29 de setembro de 2006
25 de setembro de 2006
Anos 60
Adianto aqui, a lista dos vinte melhores filmes dos anos 60 que mandei pra Liga dos Blogues Cinematográficos. Limitei em colocar apenas um filme de cada diretor porque só de Godard, Fellini, Bergman, Truffaut, Kubrick e outros, já seriam a metade da lista. A relação é estritamente pessoal e sei que muitos vão sentir falta de vários filmes. Não consegui sair muito do óbvio, mas são os filmes que, verdadeiramente, fizeram o cinema dos anos sessenta na minha cabeça.
1. 2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968, Stanley Kubrick)
2. Persona (1966, Ingmar Bergman)
3. O Demônio das Onze Horas (1965, Jean Luc Godard)
4. Os Reis do Iê Iê Iê (1964, Richard Lester)
5. Um homem, Uma Mulher (1966, Claude Lelouch)
6. Três Homens em Conflito (1966, Sérgio Leone)
7. Blow Up (1966, Michelangelo Antonioni)
8. Jules e Jim (1962, François Truffaut)
9. Rocco e seus Irmãos (1960, Luchino Visconti)
10. O Ano Passado em Mariembad (1962, Alain Resnais)
11. O Anjo Exterminador (1962, Luis Buñuel)
12. Os Pássaros (1963, Alfred Hitchcock)
13. A Doce Vida (1960, Federico Fellini)
14. Meu Ódio Será Sua Herança (1969, Sam Peckinpah)
15. O Homem que Matou o Facínora (1962, John Ford)
16. Cléo, das 5 às 7 (1962, Agnes Varda)
17. O Processo (1962, Orson Welles)
18. Paixões que Alucinam (1963, Sam Fuller)
19. Teorema (1968, Pier Paolo Pasolini)
20. Andrei Rublev (1964, Andrei Tarkovski)
Por Ronald
22 de setembro de 2006
abismo do medo e Sven Nykvist
Abismo do Medo



The Descent, ING, 2005. DE Neil Marshall. COM Shauna Macdonald, Natalie Jackson Mendoza, Alex Reid. 99 min. TERROR.
Fugindo um pouco do cinema oriental, decidi assistir a Abismo do Medo, que vem sendo muito elogiado pela crítica especializada e considerado um dos melhores do gênero no ano. Neil Marshall se mostra, acima de tudo, um diretor criativo, mesmo com limitações. Uma de suas principais características como diretor, é o retorno à velha guarda do cinema de terror. É o gosto pela experimentação e pelo uso de artifícios já usados em filmes mais antigos. A lembrança de filmes clássicos do terror, da década de 80 principalmente, é uma característica sempre presente e sempre bem executada. Seja na trama do filme - como em Dog Soldiers, onde soldados enfrentam lobisomens - ou mesmo na violência estilizada, usando elementos exagerados, como sangue que jorra desenfreadamente de uma feridinha qualquer. O diretor também tem aprendido a usar um artifício muito famoso hoje em dia, conhecido como "cinema extremo", onde o que tiver de mostrar é jogado na tela sem a menor preocupação se o expectador vai sair correndo do cinema vomitando ou chorando de medo. The Descent traz tudo isso e mostra a que o diretor veio.
Um ano após ter perdido seu marido e filha em um acidente, Sarah decide viajar com as amigas em uma expedição à uma caverna. Uma vez dentro da caverna, tudo começa a dar errado para o grupo. Nos primeiros instantes, o filme se sustenta como um suspense, onde ambientes escuros e sons vindos do nada, nos presenteiam com bons sustos. Mas o "bixo pega", quando as amigas descobrem que não estão sozinhas dentro da caverna. Aí começa um terror digno de cada elogio feito até hoje, e ainda hão de ser feitos. Todas as atrizes estão firmes e convincentes em seus papéis, demonstrando verdadeiras
expressões de horror e de fúria em determinados momentos. O filme tem cenas violentas e não poupa quem tem estômago fraco. Eu indico e digo que faz júz a todos os elogios recebidos, e digo vai além, se mostrando talvez o melhor filme de terror do ano.
Por Monsenhor
Homenagem Atrasada

No ultimo dia 20 de setembro, o cinema perdeu um dos grandes gênios da fotografia cinematográfica, o sueco Sven Nykvist. Trabalhou como diretor de fotografia em mais de cem filmes e conseguiu se tornar um dos expoentes na sua arte com uma simplicidade visual que tornou sua marca registrada. É mais conhecido como o cinegrafista de Ingmar Bergman, pois trabalharam juntos em mais de vinte filmes. Nykvist se destacou pela iluminação natural e atmosférica e por conseguiur capturar emoções profundas dos rostos fotografados. Além de Bergman, trabalhou com vários outros diretores importantes como Tarkovsky, Polanski, Woody Allen, Louis Malle, entre muitos outros. Nos ultimos anos, Nykvist passou internado num asilo sofrendo de esquizofrenia.
17 de setembro de 2006
Liga dos Blogues
Então, vamos comemorar!
O Cine Art agora faz parte da Liga dos Blogues Cinematográficos.
E daí?
E daí que agora poderemos ser convocados a votar nos rankings mensais com as estréias nos cinemas, nos rankings especiais de décadas, festivais e generalidades, no ranking do semestre e, principalmente, no Alfred, o prêmio de melhores do ano que acontece em janeiro.
Grande coisa...
Mas enfim, estamos felizes (pelo menos eu estou) e é com grande prazer que partiremos pra essa nova etapa na vida blogueira (etapa? sim, etapa, como um ciclo de vida). Agradeço a todos os votantes e recebo com um modesto "Bem Vindo", desde já, àqueles que entrarão aqui pela primeira vez. Uhu!
E cinema que é bom, nada por hoje! Durante a semana atualizaremos... prometo!
ronald, editor-chefe cine art
11 de setembro de 2006
Save The Green Planet e Brian de Palma
Save the Green Planet!

