Crash – No Limite



Crash, USA, 2004. DE Paul Haggis. COM Karina Arroyave, Dato Bakhtadze, Sandra Bullock, Don Cheadle, Matt Dillon, Brendan Fraser, Terrence Howard, Ryan Phillippe. 113 min. Bull's Eye Entertainment. DRAMA.

Em Crash – No Limite, o foco principal é o racismo. Não um determinado tipo de racismo, mas um racismo generalizado entre todas as raças e etnias. O roteiro, também escrito por Heggis, utiliza-se de uma estrutura não muito original, que é a utilização de vários personagens em situações diferentes ou não, e que acabam se entrelaçando nestas situações. Teve seu ápice na década de 90 com filmes como Short Cuts de Robert Altman e o seu melhor representante até hoje, Magnólia, de Paul Thomas Anderson. Em contrapartida, filmes que possuem essa estrutura narrativa podem ser criativos de acordo com a imaginação do roteirista mesmo que seja uma estrutura batida, como é o caso de Crash. O diretor consegue criar situações interessantes e ambienta-las em atmosferas realistas dando o clímax necessário para que os acontecimentos funcionem. Haggis tem ainda a sua disposição um ótimo elenco contando com Don Cheadle, Matt Dillon, Sandra Bullock, Brendan Fraser e muitos outros.
Entretanto, como a maioria dos filmes americanos, gera em determinados momentos de Crash um sentimentalismo forçado com a utilização de trilhas sonoras melancólicas forçando o espectador a cair em lágrimas, coisas de Hollywood. Porém, esse problema não tira o brilho do filme e aos poucos notamos o surgimento de novos diretores que deixam de lado estes artifícios Hollywoodianos; Graças ao belíssimo e bem trabalhado roteiro de Haggis, Crash é um filme que está acima da média de muitos dramas lançados nos Estados Unidos nos últimos anos.
Por Ronald Perrone
PS: Texto publicado anteriormente no antigo blog do Cine Art e republicado agora pela vitória de Melhor filme no Oscar 2006.