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28 de agosto de 2011

Rise of the Planet of the Apes

Olhos tristes... *shuinf*

Gostei tanto de Planeta dos Macacos: A Origem, que digo seguramente: ele não perde em quase nada para o de 68, a não ser o fato do original ser um grande clássico (e com todos os elementos da adaptção literária, naquele climão guerra-fria, com uma crítica afiada ao ser humano e suas atrocidades e as consequências da guerra, sei-que-lá-sei-que-lá). Que fique claro que este novo (...) A Origem, ao contrário do  bom (e só) Planeta dos Macacos de Tim Burton, não é um remake do original. Como o próprio título brasileiro sugere, é uma prequel, ou seja, cerveja é um filme cuja trama antecede a um outro já lançado, onde, talvez, algo tenha ficado perdido ou não foi bem explicado. O roteiro, assinado a quatro mãos por Rick Jaffa e Prata Amanda, não é genial, mas não atrapalha em momento algum o andamento do filme dirigido pelo inglês Rupert Wyatt. No campo das atuações, temos o carismático James Franco como o protagonista Will Rodman, que talvez não fosse o primeiro ator em quem eu pensaria para o papel, mas que o entrega de forma bastante competente; a rainha de Bombay, Freida Pinto (lindíssima sempre), como a namorada de Will, Caroline Aranha (WTF?!) em uma participação que se resume a inúmeros "This is wrong, Will" durante toda a projeção; Tom Felton (Dodge Landon), em uma tentativa rasa de desvencilhar-se de um papel que o acompanhou por mais de 10 anos; e finalmente, Andy Serkis, que nos brinda com o símio Ceasar, absurdamente real em todos os sentidos, ainda que "mascarado" pelo incrível trabalho de CGI da Weta Digital. Serkis parece não se esforçar muito pra deixar transparecer a exuberância, o desespero e a ameaça com toda aquela carga emocional que normalmente a gente espera de um ator que não esteja com toda aquela parafernalha espalhada pelo corpo -- e isso, minha gente, é uma conquista maravilhosa. Outro ponto forte do filme é a excelência dos efeitos visuais manufaturados pela competentíssima fábrica de sonhos de Peter Jackson, responsável, entre outros trabalhos, pela trilogia O Senhor dos Anéis, King Kong, Avatar e As Aventuras de Tintin. A cena da macacada enlouquecida na Golden Gate, em plena a luz do dia é pra deixar de queixo caído. Tenho certeza de que vai agradar, ainda que pesem um pouquinho, beirando um leve exagero.

Quem diria que a temporada dos filmes de verão no hemísfério norte este ano nos presentearia com mais de um filme acima da média, hein?

24 de agosto de 2011

X-Men: First Class (2011)

Tão olhando o que?

Quando eu me empolgo assistindo a um filme, fico difícil de ser controlado... E, cara, eu amo ser surpreendido! Ainda que soubesse que o primeiro episódio do que parece ser a reinvenção de uma franquia (da qual eu sou muito fã) seria comandado pelo talentosíssimo Matthew Vaughn, diretor de um dos filmes mais bacanas dos últimos tempos. First Class é a coroação cinematográfica dos super-heróis-mutantes da Marvel; é a prova cabal de que uma mudança na direção e no elenco somadas a uma história digna de ser contada faz muito bem, sim senhor. O roteiro tem nos creditos o próprio Vaughn e mais três (Edward Ashley Miller, Zack Stentz e Goldman Jane), e por essa razão impressiona: por não parecer desconexo e alegórico, e funcionar de forma bastante inteligente -- o que o torna automaticamente bem acima da média. Em um filme de verão, desenvolver uma narrativa coerente, onde os personagens ou situações não se tornem absurdas (verborragia  e explosão desnecessária de CGI na sua cara) é tarefa louvável, minha gente. Fassbender e McAvoy fazem jus aos seus protagonistas e nos entregam atuações muito honestas: McAvoy é o responsável por uma das mais bacanas "desconstruções" de um personagem da qual tenho notícias (o professor Charles Xavier), enquanto Fassbender nos aproxima muito de Erik Lehnsher (aka o temível Magneto). No núcleo do bem, destaque também para a lindíssima Jennifer Lawrence (Mística) e Nicholas Houth (Fera). E já que uma história de heróis nada é sem um puta vilão, senhoras e senhores, aplausos para Kevin Bacon!: o seu maníaco-nazista Sebastian Shaw é de fato hiper-mega-blaster-waster-triple-ninja-X-excelente.

Acho que eu não exagero quando digo que X-Men: First Class não é mais um filme saído das histórias em quadrinhos em um mercado atual absurdamente saturado. E é por conta disso tudo que não consigo imaginar como esse filmaço poderia ter sido melhor.

