30 de junho de 2007

Filmes de Junho

Lista completa de todos os filmes que vi no mês de Junho, com revisões em negrito:

Hot Fuzz (2007), de Edgar Wright
Mansão do Inferno (1980), de Dario Argento
Ritmo Acelerado (2004), de Michael Dowse
Diamante de Sangue (2006), Edward Zwick
Zodíaco (2007), de David Fincher
O Desprezo (1963), de Jean Luc Godard
Je Vous Salue, Marie (1983) de Jean Luc godard
Trainspotting (1996), de Danny Boyle
Extermínio (2002), de Danny Boyle
Videodrome (1983), de David Cronenberg
A Professora de Piano (2001), de Michael Haneke
Barbarella (1968), de Roger Vadim
A Passagem (2005), de Marc Foster
Mestres do Horror – 2º Temporada - O Gato Preto (2007), de Stuart Gordon
The Black Book (2007), de Paul Verhoeven
Revolver (2005), de Guy Ritchie
Emanuelle in América (1976), de Joe D’Amato
Buio Omega (1979), de Joe D’Amato
Violent City (1970), de Sergio Sollima
A Ilha dos Prazeres Proibidos (1979), de Carlos Reichenbach
Blade Runner (1982), de Ridley Scott
Storm (2005), de Måns Mårlind e Björn Stein
Moulin Rouge (2001), de Baz Luhrmann
Noites de Cabíria (1957), de Federico Fellini (foto)
Ponto Final (2005), de Woody Allen

28 de junho de 2007

Hot Fuzz

Hot Fuzz



Inglaterra, 2007. DE Edgar Wright. COM Simon Pegg, Martin Freeman, Bill Nighy, Timothy Dalton. 121 min. COMÉDIA.

Edgar Wright já havia demonstrado muito do seu potencial em seu filme de estréia Todo Mundo quase Morto, homenagem ao subgênero Zumbis mas com um tom humorado que permeia durante toda a projeção. Mais que isso, Wright desenvolveu um estilo único de filmar num ritmo alucinante de imagens que saltam da tela freneticamente num apuro visual impressionante. Sua nova realização, Hot Fuzz, não foge da comédia como o primeiro que é na verdade o gênero que o diretor se especializou, apesar da brincadeira com os gêneros. O homenageado da vez: O cinema de ação policial. O filme narra as aventuras do melhor policial de Londres enviado à cidade mais pacata da Inglaterra porque sua competência extrapola a capacidade da corporação policial inteira. Um motivo básico para que a narrativa aconteça. Diferente de qualquer paródia, deixando claro que o cinema de Wright não é, Hot Fuzz renova um gênero de maneira bem humorada, mas com bastante violência e subversão com uma pitada de suspense. O próximo trabalho do diretor talvez seja a filmagem do seu pseudo-trailer intitulado Don’t, que sairá junto do filme Grindhouse. Pode-se esperar coisa boa desse inglês que a cada fita lançada é uma revelação.

por ronald

26 de junho de 2007

Lolita

Lolita



EUA/Inglaterra, 1962. DE Stanley Kubrick. COM James Mason, Peter Sellers, Shelley Winters, Sue Lyon. 152 min. DRAMA.

O cinema praticamente perfeito e diversificado de Kubrick acaba revelando uma característica comum em seus filmes: a fascinação do diretor pela mente perturbada. Geralmente, seus personagens atormentados entram num processo de insanidade e auto destruição que impedem qualquer socialização, acabam desfalecendo, à margem, extravagantes sucumbidos. Em Lolita, baseado no livro homônimo de Nabokov, a história se desenvolve em torno da paixão desesperada de Humbert - um culto professor cinquentão - pela ninfeta título do filme, que tem idade para ser neta do dele. Essa paixão é o ponto de desequilibrio na mente de Humbert, que começa a agir sem qualquer tipo de racionalidade para poder ficar com Lolita. James Mason, que já havia encarnado personagens perturbados, se encaixa muito bem no papel do obsessivo apaixonado. O filme ainda conta com a presença sempre excelente de Peter Sellers e a jovem Sue Lyon faz o papel de ninfeta com competencia. Lolita foi o primeiro filme que Kubrick dirigiu para um grande estúdio (MGM), e conseguiu liberdade total dos seus produtores graças o sucesso de Spartacus, mesmo assim, teve que criar um ar de ambiguidade, e apenas sugestiona o relocionamento sexual entre os dois protagonistas. Nada é explicito. Ainda assim, Kubrick realiza um filme poderoso suficiente se manter até hoje como um autentico clássico.

