29 de julho de 2006

2001

2001 – Uma Odisséia no Espaço



2001: A Space Odyssey, ING/EUA, 1968. DE Stanley Kubrick. COM Keir Dullea, Gary Lockwood, Douglas Rain. 141 min. MGM. FICÇÂO.

2001 – Uma Odisséia no Espaço foi à alvorada do cinema, uma revolução cultural tanto na questão tecnológica quanto na filosófica. A tecnologia pioneira utilizada serviu de base para vários filmes futuros, como a saga de Star Wars, Alien’s, Blade Runner e muitos outros. Mas não podemos esquecer os aspectos filosóficos de 2001, que é o que o torna diferente e incomparável com qualquer outro filme de ficção cientifica; pois além de realizar um espetáculo, Kubrick nos faz meditar nos aspectos ontológicos e filosóficos da ciência, da evolução do homem, do paralelo e da vida. O enredo do filme é fragmentado. Começa a milhões de anos atrás, na “alvorada do homem”, em sua ambiência orgânica, primitiva e paleolítica, os macacos, os pré-indivíduos encontram o monólito fincado no solo, um marco, evolução mental. Um longo hiato no tempo é traçado até o futuro, onde naves dançam no espaço ao som de Danúbio Azul; o cinema registra poucas coisas tão belas como aquelas naves percorrendo o espaço, ao som da valsa de Johann Strauss. Tudo em 2001 foi realizado nos mínimos detalhes, desde os aparatos, a arquitetura, a vestimenta e os impressionantes efeitos visuais.
O final, um dos mais impactantes do cinema, é atemporal, homem fita o monólito diante dele. O homem diante de si próprio. Nem tempo, nem espaço, nem espaço-tempo. O homem diante da máquina, o superavanço da ciência nos leva ao desconhecido, num paradoxo, no silencio espacial. O resto é arte.

por ronald

26 de julho de 2006

Stanley Kubrick


Stanley Kubrick

26/07/1928 - 07/03/1999

24 de julho de 2006

Audition

Audition



Ôdishon, JAP, 1999. DE Takashi Miike. COM Ryo Ishibashi, Eihi Shiina, Tetsu Sawaki. 115 min. Omega. HORROR.

É impossível resistir e ficar sem comentar sobre esse impressionante filme do diretor japonês, Takashi Miike. Mesmo que seja em uma pequena resenha, algo tem que ser dito. Por isso em quase todos os blogues existem comentários sobre Audition. E mesmo depois de ler e saber tanto sobre, nada se compara ao prazer de ver com os próprios olhos.

Primeiro porque Audition é um marco no cinema de horror. Um filme totalmente original. É o extremo em tudo que se pode detalhar. É um filme de horror que começa como um drama romântico e por muitas vezes cômico, até se transformar num dos filmes mais violentos e perturbadores do gênero. A cena final é simplesmente chocante e Miike não tá nem aí se você vai querer ir pro colinho da tua mãe, mesmo que ela já seja uma velha. Haja estômago pra agüentar!

Takashi Miike se consolida hoje como um dos diretores mais subversivos do cinema atual. E melhor, sabe fazer cinema de qualidade. Sua contribuição para o cinema já rende alguns seguidores. Claro que não chegam nem aos pés de Miike, mas já é alguma coisa.

22 de julho de 2006

Filhos do Medo

Os Filhos do Medo



The Brood, CAN, 1979. DE David Cronenberg. COM Oliver Reed, Samantha Eggar, Art Hindle. 92 min. Mutual. HORROR.

Com Os Filhos do Medo, o diretor David Cronenberg fecha sua trilogia de Horror’s B movies. O filme não decepciona (longe disso, aliás), porém é o mais fraco da trilogia. Mas tudo deve ser colocado numa balança. Enquanto Calafrios e Rabid foram realizados de maneira informal, com a cara de filme trash e a marca escatológica e criativa de Cronenberg presente em todas as cenas, Os Filhos do Medo já se apresenta como um filme mais sério e calculado.

E é exatamente por isso que Os Filhos do Medo consegue ser mais assustador que os filmes anteriores. Claro que assustador não é padrão de qualidade, mas se tratando de Cronenberg, algumas tomadas já valem o filme inteiro. Nas duas primeiras partes da trilogia, a fórmula que Cronenberg usou foi de mostrar situações de maneira mais visual, violenta e explicita, sem se preocupar com o que poderia ser ridicularizado, deixando apenas a criatividade funcionar não gerando momentos assustadores, apenas aquela sensação perturbadora durante todo o filme. Mas violência é o que não falta em Os filhos do Medo, principalmente no grande final, típico cronenberguiano. O fato que é que os três filmes formam uma trilogia maravilhosa que mistura todas as características visuais e psicológicas que transformariam Cronenberg no diretor que é hoje.

