
Hoje, o maior gênio do cinema na atualidade, Lars Von Trier, completa 50 anos de vida!
Top Lars Von Trier:
1. Dançando no Escuro (2000)
2. Ondas do Destino (1996)
3. Dogville (2003)
4. Europa (1991)
5. Os Idiotas (1998)
5. Manderlay (2005)
6. O Elemento do Crime (1984)
7. Medea (1989)
30 de abril de 2006
29 de abril de 2006
O Novo Mundo
O Novo Mundo


The New World, EUA, 2005. DE Terrence Malick. COM Colin Farrell, Q'Orianka Kilcher, Christian Bale, Christopher Plummer. 135 min. New Line. DRAMA.
Oito anos separam Além da Linha Vermelha (1998) de O Novo Mundo, o quarto filme do excêntrico diretor Terrence Malick. Até que não demorou tanto. Digo que não demorou, pois, antes de Além da Linha Vermelha, seu ultimo trabalho foi lançado em 1978 (Cinzas do Paraíso). O fato é que vale a pena esperar. Até agora não houve decepções no cinema autoral de Malick e seu novo filme é de uma beleza estranha. No grosso, o filme trata da mesma história de Pocahontas. Porém, Malick trata do assunto sob um prisma diferente. Por isso soa estranho. É uma historinha bobinha de desenho animado retratando colonizadores ingleses que fazem as suas descobertas e dão de cara com os nativos da terra. Daí brota um romance entre um Capitão Smith (Farrel) e a princesa da tribo local (Q'Orianka Kilcher). Malick transforma tudo isso em obra de arte. Na verdade, a trama é apenas um detalhe a mais. Nem mesmo o próprio diretor se preocupou em dar ao filme uma narrativa que explorasse profundamente os pontos de ocorrência. Os eventos, simplesmente acontecem implicitamente e com sutileza, formam-se os acontecimentos. A preocupação de Malick está nos seus personagens. O que eles pensam, suas duvidas, seus sentimentos. O diretor invade suas mentes e extrai, de forma poética, as mais variadas e obscuras reflexões, utilizando narrações em off, que substituem diálogos e até mesmo, ações. Malick, atualmente, talvez seja o único poeta visual dos diretores americanos. Com um trabalho de fotografia fantástico, O Novo Mundo transmuta cada cena em um verdadeiro quadro artístico. A edição forma uma alegoria de belas imagens desconexas que passam pelos olhos dando uma sensação de percepção. É um filme que triunfa pela beleza visual e sonora, e pela poesia cinematográfica de Malick. Porém, mais importante que isso, O Novo Mundo é um filme que deve ser sentido pelo espectador mais perceptivo.
Por Ronald Perrone
26 de abril de 2006
Kagemusha, Terra Estrangeira, O Selvagem da Motocicleta
Kagemusha, a Sombra do Samurai




Japão, 1980. DE Akira Kurosawa. COM Tatsuya Nakadai, Tsutomo Yamazaki. 179 min. FOX. DRAMA.
A história do cara comum que assume o lugar de um governante por se parecer com ele é um tema batido do cinema. Em seu épico, Kurosawa explorou todas as possibilidades da situação. No Japão do século 16, durante uma guerra civil, Shingen, chefe do clã Takeda, fere-se em uma batalha. Antes de morrer, ele pede a seus conselheiros que não contem a ninguém que um kagemusha, ou sósia, tomou o seu lugar, tudo isso para manter as tropas motivadas. Antes um ladrão de galinhas, o sósia aos poucos assume o caráter do grande guerreiro que substituiu. Kurosawa alia o talento para o grande espetáculo, em seqüências de batalha de incrível plasticidade, com a delicadeza para cenas mais intimistas.
Terra Estrangeira