½
Jigureul jikyeora!, COR, 2003. DE Joon-Hwan Jang. COM Ha-kyun Shin, Yun-shik Baek, Jeong-min Hwang. 118 min. TERROR/COMÉDIA/DRAMA/FICÇÃO.
A Terra está para ser invadido por alienigenas e só uma pessoa é capaz de salvar o planeta. Com uma premissa bem "Sessão da Tarde" e infantil, Save The Green Planet surpreende a cada minuto do início ao fim. É um filme bem, digamos, subversivo (termo que nosso amigo Ronald gosta de usar) e diferente de tudo o que já vi no cinema.
A película se desenvolve sem um gênero pré-definido, variando sem fazer confusão entre a ficção-científica, comédia, suspense psicológico, terror, drama e uma pequena pitada de romance. Lee Byeong-gu, estrelado por Ha-kyun Shin (Simpathy for Mr. Vengence) - brilhantíssima interpretação, comovente, alucinada e determinada. - acredita que o planeta está para ser invadido por extra-terrestres, e que o líder desse grupo de aliens, seria o presidente de uma grande empresa farmacêutica. Com isso em mente, Lee, sequestra o tal presidente e o leva ao porão de sua casa para torturá-lo e fazê-lo confessar o plano de destruição da terra.
Logo no início do filme, temos situações engraçadas e inusitadas que nos levam a crer que o filme manterá tal ritmo e seguirá como uma comédia, mas após o rapto do presidente da empresa, o filme sofre uma reviravolta gigantesca, onde temos cenas violentas de torturas físicas (em alguns países o filme foi proibido para menores de 18 anos) e psicológicas, o que já nos deixa acreditar que o filme viraria um terror. Logo isso também mudaria, com cenas dramáticas que mostram a infância difícil de Lee, os problemas de saúde de sua mãe e as confusões com seu pai, o que o levaria mais tarde a sofrer de um certo distúrbio mental mas tampouco o dramalhão se desenvolve e então somos bombardeados com cenas cheias de suspense, quando um detetive, investigando o desaparecimento do presidente da empresa, decide passar uma noite na casa de Lee. Chegando porém próximo ao final do filme, seu tom já muda novamente, para uma ficção-científica, onde o presidente consegue se livrar das amarras e descobre uma variedade de material coletado por Lee, que deixam a entender que os tais aliens realmente existem.
É simplesmente surpreendente ver como o filme se sustenta com muita firmeza nessa variação de gêneros, com uma direção digna de aplausos, ousada e inovadora por fazer uso brilhante dessa variação. A atuação do elenco é da mesma forma, formidável. Lee, interpretado por Ha-kyun Shin, como já disse, está muito bom no papel, fazendo um personagem perturbado, que até o final do filme nos deixa confuso, sem saber se tudo é uma loucura de sua mente ou se é tudo verdade. Yun-shik Baek, faz o presidente da empresa, e também apresenta uma excelente forma, desenhando um personagem amedrontado e determinado a convencer de que não é alien. Os outro papéis secundários também têm muita importância e se desempenham muito bem, não deixando a desejar em nenhum momento. Confesso que assisti ao filme sem saber o que esperar, e me surpreendi muito, e ouso dizer que foi um dos melhores filmes que assisti esse ano. Vale mais do que a pena conferir.
Por Monsenhor
E como hoje, o diretor americano Brian de Palma comemora seus 66 anos, segue um Top 10 do cara segundo a opinião deste cinéfilo medíocre que vos escreve:1. Um Tiro na Noite (1981)
2. O Pagamento Final (1993)
3. Scarface (1983)
4. Os Intocáveis (1987)
5. Carrie (1976)
6. Dublê de Corpo (1984)
7. Vestida para Matar (1980)
8. Hi, Mom! (1970)
9. Irmãs Diabólicas (1973)
10. Pecados de Guerra (1989)
Por Ronald
9 de setembro de 2006
O Arco

