25 de novembro de 2006

The V World

Masters of Horror - Segunda Temporada - Episódio 03: The V World, de Ernest R. Dickerson



Simplesmente a maior bobagem. Primeira decepção de fato dessa segunda temporada. Da mesma forma que consegue ser o mais violento dos episódios vistos até esse momento, The V World é péssimo em todos os sentidos do início ao fim. O roteiro não possui qualquer motivação para que as situações realmente aconteçam. Tudo é jogado de qualquer jeito na frente das câmeras. Parece que Mick Garris (criador da série e roteirista desse episódio) não conseguia resolver como colocar dois jovens, à noite, numa casa que serve de necrotério e desenvolver um novo conceito para o vampirismo e escreveu uma história cachorra que não convence nem a minha avó. Mais esburacado que queijo suíço e diálogos pífios, algumas situações chegam a dar raiva, como a cena que Justin (Branden Nadon) tenta ligar para o 911 para socorrer o amigo ferido, e outras milhares de cenas terríveis. A direção de Ernest R. Dickerson até que tenta fazer algo competente, mas é um desperdício. Ele cria uma atmosfera de suspense para uma historinha que não vale a pena o esforço. Também as cenas de violência gráfica, muito bem realizadas pelo diretor, demonstrando um talento que poderia ter sido utilizado em outro episódio com um entrecho mais elaborado. Na minha opinião, esse roteiro poderia ter ido pro lixo para o bem da série Mestres do Horror.

Por Ronald

21 de novembro de 2006

R. Altman

LUTO



Robert Altman

1925 - 2006

18 de novembro de 2006

Martin Scorsese

Ontem, o diretor Martin Scorsese, completou 64 anos. E para prestar uma pequena homenagem, um Top 10 com seus filmes de acordo com a opinião desse humilde cinéfilo que vos escreve:


1. Taxi Driver (1976)

2. Touro Indomável (1980)
3. Os Bons Companheiros (1990)
4. Alice Não Mora Mais Aqui (1974)
5. Depois de Horas (1986)

6. Cassino (1995)
7. Caminhos Perigosos (1973)
8. Os Infiltrados (2006)
9. Gangues de Nova York (2002)
10. O Aviador (2004)

16 de novembro de 2006

Family

Masters of Horror - Segunda temporada - Episódio 02: Family, de John Landis



John Landis é sempre interessante porque ele consegue trafegar nos limites do horror e do humor, duas áreas bem distintas, sem perder a qualidade em nenhuma delas, como em sua obra prima Um Lobisomem Americano em Londres (1981). Family, seu episódio na segunda temporada da série Mestres do Horror começa mostrando um ambiente agradável, uma vizinhança tranqüila, com pessoas felizes e aparentemente satisfeitas com a vidinha pacata que levam. A câmera vai traçando seu trajeto, mostrando tudo de maneira bem humorada até que entramos na casa de Harold pelo olho mágico da porta (a edição é ótima) e de cara nos deparamos com os hábitos bizarros desse personagem que se esconde por trás de um homem de meia idade aparentemente normal. A chegada de um casal jovem na vizinhança começa a perturbar a cabeça de Harold o que torna seus hábitos bizarros, um tanto arriscado.

O filme todo trata de ideologia. Os três personagens centrais demonstram o que na verdade não são, tanto que a revelação final acaba surpreendendo, mesmo que não seja tão impactante. Na verdade, Landis falha exatamente nesse ponto. Na decisão de poupar o publico do impacto de cenas com violência gráfica, o filme acaba se enfraquecendo mediante a esperança de algo que alimente a vontade de sangue dos fãs do gore, do horror, etc. Não que o filme seja uma decepção, é divertido e até possui algumas cenas esporádicas da boa e velha violência, de forma sutil, e até muito bem feita, mas a decepção surge porque Landis dirigiu Deer Woman, um dos melhores episódios da primeira temporada, e acho que todos os fãs esperavam um pouquinho mais. A cena final nas mãos de Takashi Miike já seria antológica. E quem conhece sabe o que estou dizendo.

Por Ronald

13 de novembro de 2006

The Damned Thing

Masters of Horror - Segunda temporada - Episódio 01: The Damned Thing, de Tobe hooper



A série Mestres do Horror foi lançada ano passado nos Estados Unidos com a finalidade de juntar os grandes nomes do cinema de terror (na maioria, americanos) e realizar filmes de uma hora de duração com o extremo do terror. John Carpenter, Joe Dante, John Landis, Dario Argento, Larry Cohen, Takashi Miike são alguns exemplos de como a série estava bem servida em alguns episódios, apesar de vários bem fraquinhos. É o caso de Tobe Hooper, diretor do clássico O Massacre de Serra Elétrica. Hooper fez o terceiro episódio da série na primeira temporada, entretanto, não se saiu bem, mas teve a oportunidade de abrir a segunda temporada, e dessa vez, acertou em cheio.

Não que The Damned Thing seja algo sensacional, mas é o melhor trabalho de Hooper em uns quinze anos. Possui algumas falhas habituais de filmes com essa duração: superficialidade nos diálogos e personagens mal construídos, e atores amadores sem qualquer afinidade para atuação, a não ser Ted Raimi, no papel de um padre bizarro, o melhor personagem do filme. Mas Hooper consegue, até certo ponto, obter resultados realistas em situações adjacentes à trama principal. Além de apresentar um show de horror com cenas violentas, gráficas, repletas de muito sangue no nível dos melhores episódios da primeira temporada.