22 de janeiro de 2011

Scott Pilgrim vs The World


(Scott Pilgrim Contra o Mundo, de Edgar Wright, 2010)

Logo que Zack Snyder alardeou que seria ele o responsável pela adaptação de Watchmen, de Alan Moore, muita gente mordeu a beiça achando que não seria bacana, alegando (como em alguns outros episódios muito bem-sucedidos) que o material de origem era infilmável. O mesmo deve ter rolado quando foi anunciada a adaptação dos quadrinhos assinados por Bryan Lee O'Malley's -- uma série em seis volumes cheia de personagens excêntricos e recheado de referências da cultura pop-nerd.

Personagens, aliás, que poderiam compor aquele famoso poema de Drummond: Knives ama Scott, que ama Knives, que ama Scott, e que passou a amar Ramona... Que amou Matthew, Lucas, Todd, Roxy (porque "todo mundo tem uma fase lésbica em algum momento da vida"), Kyle e Ken e Gideon. Matthew virou macumbeiro do mal, Lucas é astro de cinema, Roxy ainda é lésbica, Kyle e Ken são super DJ’s e Gideon o líder dA Liga dos Ex-Namorados do Mal de Ramona Flowers. E todos os sete querem trucidar Scott por ele ser o novo queridinho de Ramona.

Bebendo goles generosos da mesma fonte de Spaced – série do mesmo (e genial) diretor inglês Edgar Wright, o mundo fabricado de Scott Pilgrim vs The World cai no limbo, em algum lugar entre a realidade, o fantástico e o incomum, onde coisas absurdas rolam sem explicação ou surpresa de alguns dos personagens. E é isso que dá o tom necessário à história, assim como a incansável jornada de Scott é essencialmente uma tradução literal da velha máxima, "love is battlefield" (tudo bem, é só uma música da Pat Benatar, o que não a torna menos verdadeira).


Falando em campo de batalha, as fantásticas cenas de lutas são coreografadas como em video-games, com cada ex-namorado do mal servindo como o último chefão, e explodindo em uma chuva de moedas quando derrotado. Wright também faz forte uso de efeitos de som e efeitos visuais no melhor estilo Nintendinho 8-bits, enquanto as onomatopéias são animadas em letras, igualzinho aos comic books.

O texto é tão mastigadinho e divertido quanto nos originais de O'Malley's -- e o crédito é total de Wright e o co-roteirista Michael Bacall, que condensaram todos os seis volumes em um filme apenas, com maestria. Tudo bem que uma coisa ou outra acabou ficando de fora, mas nada que chegue a provocar insatisfação por parte dos fãs. Wright mantém o roteiro enxuto, num ritmo alucinante, combinando uma edição frenética e telas divididas. O elenco também é ótimo, e apesar de todos manterem a regularidade (os ex-namorados do mal fazem um trabalho particularmente bacana com o tempo limitado que alguns possuem em cena), eu destacaria o quase esquecido (quase tanto quanto o braço mais famoso da família) irmão Culkin, Kieran; a lindinha e borbulhante novata, Ellen Wong, e um Michael Cera com mais cara e atitude de Scott Pilgrim do que eu  jamais poderia imaginar.

Scott Pilgrim vs The World não é só uma declaração de amor aos quadrinhos, ou aos geeks de todo o mundo -- é uma ode ao nerdly way! É um paralelo do mundo real, onde nada é conseqüência e tudo é conseqüência.

♪ Post fechado ao som de Dionne Bromfield, Foolish Little Girl.

19 de janeiro de 2011

O novo Aranha...

Taí. E eu que não conseguia enxergar mais ninguém além de Tobey Maguire na pele de Peter Parker/Aranha... pagando a minha língua. Gostei muito do uniforme. E de Andrew Garfield dando corpo ao personagem.


Tá com cara de que vai prestar! ;D

O MovieWeb colocou no ar hoje dois vídeos curtinhos do cabeça-de-teia em uma provável cena, além de fotos do set. Bacanão dar uma conferida!

15 de agosto de 2010

Notas breves: Inception e The Expendables


(A Origem, de Christopher Nolan, 2010)

Inception me deu uma estranha sensação de déjà vu. Não que existam muitas semelhanças entre o filme de Scorsese e Nolan... quer dizer, há o tema ilusão x realidade, de certa forma há o drama conjugal/familiar, e também há Leonardo DiCaprio como protagonista. Mas assim como Shutter IslandInception pensa ser mais esperto que o expectador... No final você acaba percebendo que perdeu quase duas horas e meia da sua vida com toda aquela bobagem. Não que eu não entenda ou não aprecie a insana viagem de Nolan ao maravilhoso mundo dos sonhos.  Mas por que diabos um filme concebido para abalar minha estrutura psicológica me faz sentir, na melhor das hipóteses, indiferente?

