30 de abril de 2006


Hoje, o maior gênio do cinema na atualidade, Lars Von Trier, completa 50 anos de vida!

Top Lars Von Trier:

1. Dançando no Escuro (2000)

2. Ondas do Destino (1996)
3. Dogville (2003)
4. Europa (1991)
5. Os Idiotas (1998)
5. Manderlay (2005)
6. O Elemento do Crime (1984)
7. Medea (1989)

29 de abril de 2006

O Novo Mundo

O Novo Mundo



The New World, EUA, 2005. DE Terrence Malick. COM Colin Farrell, Q'Orianka Kilcher, Christian Bale, Christopher Plummer. 135 min. New Line. DRAMA.

Oito anos separam Além da Linha Vermelha (1998) de O Novo Mundo, o quarto filme do excêntrico diretor Terrence Malick. Até que não demorou tanto. Digo que não demorou, pois, antes de Além da Linha Vermelha, seu ultimo trabalho foi lançado em 1978 (Cinzas do Paraíso). O fato é que vale a pena esperar. Até agora não houve decepções no cinema autoral de Malick e seu novo filme é de uma beleza estranha. No grosso, o filme trata da mesma história de Pocahontas. Porém, Malick trata do assunto sob um prisma diferente. Por isso soa estranho. É uma historinha bobinha de desenho animado retratando colonizadores ingleses que fazem as suas descobertas e dão de cara com os nativos da terra. Daí brota um romance entre um Capitão Smith (Farrel) e a princesa da tribo local (Q'Orianka Kilcher). Malick transforma tudo isso em obra de arte. Na verdade, a trama é apenas um detalhe a mais. Nem mesmo o próprio diretor se preocupou em dar ao filme uma narrativa que explorasse profundamente os pontos de ocorrência. Os eventos, simplesmente acontecem implicitamente e com sutileza, formam-se os acontecimentos. A preocupação de Malick está nos seus personagens. O que eles pensam, suas duvidas, seus sentimentos. O diretor invade suas mentes e extrai, de forma poética, as mais variadas e obscuras reflexões, utilizando narrações em off, que substituem diálogos e até mesmo, ações. Malick, atualmente, talvez seja o único poeta visual dos diretores americanos. Com um trabalho de fotografia fantástico, O Novo Mundo transmuta cada cena em um verdadeiro quadro artístico. A edição forma uma alegoria de belas imagens desconexas que passam pelos olhos dando uma sensação de percepção. É um filme que triunfa pela beleza visual e sonora, e pela poesia cinematográfica de Malick. Porém, mais importante que isso, O Novo Mundo é um filme que deve ser sentido pelo espectador mais perceptivo.
Por Ronald Perrone

26 de abril de 2006

Kagemusha, Terra Estrangeira, O Selvagem da Motocicleta

Kagemusha, a Sombra do Samurai



Japão, 1980. DE Akira Kurosawa. COM Tatsuya Nakadai, Tsutomo Yamazaki. 179 min. FOX. DRAMA.

A história do cara comum que assume o lugar de um governante por se parecer com ele é um tema batido do cinema. Em seu épico, Kurosawa explorou todas as possibilidades da situação. No Japão do século 16, durante uma guerra civil, Shingen, chefe do clã Takeda, fere-se em uma batalha. Antes de morrer, ele pede a seus conselheiros que não contem a ninguém que um kagemusha, ou sósia, tomou o seu lugar, tudo isso para manter as tropas motivadas. Antes um ladrão de galinhas, o sósia aos poucos assume o caráter do grande guerreiro que substituiu. Kurosawa alia o talento para o grande espetáculo, em seqüências de batalha de incrível plasticidade, com a delicadeza para cenas mais intimistas.



Terra Estrangeira

e 1/2

Brasil, 1995. DE Walter Salles. COM Fernando Alves Pinto, Fernanda Torres, Laura Cardoso, Luís Melo, Alexandre Borges. 100 min. DRAMA.

