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26 de maio de 2008

Prince of Darkness (1987), de John Carpenter

Este exercício de gênero, provavelmente, é um dos trabalhos mais assustadores de John Carpenter, que retorna com o esquema do espaço limitado para acentuar o clima de suspense. Basta lembrar-se de Assault on Precinct 13, The Thing ou da igreja em The Fog. A igreja, aliás, é o cenário de Prince of Darkness onde uma equipe de alunos e professor são convocados por um padre para estudar uns antigos manuscritos religiosos e um cilindro contendo um conteúdo verde de sete milhões de anos. Todos estes artefatos se encontram na tal igreja abandonada e eram segredos guardados por uma sociedade católica.

Interessante é ver como Carpenter explora a idéia do caos - que poderia levar ao fim do mundo - numa situação menor, com poucos indivíduos envolvidos, em um único cenário, e têm toda a responsabilidade nas mãos de salvar o mundo da destruição (sem apelar para as catástrofes hollywoodianas). Por isso não deixa de ser um exercício de gênero carregado de elementos do cinema fantástico como zumbis possuídos, ficção iconoclasta e viagem no tempo, detalhes que Carpenter se aproveita com criatividade no uso das trucagens, na forma como utiliza os espaços dos cenários para criar a sensação de enclausuramento e na sacada dos vídeos/mensagens das imagens do futuro que aparecem como sonhos para os habitantes da igreja.

2 de julho de 2007

A Beira da Loucura

A Beira da Loucura



In the Mouth of Madness
, USA, 1995. DE John Carpenter. COM Sam Neill, Julie Carmen, Jürgen Prochnow. 95 min. HORROR.

É em A Beira da Loucura que John Carpenter fez seu ultimo trabalho que ainda vale a pena conferir. Seus filmes seguintes não possuem qualquer significancia dentro da filmografia do cineasta que é responsável por verdadeiros cult-classicos dos anos 70/80, como Halloween, Fuga de Nova York e O Enigma do Outro Mundo (meu preferido). Não sei o que aconteceu com o carpinteiro, mas até que saiu-se bem na primeira temporada de Mestres do Horror, com seu Cigarrette Burns, enfim. Em A Beira da Loucura, um escritor de livros de terror (Prochnow) desaparece misteriosamente após escrever seu ultimo livro. John Trent (Neill) é contratado para encontrá-lo, mesmo achando que tudo não passe por uma jogada de marketing para vender o livro que, aliás, causa vários transtornos macabros nas pessoas que lêem. É um filme que possui suas irregularidades, mas mantém o estilo do diretor em atingir o psicológico do publico. Intrigante, em certos momentos causa medo, poucos filmes conseguem essa proeza.

por ronald
ao som de wildcat, the rosebuds

12 de janeiro de 2007

Eles Vivem

Eles Vivem (1988), de John Carpenter

Eles Vivem é um desses filmes que tinha tudo pra ser uma bomba, mas acaba divertindo e passando uma mensagem muito maior que a trama parece almejar. Apenas parece, porque Carpenter sabe muito bem o que faz. Com elementos de filmes B, diálogos incrivelmente superficiais, e péssimas atuações, em Eles Vivem tudo parece funcionar perfeitamente. A câmera segue Nada, um forasteiro que faz pequenos bicos nas cidades onde chega. Ao encontrar um óculos escuro que mostra a verdade por trás da classe dos privilegiados (os ricos, pra ser mais exato), resolve fazer justiça com as próprias mãos. O filme ainda possui uma forte crítica ao consumismo e ao controle da minoria sobre a grande massa, tudo isso numa misturada de filmes de ação oitentista com ficção científica. Um ótimo cult movie que continua fazendo efeito mesmo depois de quase 20 anos.

Por Ronald

20 de abril de 2006

Masters of Horror

Um pouco mais da série Masters of Horror...



