30 de maio de 2006

X-men e...

X-Men – O Confronto Final

1/2

X-Men: The Last Stand, USA, 2006. DE Brett Ratner. COM Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen, Famke Janssen. 104 min. Fox. AVENTURA

X-Men – O Confronto Final tinha tudo para ser o grande trunfo da série. Pra “fechar” com chave do Ouro. Digo fechar, mas todos vocês já devem ter lido em algum lugar que é para esperar até o final dos créditos, pois há uma surpresa e blá, blá, blá sobre uma possível continuação. X-Men 3 tem o roteiro mais elaborado da trilogia e todos os diálogos possuem sua importância dentro do entrecho que narra a descoberta da cura que acaba com a mutação. É lógico que Magneto e sua trupe vão criar problemas e cabe aos X-Men’s resolverem a situação. Mas a coisa dessa vez é mais complicada. Há ainda o caso de Jean Gray e a famosa Fênix que todos os fãs de quadrinhos já aguardavam. Mas não esperem nada igual à Saga da Fênix dos quadrinhos. Na verdade não espere nada que você já tenha lido ou assistido. No filme acontecem fatos absurdos e inesperados que muda o totalmente o rumo do filme e até mesmo o destino de muitos personagens.
O que faltou realmente para que X-Men 3 fosse o grande filme da trilogia é a presença de uma pessoa: Brian Singer. O carinho e o tratamento de cada cena, cada enquadramento, cada poder de cada personagem nos dois primeiros filmes são substituídos pelo afoito, a superficialidade e a direção simplória de Brett Retner. Alguns fatos, principalmente nos primeiros 30 min, são mostrados numa velocidade que não dá tempo de acompanhar o sentimento que talvez devesse causar. A não ser que esse fosse o objetivo do diretor. Não causar sentimento. Além disso, alguns diálogos possuem os mesmos problemas, o que torna tudo muito superficial e falso. A sensação é que o diretor fez tudo às pressas e jogou cada personagem com tempos limitados dentro de cena. E com tantos personagens e sub-histórias dentro do filme, não deu pra se apronfundar nem nos personagens, nem na história principal. As intenções eram até muito boas, mas Ratner não soube concretiza-las como Singer faria. Chega de meter pau no filme, X-Men 3 consegue ao final dar uma redimida com boas cenas de ação e efeitos especiais espetaculares. Os personagens de X-men sempre são agradáveis e com o ótimo roteiro fica fácil gostar do filme. Mas que Brian Singer fez uma falta...

Por Ronald

27 de maio de 2006

Eu e Marçal



É, eu definitivamente estou fora de forma, mas o amarelo me cai bem. Enfim... Não costumo fazer isso - a bem da verdade, os fotologs dão mais conta do recado quando o assunto é fota. Mas essa é especial. Alguém sabe quem é o cara do meu lado? Duas pistas? Parceiro habitual de Beto Brant desde 1997, trabalhou com Heitor Dhalia em Nina. Roteirista de mão cheia, autor do que de melhor a safra do novo cinema brasileiro vem colhendo. Além, claro, de escritor (na verdade ele se define como um escritor que escreve roteiros, e não um roteirista que publica livros) de ótimos livros, como a coletânea de contos que estou lendo: O Amor e Outros Objetos Pontiagudos. Não é um título do caralho piru balaco? Um pirulito de maçã verde e uma garrafa de Tubaína pra quem acertar. (;

felipe, editor cine art

26 de maio de 2006


John Wayne

26/05/1907 - 11/06/1979

25 de maio de 2006

Retratos de Família e Zona de Risco

Retratos de Família



Junebug, USA, 2005. DE Phil Morrison. COM Embeth Davidtz, Alessandro Nivola, Amy Adams, David Kuhn. 106 min. Bitelli. DRAMA

