Al Pacino vive um policial que trabalha sob disfarce homossexual para investigar e prender o responsável pela onda de assassinatos de boiolas que assola a cidade e que anda saindo na primeira página dos jornais pelas manhãs. Mas para o diretor Willian Friedkin o que interessa mesmo é a incursão que o personagem faz pelo submundo hardcore gay e como tudo isso afeta o seu psicológico, ou seja, é o típico caso que o cabra vai ter que sentar no divã quando tudo acabar se não vai acabar jogando no outro time, embora isso fique apenas na ambigüidade, o que de certa forma acabou com as chances comerciais do filme. Melhor para os fãs do diretor que acabou apresentado um material subversivo e perturbador cheio de imagens homoeróticas desconfortáveis, como na cena surreal do negão de cueca e chapéu que dá um tapa na cara do protagonista. E é preciso admirar o trabalho de Pacino ao se comprometer com um projeto como este. Provavelmente uma das atuações mais elaboradas de sua carreira, sem os excessos agressivos que lhe deram fama, mas um desempenho complexo, intimista que me impressionou bastante.31 de maio de 2008
Cruising, aka Parceiros do Crime (1980), de Willian Friedkin
Al Pacino vive um policial que trabalha sob disfarce homossexual para investigar e prender o responsável pela onda de assassinatos de boiolas que assola a cidade e que anda saindo na primeira página dos jornais pelas manhãs. Mas para o diretor Willian Friedkin o que interessa mesmo é a incursão que o personagem faz pelo submundo hardcore gay e como tudo isso afeta o seu psicológico, ou seja, é o típico caso que o cabra vai ter que sentar no divã quando tudo acabar se não vai acabar jogando no outro time, embora isso fique apenas na ambigüidade, o que de certa forma acabou com as chances comerciais do filme. Melhor para os fãs do diretor que acabou apresentado um material subversivo e perturbador cheio de imagens homoeróticas desconfortáveis, como na cena surreal do negão de cueca e chapéu que dá um tapa na cara do protagonista. E é preciso admirar o trabalho de Pacino ao se comprometer com um projeto como este. Provavelmente uma das atuações mais elaboradas de sua carreira, sem os excessos agressivos que lhe deram fama, mas um desempenho complexo, intimista que me impressionou bastante.28 de maio de 2008
26 de maio de 2008
Prince of Darkness (1987), de John Carpenter
Este exercício de gênero, provavelmente, é um dos trabalhos mais assustadores de John Carpenter, que retorna com o esquema do espaço limitado para acentuar o clima de suspense. Basta lembrar-se de Assault on Precinct 13, The Thing ou da igreja em The Fog. A igreja, aliás, é o cenário de Prince of Darkness onde uma equipe de alunos e professor são convocados por um padre para estudar uns antigos manuscritos religiosos e um cilindro contendo um conteúdo verde de sete milhões de anos. Todos estes artefatos se encontram na tal igreja abandonada e eram segredos guardados por uma sociedade católica. Interessante é ver como Carpenter explora a idéia do caos - que poderia levar ao fim do mundo - numa situação menor, com poucos indivíduos envolvidos, em um único cenário, e têm toda a responsabilidade nas mãos de salvar o mundo da destruição (sem apelar para as catástrofes hollywoodianas). Por isso não deixa de ser um exercício de gênero carregado de elementos do cinema fantástico como zumbis possuídos, ficção iconoclasta e viagem no tempo, detalhes que Carpenter se aproveita com criatividade no uso das trucagens, na forma como utiliza os espaços dos cenários para criar a sensação de enclausuramento e na sacada dos vídeos/mensagens das imagens do futuro que aparecem como sonhos para os habitantes da igreja.
22 de maio de 2008
Cat People (1982), de Paul Schrader

Em 1942, ano da primeira versão de Cat People (dirigido por Jacques Tourneur), a história tinha peso suficiente para impressionar o público, algo que não teria o mesmo efeito no público mais moderno de 40 anos depois. Em sua refilmagem, o diretor Paul Schrader resolveu imprimir um estilo condensado na imagem visual e no teor erótico para segurar o público oitentista. Schrader é mais conhecido pelos seus roteiros (Táxi Driver, por exemplo), como diretor é um verdadeiro artesão e conta a história com extrema beleza cinematográfica, utilizando tons fortes, atmosfera carregada com elementos de terror (e gore) e um ar onírico que separa os níveis de fantasia e realidade da trama. Mas a essência de tudo se encontra em Nastassja Kinski representando seu papel com presença, muita sensualidade e excessos dosados que a torna a própria pantera em forma humana. Difícil encontrar outra atriz que desempenhasse o papel de forma tão instintiva (recentemente aconteceu o mesmo caso com Asia Argento em Boarding Gate, de Olivier Assayas). No Brasil, o filme recebeu o título de A Marca da Pantera.