 Tudo bem, algumas cenas impressionam, como a já clássica ‘dobra’ da cidade arquitetada pelo personagem de Ellen Page, e a incrível cena de luta em gravidade zero. E há certo prazer, pelo menos na primeira hora de projeção, onde tentamos acompanhar o joguete entre ilusão e realidade e da miríade de regras para manipulação dos sonhos. Mas depois da primeira hora e meia tudo parece muito barulho por nada.

Inception é tão ousado, mas tão ousado que perde um tempo precioso explicando o quão corajoso e ousado ele é (com sua ingenuidade estrutural quase tão impressionante quanto a qualidade técnica). Infelizmente em termos humanos é quase nulo, e muito diferente dos sonhos mais bacanudos, esse não fica na lembrança.

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(Os Mercenários, Sylvester Stallone, 2010)

Nem sei o que dizer... The Expendables é tudo o que eu esperava e mais! É sem dúvida a grande sacada de Sly Stallone, e uma ode ao cinema de ação dos anos 80: mudo, barulhento e explosivo! É trinitrotolueno purinho, minha gente!

A fita é um mash-up com as grandes estrelas dos filmes de ação (levaria menos tempo pra dizer quem não está no elenco do que o contrário)! E o enredo não poderia ser mais old-school: alguns bandidos canastrões e os caras legais que estão atrás desses bandidos em algum lugar do terceiro mundo.  Perseguições insanas, explosões literais, armas de fogo (de todos os estilos e calibres), facas bem grandes, aviões, caminhões, Harley Davidson’s e sangue -- muito sangue. É Tarantino, só que sem a costumeira ironia.

As explosões, o caos e os crânios esmagados preenchem com maestria as lacunas do roteiro. Sly, que escreve e dirige essa divertida e empolgante confusão muscular, sabe muito bem como filmar cada sequência de forma visceral, sem dar muita atenção a continuidade ou ao desenvolvimento de seus personagens (o único com um background raso aqui é o personagem vivido pelo inglês Jason Statham).

The Expendables é a retomada de fôlego do cinema de ação; é uma mistura maravilhosa de entretenimento visceral que nos oferece o top do cinema truculento! Um filme feito para se lembrar dos dias de glória dos blockbusters de ação. É Sly Stallone arrebentando as pregas, descobrindo um novo jeito de ensurdecer uma nova geração tão desacostumada a essa overdose de testosterona nas telas de cinema! ;D

7 de agosto de 2010

Kick-Ass


(Kick-Ass - Quebrando Tudo, de Matthew Vaughn, 2010)

Adaptações para o cinema, até para os menos puristas, soa sempre como um problema. E enquanto um número cada vez maior de HQ’s alcançam as grandes salas de projeção, continuamos a observar algumas decepções indiscutíveis durante a última década. Se a gente resolve falar do encontro entre essas duas mídias altamente visuais, caímos por sobre a liberdade dos autores em cada uma: o cara da prancheta certamente possui mais liberdade que o cara atrás das câmeras. E não somente do ponto de vista criativo. O que explica direitinho o motivo das histórias em quadrinho terem perdido a sua essência, a sua densidade, para se tornarem produções bonitinhas, arrumadas e quase sempre acéfalas...

Kick-Ass é tudo o que as normas de ética e moral do cinema mainstream querem longe das telas: violência extrema e boa dose de cinismo. Para o nosso deleite e surpresa, com um texto excepcional de Matthew Vaughn e Jane Goldman (que se certificaram em fazer tudo dentro dos conformes, a fim de deixar a fita apresentável para um público amplo), temos o que seguramente posso chamar de uma das melhores adaptações de HQ para telona, além de um dos melhores filmes do ano. E há algumas diferenças entre as duas versões da saga de Dave Lizewske, o rapaz que resolve lutar contra o crime em uma roupa de mergulho . Assim como o (anti) herói de Watchmen, o rapazola percorre toda a cidade para manter a ordem e a justiça, mesmo que não tenha a menor habilidade e talento para isso. Vaughn e Goldman se permitiram alguns ajustes em todos os personagens, reduzindo de alguma forma a carga emotiva presente no original, mas sem comprometê-los -- como no caso da dulpa explosiva do filme, Big Daddy (Cage, hilário) e a pequena Hit Girl (Chlöe Moretz Grace, genial em um dos melhores personagem de todos os tempos), em quem os roteiristas confiam a missão de vingança contra a facção criminosa liderada por Frank D’amico (Strong, impagável). Outro grande lance do roteiro foi o de mostrar a via crucis dos gângsteres em pôr as mãos no suposto justiceiro mascarado, coisa que Millar não fez no original – e que permitiu ao diretor clarear um tom, jogando com a ironia dramática sem nunca trair o espírito underground e sádico do texto original.