Um dos filmes mais interessantes dessa nova safra que chegou ao Brasil foi esse Retratos de Família. Interessante pra não dizer algo pior porque o filme não tem assim nada de especial que poderia deixar marcado. Acho que nem entraria numa lista dos melhores do ano (na minha não entra). Mas é um drama familiar muito acima da média produzida por cabeças americanas. O bom roteiro escrito e dirigido com bastante simplicidade pelo americano Phil Morrison, em seu longa de estréia, trata de um tema que parece nunca se cansar dentro do painel cinematográfico, a família. E no caso de Retratos de Família, os problemas familiares são mostrados com bastante frieza e a origem dos problemas nunca é esclarecida. Simplesmente caímos no meio de uma família de estranhos personagens e acompanhamos alguns momentos de suas vidas, e percebemos que não há qualquer esperança de mudança ou perdão.
O filho mais velho, George (Nivola), depois de muitos anos longe de casa, resolve visitar sua família e apresentar sua esposa, Madeleine (Davidtz). Mas o grande prazer de assistir o filme está na personagem de Amy Adams. Enquanto todos possuem suas fortes manias e guardam mágoas do passado, ela é a única pura e dá um show de atuação. Não foi a toa que recebeu uma indicação ao Oscar. Com uma narrativa fora do padrão americano, lenta e sem qualquer atrativo aparente, a força do filme está nos seus personagens e na frieza de seu diretor em não criar soluções e nem mesmo expor completamente os problemas. Como se a vida fosse e será a mesma merda de sempre.

Por Ronald



Zona de Risco

e 1/2

Gongdong Gyeongbi Guyeok J.S.A., Coréia do Sul, 2000. DE Park Chan-Wook. COM Song Kang-ho, Shin Ha-Kyun, Kim Tae-Ho. 107 min. Europa. DRAMA

A força da amizade é o centro do emocionante Zona de Risco, quarto longa do cultuado Park Chan-Wook. É isso mesmo que você leu: o mesmo cara que (posteriormente) realizou uma impactante e brutal trilogia sobre a vingança - cujo capítulo central é o excepcional Oldboy - também sabe manipular com habilidade notável os sentimentos nobres. Não é à toa que virou sensação e habitué em festivais internacionais. Mas infelizmente, nem tudo são flores em Zona de Risco. Pra começar, toda a ação acontece na área militarizada que divide a Coréia do Sul e do Norte. Políticos dos dois lados estão envolvidos em tensas negociações, e o clima na fronteira - pra lá de pesado -, piora quando dois militares são assassinados na parte norte. Um soldado do Sul assume a culpa e assina sem pestanejar sua confissão, afirmando ter sido surpreendido pelos inimigos e levado à força para o outro lado. Porém a coisa não é tão simples assim. Existe uma trama paralela despida de ódio e rivalidade em doses homeopáticas ao expectador - e da qual, aliás, me recuso a falar muito. A narrativa estruturada em idas e vindas no tempo e maneira como se desenrolam as investigações me faz lembrar do absorvente A História de Um Soldado, de Norman Jewison. Mas existe entre os dois uma diferença fundamental: enquanto o drama de Jewison traz à tona racismo e intolerância em vários níveis, o de Cha-Wook esconde uma tocante história de fraternidade e também uma contundente mensagem antibelicista.

Por Felipe

23 de maio de 2006

A Dama de Honra e...

Nada como mudar. E, nós, mas uma vez, seguindo a lei da irregularidade, mudamos o nosso template. O logo ainda não é o definitivo - teremos de escolher em uma pequena lista de logos bacanas qual deles ocupará o cargo oficial, para dar de vez uma nova cara ao blogue. Mas como eu já havia terminado o trabalho, e estava ansioso pra ver a pocilga de roupa nova, eis! Espero que gostem, e nos ajudem! (;

felipe, editor cine art


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A Dama de Honra



La Demoiselle d'honneur, FRA/ALE/ITA , 2004. DE Claude Chabrol. COM Benoît Magimel, Laura Smet, Aurore Clément. 111 min. Alicéléo. DRAMA

A dama de Honra é o segundo filme do Chabrol que eu assisto e é também seu filme mais novo, para os desinformados. O filme é um estudo do comportamento humano diante de relações e situações inusitadas. Cada personagem age de forma diferente às mesmas situações, mas o foco principal é no personagem Phillippe (Benoit Magimel). Além disso, Chabrol faz uma brincadeira de gêneros, o que parece ser uma constante em sua filmografia. É criada toda uma atmosfera de suspense, mistério, crime com o objetivo de envolver o publico ao mesmo tempo em que lança elementos e impressões de uma crônica sobre o amor. Chabrol é um desses idosos diretores da velha guarda que ainda estão em atividade como Alain Resnais, Eric Rohmer, Manoel de Oliveira e Jean Luc Godard. Porém, diferente desse ultimo (não desmerecendo a atual fase de Godard, o poblema é que é muito inferior aos seus filmes dos anos 60), os filmes de Chabrol parecem ainda possuir um certo vigor cinematográfico e A Dama de Honra é a prova disso. Um dos melhores lançados este ano.