Por Ronald

20 de julho de 2006

Top 20 anos 90

Top 20 anos 90

Depois do fiasco do ultimo post, aqui vai a aguardada lista dos melhores filmes dos anos 90 segundo este escriba que vos escreve:



Magnólia (Paul Thomas Anderson, 1999)

Festa de Família (Thomas Vinterberg, 98)
Violência Gratuita (Michael Haneke, 97)
Ondas do Destino (Lars Von Trier, 96)
A Liberdade é Azul (Krzsztof Kieslowski, 91)
Tudo Sobre Minha Mãe (Pedro Almodóvar, 99)
Barton Fink (Joel Coen, 91)
Mistérios e Paixões (David Cronenberg, 91)
Corra Lola, Corra (Tom Tykwer, 98)
Felicidade (Todd Solondz, 98)
Trainspotting (Danny Boyle, 96)
Vive L’Amour (Tsai Ming Liang, 94)
Desconstruindo Harry (Woody Allen, 97)
Naked (Mike Leigh, 93)
Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 94)
Boogie Nights (Paul Thomas Anderson, 97)
De Olhos Bem Fechados (Stanley Kubrick, 99)
Ed Wood (Tim Burton, 94)
A Estrada Perdida (David Lynch, 95)
Crash (David Cronenberg, 96)

Quase entraram na lista: Lanternas Vermelhas (Zhang Yimou, 91), O Rio (Tsai Ming Liang, 97), Rosseta (Jean Pierre e Luc Dardenne, 99), Audition (Takashi Miike, 99), Gosto de Cereja (Abbas Kiarostami, 97), A Garota da Ponte (Patrice Leconte, 98), entre tantos outros....

Por Ronald

17 de julho de 2006

No rastro da bala

No Rastro da Bala



Running Scared, USA/ALE, 2006. DE Wayne Kramer. COM Paul Walker, Cameron Bright, Vera Farmiga. 122 min. Media 8. AÇÃO.

Mais divulgado entre os blogueiros do que pela própria distribuidora, percebi que precisava ver No Rastro da Bala urgentemente para não ficar “por fora”. Até que valeu a pena, o filme diverte na medida certa. Infelizmente, o filme nem chegou perto dos cinemas. Passou direto para o DVD. Mas enfim, melhor ver em casa sozinho do que com os comedores de pipoca. Não sei onde tiraram que comer pipoca e cinema combina...

O diretor Wayne Kramer havia feito The Cooler (03), um filme horrível sem originalidade nenhuma e até coloquei um pé atrás quando fiquei sabendo que era ele o cara por trás do filme aqui. Mas arrisquei. A direção é bem segura e original, e em alguns momentos, até exagerada. Kramer sabe onde coloca sua câmera e com a fotografia bem estilizada e edição bastante criativa, consegue criar momentos de transposição bem interessantes e ágeis, o que funciona perfeitamente para a história do filme que vai lançando situações tensas a todo instante.

Paul Walker entra numa fria ao perder uma arma que foi usada para matar policiais e parte em busca dessa a arma a qualquer custo enquanto vários personagens bizarros entram na confusão como policiais corruptos, a máfia italiana, a máfia russa, prostitutas, cafetões, mendigos mal encarados, pedófilos e até um russo que acha que é o John Wayne. Uma mistura de David Lynch com Quentin Tarantino se forma por causa das estranhas e complicadas situações e personagens inusitados que surgem no caminho de Walker que, aliás, impressiona com uma atuação forte e realista.

No Rastro da Bala é um filme que consegue segurar a tensão e a originalidade do inicio ao fim. Não se perde em momento algum, diferente dos filmes de ação policial que aparecem na Hollywood atual. Nota-se que foram gastos uma boa grana para a produção do filme. Mas é uma grana bem gasta que deverá influenciar jovens diretores que ainda têm esperança e criatividade para não deixar o gênero ação policial morrer nas mãos de velhinhos como Tony Scott, Richard Donner e o resto da trupe.