Ainda que levante uma pergunta no mínimo curiosa em relação ao motivo de nunca ninguém ter se aventurado no mundo dos super-heróis (questão essa que é respondida logo na primeira aparição de Kick-Ass contra o crime), Vaughn não comete o erro de uma imersão ultra-realista. Se o universo de Kick-Ass se mostra por vezes cru e vulgar, o cineasta britânico se esforça para permitir que os seus protagonistas vivam suas fantasias, orquestrando cenas de ação absolutamente deslumbrantes onde o excesso é obrigatório, e a violência revela-se por vezes menos radical, apesar de incitada quase sempre por uma menina de 11 anos. Mas a essência da fita talvez seja muito mais pertinente, pois lida com o nascimento de um fenômeno popular na era das mídias sociais, ao mesmo tempo em que adota um número de elementos consideráveis presentes no imaginário coletivo mundial. E fica muito fácil constatar isso tudo quando vemos a cena de tiroteio frenético em primeira pessoa, com diálogos que nos remetem a Scarface e a cena final de O Retorno de Jedi; e claro, a homenagem clara à Kill Bill em uma sequência final brilhante, onde o diretor se permite invocar Tarantino adotando uma das trilhas de Ennio Morricone. Aliás, a trilha sonora é outro ponto fortíssimo, e nos oferece um cardápio variado que vai de Prodigy à Mozart. É também na trilha que Kick-Ass mostra todo o seu discernimento, sempre usando suas referências com uma intenção muito definida (como evocar Rossini num contexto absolutamente diferente do usado por Kubrick em Laranja Mecânica).

Sem dúvida alguma Kick-Ass será recebido por muitos como uma produção amoral, condenável e irresponsável -- com todos os méritos. Mas ao invés de enterrar nossas cabeças na areia, Vaughn e Goldman decidem assumir a responsabilidade por suas idéias, trazendo confiança aos espectadores, que se privam de analisar conceitos morais de bem e mal, e percebem o quão absurdo e inacreditável pode ser o entretenimento, sem que nos insulte a inteligência. No nível estético, a equipe do diretor britânico dá show: quer seja pela originalidade e fluidez das sequências de ação (fruto da ótima montagem) ou pela fotografia colorida de Ben Davis.

O resultado não poderia ser diferente: o melhor filme de super-heróis desde The Dark Knight, Kick-Ass faz jus ao nome, em todos os sentidos.

20 de julho de 2008

Batman - O Cavaleiro das Trevas


Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), de Chistopher Nolan

Heath Ledger realmente estava no ápice de sua arte de interpretar e eu não ficaria surpreso se ganhar o Oscar pelo seu trabalho em O Cavaleiro das Trevas. Se é que podemos chamar a sua encarnação do Coringa somente de interpretação. Ledger vendeu a sua alma ao personagem. O que ele apresenta, desde a sua primeira aparição em cena (com a sádica mágica de fazer a caneta desaparecer) vai além dos limites da representação psicótica do mal. É um monstro cujas ações levantam dilemas morais diante de seus inimigos. Ao longo de todo o filme, ele concebe engenhosas situações que forçam Batman, o Comisário Gordon e o promotor Harvey Dent a tomarem impossíveis decisões de ética.


Jack Nicholson já era. Ledger definiu o Coringa para o cinema. Esperem no mínimo vinte anos antes de levar o personagem às telas de novo. Talvez até lá surja alguém com capacidade dar a vida por um papel como este.


Tirando o Coringa, o que resta em O Cavaleiro das Trevas é um ótimo de filme de ação que demonstra o amadurecimento de Nolan ao conduzir com maestria uma trama grandiosa, muito mais complexa que o habitual, repleta de personagens importantes que possuem o devido espaço durante a narrativa. Além disso, todas as idéias do diretor que deram certo e errado em Batman Begins, em relação à sua visão realista, entram em perfeita sintonia em O Cavaleiro das Trevas, criando um universo verossímil onde um homem fantasiado de morcego pode sair à noite para combater o crime.


Todas essas questões sobre verossimilhança e os desdobramentos da história com os personagens têm profundidade suficiente para mais uns 10 parágrafos. Recomendo o texto do amigo Leandro Caraça, que escreveu em seu blog as melhores impressões que eu li sobre o filme.

3 de julho de 2006

Calafrios e The Killer

The Killer

½

Dip hyut shueng hung, Hong Kong, 1989. DE John Woo. COM Chow Yun-Fat, Danny Lee, Sally Yeh. 111 min. Betta. AÇÃO.



