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29 de setembro de 2007

Good Bye Dragon Inn

Adeus, Dragon Inn, de Tsai Ming Liang



A chuva que faz a água correr e respingar pelas calhas dá a impressão de que são as lágrimas do velho cinema. Adeus, Dragon Inn é uma homenagem aos antigos cinemas populares que se abarrotavam de gente e hoje em dia, são ofuscados pelos cinemas de shoppings, diversão de classe média, com produções caça-níqueis. O filme se passa num velho cinema de Taipei que realiza sua última sessão, projetando Dragon Inn, de 1967, dirigido por King Hu, um verdadeiro clássico cult das artes marciais. Mas ao contrário de antes, poucas pessoas acompanham a despedida. Há o projecionista, a faxineira manca e a bilheteira. Na platéia, um ator veterano que participou do filme projetado, e vários homossexuais em busca de sexo o que gera certos momentos com um tom de humor, mas de forma subliminar, nas entrelinhas das situações que Tsai Ming Liang acompanha com sua câmera estática e rígida em longos planos. A incomunicabilidade, que é tema de todos os filmes do diretor, acompanha a narrativa com os personagens que nunca conseguem expressar suas angustias e desejos. Adeus Dragon Inn talvez seja o trabalho mais melancólico do cineasta, uma ode de um tempo que passou.

por ronald

18 de dezembro de 2006

O Sabor da Melancia

O Sabor da Melancia



Tian bian yi duo yun, HONG KONG, 2005. DE Ming-liang Tsai. COM Kang-sheng Lee, Shiang-chyi Chen, Kuei-Mei Yang. 114 min. DRAMA/MUSICAL.

O Sabor da Melancia é um típico alienígena dentro da perfeita filmografia de Tsai Ming Liang. O diretor mantém seu estilo, porém inverte alguns elementos comuns de seus filmes anteriores. As chuvas constantes cedem lugar a uma Taipei que passa por uma onda de calor e seca, levando as pessoas buscarem meios de se refrescarem. O teor sexual presente outrora, mas nunca ou quase nunca filmado por Liang, dessa vez se apresenta quase explicitamente, praticamente sexo real e com uma melancia no meio...

Tecnicamente, O Sabor da Melancia é o filme mais ágil do cineasta, com uma edição que corta mais que o usual, já que geralmente Liang filma longos planos seqüências e economiza nos cortes. Mas lógico que quem está acostumado com os enlatados americanos sofreria da mesma forma nas mãos deste aqui.

O filme é a continuação de What Time Is It There? (01). Basicamente, os personagens centrais se reencontram criando certa trama que ameaça numa historinha romântica entre rapaz e moça. Porém, ela descobre que uma produção pornográfica está sendo feita no andar de cima de seu apartamento, e o protagonista é justamente seu amado. Além de tudo, o filme é entrecortado com várias apresentações musicais surrealistas que aparecem de repente ao longo da projeção.

Tanto nos números musicais quanto na bizarra situação amorosa, Tsai Ming Liang mostra sua virtuose na arte de dirigir e por isso, ganhou o prêmio de melhor diretor em Berlin em 2005. O máximo do êxtase filmado , entretanto, está na cena final de O Sabor da Melancia, um dos melhores do ano, realizado pelo simples prazer e gozo (literalmente) de filmar um cinema onde o orgasmo tem que ser olhando na cara da pessoa amada.

Por Ronald