Por Ronald

15 de julho de 2006

Profissão: Reporter e Adele H

Pois bem, o Editor Felipe Mappa mandou dizer (por e-mail) que foi ali e já volta. As más línguas dizem que ele se sente entibiado pelo meu poderio redatorial. Há ainda quem diga que ele se encantou por uma corista francesa e circula pelas Champs-Elysées todas as tarde, de mãos dadas com a dita cuja, não se esquecendo da parada obrigatória no Cafe Fouquet's. Enfim, isso não é importante. O importante mesmo é que a redação do cine art está agora nas minhas mãos! (risada maquiavélica seguida de uma pequena pausa.) Chega. O show acabou. Vamos, parem de me olhar com essas caras! Vão e leiam os textos abaibxo. Eu os escrevi com tanto carinho...

ronald, editor-chefe cine art


Profissão: Repórter



Professione: reporter, FRA/ITA/EUA/ESP, 1975. DE Michelangelo Antonioni. COM Jack Nicholson, Maria Schneider, Jenny Runacre. 126 min. Alpha. DRAMA.

Há uma característica peculiar nos personagens dos filmes de Antonioni que se repetem constantemente a cada filme. Não importa onde ou com quem, o personagem central aparece sempre vagueando em busca de algo. Parecem não querer encontrar, mas permanecer nessa busca constante do “nada”. É o que acontece com o jornalista David Locke (Nicholson) quando tem a oportunidade de deixar para trás a vida desgastante e se tornar outra pessoa trocando de identidade com um falecido que mal conhecia. Essa nova vida o leva para intrigantes situações que colocam David em paises diferentes, sempre buscando algo que o espectador aguarda como uma provável solução, ou até mesmo uma trama clara, sendo que Profissão: Repórter somente especula as situações de ação, de mistério, suspense, sem se adentrar em qualquer delas. Jack Nicholson estava no auge e faz um papel diferente daqueles que apresentava em filmes como Um Estanho no Ninho ou Chinatown. Seu David Locke é melancólico ao extremo e faz de tudo para ser alguém que não é, e pior, não consegue. Fica preso a ele mesmo, apesar de carregar o nome de outra pessoa.

Visualmente, Profissão: Repórter é um dos mais belos da carreira de Antonioni. A fotografia de Luciano Tovoli é impecável e a direção de Antonioni é brilhante. O plano-seqüência do desfecho é de uma poesia que poucos diretores conseguem atingir. Lançado recentemente em DVD no Brasil, Profissão: Repórter é um filme deve se deixar levar mais pelas emoções do que as preocupações em compreender os motivos dos personagens.

Por Ronald



A História de Adele H



L'Histoire d'Adèle H, FRA, 1975. DE François Truffaut. COM Isabelle Adjani, Bruce Robinson, Sylvia Marriott. 96 min. Les Films du Carrosse. DRAMA.

Um dos últimos do Truffaut que eu vi foi A História de Adele H, onde a filha do famoso escritor francês, Victor Hugo, é o destaque do roteiro que transcorre na época em que a moça fugiu da Europa para a América em busca de seu amor. Truffaut, um apaixonado pelo cinema, filma a trajetória de Adele (Adjani) de maneira simples e segura, usando um dos seus temas preferidos: a desilusão amorosa, incomunicabilidade desse sentimento tão estranho e ao mesmo tempo tão maravilhoso. A narrativa encaixou-se perfeitamente com as situações e ambientes melancólicos que a personagem se coloca. Isso mesmo, ela se coloca em situações que poderiam ser evitadas e que foram motivos da sua entrada pela porta da loucura. O maior valor da obra, entretanto, se dá graças ao trabalho de Isabelle Adjani que, ainda muito nova, demonstrou um incrível talento precoce na arte de interpretar. Com certeza, A História de Adele H é um filme mais delicado e menor da filmografia de Truffaut, mas obrigatório pra qualquer cinéfilo que aprecie o trabalho do diretor francês.

Por Ronald

13 de julho de 2006

Top 10 western

Top Western

Só para não deixar o cine art abandonado por tantos dias (na verdade foram apenas dois), resolvi publicar uma listinha pessoal dos 10 melhores western's de todos os tempos na minha opinião. Muito bem, como de costume, a relação não possui qualquer ordem classificatória, a não ser, é claro, o primeiro lugar que se encontra em destaque aí em baixo. Divirtam-se!