21 de maio de 2008
18 de maio de 2008

The Bank Job (2008), de Roger Donaldson: Não sei se vocês sabem, mas duas coisas que eu tenho fetiche no cinema são pôsteres e filmes de ação policial dos anos 70. Foi amor à primeira vista quando vi a arte setentista no pôster do filme e sem nem saber do que se tratava ou quem era o diretor, coloquei pra baixar, antes de procurar essas informações. Mas o tom anos 70 impresso no pôster e na recriação de época para por aqui. The Bank Job é bem modernão em termos de direção, ritmo, trilha sonora, fotografia e roteiro, detalhes que remetem, em alguns momentos, aos filmes de Guy Ritchie. E não vejo problema algum nisso, já que se trata de um dos melhores exemplares do subgênero assalto a banco dos últimos anos.
Doomsday (2008), de Neil Marshall: Terceiro longa do diretor de Dog Soldiers e Abismo do Medo, este novo trabalho de Neil Marshall chupa as idéias principais de Mad Max, de George Miller e Fuga de Nova York, de John Carpenter (não chega a ser coincidência dois personagens se chamarem Carpenter e Miller) para dar uma atualizada no universo dos filmes pós-apocalípticos, da mesma forma que os italianos faziam na década de oitenta. A única pretensão de Doomsday parece ser contextualizar os elementos do subgênero e saciar a sede de sangue dos fãs do gore. Marshall ignora todas as questões existencialistas que poderia abordar para ressaltar a sua filosofia do sangue, das mutilações, contagem de corpos, etc. O filme peca pelo excesso de informações apresentadas com pressa exagerada. Como se a escolha do diretor fosse de fazer um filme curto, mas aproveitando todas as idéias possíveis. O resultado é um filme gordo sem base pra tanto, mas não deixa de divertir com a ação alucinante que compensa as falhas.
Doomsday (2008), de Neil Marshall: Terceiro longa do diretor de Dog Soldiers e Abismo do Medo, este novo trabalho de Neil Marshall chupa as idéias principais de Mad Max, de George Miller e Fuga de Nova York, de John Carpenter (não chega a ser coincidência dois personagens se chamarem Carpenter e Miller) para dar uma atualizada no universo dos filmes pós-apocalípticos, da mesma forma que os italianos faziam na década de oitenta. A única pretensão de Doomsday parece ser contextualizar os elementos do subgênero e saciar a sede de sangue dos fãs do gore. Marshall ignora todas as questões existencialistas que poderia abordar para ressaltar a sua filosofia do sangue, das mutilações, contagem de corpos, etc. O filme peca pelo excesso de informações apresentadas com pressa exagerada. Como se a escolha do diretor fosse de fazer um filme curto, mas aproveitando todas as idéias possíveis. O resultado é um filme gordo sem base pra tanto, mas não deixa de divertir com a ação alucinante que compensa as falhas.16 de maio de 2008
8 Angry Men
No Orkut existe uma comunidade chamada Cinéfilo Doentes, do qual eu faço parte. No mês passado, surgiu a idéia de se criar um espaço para que os membros publiquem resenhas dos filmes que assistem segundo determinado tema. Foi assim que surgiu o 8 Angry Men. Visual ainda bem simples, textos amadores (inclusive há um meu), mas todos apaixonados pela sétima arte.
Convido aos frequentadores daqui, que dêem uma conferida no material. O primeiro tema é Westerns Subestimados. Eu colaborei com as resenhas de Os Quatro do Apocalipse, de Lucio Fulci e Quando os Brutos se Defrontam, de Sergio Sollima.
Convido aos frequentadores daqui, que dêem uma conferida no material. O primeiro tema é Westerns Subestimados. Eu colaborei com as resenhas de Os Quatro do Apocalipse, de Lucio Fulci e Quando os Brutos se Defrontam, de Sergio Sollima.