e 1/2
Brasil, 1995. DE Walter Salles. COM Fernando Alves Pinto, Fernanda Torres, Laura Cardoso, Luís Melo, Alexandre Borges. 100 min. DRAMA.
Algumas das muitas qualidades da obra de Salles estão presentes neste filme: o olhar extremamente sensível sobre a questão da identidade e a síntese harmoniosa de influências (dos clássicos hollywoodianos ao Cinema Novo brasileiro). Bem como alguns dos problemas: um certo embelezamento da realidade que dispersa o centro da narrativa. Depois da morte da mãe, amargurada com o confisco promovido por Collor (àquele do cooper, lembram?), Paco (Alves Pinto) aceita entregar um pacote misterioso em Portugal. Envolve-se com Alex (Torres) e é perseguido por bandidos. A incredulidade e a crise política que assola o país conferem atualidade ao filme.
O Selvagem da Motocicleta

e 1/2
EUA, 1983. DE Francis Ford Coppola. COM Mickey Rourke, Matt Dillon. 100 min. DRAMA.
Filme menor na obra do cineasta, fora um dos mais cultuados dos anos 80. Assombrado pela fama do irmão mais velho – Motorcycle Boy (MRourke), legendário líder de gangues -, o pequeno marginal Rusty James (Matt Dillon) arruma briga com um rival, começa a ser perseguido pela polícia e vê a sua vida desabar. Ele passará por uma série de provações até aceitar o fato de que os tempos mudaram. Em alguns momentos, o diretor parece mais interessado na estética do que em seus personagens. Em outros, porém, revela uma profunda compreensão das angústias juvenis.
Por Felipe
22 de abril de 2006
Top 20 anos 80
Mesmo não fazendo parte da Super Liga dos Blogues Cinematográficos, resolvi fazer uma relação pessoal dos 20 melhores filmes dos anos 80. Procurei me lembrar dos filmes que me marcaram na época e também os vistos e revistos recentemente. Enfim, uma lista bastante eclética contendo filmes alternativos, comerciais, dramas, terror, suspense policial, Fellini e até Tarkovski. Não possui qualquer ordem específica, salvo o primeiro lugar que pertence a Paris, Texas:
Paris, Texas (Win Wenders, 84)
Touro Indomável (Martin Scorsese, 80)
Veludo Azul (David Lynch, 86)
Era Uma Vez na América (Sérgio Leone, 84)
Blade Runner (Ridley Scott, 82)
Asas do Desejo (Win Wenders, 87)
Videodrome (David Cronenberg, 83)
O Enigma de Outro Mundo (John Carpenter, 82)
Viver e Morrer em Los Angeles (Willian Friedkin, 85)
Um Tiro na Noite (Brian de Palma, 84)
Crimes e Pecados (Woody Allen, 89)
Nascido para Matar (Stanley Kubrick, 87)
Os Caçadores da Arca Perdida (Steven Spielberg, 81)
O Homem Elefante (David Lynch, 80)
Depois de Horas (Martin Scorsese, 86)
Ran (Akira Kurosawa, 85)
Zelig (Woody Allen, 83)
Nostalgia (Andrei Tarkovski, 83)
Agonia e Glória (Sam Fuller, 80)
Cidade das Mulheres (Federico Fellini, 80)
Claro que existem ainda alguns filmes que foram lembrados e que até mereciam um lugar na lista. Mas por um motivo ou outro, ficaram de fora. Porém eu faço aqui uma menção honrosa à filmes como Os Intocáveis (Brian de Palma, 87), Hannah e Suas Irmãs (Woody Allen, 86), O Império do Sol (Steven Spielberg, 87), ZOO (Peter Greenaway, 86), O Sacrifício (Andrei Tarkovski, 86), Estranhos no Paraíso (Jim Jarmusch, 84), Drugstore Cowboy (Gus Van Sant, 89), O Iluminado (Stalney Kubrick, 80) e até mesmo Mad Max II (George Miller, 81), e muitos outros...
Por Ronald
20 de abril de 2006
Um pouco mais da série Masters of Horror...
Episódio 5 – Chocolate
½
Episódio interessante com um argumento simpático até certo ponto, sobre um sujeito, interpretado por Henry Thomas, que inicia um relacionamento psíquico com uma mulher que ele não sabe absolutamente nada, nem quem seja nem onde está. Porém acaba se apaixonando por ela. Henry Thomas interpreta muito bem o seu papel e cativa com o personagem construído por Mick Garris baseado em um conto que ele mesmo escreveu. Além disso, Garris é o diretor do episódio e o criador da série Masters of Horror. Mesmo com o final fraco, Chocolate consegue ter seus bons momentos.
Episódio 6 – Homecoming

