31 de agosto de 2006

Viagem Maldita

Viagem Maldita

½

The Hills Have Eyes, USA, 2006. DE Alexandre Aja. COM Ted Levine, Kathleen Quinlan, Dan Byrd, Billy Drago. 107 min. Fox. TERROR.

Viagem Maldita não é somente mais uma refilmagem de filmes americanos antigos, como anda acontecendo constantemente no cinema americano. O que o diferencia das outras produções é que, surpreendentemente, ele consegue ser melhor que o seu original, Quadrilha de Sádicos, de Wes Craven.

Quem assina a direção e o roteiro é o francês Alexandre Aja, que possui um incrível talento para criar uma atmosfera de horror em situações extremas, como também pode ser conferido no ótimo Haute Tension, seu filme mais famoso. Até em cenas normais necessárias, como a primeira parte do filme, onde é feito a apresentação dos personagens, Aja consegue, com limitações, dirigir com objetividade buscando sempre captar comportamentos realistas e sem excessos. Às vezes dá certo, mas em outras, se perde. Os atores também não ajudam muito, são bem razoáveis, mas Ted Levine tem uma boa oportunidade de mostrar sua capacidade para papéis secundários.

Mas é em determinado ponto que a coisa muda. Sem perder a essência do original, Aja entra no seu território com muita originalidade, e resolve fazer do seu modo, como aprendeu na França. E aí já viu, né? Violência alucinante e brutal regada a muito sangue e vísceras, membros destroçados e perfurados com uma variedade de objetos pontiagudos, mortes explicitamente visuais, personagens bizarros e tudo isso ambientado num clima dos filmes de horror setentista de melhor qualidade. Com influencias de O Massacre da Serra Elétrica à Sob o Domínio do Medo, aliás, um dos personagens encarna um Dustin Hoffman muito bem.

Craven não tinha tanto recurso quando filmou Quadrilha de Sádicos. Nem por isso seu filme desmerece elogios, tanto que se tornou cult para os fãs do horror (como eu!). Porém, um bom investimento aliado ao talento de Aja, não há quem segure. Viagem Maldita já se coloca entre o terror do ano. Agora é esperar Silent Hill.

Por Ronald

30 de agosto de 2006

A casa do Lago

A Casa do Lago



The Lake House, USA, 2006. DE Alejandro Agresti. COM Keanu Reeves, Sandra Bullock, Christopher Plummer. 105 min. Warner. DRAMA/ROMANCE.

A casa do Lago, adaptação hollywoodiana de Siworae, filme sul-coreano (qual filme hoje não é uma adaptação de alguma película do cinema oriental?), é um romance que conta a história de duas pessoas que se conhecem trocando cartas. Mas essa troca de cartas acontece de uma maneira estranha. Ambos estão em épocas diferentes. Como assim? Pois bem, Alex Wyler (Keanu Reeves) é um arquiteto que acaba de comprar uma casa de vidro em um lago. Na caixa do correio se encontrava uma carta de boas-vindas da antiga moradora, a doutora Kate Forster (Sandra Bullock), mas a carta datava do ano de 2006, e Alex confuso, responde a carta dizendo que o ano correto seria o ano de 2004. A partir daí eles continuam a trocar cartas e acabam por se apaixonar, mas como marcar um encontro sendo que estão em épocas diferentes? O filme se segura com essa dúvida até o final, mantendo um mix de desânimo, ansiedade e até mesmo um desejo de que o final seja otimista. Mas o interessante é que até um certo momento, o filme nos leva a crer que o final é pessimista, pois tudo vai dando errado. A direção do filme é bem simples, com cenas estáticas que remetem aos filmes orientais, mas isso é quase imperceptível, o fato é que A Casa do Lago acaba se tornando muito comum. Mas consegue agradar na medida do possível, não trazendo nada de extraordinário, nem desprezível. Bom para um domingo à tarde com a namorada debaixo de um cobertor.