por ronald
ao som de days before you came, placebo

23 de junho de 2007

Black Book

Black Book



Zwartboek, Holanda/Bélgica/Inglaterra/Alemanha, 2006. DE Paul Verhoeven. COM Carice van Houten, Sebastian Koch, Halina Reijn. 145 min. DRAMA.

Dentro de um prisma relativo à maturidade de um diretor, por mais limitado que ele seja, voltar às origens fez muito bem ao diretor holandês Paul Venhoever, figura importante do cinema de ação com toques fantásticos, seus filmes sempre foram uma mistura de um experimentalismo focado nas bases dos filmes B apelando para a violência e o sexo com o cinema comercial, sempre investido muita grana em efeitos visuais e atores de peso. O resultado de sua filmografia não chega a ser irregular, mas possui algumas bombas como Showgirls e Homem sem Sombra, e mesmo assim, estes possuem uma constante que marcam o toque peculiar do diretor visto em suas obras primas, como O Vingador do Futuro, Robocop, Flesh and Blood, Tropas Estelares, entre outros. Tirando um, todos os outros filmes são produções americanas, e seus ultimo trabalho por lá, não foi grande coisa de bilheteria e após um hiato de 6 anos, o holandês resolveu voltar ao seu país de origem para realizar uma de suas obras mais significativas.

Seu novo filme, Black Book (ainda não sei o nome que as distribuidoras vão escolher, mas na tradução, Livro Negro), é talvez, seu filme mais maduro em termos de direção. Se passa durante a Segunda Guerra e trata de uma diversidade de situações da resistência holandesa naquele período. O filme é colocado perante o ponto de vista de Ellis de Vries, na qual exigiu uma competente trabalho de atuação de Carice van Houten. O roteiro escrito por Gerard Soeteman e pelo próprio Venhoever tenta fugir dos clichês imortalizados pelo gênero. Sempre cai em um ou em outro como nos estereótipos de alguns personagens, mas no contexto geral, o diretor consegue dar uma renovada no padrão de dramas de guerra. Até coube um espaço para o subgênero “men in a mission”, remetendo a filmes como Os Doze Condenados, além de muita violência, nudez e escatologia, marcas registradas de um veterano que merecia um melhor destaque.

por ronald

22 de junho de 2007

O Desprezo

O Desprezo



Le Mépris, França, 1963. DE Jean Luc Godard. COM Brigitte Bardot, Michel Piccoli, Jack Palance, Fritz Lang. 103 min. DRAMA.

Em O Desprezo, Jean Luc Godard homenageia a arte do cinema pelo cinema através de Paul, um dramaturgo, interpretado por Michel Piccoli, que fora contratado para escrever algumas cenas da adaptação de A Odisséia de Homero para o cinema numa versão que o diretor alemão Fritz Lang iria dirigir. Aliás, o próprio Lang faz o papel dele mesmo, uma outra homenagem. Paul é casado com Camille (Brigitte Bardout), e é nesse ponto que Godard acrescenta seus temas godardianos. A relação entre o casal, a introdução no submundo do cinema, a aproximação de um terrível e inescrupuloso produtor americano (Jack Palance), traição, desprezo, e um final inesperado. Brigitte Bardot está fabulosa, linda e é bem explorada pela câmera de Godard e a fotografia de Raul Courtad, em cores, numa bela alternância cromática da luz em algumas cenas (o mesmo feito em Pierrot Le Fou). Godard foi um dos principais responsáveis pela revolução cinematográfica da década de sessenta realizando vários filmes em um curto período de tempo e O Desprezo, com suas belas imagens e a música de Georges Delerue, é dos mais apaixonantes.

por ronald
ao som de i know, placebo

19 de junho de 2007

Mansão do Inferno

Mansão do Inferno



Inferno
, Itália, 1980. DE Dario Argento. COM Leigh McCloskey, Irene Miracle, Eleonora Giorgi. 107 min. HORROR.