½
Joe Dante dá uma nova visão aos filmes de Zumbis. Aqui eles não voltam à vida querendo apenas cérebros. Os Zumbis de Homecoming são soldados mortos na Guerra do Golfo e retornam para votar na eleição presidencial. É uma forma que Dante achou pra fazer um episódio crítico/político. Ainda que os elementos não sejam apropriados, Dante faz um excelente trabalho e não deixa o episódio cair na caricatura. Homecoming é um dos episodio mais impressionantes, com uma ótima estrutura, bons atores e diversão do inicio ao fim no melhor estilo Zumbis.
Episódio 7 – Deer Woman

½
No seu episódio, John Landis conseguiu fazer o que sempre soube fazer, mas não realizava há muito tempo. Um episódio que prende a atenção tanto pelo horror quanto pelo humor. No melhor estilo policial que investiga cadáveres pra chegar ao assassino, um policial se envolve em uma perigosa lenda urbana. Landis explora cada lado da moeda pra contar sua história. Bastante violência e sangue mixada às altas sacadas engraçadas. Com uma excelente direção, bons efeitos e uma atriz brasileira no elenco, Landis acabou fazendo um dos melhores episódios da série.
Episódio 8 – Cigarette Burns



Pra saber mais detalhes, é só dar uma conferida nos arquivos do mês de fevereiro.
Por Ronald
18 de abril de 2006
V de Vingança e Todos Os Homens do Presidente
Esse eu vi no Kino Krazy, do Sérgio Andrade. Eu não sou muito fã de testes, mas este é deveras interessante. Aproveitem, e depois me digam que bicho deu! (=
PS. cachorro: o tal do teste é em ingrêis. /=
felipe, editor cine art
V de Vingança





V for Vendetta, EUA/Alemanha, 2006. DE James McTiegue. COM Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, Sthephen Fry, John Hurt. 132 min. Warner. AÇÃO.
É muito bacana quando percebemos que uma obra conseguiu sobreviver ao tempo. È o caso, por exemplo, da graphic novel V de Vingança, escrita no final dos anos 80 – e que chega aos cinemas de forma assustadoramente atual. A história do anarquista que se ergue sobre o regime fascista na Inglaterra de um futuro próximo ganha, nas mãos dos irmãos Wachowski (assinando como roteiristas e produtores), uma roupagem atual sem perder nada de sua existência. O mais fascinante em V de Vingança, o filme, é o quanto ele consegue tocar em nervos expostos no momento em que a América ainda suporta as mazelas de uma administração equivocada – sem referências explícitas, mas é impossível não se pensar em Bush quando é explicado que a Inglaterra mergulhou em um regime de medo, que instaurou toque de recolher e pune homossexuais, liberais e qualquer vestígio de pensamento livre para não sofrer o mesmo destino dos EUA, destruído por uma guerra civil causada pela invasão a um país estrangeiro (!). Mas V de Vingança não seria nada além de panfletário se não fosse o seu ponto moral e emocional: Every Hammons (Portman, espetacular), a moçoila resgatada por V, que, aos poucos, vê o seu véu de conformismo erguido em anos de complacência ser retirado. V de Vingança é um filme quase-perfeito (ele se torna mastigado demais em seu clímax), mas isso não desmerece o seu lugar no paraíso. Não só por trazer uma visão de criador prum filme de ação, mas principalmente por não temer suas idéias.Por Felipe
Todos Os Homens do Presidente