The Killer, novamente com Chow Yun-Fat, conta a história de um assassino de aluguel (Jefrey Chow, aka Mickey Mouse), frio e sem medo na hora de matar, mas cheio de remorsos por uma vida com rastros de sangue no caminho. Porém, tudo vira de cabeça para baixo quando, por acidente, uma inocente cantora perde a visão, por consequencia de um tiro disparado por Jefrey. Até então, todas as características que nomearam John Woo estão presentes, mas é partir desse momento que o diretor destaca a construção e o desenvolvimento dos personagens no decorrer do filme. Detalhe que eu não havia mencionado anteriormente em Hard Boiled, mas também estava fortemente presente. The Killer, à maneira de John Woo, mostra a construção de uma amizade muito interessante entre o policial que persegue Jefrey, e também o valor da amizade que ele tem com seu contato para realização dos trabalhos. Melosamente, porém de uma forma até mesmo convincente e emocionante as amizades vão se formando. Há também um elo muito interessante formado entre Jefrey e a cantora que perdeu a visão. Jefrey, claro que cheio de remorso, faz de tudo para ajudar a moça que ele mesmo feriu. Quando ela descobre que foi Jefrey quem a feriu, ela não fica apavorada, simplesmente entende a dor de Jefrey e o ajuda em sua jornada.

Não posso deixar de comentar, a ação do filme é alucinante. Mesmo com menos frequencia do que em Fervura Máxima, não desaponta, na verdade até mesmo surpreende. Como no final do filme (sempre no final), onde o tiroteio "rola solto" e há uma movimentadíssima cena de ação, com mortes sangrentas e algumas até mesmo tristes. Pois bem, outro filmaço da época de ouro de John Woo. Se puderem, assistam, e pra quem já viu, reveja.
Por Monsenhor


Calafrios



Shivers, CAN, 1975. DE David Cronenberg. COM Paul Hampton, Joe Silver, Lynn Lowry. 87 min. Cinépix. HORROR.

Antes de se tornar um dos diretores mais respeitados atualmente, David Cronenberg realizou vários filmes de horror de baixo orçamento, com histórias sem qualquer complexidade de seus filmes futuros, mas uma criatividade na direção que mostrava um estilo diferente e único que se destacaria a cada trabalho do diretor canadense. Em Calafrios, um verme parasita transmite uma compulsão sexual nos moradores de um luxuoso edifício isolado numa ilha. Os “infectados” passam a agir como zumbis em busca de sexo frenético. Uma bizarrice só!

Mas é interessante a forma como Cronenberg conduz seu filme com originalidade e competência, até mesmo na utilização dos efeitos especiais e maquiagens, já que foi feito quase sem recurso. O filme surpreende com a violência e a escatologia como elementos visuais e explícitos. Calafrios é a primeira parte de uma trilogia de Trash-B-Movies. Os outros filmes são Rabid (77) e Os Filhos do Medo (79).
Por Ronald

25 de junho de 2006

Hard boiled

Fervura Máxima

½

Hard boiled, Hong Kong, 1992. DE John Woo. COM Yun-Fat Chow, Tony Leung Chiu Wai, Teresa Mo. 126 min. Milestone Pictures. AÇÃO.

"Quem diria que John Woo já soube fazer filmes de ação um dia?" Essa foi a primeira coisa que eu disse quando acabei de assistir a um dos mais conceituados clássicos de John Woo. Hard Boiled ou Fervura Máxima, como é chamado aqui no Brasil, conta a história de um policial "casca grossa", interpretado por Chow Yun Fat, sangue-frio, sem medo nem remorso de matar ou morrer, que durante a tentativa de prisão de um suspeito, acaba perdendo seu parceiro e melhor amigo. Será que daí pra frente dá pra adivinhar o que vai acontecer? Se você disse que ele vai atrás de vingança, você acertou. Mas diferente do ditado "vingança é um prato que se come frio", a vingança nesse filme ferve, ultrapassando o ponto de ebulição, como indica o nome do filme.

John Woo, no oriente, pode ser considerado um dos melhores aprendizes da matéria filmes de ação. Isso eu digo no oriente. Pelas bandas de cá, já tínhamos diretores como Peckimpah, que trouxe várias inovações, dentre elas o uso dramático de câmeras lentas em cenas quentes de ação. E John Woo traz uma forte herança de alguns diretores, principalmente os inovadores, de filmes de ação. Isso se percebe claramente em Hard Boiled. Logo no começo do filme, há uma movimentadíssima cena de tiroteio, com uma participação muito natural dos figurantes, e impressionantes movimentos, até mesmo acrobáticos e de certa forma realistas do protagonista. O filme não apresenta uma trama elaborada nem tenta chegar perto de ser complexa. Mas a simplicidade da história é contada de uma forma, ao mesmo tempo bruta e dramática. Os atores também não são dignos de Oscar, mas cumprem seu papel convencendo o espectador daquilo que estão vendo na telinha.