Era Uma Vez no Oeste (Sérgio Leone, 68)

Meu Ódio Será sua Herança (Sam Peckinpah, 69)
O Homem que Matou o Facínora (John Ford, 62)
Três Homens em Conflito (Sérgio Leone, 66)
Quando os Brutos Defrontam (Sergio Sollima, 67)
Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 92)
Rastros de Ódio (John Ford, 56)
Onde Começa o Inferno (Howard Hawks, 59)
Johnny Guitar (Nicholas Ray, 54)
Por um Punhado de Dólares (Sérgio Leone, 64)

Por Ronald

11 de julho de 2006

Fearless

E mais uma resenha gigantesca sobre algum filme oriental do nosso correspondente estrangeiro, direto de Hong Kong, Monsenhor!

Fearless



Huo Yuan Jia, Hong Kong/USA, 2006. DE Ronny Yu. COM Jet Li, Jon T. Benn, Collin Chou. 104 min. Columbia. AÇÃO.

Mal entrei no blog e já passo por uma febre cinematográfica. Não uma daquelas "febres" que vira moda e todo mundo se veste como os personagens. Mas uma febre de desejo em me aprofundar e conhecer um determinado "cinema". No caso, o oriental. Peguei essa febre por culpa do John Woo. Que já me fez escrever uma das maiores (em tamanho) resenhas do Blog com o alucinante Fervura Máxima. A partir do meu segundo post, só tenho escrito sobre filmes orientais. Bem, isso soou como se fossem vários posts. Na verdade essa é a minha quarta resenha. Pois bem, vamos ao que interessa.

Fearless (nome em inglês do filme), ou Huo Yuan Jia (nome original chinês), é mais um daqueles tradicionais filmes de luta chinês. Mas não deixa de ser interessante. Principalmente por resgatar a atmosfera e o clima dos filmes chineses do final da década de 70 e decorrer da década de 80. O filme conta a história, verdadeira acredito eu (na minha pesquisa não consegui encontrar algo que confirmasse a veracidade da história), do mestre Huo Yuan Jia, criador e propagador de um estilo de arte marcial. Interpretado por Jet Li, que é um dos maiores astros chineses. Tal mestre sofre um bocado para se encontrar no meio da arte marcial e finalmente criar o estilo que ele chama de WuShu.

Não vou entrar em muitos detalhes, para não estragar a experiência, mas a história é a seguinte: Huo Yuan Jia é um garoto apaixonado por seu pai, um mestre local das artes marciais. Mas tudo muda quando seu pai perde uma luta para outro mestre da vila. Huo Yuan Jia então decide se tornar um profundo conhecedor das artes marciais e honrar o nome da família derrotando todos os seus desafiantes. Mas em meio a tantos desafios, as conseqüências vêm surgindo de maneira arrasadora na vida de Huo Yuan Jia. Profundamente arrasado com alguns acontecimentos, ele decide se exilar e quase perece em um rio. Mas é encontrado por gentis moradores de uma aldeia no interior da China. Lá, na companhia de uma belíssima aldeã cega, Huo Yuan Jia aprende a valorizar certas coisas em sua vida e também na vida dos outros. Após alguns anos, ele volta à sua cidade para pedir perdão a todos as pessoas que ele havia magoado ou ferido, e também levantar o moral do povo chinês q vinha sendo humilhado por estrangeiros.

Jet Li que não tem lá uma das melhores atuações no cinema atual, mesmo sendo uma das maiores estrelas da China, apresenta uma atuação firme e dedicada, e se encontra em excelente forma nesse filme. O filme apresenta uma boa fotografia, nada de espetacular ou detalhista, mas bela em alguns momentos. A direção do filme cumpre o que se propõe, apesar do diretor ter algumas "vergonhas" em seu currículo, como A Noiva de Chuck ou Fred vs Jason. Em Fearless ele não decepciona. Pelo contrário, encanta com excelentes cenas de lutas, muito bem coreografadas, unindo aquele tradicional estilo chinês de filmes de luta com algumas inovações técnicas. Não é uma pérola cinematográfica, mas pra quem conhece os filmes orientais da década de 80 e sente falta dos mesmos, Fearless é uma excelente pedida.

Por Monsenhor

9 de julho de 2006

Rabid

Rabid



CAN, 1977. DE David Cronenberg. COM Marilyn Chambers, Frank Moore, Joe Silver. 91 min. Cinépix. HORROR.

