

The Libertine, ING, 2004. DE Laurence Dunmore. COM Johnny Depp, John Malkovich, Rosamund Pike. 114 min. DRAMA.

Johnny Depp parece querer livrar-se da fama de queridinho e fofinho que vem recebendo com o filme Piratas do Caribe e constrói o papel de um pervertido, sem caráter e orgulhoso por ser assim. E por fazer tão bem esse papel é que o filme ganha força em ótimos momentos performáticos de Depp, muito bem mesclada com o estilo de direção do estreante Lawrence Dunmore, que realiza seu filme como se estivesse filmando uma peça teatral. O Libertino ainda possui um bom elenco formado por John Malkovich, com um papel secundário, mas competente na pele do Rei Charles II, Rosamund Pike, que faz a esposa de Wilmont, Samantha Morton, entre outros.
A maior virtude de O Libertino, entretanto, fica no quesito estético e sonoro. é um ótimo exemplo daquilo que acontece quando talentos individuais sobressaem à qualidade geral do próprio filme, ou seja, o resultado final não é tão bom quanto se espera, já que é formado por ótimos artistas nas áreas de fotografia, direção de arte, trilha sonora, etc. Mas não sei se por falta de recursos ou por opção do diretor de fotografia e direção de arte, o filme possui uma atmosfera realista, com luz natural, escuro, granulado, sujo, diferente dos filmes de época convencionais que abusam de cores estouradas e recriam ambientes vivos e detalhados.
Se esteticamente, o filme se preocupa em inovar, na forma, é das mais clássicas. O diretor apenas se preocupou em ligar sua câmera e filmar, com raríssimas exceções. A sensação estranha que prende a atenção em determinadas cenas passa a se tornar algo cansativo. Mas apesar de irregular, O Libertino não deixa de ser interessante, principalmete porque comprova o talento de Johnny Depp em interpretar os mais diferentes e bizarros papéis mesmo em filmes menores como este aqui.
Por Ronald