Por Ronald

20 de maio de 2006

The Blackout

The Blackout



USA , 1997. DE Abel Ferrara. COM Matthew Modine, Dennis Hopper, Claudia Schiffer. 98 min. CIPA. DRAMA

Com uma direção totalmente pessoal, Ferrara expõe o drama de um ator de cinema, vivido por Mathew Modine, e seus problemas com drogas, álcool e, principalmente, seus relacionamentos conturbados. Modine surpreende com uma complexa atuação que expressa o desejo de libertação de um passado muito recente. Um passado que possui aterradoras surpresas para o próprio personagem. Além disso, o elenco é completado por excelentes atuações como, por exemplo, Dennis Hopper (sempre competente) e até da Top Model Cláudia Schiffer (não tão competente assim).

Ferrara espanta o grande publico deixando apenas os fiéis apreciadores de sua obra utilizando-se de uma estrutura bastante alternativa. Mas o que mais impressiona é a atmosfera pesada e densa criada pelas câmeras de uma forma experimental, a fotografia escura e carregada de Ken Kelsch e a edição repleta de fusões de imagens e seqüências urbano-poéticas deixando sempre um gosto amargo que poucos cineastas conseguem atingir.

Por Ronald

16 de maio de 2006

Estrela Solitária e Caché

Estrela Solitária



Don't Come Knocking, França/ Alemanha/ USA , 2005. DE Win Wenders. COM Sam Shepard, Jessica Lange, Tim Roth, Eva Marie Saint. 122 min. Sony. DRAMA.

Em 1984, Win Wenders nos presentearia com o que seria o melhor filme da década (minha opinião, claro!). O filme em questão é Paris, Texas e foi escrito pelo ator Sam Shepard e recebeu a Palma de Ouro em Cannes. Mais de duas décadas depois, os dois se reuniram novamente e o resultado foi Estrela Solitária, uma fita que pode muito bem servir de alavanca para Wenders e Shepard se reerguerem. O filme vem recebendo vários elogios da critica e também do publico mais alternativo. De fato é o melhor filme da carreira de Win Wenders desde Asas do Desejo (1987), fora, é claro, o documentário Buena Vista Social Club (1999), e Sam Shepard já estava no meu esquecimento com suas pontas em filmes comerciais. Em Estrela Solitária, além de escrever o roteiro, Shepard estrela no papel de Howard Spence, um ator que brilhou fazendo westerns, mas se afundou no mundo das bebidas, drogas e mulheres. Com a descoberta de um filho que possivelmente ele teria com uma mulher que não vê há trinta anos, Howard parte ao encontro desse filho que ainda não conhece, porém o principal objetivo dele é reavaliar a sua vida e encontrar a si mesmo.

Win Wenders ainda é um diretor que possui uma excelente técnica de direção. Consegue ótimos enquadramentos e movimentos que deixam o filme belo visualmente com a ajuda de uma excelente fotografia de cores fortes e uma ótima trilha sonora. Porém, isso não é tudo para um filme dar certo. Falta profundidade e essência necessérias para que Estrela Solitária tivesse um efeito maior e fosse um filme mais poderoso. Quase tudo soa muito artificial e mesmo com a boa atuação de Shepard, alguns momentos não funcionam. E é nessa parte que Wenders peca e é onde mostra o que ele esqueceu nesses vinte anos. Já que, Paris, Texas é um ótimo exemplo de filme que possui uma profundidade e um realismo significativo. Mas Estrela Solitária não é um filme ruim e vale a pena rever as belas cenas criadas por Win Wenders, o que eu não acho justo é comparar essa obra irregular com a obra prima que Wenders fez em 1984.

Por Ronald



Caché



França/Áustria/Alemanha/Itália, 2005. DE Michel Haneke. COM Juliete Binoche, Daniel Auteuil, Maurice Bénichou, Lester Makedonsky. 117 min. California Filmes. DRAMA/THRILLER.