Episódio 5 – Chocolate
½

Episódio interessante com um argumento simpático até certo ponto, sobre um sujeito, interpretado por Henry Thomas, que inicia um relacionamento psíquico com uma mulher que ele não sabe absolutamente nada, nem quem seja nem onde está. Porém acaba se apaixonando por ela. Henry Thomas interpreta muito bem o seu papel e cativa com o personagem construído por Mick Garris baseado em um conto que ele mesmo escreveu. Além disso, Garris é o diretor do episódio e o criador da série Masters of Horror. Mesmo com o final fraco, Chocolate consegue ter seus bons momentos.

Episódio 6 – Homecoming
½

Joe Dante dá uma nova visão aos filmes de Zumbis. Aqui eles não voltam à vida querendo apenas cérebros. Os Zumbis de Homecoming são soldados mortos na Guerra do Golfo e retornam para votar na eleição presidencial. É uma forma que Dante achou pra fazer um episódio crítico/político. Ainda que os elementos não sejam apropriados, Dante faz um excelente trabalho e não deixa o episódio cair na caricatura. Homecoming é um dos episodio mais impressionantes, com uma ótima estrutura, bons atores e diversão do inicio ao fim no melhor estilo Zumbis.

Episódio 7 – Deer Woman
½

No seu episódio, John Landis conseguiu fazer o que sempre soube fazer, mas não realizava há muito tempo. Um episódio que prende a atenção tanto pelo horror quanto pelo humor. No melhor estilo policial que investiga cadáveres pra chegar ao assassino, um policial se envolve em uma perigosa lenda urbana. Landis explora cada lado da moeda pra contar sua história. Bastante violência e sangue mixada às altas sacadas engraçadas. Com uma excelente direção, bons efeitos e uma atriz brasileira no elenco, Landis acabou fazendo um dos melhores episódios da série.

Episódio 8 – Cigarette Burns



Pra saber mais detalhes, é só dar uma conferida nos arquivos do mês de fevereiro.
Por Ronald

28 de março de 2006

Walk the Line e Dark Star

Johnny & June
e 1/2

Walk The Line, EUA, 2005. DE James Mangold. COM Joaquin Phoenix, Reese Wintherspoon. 136 min. FOX. DRAMA.

Johnny Cash é uma das grandes lendas da música mundial. Virou o country de cabeça para baixo com o seu dedilhado rápido e constante, e letras que passam longe das adocicadas do gênero. Era facilmente visto com Elvis, Roy Orbison, Dylan, Lewis... Enfrentou problemas com drogas não só uma, mas três vezes. Foi ator, apresentador de programas e reverenciados por roqueiros como U2 e Nine Inch Nails. A riqueza da vida de Cash nunca caberia em um longa de duas horas e é essa sensação vazia que incomoda em Johnny & Hune.

O filme do diretor James Mangold (do bom Garota Interrompida) é uma obra sólida, bem construída até para quem nunca ouviu “Walk The Line” ou “Hurt”, mas peca justamente por se apoiar no maldito “Manual de Biografias das Celebridades Mortas” da atualidade que Ray fez melhor: pegue um gênio atormentado (Cash, vivido pelo ótimo Phoenix, que sofre com a perda do irmão mais velho); adicione um problema com as mulheres (no caso de Cash, June Carter, na medida por Witherspoon); divida por uma batalha intensa contra as drogas; multiplique por um bocado de ótimas canções e eleve ao quadrado com referências a outros grandes mitos da música.

Dentro desse formato quase sempre restrito, Jhonny & June escapa da mediocridade, porém nunca alcança a genialidade.
Por Felipe Mappa


Dark Star



Dark Star, EUA, 1974. DE John Carpenter. COM Brian Narelle, Cal Kuniholm, Dre Pahich, Dan O'Bannon. 83 min. USC. FICÇÃO CIENTÍFICA.

Em seu primeiro longa, John Carpenter nos brinda com uma divertida e até mesmo poética (?) sátira de ficção científica. Levando em consideração que Carpenter ainda era um estudante de cinema e não tinha recursos para uma superprodução, Dark Star é no mínimo obrigatório para os fãs do diretor de Halloween, Fuga de Nova York e muitos outros filmes que de Horror, Ficção e Ação que constituem de uma característica própria do diretor. E tudo começou nesta pequena obra. Aliás, muitos detalhes de direção, mise en scène, que Carperter utilizaria em filmes posteriores podem ser conferidos em Dark Star como forma de experimentação.

