felipe, editor especial cine art
Os Pássaros





The Birds, USA, 1963. DE Alfred Hitchcock. COM Tippi Hedren, Rod Taylor, Jessica Tandy, Veronica Cartwrigh. 119 min. Universal. SUSPENSE.

Numa pequena cidade, Bodega Bay, ao norte de São Francisco, pássaros de várias espécies declaram guerra à humanidade. E como pano de fundo, uma historinha de amor entre dois personagens em meio a toda situação.
Porém, não é nessa história que está a atenção principal. É o que está por trás dela, nos detalhes técnicos e nas imagens puras e simples. As situações fenomenológicas acontecem, e pronto. Isso é o cinema. Isso é Hitchcock em busca do seu processo próprio, sem influências.
Os Pássaros é um espetáculo sem limites a cada plano. Sem a utilização de qualquer trilha sonora durante toda a projeção, Hitchcock cria um ambiente realista, com personagens definidos em meio a uma situação absurda, porem, sem divagar metafisicamente nem arranjar explicações. Os pássaros são pássaros e só. Hitchcock posiciona sua câmera em lugares fora do comum e a cada take é uma revelação que cria cenas antológicas como:
a) O ataque dos pássaros após a explosão do posto de gasolina. Brilhantemente conduzida por Hitchcock, que inicia a cena num incrível panorama subjetivo dos próprios pássaros. b) O ataque brutal dos pássaros em Tippy Hayden no sótão. c) O magnífico e inesperado final apocalíptico no silencio das aves.
Os Pássaros é um desses filmes que estão na linha de frente na filmografia de Alfred Hitchcock como Janela Indiscreta, Um Corpo que Cai, Rope e Psicose. Um clássico absoluto do mestre do suspense.
Por Ronald Perrone
Match Point




Inglaterra/Luxemburgo, 2005. DE Woody Allen. COM Jonathan Rhys-Meyers, Scarlet Johansson, Emilly Mortimer, Brian Cox, Mathew Goode. 124 min. Playarte. DRAMA.

Não seria incorreto afirmar que Match Point é um filme anti-Wood Allen: por mais que já tenha usado de narrativas de suspense em seus trabalhos (Tiros na Brodway sendo o mais notável, que eu me lembre) o diretor agora se despe de longos diálogos sobre relacionamentos para testemunhar as (in)conseqüências de uma paixão arrebatadora e proibida. Para conseguir isso, abusou da sua técnica limpa (a direção é tão leve que até parece fácil) e de um elenco perfeito.
Rhys-Myers é Chris, um tenista que nunca alcançou o topo e decide ensinar o esporte num clube de ricaços londrinos. Lá conhece Tom (Goode) e sua irmã (Mortimer, ótima), com quem se casa, sem nunca ficar muito claro a importância da situação financeira no meio. Formando o quadrilátero amoroso, Scarlett Johansson (deliciosa como sempre) é a noiva de Tom, uma candidata a atriz que atrai as atenções de Chris.
Match Point segue, a partir daí, um passo cômodo e sempre inesperado até culminar num final que somente poderia sair da mente do Allen engraçado e trágico que aprendemos a admirar.
Por Felipe Mappa