Por
Ronald Perrone
14 de maio de 2008
O Túmulo dos Vagalumes (1988), de Isao Takahata

Filmes de guerra geralmente são recheados de explosões, tiroteios, víceras e muitos cadáveres. Uns se esforçam para mostrar esses horrores de forma poética como Além da Linha Vermelha, outros mais dramáticos como A Lista de Schindler, porém poucos fazem de maneira tão comovente como Túmulo dos Vagalumes. Antes de falar sobre o filme, vale ressaltar o fato do mesmo ser uma animação japonesa. Talvez isso crie uma certa repulsa em alguns, por sempre acharem que desenhos são para crianças. Mas a experiência de assistir Túmulo dos Vagalumes não seria a mesma se fosse com atores de verdade. O filme conta a história de Seita e Setsuko, dois irmãos que perdem a mãe durante os constantes ataques aéreos norte-amercianos ao Japão. O primeiro é um adolescente responsável e ao mesmo tempo despreocupado, a segunda é uma menininha de uns 4 anos de idade. O filme já começa com um clima bastante carregado, mostrando Seita em seus últimos segundos de vida, perecendo de fome. No decorrer do filme o espírito dele nos acompanha com breves comentários e explicações sobre como as coisas aconteceram. Spoilers à parte, a história choca do início ao fim, conseguindo emocionar o mais durão dos marmanjos. Faço das palavras de Roger Ebert as minhas, é um filme obrigatório em qualquer lista de melhores filmes de guerra. Não se deixe enganar pelo visual e confira essa preciosidade que não poderia vir de outro estúdio a não ser o Studio Ghibli, cujo diretor é ningém menos que Hayao Miyazaki.
Texto escrito por Monsenhor, que já colaborou com mais frequencia por aqui em tempos remotos...
Texto escrito por Monsenhor, que já colaborou com mais frequencia por aqui em tempos remotos...
12 de maio de 2008
Speed Racer (2008), de Andy e Larry Wachowski

Parece até que o blog entrou em clima de blockbuster, mas daqui a pouco volto a falar de filmes de arte e cult movies de terror e cinema de gênero, porque não dá pra ficar indiferente diante desta divertida experiência sensorial que é Speed Racer. É cinema da magia do espetáculo, o que não é de se desprezar já que representa o cinema em sua essência moto-visual-sonora. Um delírio de transposição cinematográfica do famoso desenho – não cheguei a ver quando passou na TV aberta, mas não perdia um episódio quando passava no Cartoon Network há uns dez anos atrás – e para os fãs, um deleite vislumbrar os personagens em carne e osso fielmente adaptados e acompanhar as seqüências de corrida com o Speed, o Corredor X e uma trupe de estereótipos canastrões idênticos aos do desenho. O padrão visual é uma verdadeira masturbação cromática luminosa psicodélica superficializada em prol de uma estilização extrema de encher os olhos, embora tanto efeito sintético não agrade a todos. Mas é um produto interessante que diverte a moçada e serve de veículo para os irmãos Wachowski experimentarem mais uma vez o uso de efeitos visuais que vão influenciar uma penca de filmes nos próximos anos.
10 de maio de 2008
4 de maio de 2008
Homem de Ferro (2008), de Jon Favreau

E lá fui eu com a minha pequena na sessão da meia noite achando que estaria vazia. Não teve jeito. Oficialmente, deu-se início à temporada 2008 de Blockbusters para a alegria da moçada bonita que se propõem a lotar os cinemas, desembolsar 16 mangos para 2h de puro entretenimento desmiolado... e eu lá, fazer o que? eu gosto! Mas algumas produções além de encher os bolsos dos produtores de moedas, conseguem até mesmo divertir o espectador mais exigente. É o caso do Homem de Ferro, uma das melhores adaptações de HQ’s para as telonas e o primeiro filme produzido inteiramente pela Mavel. Uma das grandes sacadas foi a escolha de Robert Downey Jr. para protagonizar a aventura dando vida a um personagem nada convencional do mundo das adaptações. Tony Stark não é um nerd excluído dos grupos populares tentando descolar uma garota, nem é transformado em retardado como em algumas produções recentes da Marvel. Desta vez, o herói é um milionário playboy, arrogante, orgulhoso, sarcástico e um gênio inventor dono de uma das maiores fábricas armamentistas, as Industrias Stark. Carismático, o desempenho de Downey, com seus excessos de expressões e maneirismos, é um dos fatores primordiais para o sucesso do filme e garante um grau de enriquecimento para seu personagem. Todo o elenco está ótimo e Jeff Brigdes está genial e assustador com o aspecto de seu Obadiah, um dos sócios das Industrias Stark. Eu não sou um profundo conhecedor do Homem de Ferro, apesar de ter lido muita coisa quando era moleque. O roteiro dá uma atualizada na origem do herói levando a ação para o Afeganistão em vez do Vietnã das HQ’s. Além disso, existem nítidas referencias políticas a serem analisadas, mas que nada afetam o ritmo para o público que só quer ver ação. A direção ficou nas mãos de Jon Favreau que até então, só havia feito filmes bobinhos como Zathura e Um Duende em Nova York (aff!), mas sua visão está bem próxima do que se espera de uma digna adaptação, apostando na fidelidade dos quadrinhos e efeitos especiais interessantes capazas de recriar todo o mundo tecnológico que rodeia Tony Stark, principalmente seu trage, que é a armadura mais interessante do cinema desde Robocop – O Policial do Futuro. Homem de Ferro cumpre muito bem o seu papel de entretenimento visual, diversão que prende do início ao fim com ótimos momentos de humor, trilha sonora bacana e um duelo supimpa entre o herói e seu inimigo, o Monge de Ferro, embora este nome não seja mencionado. E esperem até o fim dos créditos para uma surpresinha básica...