Um grupo de astronautas barbudos, tripulante da nave Dark Star, vaga pelo espaço destruindo planetas instáveis para a colonização espacial. Além de situações clichês de filmes de ficção (porém muito bem elaboradas), o filme mistura outras situações que, até então, não era muito observada em filmes de ficção como o cotidiano dos personagens.

Os efeitos especiais toscos (que dão um charme e geram boas risadas), as idéias, a forma, os sons, as situações criadas dão ao filme um ar cult. Até mesmo um ser alienígena feito de uma bola de plástico consegue criar uma tensão sem deixar de ser bizarro e engraçado. Sem esquecer também da trilha sonora do próprio Carpenter, principalmente para dar o tom de suspense. O final pessimista é, ao mesmo tempo, libertador (a parte poética). Não teria o mesmo resultado se fosse feito hoje em dia com efeitos especiais de ponta.
Por Ronald Perrone, o saudosista

9 de fevereiro de 2006

Cigarette Burns e Thumbsucker

Masters of Horror - Episódio 08 - Cigarette Burns



EUA, 2005. DE John Carpenter. COM Norman Reedus, Udo Kier. 60 min. IDT Entertainment. TERROR.

Cigarette Burns é o episódio número 08 da série Masters of Horror, lançado por um canal americano e que contém, realmente, vários mestres do Horror mundial, como Dario Argento, Joe Dante, John Carpenter, Takashi Miike, entre outros. Cigarette Burns tem seu lado ruim e seu lado bom. O lado ruim é que foi o primeiro que eu assisti, quando eu queria, na verdade, assistir na seqüência certinha. Mas como eu sei que vai demorar um bocado pra série passar no Brasil ou ser lançado em DVD por aqui, resolvi baixar pela internet tudo de uma só vez. O primeiro a chegar foi justamente Cigarette Burns e como não agüentei esperar (e não há ordem seqüencial alguma na série) acabei vendo na hora que chegou. Entretanto, o lado bom é que o filme é excelente. O diretor John Carpenter, inspiradíssimo, dá o tratamento adequado à atmosfera de suspense que o entrecho pressupõe. O argumento do episódio trata de um jovem especializado em encontrar filmes raros que é contratado por um milionário colecionador para achar uma cópia de um filme chamado Le Fin Abolute du Monde. O filme era famoso pelo submundo cinéfilo por ter causado várias atrocidades entre o publico na sua única apresentação. Cigarette Burns já tem a vantagem de ter um ótimo roteiro (que acaba nos fazendo refletetir sobre a nossa condição de cinéfilos) e Carpenter nos presenteia com cenas dignas de antologias. Nota-se também uma produção muito bem especializada com maquiagens e efeitos visuais realistas e chocantes. Enfim, Cigarette Burns é uma das melhores coisas que Carpenter realizou nos últimos anos e espero que os próximos filmes da série tenham a mesma qualidade que essa pequena obra prima.
Por Ronald Perrone


Thumbsucker

e 1/2

EUA, 2005. DE Mike Mills. COM Lou Pucci, Tilda Swinton, Vincent D'Onofrio, Vince Vaughn, Keanu Reeves. 96 min. Columbia. Drama.

Se Impulsividade (o amaciado título em português) não descreve a verdadeira alma deste filme, a tradução do título original não faria mais bonito. Thumbsucker, ou melhor O Chupador de Dedos, faria tanto sucesso quanto uma loja de aquecedores no Deserto do Atacama. Seria mais fiel, entretanto. Lou Pucci (grande vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlin e um nome a ser anotado para megaproduções em busca de autoridade indie) brilha como o garoto que tem a bizzarra mania de chupar o dedão como forma de aliviar suas tensões. Ao ser hipnotizado por um dentista hippie (Reeves, revivendo os dias de Bill & Ted) o moleque troca o vício pelas dezenas de atrações da juventude, começando pelo sexo, passando pelas drogas e terminando no desejo profissional em ser o melhor. Uma delicada crítica à passividade da juventude americana, a omissão dos pais e ao sistema educacional na criação de seus adultos.
Por Felipe Mappa