Mansão do Inferno é a segunda parte da incompleta trilogia das três mães Bruxas que Argento iniciou nos anos setenta com Suspíria. Ainda neste ano de 2007, após quase duas décadas e meia, o diretor italiano vai finalizar a terceira parte com Mother of Tears, um dos filmes mais aguardados. A trama em Mansão do Inferno, mais uma vez, é muito simples e com personagens superficiais. Trata de uma jovem escritora que vive num antigo prédio em Nova York. Mas após ler um livro escrito por um arquiteto que diz ter construído as residências de três bruxas, vários acontecimentos misteriosos começam atormentá-la e várias situações indicam que aquele velho edifício onde vive, é uma dessas “casas de bruxas” construídas pelo tal arquiteto. É interessante o estilo que Argento desenvolve em seus filmes em nunca se aprofundar demais nos personagens, pois isso cede espaço para que o diretor possa criar reviravoltas interessantes e matar personagens que até certo ponto, pareciam protagonistas, além de realizar com mais intensidade seu virtuoso exercício de direção abusando da violência gráfica e do experimentalismo, principalmente em alguns elementos básicos como enquadramentos, cores berrantes e o som atmosférico como é caso de Mansão do Inferno, um essencial exemplar da filmografia do diretor.

por ronald

14 de junho de 2007

Shortbus

Shortbus



EUA, 2006. DE John Cameron Mitchell. COM Sook-Yin Lee, Paul Dawson, Lindsay Beamish. 101 min. DRAMA.

Apesar das orgias com imagens de sexo explicito, hetero e homossexuais, boquetes e um cara que se contorce para chupar o próprio falo, Shortbus não pode ser taxado de um filme pornô. O filme acompanha os conflitos sexuais e amorosos de vários personagens que acabam se entrelaçando em shortbus, uma espécie de casa noturna onde pessoas com problemas (ou não) sexuais se encontram para se redescobrirem sexualmente, ou até mesmo praticar o bom e velho coito. Mas o filme não parece tão forte quanto aparenta. As cenas de sexo explícito não chocam nem excitam de tão amarradas com o roteiro. Chega a ser banal assistir um menagé a trois gay onde um dos personagens canta o hino nacional com o nariz enfiado no cu de outro cara. Parece ser necessário que haja o explícito, indo contra aquele sexo falso dos filmes hollywoodianos. Na verdade, foi a forma correta que o diretor John Cameron Mitchell encontrou para apresentar seus personagens, através do sexo, sem palavras, sem explicações, assim como a música influencia na profundidade dos personagens em Hedwing and the Angry Inch, seu primeiro filme.

por ronald



Touro Indomável



Raging Bull, EUA, 1980. DE Martin Scorsese. COM Robert de Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci. 129 min. DRAMA.

Quem não se lembra do balé de corpos se socando dentro de um ringue no filme Touro Indomável? Tá certo, eu sei que você ainda não viu mesmo, ou viu? O fato é que foi lançado já há algum tempo, em edição especial e duplo, o DVD de Touro Indomável, um dos melhores trabalhos do diretor Martin Scorsese. O filme conta a trajetória do boxeador Jake la Motta (Robert de Niro) desde seu ápice até a decadência. Porém, não espere um filme de/sobre boxe. A vida pessoal do lutador é muito mais interessante e mais explorada no filme do que suas próprias lutas. Com temperamento explosivo, o personagem de la Motta encaixou-se perfeitamente em Robert de Niro que obteve sua melhor atuação no cinema e o Oscar de melhor ator. A direção de Scorsese juntamente com o trabalho de equipe técnica é primorosa. Direção, fotografia em preto e branco, edição expressionista, uma bela trilha sonora, tudo funcionando em perfeita ordem. A nova edição do DVD vem recheada de extras com entrevista e curiosidade. Exemplar perfeito para qualquer cinéfilo.

por ronald

10 de junho de 2007

A Beta deve Morrer

A Besta Deve Morrer



Que la bête meure, França, 1969. DE Claude Chabrol. COM Michel Duchaussoy, Caroline Cellier, Jean Yanne. 110 min. DRAMA.