All The President’s Men, EUA, 1976. DE Alan J. Pakula. COM Dustin Hoffman, Robert Redford, Jason Robards. 138 min. Warner. DRAMA.
Nestes tempos sombrios em que a maioria dos norte-americanos coloca em xeque a democracia de seu país e os jornalistas locais são presos por não revelarem suas fontes, parece obra de ficção a história de dois jovens repórteres que, usando apenas a força das palavras, conseguiram derrubar altos funcionários do governo, levar ministros e assessores da Casa Branca à cadeia e forçar a renuncia de seu presidente. Tudo começou na longínqua noite de 17 de junho de 1972, quando cinco homens foram surpreendidos arrombando a sede nacional do Partido Democrata, no conjunto de edifícios Watergate, em Washington. O que parecia ser um simples assalto ganhou desdobramento épico e deflagrou o maior escândalo político da história dos EUA. E também rendeu a chamada “reportagem do século”, co-assinada por Carl Bernstein e Bob Woodward, do Washington Post. Lançado no cinema há três décadas atrás (ou dois anos depois da renúncia do famigerado Richard Nixon), Todos os Homens do Presidente continua sendo a única dramatização desse extraordinário episódio político-jornalístico. E que ninguém se meta a fazer uma refilmagem: a obra do falecido Alan J. Pakula, referência em qualquer curso de jornalismo decente, permanece impecável do início ao fim. Sua narrativa realista, quase documental, reproduz cuidadosamente todas as etapas da investigação empreendida de Bernstein (Hoffman) e Woodward (Redford), sem perder o pique. A direção de arte – laureada com o Oscar junto com ator coadjuvante (Jaso Robasrd), roteiro (William Goldman) e som – é um show à parte. Pra se ter uma idéia, a redação do Post foi minuciosamente reproduzida em estúdio, para onde foram trazidas latas de lixo e diversos outros objetos da verdadeira redação. Impecável e obrigatório.Por Felipe
12 de abril de 2006
À Queima Roupa, No Tempo das Diligencias e Tróia

À Queima Roupa (John Boorman, 1967)



Pouca gente da minha geração viu esse ótimo exemplo de como se faz um filme de suspense policial. À Queima Roupa é o filme do qual O Troco, com Mel Gibson, foi baseado. Lee Marvin faz o papel de um homem traído por seu amigo enquanto aplicava um golpe. Com sede de vingança, vai atrás da sua parte do golpe. Lee Marvin está excelente utilizando suas fortes expressões sem exagerar, nem perder a qualidade dramática. Anos luz a frente de Mel Gibson. Quem viu O Troco, não espere aqui cenas de ação. À Queima Roupa é um primoroso suspense psicológico. Com uma belíssima direção de arte e uma estrutura narrativa totalmente de vanguarda para a época. O filme impressiona, principalmente pelo seu final. Simples, seco e inesperado dando uma sensação de que tudo foi em vão.
No Tempo das Diligencias (John Ford, 1939)

1/2
Um grupo de marginalizados de uma pequena cidade do Oeste foge da cidade que os rejeitou. É o ponto de partida para que John Ford realizasse um dos grandes filmes de sua carreira e uma das maiores perseguições do Western e, por que não, do cinema?
Todas as personas que viriam habitar os filmes de Western foram sintetizadas e colocadas dentro da diligencia. Uma prostituta, o médico bêbado, um banqueiro, um jogador de cartas, o xerife, o cocheiro e é claro, o pistoleiro valentão interpretado por John Wayne. O filme é um verdadeiro marco dos filmes de Bang Bang.
Tróia (Wolfgang Pettersen, 2003)
Parei pra ver esse filme há algumas semanas (um pouco atrasado) apenas pra relaxar um pouco e ver as batalhas. E disso Tróia pode se orgulhar. As cenas de luta são muito bem feitas e violentas até certo ponto. Claro que a irregularidade do filme prejudica demais o todo. Nenhum ator consegue salvar o filme, nem mesmo o grande Peter O’Toole como rei de Tróia. Um filme esquecível. Na verdade, já estava. Nem sei pra que falar sobre ele de novo...
Por Ronald
11 de abril de 2006
Cineclube