3 de maio de 2008
Diário dos Mortos (2007), de George A. Romero
Em 1968, George Romero realizou o zombie movie definitivo: A Noite dos Mortos Vivos, um clássico do horror copiado, parodiado e homenageado à exaustão ao longo dos anos. Durante as décadas seguintes, o diretor se firmou como o pai dos zumbis realizando mais três obras primas do gênero, sempre levantando críticas e provocando discussões que tocariam na cultura e no modo de vida americano, além do simples estudo das relações humanas em situações extremas. Em Diários dos Mortos, fita que não faz parte oficialmente da quadrilogia dos mortos, mas possui o que há de melhor dos elementos já utilizados em seus zombie movies posteriores, Romero toca na questão atualíssima da obsessão pelo registro de fatos. No meio das filmagens de um filme de terror, vários estudantes e seu professor ficam sabendo da bizarra notícia de que os mortos estão se levantando. Jason, o diretor do filminho resolve ligar sua câmera e capturar ao máximo todos os acontecimentos durante a jornada de volta aos seus lares. O problema é justamente a obsessão desse registro, já que Jason não para de filmar nem nos momentos de perigo enquanto seus amigos se preocupam em sobreviver desesperadamente dos ataques dos zumbis. Romero novamente não revela de onde surgiu o fenômeno que vem causando o caos na humanidade. A melhor explicação ainda é aquela de O despertar dos Mortos (1979), quando um dos personagens diz que quando o inferno estiver cheio, os mortos caminharão sobre a terra. Diário dos Mortos também utiliza a linguagem da câmera subjetiva, além de outras formas de mídia como vídeos na internet, câmeras de segurança, etc. Mas é incrível o resultado alcançado que ao invés de buscar realismo nas situações como em Cloverfield ou [REC], o filme de Romero se aproxima ainda mais da ficção, da atmosfera superficial dos filmes de zumbis e como tudo isso funciona perfeitamente para enfatizar ainda mais a sua análise do homem com uma câmera e a obsessão pelo registro! Neste sentido, Diário remete mais a Redacted de Brian de Palma, e não é só neste ponto que Romero demonstra lucidez. Aos 68 anos, o experiente cineasta ainda possui uma liberdade criativa invejável na utilização da violência explícita com muito sangue e vísceras, tudo num clima de Road Movie apocalíptico. Diário dos Mortos também é a volta de Romero à raiz com uma produção independente e um orçamento discreto, diferente da superprodução Terra dos Mortos, e mesmo experimentando uma linguagem nova, a essência continua intacta.2 de maio de 2008
Filmes de Abril
Segue a lista do mês de Abril com revisões em negrito:Boarding Gate (2007), de Olivier Assayas ****
A Honra do Poderoso Prizzi (1985), de John Huston ****
Jumper (2008), de Doug Liman **
A Invasora (2007) de Alexandre Bustillo e Julien Maury ****
Two-Lane Blacktop (1971), de Monte Hellman *****
5 Bambole per la Luna D’Agosto (1970), de Mario Bava ***
[REC] (2007), de Jaume Balagueró e Paco Plaza ***
Olhos de Serpente (1993), de Abel Ferrara ****
Nos Calcanhares da Máfia (1984), de Stuart Rosenberg ****
Blood for Dracula (1974), de Paul Morrissey ****
Deep Throat (1972), de Gerard Damiano ***
Colors (1988), de Dennis Hopper ****
Ilsa, She Wolf of SS (1975), de Don Edmonds ***
Miami Vice (2006), de Michael Mann *****
I Spit on your Grave (1978), de Meir Zarchi ***
Elefante (2003), de Gus Van Sant ****
Calvaire (2004), de Fabrice Du Welz ****
Diário dos Mortos (2007), George A. Romero ****
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