Ah! Volto a falar das cenas de ação do filme. Justamente porque são elas que caracterizam e dão nome a John Woo. O filme não passa muito tempo sem tem um cena de ação. O tempo inteiro você é surpreendido com um tiroteio desenfreado de tirar o fôlego. Takes muito bem capturadas, utilizando de forma corretíssima a camera lenta. O final é um dos mais movimentados e fabulosos que eu já vi num filme de ação. Principalmente a cena em que Chow corre desesperadamente pelo hospital com um bebê no colo, dando tiro em tudo e em todos, arriscando a sua vida para salvar a do bebê. É uma cena brilhante, com excelente movimentação dos personagens e até mesmo da camera. Para se ter uma idéia do quanto o filme é quente, a cena final, no hospital dura cerca de 40 minutos de tiroteios e explosões. John Woo não trouxe nada de inovador ao gênero, mas aplicou tudo o que se tinha de melhor, e o fez com maestria. Pena que hoje ele perdeu esse "tato", e já nos decepciona com vergonhosas produções como Missão: Impossível 2, ou O Pagamento.

Confesso que só me interessei por filmes do John Woo, justamente por ele ser o diretor das cenas não interativas do game que irá dar continuidade à história de Hard Boiled. Mas foi uma surpresa agradável, assistir ao filme só para saber qual a história do tal policial "casca grossa", e descobrir que John Woo já foi mestre em filmes de ação no oriente. Pra você que ainda não descobriu o John Woo de 15 ou 20 anos atrás, pode ser que você também tenha uma agradável surpresa.
Por Monsenhor

1 de junho de 2006

Meu Ódio Será Sua Herança e Os Implacáveis

Meu Ódio Será Sua Herança



The Wild Bunch, USA, 1969. DE Sam Peckimpah. COM William Holden, Ernest Borgnine. 134 min. Warner. WESTERN

Sam Peckinpah passou à história como o "esteta da violência", servindo de pavimento para os Walter Hills e Tarantinos da vida que vieram depois. Ao criar uma linguagem e definir o tom certo para fitas tão dramáticas quanto sanguinárias, o cara corrompeu a nossa inocência, mas, também, ofereceu um viés deveras mais honesto da agressividade humana. Esse western talvez seja a a sua obra quintessencial - é uma história anticonvencional, em que, por força das circunstâncias, acabamos torcendo por uma quadrilha de foras da lei (liderada por um ótimo William Holden) quando esta se torna presa de gente ainda mais amoral e perigosa do que ela. Genial. Mesmo.
Por Felipe


Os Implacáveis



The Getaway, USA, 1972. DE Sam Peckimpah. COM Steve McQueen, Ali MacGraw. 122 min. Warner. AÇÃO

É interessante como uma simples história de um filme de crime e ação pode muito bem virar uma obra prima do gênero nas mãos de alguém como Peckinpah. O mesmo não aconteceu em 1994, quando Roger Donaldson fez a refilmagem de Os Implacáveis com Alec Baldwin e Kim Basinger. O filme se chamou no Brasil de A Fuga. Uma verdadeira bomba. Na primeira versão, Steve McQueen vive um preso que consegue um acordo com um político corrupto para sair da prisão, mas em troca tem de roubar um banco no Texas e dividir o dinheiro com o tal político. Para isso, conta com a ajuda de sua própria mulher (MacGraw) e dois capangas que Beynon (o político) lhe mandou. Logo se vê envolvido num perigoso jogo de traição onde Peckinpah pode brincar com seu estudo sobre a violência mesclada com os artifícios cinematográficos (camera lenta, edição) que influenciou vários diretores hoje em dia. Mais uma vez, Peckinpah vai contra os costumes (na época era) e inverte o papel mocinho e bandido como em Meu Ódio será Sua Herança e Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia. De acordo com as circunstâncias, somos obrigados a torcer pelo vilão. Mesmo que seja um vilão bonzinho.
Por Ronald

30 de maio de 2006

X-Men - O Confronto Final

X-Men – O Confronto Final

1/2

X-Men: The Last Stand, USA, 2006. DE Brett Ratner. COM Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen, Famke Janssen. 104 min. Fox. AÇÃO.