Em Rabid, David Cronenberg dá continuidade ao processo de realizar filmes de baixo orçamento com elementos de horror e ficção científica, assim como fez em Calafrios (1975). Logo após um acidente automobilístico, Rose vai parar num hospital especializado em cirurgias plásticas onde fazem uma experiência de restauração de tecidos com a moça acidentada. Claro que a experiência traz resultados inesperados que causará transtornos à vida de muita gente. Não vale a pena entrar em detalhes, é preciso ver para crer. Mas quem já teve o privilégio de assistir, sabe da bizarrice que os espera.

Rabid é o segundo filme de David Cronenberg e já mostra com clareza a firmeza e a criatividade da direção e da forma como conduz os fatos. O filme é estrelado pela porn-star Marylin Chambers, que não é lá grande atriz (só se for enquanto está sendo penetrada, daí eu não sei, nunca vi nenhum filme dela, enfim...), mas consegue uma competente atuação dando vida para uma personagem que praticamente não fala o filme inteiro. Mas nada surpreendente. Surpreendente, aliás, é a imaginação de Cronenberg em, mais uma vez, utilizar a violência de forma bastante visual. Mesmo sendo Inferior a Calafrios, Rabid consegue não apenas ser mais um grande filme entre a ótima filmografia do diretor canadense, é obrigatório pra qualquer fã que se preze.

Por Ronald

7 de julho de 2006

Top anos 70

Top 20 anos 70

Mais uma vez a Liga dos Blogues Cinematográficos resolveu fazer um novo ranking. Agora, chegou a vez dos vinte melhores filmes dos anos setenta. O Blog Cine Art continua não fazendo parte da liga, mas nem por isso vamos ficar de fora de apresentar a nossa lista dos melhores filmes dos anos 70 (na verdade é a minha lista). Diferente da lista dos anos oitenta (arquivos do mês de Abril), os filmes dos anos setenta me chegaram a mente de maneira fácil. Não precisei fazer nenhuma pesquisa para relembrar de alguma pérola esquecida. Pode não ser a lista perfeita, mas todos os filmes relacionados, pessoalmente, merecem estar na relação. Pois bem, sem qualquer ordem específica novamente, a não ser, é claro, o primeiríssimo lugar, que pertence a Laranja Mecânica, segue a relação:


Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 71)

Táxi Driver (Martin Scorsese, 76)
Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 79)
Manhattan (Woody Allen, 79)
Uma Mulher Sob Influencia (John Cassavetes, 74)
Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (Sam Peckinpah, 74)
Chinatown (Roman Polanski, 74)
O Discreto Charme da Burguesia (Luis Buñuel, 72)
Stalker (Andrei Tarkovski, 79)
Morte em Veneza (Luchino Visconti, 71)
Amarcord (Federico Fellini, 73)
Um Estranho no Ninho (Milos Forman, 75)
O Medo Devora a Alma (R. W. Fassbinder, 74)
O Franco Atirador (Michael Cimino, 78)
O Passageiro/ Profissão: Repóter (Michelagelo Antonioni, 75)
Gritos e Sussurros (Ingmar Bergman, 72)
Barry Lyndon (Stanley Kubrick, 75)
Sob o Domínio do Medo (Sam Peckinpah, 71)
The Rocky Horror Picture Show (Jim Sharman, 75)

Claro que não poderiam faltar as menções honrosas, filmes que até mereciam entrar na relação, mas por algum motivo ou outro ficaram de fora: Aguirre (Werner Herzog, 72); Eraserhead (David Lynch, 77); Alice não Mora mais Aqui (Martin Scorsese, 74); Pink Flamingos (John Waters, 72); Casanova (Federico Fellini, 76); THX 1138 (George Lucas, 73); A Conversação (Francis Ford Coppola, 74); O Despertar dos Mortos (George Romero, 78), O Poderoso Chefão - Parte II (Francis Ford Coppola, 74); e muitos outros...

Por Ronald

3 de julho de 2006

Calafrios e The Killer

The Killer

½

Dip hyut shueng hung, Hong Kong, 1989. DE John Woo. COM Chow Yun-Fat, Danny Lee, Sally Yeh. 111 min. Betta. AÇÃO.