A grosso modo, A Besta Deve Morrer é um filme que trata do tema vingança. Mas conhecendo seu diretor, sabe-se que algo diferente vem à tona, pois o tema fora desgastado em todas as formas de arte possíveis. A película é tratada de maneira mais sensível, sem apelar, em momento algum, para o melodrama, mesmo com o trágico acontecimento logo no início do filme. Chabrol utiliza o motivo “vingança” para se aprofundar na mente de seu personagem e fazer um bizarro estudo do comportamento humano diante da situação da morte. A morte na família, o planejamento de uma morte, sob diversos pontos de vista. O filme se estrutura em forçar suposições e espectativas na cabeça do espectador. Mas Chabrol consegue sair de todos os clichês possíveis intensificando o suspense ao mesmo tempo em que foge do gênero. A personificação do mal é muito bem criada no personagem de Jean Yanne, o que ajuda ainda mais a aceitar o crime planejado pelo protagonista. A Besta Deve Morrer é de difícil acesso no Brasil. Mas como na era da internet, tudo é possível, ou quase tudo, não há desculpa para não ver a filmografia de alguns diretores. Chabrol é obrigatório.

por ronald
ao som de as above so below, klaxon


Factotum - Sem Destino



Noruega/EUA/Alemanha, 2005. DE Bent Hamer. COM Matt Dillon, Lily Taylor, Marisa Tomei, Grace Stevens. 94 min. Califórnia. DRAMA.

Pra quem conheçe o mundo literário do poeta, contista e novelista Charles Bukowski, se torna complicado a cada frame acreditar em Factotum - Sem destino, do diretor norueguês Bent Hamer, baseado no romance homônimo do escritor e em vários de seus contos. Em minha singela opinião, a dita dificuldade começa com a escolha de Matt Dillon para viver Henry Chinaski - o deprimente alter ego do autor -, um homem que vive de emprego medíocre em emprego medíocre, de bebedeira em bebedeira, de jogos de azar em jogos de azar e de mulher em mulher. Chinaski não tem nada: endereço, laços e sequer renda. Só o desejo de se tornar escritor. É um obcecado sem paixão, derrotista e derrotado. Nada a ver com Dillon e seu visual milimetrica e estudadamente desarrumado. Até a porra dos cenários por onde passa o personagem não combinam com o universo bukowskiano da boca do lixo, dos perdedores, das prostitutas e de uma vida desregrada...! E digo que não se trata da busca de verossimilhança. Mas de uma verdade que emana dos textos e não combina com nada do que emana da tela.

por felipe
ao som de isabel, brakes

8 de junho de 2007

Chegamos ao mês de Junho, ou seja, a metade do ano de 2007. Muitos filmes têm estreado no Brasil até agora, mas a maioria, como de costume, porcarias intragáveis. Até que deu para completar uma listinha com 10 ótimos filmes. Grandes obras ainda podem estrear esse ano nos nossos cinemas ou em festivais de circuito mais fechado, alguns deles eu já vi e até entraram na lista, outros como os novos filmes de David Lynch, David Cronenberg, Dario Argento, Paul Thomas Anderson, e muitos outros também devem chegar por aqui. Se isso realmente acontecer, prevejo que esta relação deverá mudar. Enfim, segue a lista:


1. Death Proof (Quantin Tarantino)

2. Exilados (Johnny To)
3. Zodiaco (David Fincher)
4. Maria Antonieta (Sofia Coppola)
5. Cartas de Iwo Jima (Clint Eastwood)
6. Sunshine (Danny Boyle)
7. Hot Fuzz (Edgar Writgh)
8. Babel (Alejandro Gonzáles Iñarritu)
9. Maria (Abel Ferrara)
10. Mais Estranho que a Ficção (Marc Foster)

Outros Destaques: Ventos da Liberdade (Ken Loach), Shortbus (John Cameron Mitchell), Scoop (Woody Allen), Planeta Terror (Robert Rodriguez), 300 (Zack Snyder), A Conquista da Honra (Clint Eastwood), O Homem Duplo (Richard Linklater), Diamante de Sangue (Edward Zwick)...