Se você acha que o picareta do Lars von Trier é o maior gênio atual da Europa, só pode ser porque você não assistiu a nenhuma obra do austríaco Michael Haneke. Haneke não somente tem mais currículo (vai uma listinha básica: Funny Games – Violência Gratuita e Código Desconhecido - este último eu vi há pouco tempo) e contundência que seu colega dinamarquês. Caché carimba esta tese de maneira clara: ele subverte o gênero de suspense para entrar com uma voadora no peito do sistema social francês, país adorados pelo intelectuais (e pseudo-intelectuais também), porém nunca analisado com imparcialidade pelos mesmos. O diretor/roteirista previu a ebulição do caldeirão racial de Paris ao brincar com um casal (Binoche, sua musa, e Auteuil, ótimo), que começa a receber fitas de vídeos esquisitas. O marido, crítico literário famoso, busca no passado as razões de estar sendo vítima de um joguete e termina relembrando de situações vergonhosas que o levam à periferia multiétnica da capital francesa. Cachê toca numa das mazelas que poucos notam existir e nem se preocupa com respostas. Haneke só quer provocar. E consegue.

Por Felipe

11 de maio de 2006

Um Barco e Nove Destinos e Oliver Twist

Um Barco e Nove Destinos



Lifeboat, EUA, 1944. DE Alfred Hitchcock. COM Tallulah Bankhead, William Bendix, Walter Slezak, Mary Anderson, John Hodiak, Henry Hull, Heather Angel, Hume Cronyn, Canada Lee. 96 min. Fox. DRAMA.

Em plena Hollywood clássica (que eu tanto adoro), fora da Inglaterra, Hitchcock parecia meio incomodado fazendo filmes para os grandes estúdios, bons filmes aliás, mas sem precisar queimar massa cefálica para experimentar e fazer algo de vanguarda. O jeito seria procurar um projeto com desafios, que precisassem de criatividade. O resultado foi Um Barco e Nove Destinos, um filme rodado totalmente dentro de um bote salva vidas.
Passado durante a Segunda Guerra, nove náufragos se refugiam dentro do pequeno bote. Cada personagem com suas características, suas manias, seus defeitos, sentimentos e entre eles, um nazista. Hitchcock explora a condição humana em situações extremas e limitadas e trabalha para que cada personagem aja de maneira diferente. O filme foi lançado em DVD no Brasil recentemente e vale pelas poderosas situações que Hitchcock cria mesmo com a irregularidade do experimentalismo.

Por Ronald



Oliver Twist

e 1/2

Inglaterra, 2004. DE Roman Polanski. COM Bem Kingsley, Barney Clark. 130 min. Sony. DRAMA.

O Oliver Twist de Roman Polanski não é uma releitura transgressora da obra homônima de Charles Dickers. O diretor de O Bebê de Rosemary contentou-se em adaptar o livro para a tela numa versão grandiosa – com sets e figurinos que enchem os olhos -, sem realmente psicanalisar a trama ou os personagens. O resultado é uma Sessão da Tarde ao estilo do cineasta, com as mesmas virtudes e defeitos de seus esforços recentes: a narrativa progride bem e a dramatização é eficaz – mas, a certo ponto, o filme perde a vitalidade e começa a se estender demais, sem apresentar uma verdadeira motivação. Na trama, órfão vive grandes aventuras após ser aliciado pelo bando de delinqüentes mirins chefiados pelo ladrão Fagin (aqui vivido pelo grande Kingsley, irreconhecível).

Por Felipe

10 de maio de 2006


Hoje, o diretor de Seven - Os Sete Pecados Capitais (1995) e Clube da Luta (1999), David Fincher, comemora seus 44 anos de vida. O diretor ainda possui em seu currículo Alien³ (1992), Vidas em Jogo (1997) e O Quarto do Panico (2001). Ainda este ano, Fincher pretende lançar seu novo filme, Zodiac (2006), com Jake Gyllenhaal e Robert Downey Jr.

9 de maio de 2006

5 X 2

5x2



FRA, 2004. DE François Ozon. COM Valeria Bruni Tedeschi, Stéphane Freiss, Géraldine Pailhas. 90 min. Fidélité. DRAMA.