Por Monsenhor

28 de agosto de 2006

Miami Vice

Miami Vice



Miami Vice, USA, 2005. DE Michael Mann. COM Colin Farrell, Jamie Foxx, Gong Li. 134 min. Universal. POLICIAL.


Miami Vice é a adaptação para os dias de hoje da famosa série homônima, cujo um dos criadores é o próprio diretor, Michael Mann. A série fez sucesso nos anos 80 e conta as aventuras de dois policiais no combate ao crime e essas coisas. Na verdade, eu nunca acompanhei a série. Claro que naquela época eu preferia ver programas mais adequados para a minha idade como ALF – O ETeimoso, Vicky - a Menina Robô, Primo Cruzado, desenhos animados, entre outros que não me recordo agora.

Uma das grandes vantagens do filme é a forma simples em que é estruturado sem frescuras, sem inventar e enrolar, apesar da duração. É um filme direto e objetivo. Claro que os personagens e os diálogos soam falsos em grande parte do filme, mas as situações do roteiro conseguem segurar a atenção do espectador sem forçar a barra. Talvez a falta do melodrama seja o que o deixa inferior a outros filmes de Mann que possuem maior preocupação com o drama e os conflitos humanos. Em Miami Vice até se cria alguns laços ou uma relação com a dramaturgia, mas a canastrice de alguns personagens e a superficialidade não consegue atingir nem criar identificação com o publico que é fisgado de outras formas.

Mais importante do que a própria história em si, as imagens “pintadas” por Michael Mann são de um tratamento espetacular que o coloca entre um dos melhores realizadores americanos no formato digital. É incrível a preocupação fotográfica de Mann em cada enquadramento e movimento de câmera, principalmente na ultima cena de ação, que já se coloca entre uma das melhores filmadas no cinema contemporâneo. É realista, praticamente documental, ao mesmo tempo em que é estilizado e sangrento. Após o fiasco de Colateral (que eu sei que muita gente gostou), Michael Mann consegue dar a volta por cima com Miami Vice e nos brinda com uma obra muito além do esperado.

Por Ronald


Top Michael Mann dos filmes que eu vi:

1. Fogo Contra Fogo (1995)
2. O Informante (1999)
3. Dragão Vermelho (1986)
4. Profissão Ladrão (1981)
5. Miami Vice (2006)
6. O Ultimo dos Moicanos (1992)
7. Ali (2001)
8. Colateral (2004)

23 de agosto de 2006

Sha po lang

E mais uma do correspondente estrangeiro que não cansa de ver esses filmes orientais:

SPL: Sha po lang aka Kill Zone



Saat po long, CHI/Hong Kong, 2005. DE Wilson Yip. COM Donnie Yen, Sammo Hung Kam-Bo, Simon Yam. 93 min. AÇÃO.

Puxa!!! Que filme legal! Não espera ver o que vi em SPL. O filme não apresenta nenhuma novidade tanto em seu enredo como na sua direção. mas mostra firmeza em ambos os aspectos. As coreografias são coisa de louco, não ví ainda outro filme que tenha cenas de lutas parecidas com as de SPL. O filme conta com um elenco de estrelas orientais de primeira. A começar por Sammo Hung, que faz o papel do mafioso Wong Po, e mostra que mesmo com o excesso de peso e de idade, ainda tem muito pau pra quebrar. Donnie Yen, no papel de um investigador substituto, também faz bonito, inclusive dirigindo as coreografias das lutas no filme. Simon Yam, no personagem do detetive Chan, se mostra um policial vingativo e casca grossa, porém muito sentimentalista, que faz com muita convicção, dando importância às cenas chaves do filme.