Algumas das muitas qualidades da obra de Salles estão presentes neste filme: o olhar extremamente sensível sobre a questão da identidade e a síntese harmoniosa de influências (dos clássicos hollywoodianos ao Cinema Novo brasileiro). Bem como alguns dos problemas: um certo embelezamento da realidade que dispersa o centro da narrativa. Depois da morte da mãe, amargurada com o confisco promovido por Collor (àquele do cooper, lembram?), Paco (Alves Pinto) aceita entregar um pacote misterioso em Portugal. Envolve-se com Alex (Torres) e é perseguido por bandidos. A incredulidade e a crise política que assola o país conferem atualidade ao filme.



O Selvagem da Motocicleta

e 1/2

EUA, 1983. DE Francis Ford Coppola. COM Mickey Rourke, Matt Dillon. 100 min. DRAMA.

Filme menor na obra do cineasta, fora um dos mais cultuados dos anos 80. Assombrado pela fama do irmão mais velho – Motorcycle Boy (MRourke), legendário líder de gangues -, o pequeno marginal Rusty James (Matt Dillon) arruma briga com um rival, começa a ser perseguido pela polícia e vê a sua vida desabar. Ele passará por uma série de provações até aceitar o fato de que os tempos mudaram. Em alguns momentos, o diretor parece mais interessado na estética do que em seus personagens. Em outros, porém, revela uma profunda compreensão das angústias juvenis.

Por Felipe

22 de abril de 2006

Top 20 anos 80

Mesmo não fazendo parte da Super Liga dos Blogues Cinematográficos, resolvi fazer uma relação pessoal dos 20 melhores filmes dos anos 80. Procurei me lembrar dos filmes que me marcaram na época e também os vistos e revistos recentemente. Enfim, uma lista bastante eclética contendo filmes alternativos, comerciais, dramas, terror, suspense policial, Fellini e até Tarkovski. Não possui qualquer ordem específica, salvo o primeiro lugar que pertence a Paris, Texas:


Paris, Texas (Win Wenders, 84)

Touro Indomável (Martin Scorsese, 80)
Veludo Azul (David Lynch, 86)
Era Uma Vez na América (Sérgio Leone, 84)
Blade Runner (Ridley Scott, 82)
Asas do Desejo (Win Wenders, 87)
Videodrome (David Cronenberg, 83)
O Enigma de Outro Mundo (John Carpenter, 82)
Viver e Morrer em Los Angeles (Willian Friedkin, 85)
Um Tiro na Noite (Brian de Palma, 84)
Crimes e Pecados (Woody Allen, 89)
Nascido para Matar (Stanley Kubrick, 87)
Os Caçadores da Arca Perdida (Steven Spielberg, 81)
O Homem Elefante (David Lynch, 80)
Depois de Horas (Martin Scorsese, 86)
Ran (Akira Kurosawa, 85)
Zelig (Woody Allen, 83)
Nostalgia (Andrei Tarkovski, 83)
Agonia e Glória (Sam Fuller, 80)
Cidade das Mulheres (Federico Fellini, 80)

Claro que existem ainda alguns filmes que foram lembrados e que até mereciam um lugar na lista. Mas por um motivo ou outro, ficaram de fora. Porém eu faço aqui uma menção honrosa à filmes como Os Intocáveis (Brian de Palma, 87), Hannah e Suas Irmãs (Woody Allen, 86), O Império do Sol (Steven Spielberg, 87), ZOO (Peter Greenaway, 86), O Sacrifício (Andrei Tarkovski, 86), Estranhos no Paraíso (Jim Jarmusch, 84), Drugstore Cowboy (Gus Van Sant, 89), O Iluminado (Stalney Kubrick, 80) e até mesmo Mad Max II (George Miller, 81), e muitos outros...

Por Ronald

20 de abril de 2006

Masters of Horror

Um pouco mais da série Masters of Horror...