É uma idéia que vem de algum tempo já. Antes, inclusive, da idéia do curta. A intenção de levar o cinema aos alunos de uma faculdade e fazer disso uma "extensão" do curso de comunicação tornou-se mais consistente esse ano. Ainda não está do jeito que ele gostaria que estivesse, mas sem dúvida, disso o tempo dará cabo. E é com prazer que hoje eu estampo o cartaz, no cine art, da primeira exibição do Cineclube da Faculdade Estácio de Sá de Vitória (não há um nome definido, muito embora pareça óbvio), uma inciciativa do meu parceiro de blog e amigo Ronald.QUANDO: 13/04/2006ONDE: FESV VitóriaPORQUE? Pra assistir a um bom filme? Bem, isso nã importa, o que importa mesmo é que é às 17:00.
Dia e horário confirmados ainda serão confirmados, então, quem estiver na Ilha de bobeira, pode poderá chegar e puxar uma cadeira!
felipe, editor cine art
6 de abril de 2006
Hostel
O Albergue


Hostel, EUA, 2005. DE Eli Roth. COM Jay Hernandez, Derek Richardson, Eythor Gudjonsson. 95 min. Sony Pictures. TERROR.
Já foi a época em que os roteiristas e diretores de filmes de terror quebravam a cabeça tentando criar uma forma original de matar algum personagem. Isso já é passado. A onda do momento não é saber de que forma o cabra morre, mas o quanto ele sofre antes de bater no chão sem vida. Uau!
Mas os pioneiros dessa grotesca idéia não poderiam ser americanos. Foi no oriente, com diretores como Takashi Miike, Chan Wook Park, entre outros, que começou a malvadeza com os espectadores. Não há uma sessão de filmes como Audition, de Miike, ou Sympathy for Mr. Vengeance, de Park, que humanos normais, como eu (acho) não fique aflito e tenso em determinadas cenas.
Eli Roth parece ter bebido um pouco dessa água. Seu filme, O Albergue é um sufocante exemplo de filme onde parece que sentimos na pele tudo aquilo que os personagens estão sofrendo. Escrito pelo próprio Roth, sob as recomendações de ninguém menos que Quentin Tarantino, O Albergue conta a história de três amigos que fazem uma viagem pela Europa em busca de prazer, porém acabam encontrando justamente o contrário.
Com poucos recursos e com a criatividade aflorando, Roth dirige O Albergue com bastante destreza, como um mestre do terror, experimentando aqui, utilizando um clichê acolá (o que não machuca ninguém), bastante sangue, violência e tensão. Bom para os fãs que há muito tempo não viam uma obra tão impactante vindo das câmeras americanas.
Por André Bazin
4 de abril de 2006
Stop!
Stop!
Pára! Pára que - por favor - eu quero ver! Vejam só, eu sequer estou em alto-mar! Detesto marola! Comprei a porra do ingresso, agora me deixem ver a cara da atriz...! Por favor?! Mas a câmera não pára, vai de um lado a outro, e eu... bem, eu vou enjoando, enjoando, enjoando... Será que a produção não tinha grana? Será que o editor... dormiu? Ou será que é o tão famigerado conceito?! Ta, eu vou montar uma barraquinha com os dizeres "Vende-se conceito!" em letras garrafais!
Não tem dinheiro, carrega a câmera na mão, lógico! Faz como dá, ora, no problem... Imagina se eu dissese que se não fosse pelo perrengue da falta de grana, o Cinema Novo não existiria?! Escândalo! Terror!
Sério, não sei o que é pior, a câmera que não pára ou as que não se movem nunca. Sabem?! Aqueles planos enormes, lentos, que dão sono? Tipo. É pior dormir ou enjoar?