Agora é esperar para ver o segundo episódio, Family, de John Landis, que dirigiu um dos melhores episódios da primeira temporada, Deer Woman. E já que eu não fiz ainda, coloco em ordem qualitativa os treze episódios da primeira temporada. E que viva o horror!



1. Episódio 13 - Imprint – Takashi Miike

2. Episódio 08 - Cigarette Burns – John Carpenter
3. Episódio 07 - Deer Woman – John Landis
4. Episódio 04 - Jenifer – Dario Argento
5. Episódio 06 - Homecoming – Joe Dante

6. Episódio 02 - H.P. Lovecraft's Dreams in the Witch-House – Stuart Gordon
7. Episódio 05 – Chocolate – Mick Garris
8. Episódio 03 – Dance of the Dead – Tobe Hooper
9. Episódio 09 – The Fair-Haired Child – Willian Malone
10. Episódio 11 – Pick me Up – Larry Cohen
11. Episódio 01 – Incident On and Off a Montain Road – Don Coscarelli
12. Episódio 12 – Heackles Tale – John McNaughton
13. Episódio 10 – Sick Girl – Lucky McKee

Por Ronald

6 de novembro de 2006

Os Infiltrados

Os Infiltrados



The Departed, EUA, 2006. DE Martin Scorsese. COM Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Martin Sheen, Alec Baldwin, Mark Wahlberg. 152 min. Warner. POLICIAL.

Filme do Scorsese novinho em folha. É de alentar qualquer fã. Principalmente se retorna com o tema que o transformou num dos grandes mestres do cinema americano. O submundo do crime já foi propósito dos melhores trabalhos de Martin Scorsese, vide Caminhos Perigosos (1973), Táxi Driver (1976), Os Bons Companheiros (1990), Cassino (1995), etc. Seus dois últimos filmes não foram tão receptivos pelo público e nem por uma parte da critica. Muitos chegaram a mencionar que Scorsese havia se vendido para a indústria hollywoodiana. Enfim, Gangues de Nova York (2002) e O Aviador (2004) são superproduções hollywoodianas, mas sempre serei um defensor dos dois, essencialmente Gangues de Nova York, que faz um relato histórico do submundo do crime tão abordado por Scorsese.

Os Infiltrados é o remake de Conflitos Internos (2001), filme de Hong Kong, que narra as peripécias da policia infiltrada na máfia e a máfia infiltrada na policia. Galgando para o ocidente, a máfia irlandesa é a bola da vez. Aliás, a película coloca os irlandeses contra a parede durante toda a projeção. Através dos diálogos, uma péssima impressão irlandesa é passada, mesmo que de forma superficial, somente nas conversas, para compor o roteiro, que é muito bem escrito por William Monahan (Cruzada, eca!), repleto de falas afiadas e frases de efeito, com a pieguice de sempre, porém, mais funcional e nostálgico. Em determinados momentos parece filme policial dos anos oitenta. Uma beleza!

Com um orçamento mais limitado, Os Infiltrados torna-se um filme “menor” entre os que estava realizando. Só que, “menor” aqui, é encarado como elogio. É um filme mais simples, porém muito elaborado. A própria direção não possui as imagens rebuscadas e planos característicos do cinema scorsesiano. É uma direção mais sutil onde se destaca o ótimo elenco e o roteiro empanzinado de situações tensas. Além da edição, que faz o filme fluir de maneira ágil, sem se perder em nenhum instante. Apesar de não haver cenas de violência explicita como em Cassino, ou a violência psicológica de Táxi Driver, os fãs não vão se decepcionar com Os Infiltrados, que trás uma boa dose de violência regada a bastante sangue.

Mas o grande atrativo de Os Infiltrados é o elenco. Scorsese deixou o filme por conta dos atores que retribuíram à altura. Jack Nicholson está maravilhoso. É um dos seus melhores papéis em muitos anos como o grande chefão da máfia irlandesa, Frank Costello. Totalmente à vontade para representar e improvisar, Nicholson faz seu personagem ser o mais natural entre todos, apesar de ser estilizado, e arrisco uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante. Matt Damon consegue uma atuação competente, felizmente, já que seu personagem tem uma importância tremenda à trama. Ele vive o infiltrado dentro da policia pela máfica irlandesa. Já Leonardo diCaprio surpreende novamente. Parece que a cada parceria com Scorsese, sua arte de interpretar aumenta gradativamente. DiCaprio, bastante expressivo, faz o papel do policial infiltrado na máfia. Se continuar assim, já pode assumir mesmo o posto de Robert de Niro. O resto do elenco só contribui para o bom funcionamento do filme.

Simples, mas muito bem pensado, com um elenco super afiado, um roteiro bem escrito com muitas situações envolventes, causa um grade efeito nos fãs. Os Infiltrados é o melhor trabalho do diretor desde Cassino e já se coloca na minha lista de melhores do ano (será?). Passou na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e já tem estréia comercial confirmada para esse fim de semana. Imperdível.

Por Ronald