Episódio 5 – Chocolate
½

Episódio interessante com um argumento simpático até certo ponto, sobre um sujeito, interpretado por Henry Thomas, que inicia um relacionamento psíquico com uma mulher que ele não sabe absolutamente nada, nem quem seja nem onde está. Porém acaba se apaixonando por ela. Henry Thomas interpreta muito bem o seu papel e cativa com o personagem construído por Mick Garris baseado em um conto que ele mesmo escreveu. Além disso, Garris é o diretor do episódio e o criador da série Masters of Horror. Mesmo com o final fraco, Chocolate consegue ter seus bons momentos.

Episódio 6 – Homecoming
½

Joe Dante dá uma nova visão aos filmes de Zumbis. Aqui eles não voltam à vida querendo apenas cérebros. Os Zumbis de Homecoming são soldados mortos na Guerra do Golfo e retornam para votar na eleição presidencial. É uma forma que Dante achou pra fazer um episódio crítico/político. Ainda que os elementos não sejam apropriados, Dante faz um excelente trabalho e não deixa o episódio cair na caricatura. Homecoming é um dos episodio mais impressionantes, com uma ótima estrutura, bons atores e diversão do inicio ao fim no melhor estilo Zumbis.

Episódio 7 – Deer Woman
½

No seu episódio, John Landis conseguiu fazer o que sempre soube fazer, mas não realizava há muito tempo. Um episódio que prende a atenção tanto pelo horror quanto pelo humor. No melhor estilo policial que investiga cadáveres pra chegar ao assassino, um policial se envolve em uma perigosa lenda urbana. Landis explora cada lado da moeda pra contar sua história. Bastante violência e sangue mixada às altas sacadas engraçadas. Com uma excelente direção, bons efeitos e uma atriz brasileira no elenco, Landis acabou fazendo um dos melhores episódios da série.

Episódio 8 – Cigarette Burns



Pra saber mais detalhes, é só dar uma conferida nos arquivos do mês de fevereiro.
Por Ronald

18 de abril de 2006

V de Vingança e Todos Os Homens do Presidente

Esse eu vi no Kino Krazy, do Sérgio Andrade. Eu não sou muito fã de testes, mas este é deveras interessante. Aproveitem, e depois me digam que bicho deu! (=

PS. cachorro: o tal do teste é em ingrêis. /=
felipe, editor cine art


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V de Vingança



V for Vendetta, EUA/Alemanha, 2006. DE James McTiegue. COM Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, Sthephen Fry, John Hurt. 132 min. Warner. AÇÃO.

É muito bacana quando percebemos que uma obra conseguiu sobreviver ao tempo. È o caso, por exemplo, da graphic novel V de Vingança, escrita no final dos anos 80 – e que chega aos cinemas de forma assustadoramente atual. A história do anarquista que se ergue sobre o regime fascista na Inglaterra de um futuro próximo ganha, nas mãos dos irmãos Wachowski (assinando como roteiristas e produtores), uma roupagem atual sem perder nada de sua existência. O mais fascinante em V de Vingança, o filme, é o quanto ele consegue tocar em nervos expostos no momento em que a América ainda suporta as mazelas de uma administração equivocada – sem referências explícitas, mas é impossível não se pensar em Bush quando é explicado que a Inglaterra mergulhou em um regime de medo, que instaurou toque de recolher e pune homossexuais, liberais e qualquer vestígio de pensamento livre para não sofrer o mesmo destino dos EUA, destruído por uma guerra civil causada pela invasão a um país estrangeiro (!). Mas V de Vingança não seria nada além de panfletário se não fosse o seu ponto moral e emocional: Every Hammons (Portman, espetacular), a moçoila resgatada por V, que, aos poucos, vê o seu véu de conformismo erguido em anos de complacência ser retirado. V de Vingança é um filme quase-perfeito (ele se torna mastigado demais em seu clímax), mas isso não desmerece o seu lugar no paraíso. Não só por trazer uma visão de criador prum filme de ação, mas principalmente por não temer suas idéias.

Por Felipe


Todos Os Homens do Presidente



All The President’s Men, EUA, 1976. DE Alan J. Pakula. COM Dustin Hoffman, Robert Redford, Jason Robards. 138 min. Warner. DRAMA.