Da última vez que fui ao cinema e cochilei perdi duas sacanagens e uma canção. O filme até que era bonito, mas não me dizia nada. E a câmera continua enlouquecida... Isso é conceito. Considero quase que indubitavelmente a possibilidade de ir embora. Mas, sei lá, será? Vai que encontro alguém que conheço...? Não pega nada bem contrariar a contemporaneidade, né?
Confesso: quis ir embora na semana passada. Sessão lotada. Me senti mal com tanta violência! Me deu uma ânsia, sabem? Mas o filme era a revolução cinematográfica! Um verdadeiro blockbuster-indie-moderníssimo! Agora me diz, como é que eu não posso gostar duma bagaça dessa? Só porque o corpo - já devidamente desmembrado e em avançado estado de decomposição - de um canibal é oferecido a um bebê de dois anos faminto?! Caca pouca é bobagem... E o enjôo piorando. É uma loucura, aliás, eu só vejo a câmera, me sinto praticamente no set de filmagem. Cena quem é bom, nada.
O mundo moderno é isso aí, ninguém vê nada. Às vezes porque a câmera não deixa, definitivamente. Às vezes, porque não se tem nada pra dizer... (ops!), digo, mostrar. Não importa o que você vê, e sim o que você acha. Todo mundo acha alguma coisa. E todo mundo mistura crítica com opinião - todo mundo, até mesmo este escriba que vos fala.
"O que você achou do filme?" e "Como é o filme?" são perguntas diferentes. Para questões mais diferentes ainda, aliás. Dá para o filme ser bom e eu não gostar. E dá para ser ruim e eu gostar. Qual o problema, mané? Quem é que consegue ser o inglês sofisticado o tempo todo? Mais ainda, quem é que quer ser o inglês sofisticado o tempo todo?!
Contar histórias, ora bolas! Simples assim. A criatura tem alguma coisa pra contar, mas é tão dela, tão dela que chega a ser inexprimível. É melhor não dizer que ninguém vai entender nada. Só resta mostrar. Assim nascem os filmes dos quais a gente se lembra para sempre...
A câmera parou ou será que eu desmaiei? Letreiros. Fim. Sempre sento perto da saída. Acendo o cigarro e me pergunto: sobre o que mesmo é esse filme?
Por Felipe Mappa, sem nada a dizer.
** post originalmente publicado no antigo cine art, em 19/12/05.
1 de abril de 2006
Alguns filmes
Apenas algumas observações...
Johnny Guitar



A personificação do papel da mulher sobreposta à imagem estereotipada do Cowboy valentão e rápido no gatilho. O diretor Nicholas Ray, um dos malditos, prova que, no cinema a ordem dos fatores altera significantemente o resultado final. Principalmente sob o olhar expressivo de Joan Crawford empunhando um revolver na direção de marmanjos barbados.
A Um Passo da Eternidade

Vencedor do Oscar de 1953, o filme conta várias histórias que antecedem os acontecimentos beliais em Pearl Harbor. Montgomery Clift interpreta um soldado que se recusa a entrar no time de boxe. Burt Lancaster é um sargento que se envolve romanticamente com a mulher de seu superior e que levou ao primeiro beijo verdadeiro do cinema. Frank Sinatra vive um soldado que aprecia uma bebida e arranja confusão com um carcereiro. O desenvolvimento entrelaça e cria novos argumentos, cada vez mais interessantes.
Adorável Vagabundo


Se o cinema fosse apenas contar histórias, Frank Capra seria um dos pilares. Sem qualquer preocupação em ser brilhante, a simplicidade narrativa é que torna Adorável Vagabundo um filme agradável. Seja nos momentos de humor, drama ou até de cunho político. Capra segura o espectador e mantém John Doe (Gary Cooper) um dos seus personagens mais carismáticos.