X-Men – O Confronto Final tinha tudo para ser o grande trunfo da série. Pra “fechar” com chave do Ouro. Digo fechar, mas todos vocês já devem ter lido em algum lugar que é para esperar até o final dos créditos, pois há uma surpresa e blá, blá, blá sobre uma possível continuação. X-Men 3 tem o roteiro mais elaborado da trilogia e todos os diálogos possuem sua importância dentro do entrecho que narra a descoberta da cura que acaba com a mutação. É lógico que Magneto e sua trupe vão criar problemas e cabe aos X-Men’s resolverem a situação. Mas a coisa dessa vez é mais complicada. Há ainda o caso de Jean Gray e a famosa Fênix que todos os fãs de quadrinhos já aguardavam. Mas não esperem nada igual à Saga da Fênix dos quadrinhos. Na verdade não espere nada que você já tenha lido ou assistido. No filme acontecem fatos absurdos e inesperados que muda o totalmente o rumo do filme e até mesmo o destino de muitos personagens.

O que faltou realmente para que X-Men 3 fosse o grande filme da trilogia é a presença de uma pessoa: Brian Singer. O carinho e o tratamento de cada cena, cada enquadramento, cada poder de cada personagem nos dois primeiros filmes são substituídos pelo afoito, a superficialidade e a direção simplória de Brett Retner. Alguns fatos, principalmente nos primeiros 30 min, são mostrados numa velocidade que não dá tempo de acompanhar o sentimento que talvez devesse causar. A não ser que esse fosse o objetivo do diretor. Não causar sentimento. Além disso, alguns diálogos possuem os mesmos problemas, o que torna tudo muito superficial e falso. A sensação é que o diretor fez tudo às pressas e jogou cada personagem com tempos limitados dentro de cena. E com tantos personagens e sub-histórias dentro do filme, não deu pra se apronfundar nem nos personagens, nem na história principal. As intenções eram até muito boas, mas Ratner não soube concretiza-las como Singer faria. Chega de meter pau no filme, X-Men 3 consegue ao final dar uma redimida com boas cenas de ação e efeitos especiais espetaculares. Os personagens de X-Men sempre são agradáveis e com o ótimo roteiro fica fácil gostar do filme. Mas que Brian Singer fez uma falta...

Por Ronald

4 de maio de 2006

16 Quadras e Brødre

16 Quadras



16 Blocks, EUA, 2006. DE Richard Donner. COM Bruce Willis, Mos Def, David Morse. 105 min. Alcon. AÇÃO.

Há muito que eu não ficava motivado em assistir um filme de ação (o ultimo foi Sin City. É, não foi há tanto tempo assim, mas quem não ficou animado pra ver os quadrinho de Miller na telona?). 16 Quadras apareceu de repente em outdoors, é estrelado por Bruce Willis e dirigido por um dos grandes responsáveis por filmes de ação dos anos 80, Richard Donner (Máquina Mortífera), que estava meio sumido e seus últimos filmes, fiascos. Os comentários que surgiam era que o cinema de ação oitentista voltava à tona no filme. Realmente 16 Quadras surpreende no seu inicio, com uma premissa simples, mas interessante. Um policial (Willis) tem o dever de escoltar um preso por 16 quadras até o tribunal para depor. Porém esse preso é uma peça chave de um julgamento e seu testemunho pode acabar com um poderoso esquema de corrupção. Donner consegue segurar a tensão muito bem, dosando com cenas de ação. Bruce Willis faz o papel de um policial velho e manco. Muitos o comparam com Hartigan, personagem de Sin City. Minha opinião é que lembrou mais de Joe Hallenbeck, do filme O Ultimo Boy Scout. Enfim, Willis está excelente com seu personagem e mais acabado do que nunca. Aceitou bem a velhice.
Em determinado momento, o filme se perde e não consegue se achar até o seu final. Vira um filme como outro qualquer e evapora o diferencial que conseguia manter no começo. No lugar da ação, entra uma tentativa de se aprofundar nos personagens, principalmente no de Eddie (Mos Def), o preso escoltado. Um personagem super irritante. E esse aprofundamento é um detalhe que, realmente, Donner não saber fazer. Num piscar de olhos, 16 Quadras passa de um ótimo policial para um filme banal. O final é dos mais simplórios. Mas foi quase. Não deixa de se conferível. Quem sabe da próxima, Sr. Donner?
Por Ronald


Brødre



2004, Dinamarca. DE Susanne Bier. COM Connie Nielsen, Ulrich Thomsen, Nikolaj Lie Kaas. 110 min. Focus. DRAMA.