The Killer, novamente com Chow Yun-Fat, conta a história de um assassino de aluguel (Jefrey Chow, aka Mickey Mouse), frio e sem medo na hora de matar, mas cheio de remorsos por uma vida com rastros de sangue no caminho. Porém, tudo vira de cabeça para baixo quando, por acidente, uma inocente cantora perde a visão, por consequencia de um tiro disparado por Jefrey. Até então, todas as características que nomearam John Woo estão presentes, mas é partir desse momento que o diretor destaca a construção e o desenvolvimento dos personagens no decorrer do filme. Detalhe que eu não havia mencionado anteriormente em Hard Boiled, mas também estava fortemente presente. The Killer, à maneira de John Woo, mostra a construção de uma amizade muito interessante entre o policial que persegue Jefrey, e também o valor da amizade que ele tem com seu contato para realização dos trabalhos. Melosamente, porém de uma forma até mesmo convincente e emocionante as amizades vão se formando. Há também um elo muito interessante formado entre Jefrey e a cantora que perdeu a visão. Jefrey, claro que cheio de remorso, faz de tudo para ajudar a moça que ele mesmo feriu. Quando ela descobre que foi Jefrey quem a feriu, ela não fica apavorada, simplesmente entende a dor de Jefrey e o ajuda em sua jornada.

Não posso deixar de comentar, a ação do filme é alucinante. Mesmo com menos frequencia do que em Fervura Máxima, não desaponta, na verdade até mesmo surpreende. Como no final do filme (sempre no final), onde o tiroteio "rola solto" e há uma movimentadíssima cena de ação, com mortes sangrentas e algumas até mesmo tristes. Pois bem, outro filmaço da época de ouro de John Woo. Se puderem, assistam, e pra quem já viu, reveja.
Por Monsenhor


Calafrios



Shivers, CAN, 1975. DE David Cronenberg. COM Paul Hampton, Joe Silver, Lynn Lowry. 87 min. Cinépix. HORROR.

Antes de se tornar um dos diretores mais respeitados atualmente, David Cronenberg realizou vários filmes de horror de baixo orçamento, com histórias sem qualquer complexidade de seus filmes futuros, mas uma criatividade na direção que mostrava um estilo diferente e único que se destacaria a cada trabalho do diretor canadense. Em Calafrios, um verme parasita transmite uma compulsão sexual nos moradores de um luxuoso edifício isolado numa ilha. Os “infectados” passam a agir como zumbis em busca de sexo frenético. Uma bizarrice só!

Mas é interessante a forma como Cronenberg conduz seu filme com originalidade e competência, até mesmo na utilização dos efeitos especiais e maquiagens, já que foi feito quase sem recurso. O filme surpreende com a violência e a escatologia como elementos visuais e explícitos. Calafrios é a primeira parte de uma trilogia de Trash-B-Movies. Os outros filmes são Rabid (77) e Os Filhos do Medo (79).
Por Ronald

2 de julho de 2006

O Pássaro das Plumas de Cristal

O Pássaro das Plumas de Cristal



Uccello dalle piume di cristallo, L', ITA, 1970. DE Dario Argento. COM Tony Musante, Suzy Kendall, Enrico Maria Salerno. 98 min. CCC. SUSPENSE.

Filme de estréia da carreira do diretor Dário Argento e a primeira parte de uma trilogia onde sempre há um nome de animal no título. Os outros são O Gato de Nove Caudas (71) e Quatro Moscas no Veludo Cinza (71). Repleto de citações a Hitchcock, O Pássaro das Plumas de Cristal conta a história do escritor americano que acaba sendo testemunha ocular de um assassinato de uma mulher por uma pessoa misteriosa. Como a policia não ajuda muito no caso, os crimes vão acontecendo um atrás do outro enquanto o escritor tenta investigar o crime por conta própria.

Dario Argento foi um dos idealizadores do subgênero chamado Giallo, filmes que traziam como tema assassinatos sinistros, de preferência de mulheres indefesas e assassinos implacáveis com luvas pretas. Todos esses elementos compõem perfeitamente a trama de O Pássaro das Plumas de Cristal e ajudam a desenvolver o estilo único de Argento, que acabou influenciando diretores de todo mundo nos anos 80.

Antes desse filme, Argento já havia trabalhado como roteirista no maravilhoso Era uma Vez no Oeste (68), de Sérgio Leone. Com isso, conheceu grandes figuras que deram suas contribuições artísticas ao filme, como genial diretor de fotografia Vittorio Storaro e o maior maestro do cinema, Ennio Morricone. Enfim, apesar das imperfeições e do final insatisfatório, O Pássaro das Plumas de Cristal não é mais um filme qualquer de suspense dos anos setenta, é um verdadeiro clássico do gênero.
Por Ronald