Nesse filme de 2004 (só agora lançado no Brasil), o diretor francês, François Ozon, explora o relacionamento de duas pessoas em cinco fases marcantes da vida. O primeiro encontro, casamento, filho, crise conjugal e o fim da relação. O filme vai contra aquilo que Hollywood sempre pregou: o mocinho se casa com a donzela e vivem felizes para sempre. 5x2 possui uma narrativa com a ordem cronológica invertida, de trás pra frente mesmo. Desta forma, cria-se um final feliz para o filme, mesmo sabendo que é, na verdade, o inicio de uma relação que não dará certo. Sem limitar apenas no casal em conjunto, Ozon procura aprofundar-se no íntimo de seus personagens em seus momentos de solidão, sem julgar ou procurar culpados, mas transformá-los em seres humanos, buscando sempre o realismo.
Infelizmente, 5x2 não é dos melhores trabalhos de Ozon. Em alguns momentos o diretor se perde de sua busca e subtrai elementos característicos de seus filmes, mesmo com uma direção segura. Mas consegue se redimir com um belo final, quando atinge seu objetivo.

Por Ronald

4 de maio de 2006

16 Quadras e Brødre

16 Quadras



16 Blocks, EUA, 2006. DE Richard Donner. COM Bruce Willis, Mos Def, David Morse. 105 min. Alcon. AÇÃO.

Há muito que eu não ficava motivado em assistir um filme de ação (o ultimo foi Sin City. É, não foi há tanto tempo assim, mas quem não ficou animado pra ver os quadrinho de Miller na telona?). 16 Quadras apareceu de repente em outdoors, é estrelado por Bruce Willis e dirigido por um dos grandes responsáveis por filmes de ação dos anos 80, Richard Donner (Máquina Mortífera), que estava meio sumido e seus últimos filmes, fiascos. Os comentários que surgiam era que o cinema de ação oitentista voltava à tona no filme. Realmente 16 Quadras surpreende no seu inicio, com uma premissa simples, mas interessante. Um policial (Willis) tem o dever de escoltar um preso por 16 quadras até o tribunal para depor. Porém esse preso é uma peça chave de um julgamento e seu testemunho pode acabar com um poderoso esquema de corrupção. Donner consegue segurar a tensão muito bem, dosando com cenas de ação. Bruce Willis faz o papel de um policial velho e manco. Muitos o comparam com Hartigan, personagem de Sin City. Minha opinião é que lembrou mais de Joe Hallenbeck, do filme O Ultimo Boy Scout. Enfim, Willis está excelente com seu personagem e mais acabado do que nunca. Aceitou bem a velhice.
Em determinado momento, o filme se perde e não consegue se achar até o seu final. Vira um filme como outro qualquer e evapora o diferencial que conseguia manter no começo. No lugar da ação, entra uma tentativa de se aprofundar nos personagens, principalmente no de Eddie (Mos Def), o preso escoltado. Um personagem super irritante. E esse aprofundamento é um detalhe que, realmente, Donner não saber fazer. Num piscar de olhos, 16 Quadras passa de um ótimo policial para um filme banal. O final é dos mais simplórios. Mas foi quase. Não deixa de se conferível. Quem sabe da próxima, Sr. Donner?

Por Ronald



Brødre



2004, Dinamarca. DE Susanne Bier. COM Connie Nielsen, Ulrich Thomsen, Nikolaj Lie Kaas. 110 min. Focus. DRAMA.

“Não filmarás em cenários”, “não incluirás trilha sonora”, “não utilizará filtros e efeitos ópticos”, “a obra nunca trará o crédito do diretor”, e blá-blá-blá... Há pouco mais de dez anos, a dupla de dinamarqueses von Trier e Vintemberg lançava o Dogma-95 – espécie de manual de castidade cinematográfico composto por essas quatro regras, além de outras seis. A reedição estética dos dez mandamentos servia para diretores avessos à infantilização do cinema e uma acentuação do quesito verdade em suas fitas. Neste mar de inovações estéticas, a também dinamarquesa Susanne Bier foi uma das convertidas e teve em seu Corações Livres o selo de autenticidade. "Agora", ela retorna com Brødre, que a exemplo do seu longa anterior, não segue ao pé da letra a tal fórmula. Como Corações Livres, Brødre é um meio-drama construído sobre um triângulo: Michael (Thomsen) é um militar enviado a uma missão no Afeganistão, na qual o helicóptero em que ele viaja é abatido e ele é dado como morto. Seu irmão Jannik (Kaas), ex-presidiário e ovelha negra da família, passa a ocupar seu lugar no coração das sobrinhas e da cunhada, Sarah (a bela Conie Nielsen). Até que...