A película conta a história do Det. Chan que busca vingança na morte de seu amigo, contra o mafioso Wong Po. Chan adota a filha de seu amigo, e ao mesmo tempo descobre que tem um tumor maligno no cérebro. E nessa busca quase que obssessiva por vingança, seus parceiros acabam por se envolver, para ajudá-lo a ter um maior tempo de vida para que possa cuidar da filha. Mas nessa busca muitas coisas ruins acontecem. Destaque para a direção do filme, que consegue mostrar tudo o que se passa na tela com a medida certa de tensão, suspense e emoção. Apreciem esse belo filme de ação, que mesmo com uma história um tanto banal, consegue prender e emocionar o espectador ao longo de sua duração. Vale conferir.

Por Monsenhor

19 de agosto de 2006

Pai e Filho e Conflitos Internos

Pai e Filho



Otets i syn, RUS/ALE/ITA/HOL, 2003. DE Aleksandr Sokurov. COM Andrei Shchetinin, Aleksei Nejmyshev, Aleksandr Razbash. 83 min. DRAMA.

Pai e Filho é um belíssimo filme de 2003 do diretor russo Aleksandr Sokurov, que só agora chega aos cinemas brasileiros. Sem possuir uma narrativa com uma estrutura formal, Sokurov realiza um filme apoiado apenas em situações carregadas de simbolismos e sentimentos na relação de um pai e seu filho. Essa relação, aliás, é o grande alvo de discussão entre os que viram o filme, referindo como homoerotico e incestuoso. De fato, há uma ambigüidade captada pelas câmeras do diretor russo que geram duvidas com as trocas de olhares dos personagens e até o carinho físico entre os dois.

Logo na primeira cena, dois corpos masculinos se abraçam ofegantes e quando a câmera se afasta, percebe-se apenas que o pai está a acalmar seu filho por causa de um pesadelo perturbador. O próprio filme deixa bem claro em seu decorrer que se trata de uma delicada relação e que Sokurov faz questão de filmar de forma poética. Os atores também trabalham muito bem nessa ambigüidade com cada gesto, olhar e situações denotando certa duvida.

Grande parte do filme se passa dentro de um ambiente fechado com uma estética estilizada, escura e embaçada. A fotografia, em geral é um dos pontos altos do filme, principalmente nas cenas silenciosas e contemplativas onde paramos pra refletir sobre o que é o filme exatamente. Pai e Filho trata de que, além da uma relação entre um pai e seu filho? Claro que podemos chegar a uma conclusão mais profunda. Mas precisamos mesmo dessa resposta?

Por Ronald



Conflitos Internos



Mou gaan dou, HONG KONG, 2002. DE Wai Keung Lau e Siu Fai Mak. COM Andy Lau, Tony Leung e Anthony Wong. 101 min. POLICIAL.

Infernal Affairs, título original da película, é o primeiro filme de uma trilogia, que merece atenção especial pelo seu enredo e suas reviavoltas no decorrer da história. Interessante ressaltar que a refilmagem hollywoodiana do filme está nas mãos de ninguém menos que Martin Scorsese, com o nome de The Departed, com algumas pequenas mudanças no enredo como a substituição da Yakuza pela máfia irlandesa, mas são apenas detalhes. Outra coisa que também merece atenção especial é a atuação de Andy Lau, Tony Leung e Anthony Wong, que interpretam os papéis mais importantes da trama. Todos apresentam uma excelente forma ao desempenhar os personagens.

Pois bem. O filme conta a história de dois policiais que depois de formados na academia, tomam rumos diferentes na corporação. Yan, disfarçado se infiltra na tão famosa máfia chinesa, a Tríade, afim de desmascarar o chefão da gangue. Wong se torna um detetive com grandes perspectivas e chances a promoções dentro da polícia. Mas ambos desconhecem sua verdadeira identidade, o que faz a trama ficar interessante e surpreendente com execelentes reviravoltas e cenas dramáticas.

A direção é digna dos melhores suspenses policiais investigativos no cinema atual. Não esperem cenas de ação, pois é o que quase não tem no filme, o que não o deixa menos interessante, pelo contrário, isso dá tempo para que a história de desenvolva sem interrupções desnecessárias, para cenas de tiroteios. Excelente pedida, e vale conferir antes que saia a versão de Martin Scorsese.