“Não filmarás em cenários”, “não incluirás trilha sonora”, “não utilizará filtros e efeitos ópticos”, “a obra nunca trará o crédito do diretor”, e blá-blá-blá... Há pouco mais de dez anos, a dupla de dinamarqueses von Trier e Vintemberg lançava o Dogma-95 – espécie de manual de castidade cinematográfico composto por essas quatro regras, além de outras seis. A reedição estética dos dez mandamentos servia para diretores avessos à infantilização do cinema e uma acentuação do quesito verdade em suas fitas. Neste mar de inovações estéticas, a também dinamarquesa Susanne Bier foi uma das convertidas e teve em seu Corações Livres o selo de autenticidade. "Agora", ela retorna com Brødre, que a exemplo do seu longa anterior, não segue ao pé da letra a tal fórmula. Como Corações Livres, Brødre é um meio-drama construído sobre um triângulo: Michael (Thomsen) é um militar enviado a uma missão no Afeganistão, na qual o helicóptero em que ele viaja é abatido e ele é dado como morto. Seu irmão Jannik (Kaas), ex-presidiário e ovelha negra da família, passa a ocupar seu lugar no coração das sobrinhas e da cunhada, Sarah (a bela Conie Nielsen). Até que...

A primeira parte, que culmina no acidente, é filmada com uma boa economia nartrativa, sem descrições chatas e culmina numa bem-sucedida crítica política ao mostrar simplesmente a realidade afegã em paralelo à dinamarquesa. Até aí pareceum filme duro e carregado de desespero, mas nuançado, e as expectativas são as melhores. Já na segunda parte, a diretora investe no que talvez seja sua maiot habilidade - a direção de atores. O resultado, porém, desloca todo o eixo do filme para o psicológico e converte o que até então constituía uma forte parábola moral em um drama psicológico matrimonial bem conduzido, sem dúvida, mas onde as qualidades se dispersam. O tom distanciado e não dramatizado da abertura cede espaço ao uso ostensivo da câmera na mão. O que antes era autêntico, aqui parece nervosismo, o que muitas vezes pode ser confundido com um tique.

Fiéis ou infiéis, o que os filmes de Susanne (e tanto de seus colegas) comprovam é que, se há uma verdade a ser alcançada pelo cinema, esta independe de fórmulas.
Por Felipe

2 de maio de 2006

A Lula e a Baleia e O Plano Perfeito

A Lula e a Baleia



The Squid and the Whale, EUA, 2005. DE Noah Baumbach. COM Jeff Daniels, Laura Linney, Jesse Eisenberg, Owen Kline. 81 min. American Empirical Pictures. DRAMA.



Já li em todos os blogs e sites de criticas que ninguém gostou desse filme. Eu achei A Lula e a Baleia um interessante drama que explora a desintegração de uma família na década de 80. O filme, escrito e dirigido por Noah Baumbach é o resultado das próprias experiências do diretor vividas na adolescência. Porém, o ponto de vista da trama é alternado entre os personagens dos filhos. Jeff Daniels, que vive um escritor e o chefe da família, surpreende com uma excelente e séria (ou cômica) atuação. O elenco é bom em alguns momentos, principalmente Owen Kline, que vive o irmão mais novo. As situações e diálogos (repleto de citações literárias e cinematográficas) são bem escritos evocando um Woody Allen lá longe. Algumas situações lembram Todd Solondz, mas sem o choque temático. A direção é bastante segura e autoral para um estreante, diferenciando dos grandes estúdios, mesmo não conseguindo realismo suficiente para superar a superficialidade de algumas cenas.
Por Ronald


O Plano Perfeito

e 1/2

Inside Man, EUA, 2006. DE Spike Lee. COM Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster, Christopher Plummer, Willem Dafoe, Chiwetel Ejiofor, Kim Director. 129 min. UIP. AÇÃO.

Quando Spike Lee deixou o discurso panfletário, metade de seus fãs entrou em desespero. A outra metade, mais centrada, respirou aliviada. Afinal de contas, a carruagem andou, e mesmo que Faça a Coisa Certa seja absurdamente atual, um pouco de renovação nem faz mal a ninguém. O Spike Lee de O Plano Perfeito Perfeito é o cineasta de mão cheia, perefeito no timing de seus atores, magistral no domínio da cena e inteligente ao transformar um tema batido – o assalto a banco à prova de falhas – em um jogo de poder, em que três vértices exercem pressão igual para ver quem peida primeiro. O policial não-tão-bonzinho é Denzel Washington. Ele assume o pepino de arrancar os reféns de dentro do banco, que estão na mira de Clive Owen, deixando claro, ao nem sequer tocar no dinheiro e nas jóias, sua intenção. A peça final é Foster, “consultora” de extrema influência, convidada pelo dono do banco (Plummer) para retirar um item que não pode cair em mãos insuspeitas. Diverte-se Lee, exercitando o bom cinema, e a gente, que precisa de gente boa comandando o fluxo de pipoca.
Por Felipe