Em 1968, George Romero realizou o zombie movie definitivo: A Noite dos Mortos Vivos, um clássico do horror copiado, parodiado e homenageado à exaustão ao longo dos anos. Durante as décadas seguintes, o diretor se firmou como o pai dos zumbis realizando mais três obras primas do gênero, sempre levantando críticas e provocando discussões que tocariam na cultura e no modo de vida americano, além do simples estudo das relações humanas em situações extremas. Em Diários dos Mortos, fita que não faz parte oficialmente da quadrilogia dos mortos, mas possui o que há de melhor dos elementos já utilizados em seus zombie movies posteriores, Romero toca na questão atualíssima da obsessão pelo registro de fatos. No meio das filmagens de um filme de terror, vários estudantes e seu professor ficam sabendo da bizarra notícia de que os mortos estão se levantando. Jason, o diretor do filminho resolve ligar sua câmera e capturar ao máximo todos os acontecimentos durante a jornada de volta aos seus lares. O problema é justamente a obsessão desse registro, já que Jason não para de filmar nem nos momentos de perigo enquanto seus amigos se preocupam em sobreviver desesperadamente dos ataques dos zumbis. Romero novamente não revela de onde surgiu o fenômeno que vem causando o caos na humanidade. A melhor explicação ainda é aquela de O despertar dos Mortos (1979), quando um dos personagens diz que quando o inferno estiver cheio, os mortos caminharão sobre a terra. Diário dos Mortos também utiliza a linguagem da câmera subjetiva, além de outras formas de mídia como vídeos na internet, câmeras de segurança, etc. Mas é incrível o resultado alcançado que ao invés de buscar realismo nas situações como em Cloverfield ou [REC], o filme de Romero se aproxima ainda mais da ficção, da atmosfera superficial dos filmes de zumbis e como tudo isso funciona perfeitamente para enfatizar ainda mais a sua análise do homem com uma câmera e a obsessão pelo registro! Neste sentido, Diário remete mais a Redacted de Brian de Palma, e não é só neste ponto que Romero demonstra lucidez. Aos 68 anos, o experiente cineasta ainda possui uma liberdade criativa invejável na utilização da violência explícita com muito sangue e vísceras, tudo num clima de Road Movie apocalíptico. Diário dos Mortos também é a volta de Romero à raiz com uma produção independente e um orçamento discreto, diferente da superprodução Terra dos Mortos, e mesmo experimentando uma linguagem nova, a essência continua intacta.
Mostrando postagens com marcador romero. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador romero. Mostrar todas as postagens
3 de maio de 2008
Diário dos Mortos (2007), de George A. Romero
Em 1968, George Romero realizou o zombie movie definitivo: A Noite dos Mortos Vivos, um clássico do horror copiado, parodiado e homenageado à exaustão ao longo dos anos. Durante as décadas seguintes, o diretor se firmou como o pai dos zumbis realizando mais três obras primas do gênero, sempre levantando críticas e provocando discussões que tocariam na cultura e no modo de vida americano, além do simples estudo das relações humanas em situações extremas. Em Diários dos Mortos, fita que não faz parte oficialmente da quadrilogia dos mortos, mas possui o que há de melhor dos elementos já utilizados em seus zombie movies posteriores, Romero toca na questão atualíssima da obsessão pelo registro de fatos. No meio das filmagens de um filme de terror, vários estudantes e seu professor ficam sabendo da bizarra notícia de que os mortos estão se levantando. Jason, o diretor do filminho resolve ligar sua câmera e capturar ao máximo todos os acontecimentos durante a jornada de volta aos seus lares. O problema é justamente a obsessão desse registro, já que Jason não para de filmar nem nos momentos de perigo enquanto seus amigos se preocupam em sobreviver desesperadamente dos ataques dos zumbis. Romero novamente não revela de onde surgiu o fenômeno que vem causando o caos na humanidade. A melhor explicação ainda é aquela de O despertar dos Mortos (1979), quando um dos personagens diz que quando o inferno estiver cheio, os mortos caminharão sobre a terra. Diário dos Mortos também utiliza a linguagem da câmera subjetiva, além de outras formas de mídia como vídeos na internet, câmeras de segurança, etc. Mas é incrível o resultado alcançado que ao invés de buscar realismo nas situações como em Cloverfield ou [REC], o filme de Romero se aproxima ainda mais da ficção, da atmosfera superficial dos filmes de zumbis e como tudo isso funciona perfeitamente para enfatizar ainda mais a sua análise do homem com uma câmera e a obsessão pelo registro! Neste sentido, Diário remete mais a Redacted de Brian de Palma, e não é só neste ponto que Romero demonstra lucidez. Aos 68 anos, o experiente cineasta ainda possui uma liberdade criativa invejável na utilização da violência explícita com muito sangue e vísceras, tudo num clima de Road Movie apocalíptico. Diário dos Mortos também é a volta de Romero à raiz com uma produção independente e um orçamento discreto, diferente da superprodução Terra dos Mortos, e mesmo experimentando uma linguagem nova, a essência continua intacta.27 de julho de 2007
A noite dos Mortos Vivos




Night of the Living Dead, EUA, 1968. DE George A. Romero. COM Duane Jones, Judith O'Dea, Karl Hardman. 96 min. HORROR.