Nestes tempos sombrios em que a maioria dos norte-americanos coloca em xeque a democracia de seu país e os jornalistas locais são presos por não revelarem suas fontes, parece obra de ficção a história de dois jovens repórteres que, usando apenas a força das palavras, conseguiram derrubar altos funcionários do governo, levar ministros e assessores da Casa Branca à cadeia e forçar a renuncia de seu presidente. Tudo começou na longínqua noite de 17 de junho de 1972, quando cinco homens foram surpreendidos arrombando a sede nacional do Partido Democrata, no conjunto de edifícios Watergate, em Washington. O que parecia ser um simples assalto ganhou desdobramento épico e deflagrou o maior escândalo político da história dos EUA. E também rendeu a chamada “reportagem do século”, co-assinada por Carl Bernstein e Bob Woodward, do Washington Post. Lançado no cinema há três décadas atrás (ou dois anos depois da renúncia do famigerado Richard Nixon), Todos os Homens do Presidente continua sendo a única dramatização desse extraordinário episódio político-jornalístico. E que ninguém se meta a fazer uma refilmagem: a obra do falecido Alan J. Pakula, referência em qualquer curso de jornalismo decente, permanece impecável do início ao fim. Sua narrativa realista, quase documental, reproduz cuidadosamente todas as etapas da investigação empreendida de Bernstein (Hoffman) e Woodward (Redford), sem perder o pique. A direção de arte – laureada com o Oscar junto com ator coadjuvante (Jaso Robasrd), roteiro (William Goldman) e som – é um show à parte. Pra se ter uma idéia, a redação do Post foi minuciosamente reproduzida em estúdio, para onde foram trazidas latas de lixo e diversos outros objetos da verdadeira redação. Impecável e obrigatório.

Por Felipe

12 de abril de 2006

À Queima Roupa, No Tempo das Diligencias e Tróia



À Queima Roupa (John Boorman, 1967)



Pouca gente da minha geração viu esse ótimo exemplo de como se faz um filme de suspense policial. À Queima Roupa é o filme do qual O Troco, com Mel Gibson, foi baseado. Lee Marvin faz o papel de um homem traído por seu amigo enquanto aplicava um golpe. Com sede de vingança, vai atrás da sua parte do golpe. Lee Marvin está excelente utilizando suas fortes expressões sem exagerar, nem perder a qualidade dramática. Anos luz a frente de Mel Gibson. Quem viu O Troco, não espere aqui cenas de ação. À Queima Roupa é um primoroso suspense psicológico. Com uma belíssima direção de arte e uma estrutura narrativa totalmente de vanguarda para a época. O filme impressiona, principalmente pelo seu final. Simples, seco e inesperado dando uma sensação de que tudo foi em vão.

No Tempo das Diligencias (John Ford, 1939)

1/2

Um grupo de marginalizados de uma pequena cidade do Oeste foge da cidade que os rejeitou. É o ponto de partida para que John Ford realizasse um dos grandes filmes de sua carreira e uma das maiores perseguições do Western e, por que não, do cinema?
Todas as personas que viriam habitar os filmes de Western foram sintetizadas e colocadas dentro da diligencia. Uma prostituta, o médico bêbado, um banqueiro, um jogador de cartas, o xerife, o cocheiro e é claro, o pistoleiro valentão interpretado por John Wayne. O filme é um verdadeiro marco dos filmes de Bang Bang.

Tróia (Wolfgang Pettersen, 2003)



Parei pra ver esse filme há algumas semanas (um pouco atrasado) apenas pra relaxar um pouco e ver as batalhas. E disso Tróia pode se orgulhar. As cenas de luta são muito bem feitas e violentas até certo ponto. Claro que a irregularidade do filme prejudica demais o todo. Nenhum ator consegue salvar o filme, nem mesmo o grande Peter O’Toole como rei de Tróia. Um filme esquecível. Na verdade, já estava. Nem sei pra que falar sobre ele de novo...
Por Ronald