que saltam aos olhos, como na cena em que Eva Mendes surge das sombras com um espartilho vermelho fumando em câmera lenta. Outra cena interessante é a perseguição de carro na chuva. Além de muito bem realizada e editada, é toda mostrada sob o ponto de vista do carro de Bobby, o que causa um certo desconforto e impotência, a sensação é que estamos dentro do carro e não podemos fazer nada. Várias outras sacada de direção e o ótimo roteiro (escrito pelo próprio diretor) fazem de Os Donos da Noite um filme obrigatório dentre os lançamentos de 2007 nos cinemas brasileiros.

por ronald

18 de novembro de 2007

Barry Lyndon

Barry Lyndon (1975), de Stanley Kubrick



Como praticamente toda filmografia de Kubrick é formada por obras primas, Barry Lyndon, cuja revisão fiz há pouco tempo, é uma das melhores. Kubrick demorou dois anos para realizar esta melancólica adaptação do romance de William Makepeace Thackeray, e juntamente com seu diretor de fotografia, John Alcott, filmou cada seqüência sempre à luz natural (à noite só as luzes das velas acesas eram suficientes) para dar mais realismo à história do jovem irlandês Redmond Barry e sua jornada rumo ao amadurecimento até se tornar Barry Lyndon. Interpretado por Ryan O’Neal, é um dos personagens mais interessantes do cinema mundial e a narrativa de sua vida é construída a partir das diversas situações que vai enfrentando em suas viagens pela Europa do século XVIII e suas transformações de jovem ingênuo ao maduro, enigmático e complexo personagem do final. A título de curiosidade, o belíssimo trabalho de recriação de época é tão detalhado que até os figurinos são vestimentas confeccionadas realmente no século XVIII...

17 de novembro de 2007

Aniversário do Marty...

Meu Top 10 Martin Scorsese atualmente seria este:

1. Taxi Driver (1976)
2. Touro Indomável (1980)
3. Os Bons Companheiros (1990)
4. Cassino (1995)
5. Depois de Horas (1986)
6. Alice não mora mais Aqui (1974)
7. Gangue de Nova York (2002)
8. Caminhos Perigosos (1973)
9. Os Infiltrados (2006)
10. O Aviador (2004)


15 de novembro de 2007

American Gangster, aka O Gangster (2007), de Ridley Scott



Desta vez Ridley Scott acertou a mão. Como diretor talvez tenha errado poucas vezes, pois geralmente suas fitas possuem um digno tratamento estético com um trabalho coeso de equipe, principalmente com seus diretores de fotografia. Mas o resultado final, constantemente, perde força por conta dos roteiros, indo do mediano (Gladiador, Os Vigaristas) ao péssimo (Falcão Negro em Perigo, Hannibal), filmes que não deixam de ser vergonhosos para quem já fez algo como Blade Runner, Alien e Os Duelistas no início da carreira.

Em O Gangster, Scott trabalha com o roteirista Steven Zailian (A Lista de Schindler) e coloca em seu currículo um filme de máfia, onde existe um Denzel Washington inspiradíssimo vivendo Frank Lucas, um gangster que revolucionou o tráfico de drogas ao vendê-las por preço de banana e Russel Crowe competente no honesto policial que lembra muito o Sérpico de Pacino no filme de Sidney Lumet. Todo elenco coadjuvante está muito bem, embora sejam superficiais, menos Josh Brollin, que vai se revelando cada dia mais um bom ator e tem uma participação mais definida aqui.

Baseado em fatos acontecidos na década de 70, o roteiro sempre busca um realismo ao desenvolver as situações e se posicionar no contexto histórico da época como o Vietnan, etc. Desta forma, Scott conduz a narrativa por longos 157 min sem tirar a atenção do espectador, a não ser por exceder demais na vida pessoal do policial, mas nada que prejudique. É um filme que se estrutura nas imagens, o que é característico do diretor, e o impacto visual é ainda mais interessante com o belo roteiro e na utilização da violência, como na cena do tiroteio no apartamento e as picadas de seringas dos drogados.

O Gangster foi cogitado há algum tempo para o Oscar de 2008. Realmente, acho que agora não. Devem ter produções com mais chances do que ele. Mas é um filme que conta um pouco da história americana, muito bem produzido e vários detalhes que a academia adora. Eu arrisco uma indicação para Denzel Washington no seu papel ambíguo (ora sentimental e frio, ora explosivo e violento) de poderoso chefão do Harlen ou o neo Superfly.

por ronald

13 de novembro de 2007

trailer do novo Cronenberg

Por que não lançam logo essa maravilha
nos cinemas, simplesmente?



10 de novembro de 2007

Sessão Carrancuda

Ao tomar conhecimento da história, até me empolguei!E ainda meu irmão, o editor desse blogue, disse que era de um ótimo diretor, um cara russo chamado Andrei Tarkovsky. Logo no começo, percebi a merda em que me meti, e merda das grandes. É mais um daqueles filmes bem parados e sem fundamento algum. E é isso que mostra o quanto o diretor é ruim, pois ele tinha uma boa história nas mãos e conseguiu estragar tudo! Filme difícil de assisitr, chato, conseguindo se igualar a 2001 – Uma Odisséia no Espaço e Ladrões de Bicicleta (os dois filmes mais chatos da história).