Um Assunto de Mulheres

Um assunto de Mulheres



Une affaire de femmes, França, 1988. DE Claude Chabrol. COM Isabelle Huppert, François Cluzet, Nils Tavernier. 108 min. DRAMA.

A mais interessante percepção absorvida em Um Assunto de Mulheres é a forma como Claude Chabrol negligencia todas as formas possíveis de manipulação dramática perante o publico. Outro ponto a destacar é a própria direção do cineasta que abre mão dos seus planos elaborados, influenciados por Hitchcock, limitando em filmar o necessário, com simplicidade, sem sobressaltos, dificultando mais ainda a empatia com os personagens. No caso, Marie, vivida por Isabelle Hupert, que em plena segunda guerra mundial empreende-se em uma profissão ilícita e clandestina. Dificilmente o público se identifica com a protagonista, e esse nem é o objetivo de Chabrol. Apesar disso, sua personagem é completa, e nela se estrutura o filme, graças ao belo trabalho de interpretação de Hupert. Marie sonha em ser cantora, tem dois filhos, procura ser uma mãe dedicada e trabalha sempre em prol dos seu sonho, mesmo que esse trabalho tenha um certo risco. Além disso perde gradativamente seu amor pelo marido que luta na guerra e quando retorna, se afasta de vez. Recentemente, O Segredo de Vera Drake, do inglês Mike Leigh, levantou um tema similar em alguns pontos da narrativa com este aqui, porém com uma personagem que é totalmente o oposto de Marie. Os espectadores têm repulsa de Marie, julgam errado o que ela faz, ao contrário da boa e ingênua Vera, na qual o publico cai no maquineismo de Leigh. Chabrol já era um diretor maduro quando fez Um Assunto de Mulheres e não se importava de criar uma protagonista maldita. O final frio, quase indiferente, não choca, mas pesa no consciente, faz o publico querer voltar atrás nos julgamentos. Tarde demais. Chabrol encerra de forma direta e rápida. Uma experiencia hermética, até para os conhecedores de sua obra.

por ronald
ao som de automatic stop, strokes

5 de junho de 2007

Zodiaco

Zodiaco



Zodiac, EUA, 2007. DE David Fincher. COM Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr. 158 min. Warner. DRAMA/POLICIAL.

Mal saiu do famigerado Festival de Cannes, já estreou no Brasil Zodíaco, o novo filme do americano David Fincher, cineasta que havia levantado algumas sobrancelhas em filmes como Seven e Clube da Luta. Dono de uma habilidade incrível para criar imagens, seus filmes sempre foram marcados pelo forte apelo visual. Zodíaco também se configura num trabalho de direção virtuoso, porém, nota-se o amadurecimento de um processo particular do diretor.

O filme, aparentemente, trata de uma variação do subgênero serial killer, o mesmo tema abordado em Seven, embora sem os momentos de "pega ladrão". É muito mais profundo, uma análise de diversos comportamentos humanos, principalmente a paranóia e a obsessão, tendo como pano de fundo a onda de assassinatos que realmente aconteceram no final dos anos 60 e início dos 70, cometidas pelo tal assassino que se intitulava Zodíaco. O filme concentra as atenções nas frustrantes e burocráticas investigações e na decadência psicológica de alguns personagens, entre eles Robert Graysmith (Gyllenhaal), que na época era cartunista do jornal San Francisco Chronicle e que escreveu o livro do qual o filme foi baseado.

Já o trabalho técnico resulta numa fantástica recriação de época, dando a Zodiaco o tom mais realista possível. Embora ainda possua alguns enquadramentos mais elaborados, Fincher se preocupa em apenas orientar seus atores e dirigir as situações com objetividade, e conduz tudo isso de maneira tão agradável que nem se nota as suas quase três horas de duração.

por ronald
ao som de cmere, interpol