½
Hwal, COR, 2005. DE Kim Ki Duk. COM Yeo-reum Han, Seong-hwang Jeon, Si-jeok Seo. 88 min. DRAMA.
Simpático filme do sul coreano Kim Ki Duk, que trata de uma história de amor possessiva entre um velho e uma menina de 16 anos que vivem isolados em um barco. O velho acredita que ao completar 17 anos, a moça se tornará sua esposa, e por tanto, alimenta esse amor através do tempo com bastante destreza. Porém há uma certa incomunicabilidade entre os dois. Na verdade, Kim Ki Duk é um dos diretores que ainda hoje carrega algumas características do cinema mudo, repelindo qualquer diálogo entre os personagens centrais.
É característico do diretor, além de sempre compor belas imagens, estruturar seus filmes com situações repetitivas. Em O Arco, isso acontece constantemente no seu decorrer. O simples movimento de pegar na mão da moça que o velho faz sempre na hora de dormir, por exemplo, é repetido a cada vez que é filmado, como um ritual. E de acordo com as mudanças comportamentais de cada um, percebe-se situações diferentes.
O fato é que o barco é diariamente visitado por eventuais pescadores que se aproveitam da ingenuidade da moça, mas a visita de um jovem rapaz, desperta algo diferente nela; talvez um amor natural, e não o amor imposto pelo velho. O Arco é usado justamente para assustar os aproveitadores, mas para o velho, o rapaz apresenta uma ameaça maior.
O arco também é utilizado como um instrumento que é tocado pelo velho durante todo o filme, e é esse som que quebra o silencio entre os personagens. Kim Ki Duk explora muito bem o uso da imagem somada à música para substituir os diálogos. Mas a derradeira utilização do arco é a mais interessante. O Arco sai do convencional e transcende para o surreal. Uma fórmula bastante interessante para o desfecho da obra.
Por Ronald
7 de setembro de 2006
Dario Argento
Outro diretor que comemora aniversário no mês de setembro (hoje pra ser exato) é o mestre do horror Dario Argento que completa 66 anos de idade. Na foto, Dario (à esquerda) no set de filmagem de Terror na Ópera (1987).
5 de setembro de 2006
4 de setembro de 2006
Alguns filmes visto recentemente
Apenas algumas observações:
O Tempo que Resta (Franços Ozon, 05)



Um dos mais delicados de Ozon. Um tanto exagerado no sentimentalismo gratuito que não faz muito o estilo do diretor, mas nada que beire ao melodrama nem que seja prejudicial ao filme em geral. O filme apresenta a morte iminente na vida de um personagem de maneira objetiva e repleta de paradoxos. É interessante notar que apesar de ser seu oitavo longa, O Tempo que Resta é o primeiro filme de Ozon em que o personagem central é masculino. E Jeanne Moreau ainda possui uma presença formidável em cena.
Gozu (Takashi Miike, 03)



Uma espécie de Alice no País das Maravilhas bizarro e subversivo quando um Yakuza que perdeu seu irmão que ficou completamente louco e paranóico, resolve procura-lo. Cada situação que o personagem se mete é uma surpresa tão non sense, surreal e sutilmente cômica, que a impressão é que ele se encontra mesmo num mundo de fábulas, remetendo em demasiado a obra escrita por Lewis Carrol. Gozu surpreende a cada revelação do roteiro e com um dos finais mais inusitados e pertubadores do cinema moderno.
Batalha no Céu (Carlos Reygadas, 05)

½
Filme estranho. Extremamente bem dirigido com movimentos de câmera originalíssimos e uma beleza de fotografia. Mas tudo desperdiçado numa história oca. Subestimado pelo encanto da excelente direção e é claro, da essência do conflito psicológico que se passa na cabeça do personagem principal, a batalha no céu. Não é minha intenção difamar o filme. Pelo contrário, pois gostei muito. Mas um roteiro mais elaborado poderia elevá-lo ao status de obra prima do cinema atual.
Edmond (Stuart Gordon, 05)

½
Uma bela surpresa do diretor Stuart Gordon. William H. Macy estrela essa jornada de uma noite exacerbada onde tudo pode acontecer e todos os tipos podem surgir. Baseado numa peça de David Mamet, o filme investe totalmente em um personagem. Um sujeito contido que está a beira de explodir e ecoar sua critica ao mundo de merda. Quando acontece, as conseqüências são das mais perturbadoras.
Mary (Abel Ferrara, 05)
½
Pra quem começou a carreira de longas como diretor de um pornô, Ferrara está muito religioso pro meu gosto. Não que o tema seja um problema, mas a forma que o diretor aborda, deixa a impressão de um filme cansativo, apesar de alguns momentos esporádicos de contemplação, ou de performance muito bem conduzida por Ferrara e executada pelos protagonistas. Nem mesmo a virtuosidade do seu estilo conceitual e único de filmar, que funcionou tão bem em filmes como Blackout, por exemplo, é capaz de livrar Mary de um filme que não possui nenhum avanço em relação ao progresso de construção de uma linguagem própria do diretor. Mas é um filme que vale a pena conferir, principalmente para os fãs de Ferrara.
Silent Hill (Christophe Gans, 06)
O visual incrível não foi suficiente para esconder os defeitos de Silent Hill. Com pouquíssimos momentos de horror, medo, violência visual e com uma historinha bastante enrolada, Silent Hill acaba decepcionando ao tentar se explicar demais no seu contexto, ao mesmo tempo em que tenta ser fiel ao jogo, inclusive na linguagem. Não combinou.
Por Ronald