Realmente, Stalker, não recomendo aos leitores da Sessão Carrancuda, é um filme muito ridículo. Em vez disso, vão assistir qualquer coisa do Steven Seagal ou do Jean Claude Van Damme, ou até memso do Dolph Lundgreen...

8 de novembro de 2007

Resident Evil – Extinction (2007), de Russell Mulcahy



É claro o objetivo dos produtores ao realizarem um filme como Resident Evil – Extinction: ganhar dinheiro e divertir o público. Concordo plenamente que não há nada demais em usar o cinema como diversão, muito menos lucrar com isso. Mas ofender a minha inteligência (que já não é das melhores), aí é demais. O roteiro parece que foi escrito pelo filho do produtor, de 12 anos; algumas situações são extremamente ridículas como o ataque dos corvos onde os personagens ficam atirando pra cima quando não precisa ser nenhum gênio pra perceber que não adianta nada. Ou alguém poderia me explicar como três ou quatro zumbis conseguem levantar um carro, arrancar os vidros e destroçar alguma parte de um veículo grande e pesado, sendo que num local protegido por uma mísera grade, milhares de zumbis não conseguem fazer nada?

A homenagem a Mad Max II, com o ambiente apocalíptico e desértico é interessante e muito bem pensada. Já a cópia descarada do Dia dos Mortos, de George Romero, é totalmente forçada e demonstra a falta de criatividade do roteiro. A cena em Las Vegas é uma surpresa a parte. Parece que outra pessoa dirigiu de tão boa. É criativa e digna de um zombie movie. Um alien dentro de um filme onde, até então, todas as cenas de ação eram montadas da maneira mais porca que já vi na minha vida, como na cena dos cachorros no inicio e na, já citada, seqüência do ataque de corvos.

Infelizmente, o final volta a enfraquecer, apesar de conter vários elementos que, nas mãos de um diretor mais competente, renderia boas seqüências de suspense e ação. Mas ainda há esperança, já que Milla Jovovich volta a personagem de Alice. Não que seja boa atriz, mas é linda que dói. Vale a pena só pra ficar de olho nela...

por ronald

5 de novembro de 2007

indomaveis

3:10 to Yuma, aka Os Indomáveis (2007), de James Mangold



James Mangold (Copland) revela um talento generoso nesse seu novo trabalho que possui o que há de melhor do bom e velho Western clássico americano, o que de fato não acontecia desde Os Imperdoáveis. O roteiro já demonstra sua força na apresentação e construção dos personagens, em especial Dan Evans, vivido por Christian Bale, cuja atuação é ótima no papel de um pai de família cheio de dívidas e aleijado. Já Russel Crowe é o famoso e perigoso bandido Bem Wade, chefe de uma quadrilha de facínoras.

Após a prisão de Wade, Evans e mais alguns homens (incluindo um personagem interpretado por Peter Fonda) têm a missão de levar o prisioneiro para o trem que parte para Yuma onde será julgado e condenado a forca. Mas a missão é árdua, tendo em vista a astúcia do bandido e seu bando, que faz de tudo para livrar o chefe.

Mangold tem muita noção de espaço na direção das cenas de ação. A seqüência final onde Evans carrega Wade em direção ao trem trocando balas com os bandidos é conduzida com perfeição e num timing que eleva o clímax na potencia máxima. Não vi a versão original, chamada aqui no Brasil de O Galante Sanguinário, para as devidas comparações. Mas como um filme isolado, Os Indomáveis é um exemplo de western de primeira que deveria ser seguido para que o gênero não fique no ostracismo por 15 ano de novo...

por ronald

3 de novembro de 2007

Filmes de Outubro

Lista completa de todos os filmes que vi no fraco mês de Outubro, com revisões em negrito:

Violência em Cárcere Feminino (1982), de Bruno Mattei ***
Manhattan (1978), de Woody Allen *****
Paris, te amo (2006), vários diretores ***
La Coda dello Scorpione (1971), de Sérgio Martino ****
Marcas da Violência (2005), de David Cronenberg *****
Abismo do Medo (2005), de Neil Marshall ***
O Cheiro do Ralo (2007), de Heitor Dhália ***
O Estranho (1946), de Orson Welles ****
3:10 to Yuma (2007), de James Mangold ****
Jogos Mortais III (2006), de Darren Lynn Bousman *
O Corvo (1963), de Roger Corman ***
Perseguidor Implacável (1971), de Don Siegel ****

2 de novembro de 2007

Sessão Carrancuda (agora semanal!):

Matem-me, torturem-me, mas não me deixem assistindo esse filme de novo! Já ouvi dizer que todos adoram, “é um ótimo filme”, “um clássico”! Pelo amor de Deus, eu passo o fim de semana inteiro vendo os filmes do Van Damme ou Steven Seagal, mas não vejo Casablanca!
O filme possui uma das histórias mais bestas que eu já vi! Como pôde ganhar o Oscar de melhor filme? Deprimente. Casablanca é mal feito e sem graça, até hoje me pergunto porque todos veneram esse filme, consideram um clássico. Eu assisti tentando, com todas as minhas forças, ver o que havia de bom no filme, e digo que havia nada! Nada! Acho que nem os figurantes eram bons...

por romulo, o carranca