Por Monsenhor

18 de agosto de 2006

Roman Polanski

Roman Polanski

15 de agosto de 2006

O Libertino, A G Iñarritu

O Libertino

½

The Libertine, ING, 2004. DE Laurence Dunmore. COM Johnny Depp, John Malkovich, Rosamund Pike. 114 min. DRAMA.

Na primeira cena de O Libertino, Johnny Depp interpretando o Conde de Rochester, John Wilmot, avisa em direção a câmera que ninguém gostará dele. Porém, essa afirmação também pode ser válida para o próprio filme. Não que o mesmo seja ruim, mas é um filme estranho, amargo. O público, em geral, vai vomitar.

Johnny Depp parece querer livrar-se da fama de queridinho e fofinho que vem recebendo com o filme Piratas do Caribe e constrói o papel de um pervertido, sem caráter e orgulhoso por ser assim. E por fazer tão bem esse papel é que o filme ganha força em ótimos momentos performáticos de Depp, muito bem mesclada com o estilo de direção do estreante Lawrence Dunmore, que realiza seu filme como se estivesse filmando uma peça teatral. O Libertino ainda possui um bom elenco formado por John Malkovich, com um papel secundário, mas competente na pele do Rei Charles II, Rosamund Pike, que faz a esposa de Wilmont, Samantha Morton, entre outros.

A maior virtude de O Libertino, entretanto, fica no quesito estético e sonoro. é um ótimo exemplo daquilo que acontece quando talentos individuais sobressaem à qualidade geral do próprio filme, ou seja, o resultado final não é tão bom quanto se espera, já que é formado por ótimos artistas nas áreas de fotografia, direção de arte, trilha sonora, etc. Mas não sei se por falta de recursos ou por opção do diretor de fotografia e direção de arte, o filme possui uma atmosfera realista, com luz natural, escuro, granulado, sujo, diferente dos filmes de época convencionais que abusam de cores estouradas e recriam ambientes vivos e detalhados.

Se esteticamente, o filme se preocupa em inovar, na forma, é das mais clássicas. O diretor apenas se preocupou em ligar sua câmera e filmar, com raríssimas exceções. A sensação estranha que prende a atenção em determinadas cenas passa a se tornar algo cansativo. Mas apesar de irregular, O Libertino não deixa de ser interessante, principalmete porque comprova o talento de Johnny Depp em interpretar os mais diferentes e bizarros papéis mesmo em filmes menores como este aqui.

Por Ronald



E mais um diretor faz aniversário esse mês. Hoje é a vez do mexicano Alejandro Gonzales Iñarritu, que é alvo de várias críticas negativas por aí, mas eu defendo seu trabalho. Amores Brutos (00) e 21 Gramas (03) são filmes surpreendentes. Agora é ficar aguardando seu novo trabalho, Babel (06), que possui em seu elenco Brad Pitt, Gael Garcia Bernal e Cate Blanchett.

14 de agosto de 2006

Ping Pong e Win Wenders

Mais uma do nosso correspondente do oriente (perdão pela rima), Monsenhor, com filmes curiosos do outro lado do mundo:

Ping Pong



JAP, 2002. DE Fumihiko Sori. COM Yôsuke Kubozuka, Arata, Sam Lee. 114 min. Asmik. COMÉDIA.