A noite dos Mortos Vivos é um marco no cinema de horror. A visionária visão de George A. Romero se tornou padrão para os filmes de Zumbis em suas próprias seqüências e até produções de outros diretores, cuja inspiração nasceu deste aqui. É um filme feito com as tripas. O diretor criou um verdadeiro clássico cultuado no mundo inteiro com uma premissa muito simples, sem recursos financeiros e técnicos e um elenco totalmente desconhecido. O filme se apóia na força de suas imagens que cria um sentimento de tensão e angustia quando um grupo de pessoas fica encurralado numa casa cercada por zumbis famintos de carne humana. E o que não falta é momentos de violência explícita e visual, ainda em fase de exercício de direção por parte de Romero, o que se tornaria mais seguro já no segundo filme da saga dos mortos, Dawn of the Dead, mesmo assim, vísceras, tripas e membros são bem servidos aos zumbis ao longo de A Noite dos Mortos Vivos. Deve ter causado um bocado de arrepios no publico da época. Hoje em dia é diversão garantida.
Night of the Living Dead, EUA, 1968. DE George A. Romero. COM Duane Jones, Judith O'Dea, Karl Hardman. 96 min. HORROR.
A noite dos Mortos Vivos é um marco no cinema de horror. A visionária visão de George A. Romero se tornou padrão para os filmes de Zumbis em suas próprias seqüências e até produções de outros diretores, cuja inspiração nasceu deste aqui. É um filme feito com as tripas. O diretor criou um verdadeiro clássico cultuado no mundo inteiro com uma premissa muito simples, sem recursos financeiros e técnicos e um elenco totalmente desconhecido. O filme se apóia na força de suas imagens que cria um sentimento de tensão e angustia quando um grupo de pessoas fica encurralado numa casa cercada por zumbis famintos de carne humana. E o que não falta é momentos de violência explícita e visual, ainda em fase de exercício de direção por parte de Romero, o que se tornaria mais seguro já no segundo filme da saga dos mortos, Dawn of the Dead, mesmo assim, vísceras, tripas e membros são bem servidos aos zumbis ao longo de A Noite dos Mortos Vivos. Deve ter causado um bocado de arrepios no publico da época. Hoje em dia é diversão garantida. por ronald
ao som de england, bloc party
24 de outubro de 2006
El topo, Warriors e Martin
Apenas algumas observações para não deixar o blogue estagnado... mas nada consistente, estou sem saco pra isso...
El Topo (1971, Alejandro Jodorowski)




Minha primeira experiência cinematográfica com Jodorowski. E que experiência! El topo é um western mítico repleto de simbolismo que se tornou cult no início dos anos setenta pelas imagens impactantes de violência e sexo. Diferente do Western Americano, El Topo se identifica mais com o Western Spaghetti, porém, mais bizarro. O personagem central (o próprio Jodorowski) é um pistoleiro que vaga todo vestido de preto deixando um rastro de sangue e corpos por onde passa. Inclusive quando decide enfrentar os mais sábios pistoleiros do deserto mexicano, onde surgem os mais diversos personagens que parecem ter saído de um Freak Circus Show. Uma verdadeira e profunda viagem ao surreal. Buñuel deve ter ficado com inveja.
