O cine art está de luto... de novo.

ronald, editor-chefe cine art
Há uma característica peculiar nos personagens dos filmes de Antonioni que se repetem constantemente a cada filme. Não importa onde ou com quem, o personagem central aparece sempre vagueando em busca de algo. Parecem não querer encontrar, mas permanecer nessa busca constante do “nada”. É o que acontece com o jornalista David Locke (Nicholson) quando tem a oportunidade de deixar para trás a vida desgastante e se tornar outra pessoa trocando de identidade com um falecido que mal conhecia. Essa nova vida o leva para intrigantes situações que colocam David em paises diferentes, sempre buscando algo que o espectador aguarda como uma provável solução, ou até mesmo uma trama clara, sendo que Profissão: Repórter somente especula as situações de ação, de mistério, suspense, sem se adentrar em qualquer delas. Jack Nicholson estava no auge e faz um papel diferente daqueles que apresentava em filmes como Um Estanho no Ninho ou Chinatown. Seu David Locke é melancólico ao extremo e faz de tudo para ser alguém que não é, e pior, não consegue. Fica preso a ele mesmo, apesar de carregar o nome de outra pessoa. Por Ronald
Um dos últimos do Truffaut que eu vi foi A História de Adele H, onde a filha do famoso escritor francês, Victor Hugo, é o destaque do roteiro que transcorre na época em que a moça fugiu da Europa para a América em busca de seu amor. Truffaut, um apaixonado pelo cinema, filma a trajetória de Adele (Adjani) de maneira simples e segura, usando um dos seus temas preferidos: a desilusão amorosa, incomunicabilidade desse sentimento tão estranho e ao mesmo tempo tão maravilhoso. A narrativa encaixou-se perfeitamente com as situações e ambientes melancólicos que a personagem se coloca. Isso mesmo, ela se coloca em situações que poderiam ser evitadas e que foram motivos da sua entrada pela porta da loucura. O maior valor da obra, entretanto, se dá graças ao trabalho de Isabelle Adjani que, ainda muito nova, demonstrou um incrível talento precoce na arte de interpretar. Com certeza, A História de Adele H é um filme mais delicado e menor da filmografia de Truffaut, mas obrigatório pra qualquer cinéfilo que aprecie o trabalho do diretor francês.Por Ronald