Ping Pong! Onomatopéia que imita o som do bater da bolinha na raquete e na mesa, também é o apelido utilizado para um esporte pouco difundido, o tênis de mesa e nome do filme da resenha que se segue. Oh, não se iluda com o título do filme, que realmente nos leva a imaginar que não passa de mais uma fita para a garotada aprender uma liçãozinha de moral. Apesar de que o filme assim o faz, mas de maneira bem sutil. Ping Pong mostra a saga de dois amigos unidos desde a infância pelo ping pong. Um deles apelidado de Peco é a estrela da escola e um dos melhores jogadores da cidade. O outro apelidado de Sorriso, pelo simples fato de nunca abrir um sorriso, é um suijeito muito fechado e só joga na defensiva, dessa maneira nunca venceu um jogo. Mas tudo muda quando chega o campeonato inter-escolar, e na competição um chinês vence Peco num jogo. Bem, daí pra frente é bom que vejam o filme pra não estragar a surpresa. Não que seja uma grande reviravolta ou tenha um enredo super complexo, mas pelo prazer de acompanhar o filme. E, na verdade, é um prazer assistir Ping Pong, que como Battle Royale, é uma adaptação de um mangá famoso no japão. E da mesma maneira foi dirigido com a intenção de ser um anime em carne e osso. Mas percebe-se uma ousadia maior do diretor, com câmeras em posições inusitadas, ora velozes e bem movimentadas, como nas competições, ora estáticas e dramáticas, e por aí vai. A atuação do elenco é como em um anime, exagerada, com muitas expressões faciais, cheias de "caretas", movimentos desnecessários, gritos e etc. É um filme divertidíssimo, e que vale a pena assistir.

Por Monsenhor


E aqui vai a homenagem do cine art ao mestre do Road Movie, Win Wenders, que comemora 61 anos. É uma pena que seus filmes de hoje, não se comparem aos filmes do início de sua carreira. Mas só por ter em seu currículo, filmes como Paris, Texas (84) e Asas do Desejo (87), o alemão já merece um lugar de destaque entre os grandes diretores.

13 de agosto de 2006

Alfred Hitchcock


Alfred Hitchcock

13/08/1899 - 29/04/1980

10 de agosto de 2006

Glória Feita de Sangue

½

Paths of Glory, EUA, 1957. DE Stanley Kubrick. COM Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolphe Menjou. 87 min. Cinemagia. GUERRA.

Glória Feita de Sangue, de 1957, é uma realização perfeita e definitiva. Foi a revelação de que o talento de Stanley Kubrick estava amadurecido, colocando-o entre os melhores cineastas americanos daquela época como Nicholas Ray, Samuel Fuller, John Huston, Elia Kazan, Robert Aldrich, Billy Wilder e Alfred Hitchcock (esses dois últimos, apesar de não seram americanos, faziam filmes em Hollywood a muitos anos). Kubrick já havia apresentado, um ano antes, dois filmes, A Morte Passou Por Perto e o Grande Golpe, e já serviam para encará-lo como uma esperança mais sólida entre os diretores daquela nova geração de diretores de Hollywood.

Com isso, Glória Feita de Sangue foi aguardado com muita ansiedade. Foi produzido por James B. Harris, que havia colaborado com Kubrick nos seus filmes anteriores, além disso, o ator Kirk Douglas contribuiu financeiramente para levar o romance de Humprey Cobb às telas e interpretou o papel do protagonista. Mas a esperança de um filme antológico foi mesmo pelo fato de que Stanley Kubrick estava à frente da produção. E tudo o que se esperava de uma obra prima foi ultrapassado pelo elevado grau de maturidade que Kubrick se encontrava.

O diretor já possuía seus métodos e recursos de formulação da linguagem cinematográfica e com isso fez um filme totalmente seu sem influências, sem experimentalismo, seco, preciso e mesmo assim autêntico no processo formal de um cinema puro.

O roteiro nos propicia duas cenas de combates construídas de modo magnífico. O resto da narrativa demonstra os bastidores da guerra (no caso, a primeira guerra); retrata a vida nas trincheiras; salões de estratégia; soldados aguardando ordens; por detrás de tiros que trovejam e dos corpos que se amontoam temos o lúdico jogo das manobras, o militarismo exacerbado e as vidas humanas submetidas à troca de influência ou a política de vaidades.