The Warriors (1979, Walter Hill)




Uma aventura alucinante que retrata de maneira caricata e estilizada a violência e o submundo das gangues. Os grandes lances de The Warriors são os comportamentos, os uniformes, a busca de uma identidade pelos jovens da periferia dentro de um grupo do qual se identificam, detalhes que enriquecem o filme que, aparentemente, só haveria motivo pra porradaria. A história é intrigante e chamativa por si só. Durante um evento promovido com o objetivo de reunir todas as gangues de Nova York, o líder da mais importante é assassinado em pleno discurso. A culpa cai justamente sobre os Warriors, uma pequena gangue suburbana que deve tentar voltar para seu bairro enquanto são caçados por todas as outras gangues. O final é um pouco broxante, mas ainda vale pela tensão que o diretor consegue impor durante todo o filme sem deixar a peteca cair.
Martin (1978, George A. Romero)



Filme seco e bem objetivo. Sem enrolação, o filme conta a história de Martin, um jovem que vai morar na casa de um tio. Este acredita de pés juntos que Martin é um perigoso Vampiro com mais de cem anos. Coloca Alho nas portas, chama um padre para exorcizar o pobre rapaz e no final parte pra ignorância. Apesar da superficialidade do roteiro, Martin tem seus momentos virtuosos e criativos e se estrutura no clima de suspense que o diretor cria. Nota-se uma economia de recursos, mesmo assim, Romero não nos poupa de uma boa dose de violência e muito sangue. O filme merecia maior destaque entre os outros da filmografia do diretor. Não me lembro de ter visto algo a respeito desse filme em nenhum blogue ou site brasileiro. Então fica a dica para os fãs do terror de plantão.
El Topo (1971, Alejandro Jodorowski)
Minha primeira experiência cinematográfica com Jodorowski. E que experiência! El topo é um western mítico repleto de simbolismo que se tornou cult no início dos anos setenta pelas imagens impactantes de violência e sexo. Diferente do Western Americano, El Topo se identifica mais com o Western Spaghetti, porém, mais bizarro. O personagem central (o próprio Jodorowski) é um pistoleiro que vaga todo vestido de preto deixando um rastro de sangue e corpos por onde passa. Inclusive quando decide enfrentar os mais sábios pistoleiros do deserto mexicano, onde surgem os mais diversos personagens que parecem ter saído de um Freak Circus Show. Uma verdadeira e profunda viagem ao surreal. Buñuel deve ter ficado com inveja.The Warriors (1979, Walter Hill)
Uma aventura alucinante que retrata de maneira caricata e estilizada a violência e o submundo das gangues. Os grandes lances de The Warriors são os comportamentos, os uniformes, a busca de uma identidade pelos jovens da periferia dentro de um grupo do qual se identificam, detalhes que enriquecem o filme que, aparentemente, só haveria motivo pra porradaria. A história é intrigante e chamativa por si só. Durante um evento promovido com o objetivo de reunir todas as gangues de Nova York, o líder da mais importante é assassinado em pleno discurso. A culpa cai justamente sobre os Warriors, uma pequena gangue suburbana que deve tentar voltar para seu bairro enquanto são caçados por todas as outras gangues. O final é um pouco broxante, mas ainda vale pela tensão que o diretor consegue impor durante todo o filme sem deixar a peteca cair. Martin (1978, George A. Romero)
Filme seco e bem objetivo. Sem enrolação, o filme conta a história de Martin, um jovem que vai morar na casa de um tio. Este acredita de pés juntos que Martin é um perigoso Vampiro com mais de cem anos. Coloca Alho nas portas, chama um padre para exorcizar o pobre rapaz e no final parte pra ignorância. Apesar da superficialidade do roteiro, Martin tem seus momentos virtuosos e criativos e se estrutura no clima de suspense que o diretor cria. Nota-se uma economia de recursos, mesmo assim, Romero não nos poupa de uma boa dose de violência e muito sangue. O filme merecia maior destaque entre os outros da filmografia do diretor. Não me lembro de ter visto algo a respeito desse filme em nenhum blogue ou site brasileiro. Então fica a dica para os fãs do terror de plantão. Por Ronald
4 de fevereiro de 2006
Aniversário de George A. Romero
Assinar:
Postagens (Atom)