A primeira parte, que culmina no acidente, é filmada com uma boa economia nartrativa, sem descrições chatas e culmina numa bem-sucedida crítica política ao mostrar simplesmente a realidade afegã em paralelo à dinamarquesa. Até aí pareceum filme duro e carregado de desespero, mas nuançado, e as expectativas são as melhores. Já na segunda parte, a diretora investe no que talvez seja sua maiot habilidade - a direção de atores. O resultado, porém, desloca todo o eixo do filme para o psicológico e converte o que até então constituía uma forte parábola moral em um drama psicológico matrimonial bem conduzido, sem dúvida, mas onde as qualidades se dispersam. O tom distanciado e não dramatizado da abertura cede espaço ao uso ostensivo da câmera na mão. O que antes era autêntico, aqui parece nervosismo, o que muitas vezes pode ser confundido com um tique.

Fiéis ou infiéis, o que os filmes de Susanne (e tanto de seus colegas) comprovam é que, se há uma verdade a ser alcançada pelo cinema, esta independe de fórmulas.

Por Felipe

2 de maio de 2006

A Lula e a Baleia e O Plano Perfeito

A Lula e a Baleia



The Squid and the Whale, EUA, 2005. DE Noah Baumbach. COM Jeff Daniels, Laura Linney, Jesse Eisenberg, Owen Kline. 81 min. American Empirical Pictures. DRAMA.

Já li em todos os blogs e sites de criticas que ninguém gostou desse filme. Eu achei A Lula e a Baleia um interessante drama que explora a desintegração de uma família na década de 80. O filme, escrito e dirigido por Noah Baumbach é o resultado das próprias experiências do diretor vividas na adolescência. Porém, o ponto de vista da trama é alternado entre os personagens dos filhos. Jeff Daniels, que vive um escritor e o chefe da família, surpreende com uma excelente e séria (ou cômica) atuação. O elenco é bom em alguns momentos, principalmente Owen Kline, que vive o irmão mais novo. As situações e diálogos (repleto de citações literárias e cinematográficas) são bem escritos evocando um Woody Allen lá longe. Algumas situações lembram Todd Solondz, mas sem o choque temático. A direção é bastante segura e autoral para um estreante, diferenciando dos grandes estúdios, mesmo não conseguindo realismo suficiente para superar a superficialidade de algumas cenas.

Por Ronald



O Plano Perfeito

e 1/2

Inside Man, EUA, 2006. DE Spike Lee. COM Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster, Christopher Plummer, Willem Dafoe, Chiwetel Ejiofor, Kim Director. 129 min. UIP. AÇÃO.

Quando Spike Lee deixou o discurso panfletário, metade de seus fãs entrou em desespero. A outra metade, mais centrada, respirou aliviada. Afinal de contas, a carruagem andou, e mesmo que Faça a Coisa Certa seja absurdamente atual, um pouco de renovação nem faz mal a ninguém. O Spike Lee de O Plano Perfeito Perfeito é o cineasta de mão cheia, perefeito no timing de seus atores, magistral no domínio da cena e inteligente ao transformar um tema batido – o assalto a banco à prova de falhas – em um jogo de poder, em que três vértices exercem pressão igual para ver quem peida primeiro. O policial não-tão-bonzinho é Denzel Washington. Ele assume o pepino de arrancar os reféns de dentro do banco, que estão na mira de Clive Owen, deixando claro, ao nem sequer tocar no dinheiro e nas jóias, sua intenção. A peça final é Foster, “consultora” de extrema influência, convidada pelo dono do banco (Plummer) para retirar um item que não pode cair em mãos insuspeitas. Diverte-se Lee, exercitando o bom cinema, e a gente, que precisa de gente boa comandando o fluxo de pipoca.

Por Felipe