É um filme corajoso para sua época. Seu esquema de fabulação é muito realista e no nosso alcance, pois não possui ambientes imaginários ou longínquos tempos faraônicos e babilônicos. A ousadia de Kubrick foi grande, pois a amplitude temática ficou circunscrita a um caráter episódico e não faz com que o filme pare no meio do caminho, ou se renda a clichês, Kubrick faz questão de nos levar até as ultimas conseqüências.

Visualmente o filme se reveste de um engenhoso equilíbrio artesanal. Uma das mais maravilhosas maneiras de visualizar os aspectos da guerra, com imagens que atingem qualidades fantásticas.

A produção, de alguma forma, ofendeu governos de vários paises e por isso foi vetada sua transmissão em alguns países. Mas teve seu lugar garantido entre os filmes mais representativos do cinema em sua época e se tratando de cinema, permanece atual até nos dias de hoje.

Por Ronald

7 de agosto de 2006

Caçada Sádica e Matei Jesse James

Dicas de Bang Bang:

Caçada Sádica

½

The Hunting Party, UK, 1971. DE Don Medford. COM Oliver Reed, Gene Hackman, Candice Bergen. 110 min. UA. WESTERN.


Ótima dica que eu obtive através do blog Viver e Morrer no Cinema, com atualizações diárias e curiosidades e informações interessantes sobre cinema. Mas chega de fazer propaganda pra outro blog. O Cine Art nem está na lista de blogues dele. Fazer o que?

Bem, mas voltando a dica, uma verdadeira pérola dos anos setenta. Caçada Sádica é um Western sanguinário. Foi dirigido pelo desconhecido, pelo menos pra mim, Don Medford que faz um trabalho muito competente. O filme conta a história de um perigoso bandido que seqüestra a mulher de um cabra que, no decorrer do filme, percebemos que é tão perigoso quanto o primeiro, ao ponto de torcermos pelo bandido. Hoje em dia não há nada de mais nisso, mas naquela época era novidade no Western fazer bandidos de mocinhos. Influencia do Western Spaghetti, Sam Peckinpah, Monte Hellman e muitos outros.

Oliver Reed vive o perigoso bandido Frank Calder. Sua atuação é interessante, pois seu personagem se transforma ao decorrer do filme. Já Gene Hackman, que faz o papel do marido é um personagem mais complexo e Hackman o faz muito bem. É um homem violento como demonstra tanto na sua caçada quanto na intimidade com sua esposa ou com quem quer que seja. Candice Bergen, que faz a esposa seqüestrada, é uma atriz de uma expressão só. Parece estar sorrindo o tempo todo. Mas até que ao final consegue se soltar. O filme possui defeitos como qualquer um, mas não atrapalham em absolutamente nada o andamento do filme. Ainda mais com o final angustiante e antológico, qualquer defeito passa batido. Caçada Sádica é um clássico que precisa ser descoberto ou redescoberto urgentemente.

Por Ronald



Matei Jesse James



I Shot Jesse James, EUA, 1949. DE Samuel Fuller. COM John Ireland, Preston Foster, Barbara Britton. 81 min. WESTERN.

Já no seu filme de estréia, Samuel Fuller vai totalmente contra àquilo que se espera de um faroeste americano, que normalmente possui um herói durão, valente, rápido no gatilho, com respostas afiadas a qualquer questionamento, como os John Waynes da vida. Em Matei Jesse James, o herói, Bob Ford, interpretado por John Ireland, mata o famoso e temido pistoleiro, Jesse James, da forma mais covarde possível, com um tiro pelas costas e passa o resto do filme se remoendo pelo momento e pela forma ingrata que matou o perigoso bandido. Com isso, o filme se torna um western psicológico, no qual, Fuller aprofunda-se nos sentimentos do personagem e nos revela, através das suas imagens, todo sofrimento mental que o personagem sofre, detalhe importante que tornou uma de suas características em todos os seus filmes e é o que diferencia dos outros diretores americanos tornando-o um dos mais atuais e admirados até hoje.

Por Ronald