![]() |
| Olhos tristes... *shuinf* |
Quem diria que a temporada dos filmes de verão no hemísfério norte este ano nos presentearia com mais de um filme acima da média, hein?
![]() |
| Olhos tristes... *shuinf* |
![]() |
| Tão olhando o que? |







The Killer, novamente com Chow Yun-Fat, conta a história de um assassino de aluguel (Jefrey Chow, aka Mickey Mouse), frio e sem medo na hora de matar, mas cheio de remorsos por uma vida com rastros de sangue no caminho. Porém, tudo vira de cabeça para baixo quando, por acidente, uma inocente cantora perde a visão, por consequencia de um tiro disparado por Jefrey. Até então, todas as características que nomearam John Woo estão presentes, mas é partir desse momento que o diretor destaca a construção e o desenvolvimento dos personagens no decorrer do filme. Detalhe que eu não havia mencionado anteriormente em Hard Boiled, mas também estava fortemente presente. The Killer, à maneira de John Woo, mostra a construção de uma amizade muito interessante entre o policial que persegue Jefrey, e também o valor da amizade que ele tem com seu contato para realização dos trabalhos. Melosamente, porém de uma forma até mesmo convincente e emocionante as amizades vão se formando. Há também um elo muito interessante formado entre Jefrey e a cantora que perdeu a visão. Jefrey, claro que cheio de remorso, faz de tudo para ajudar a moça que ele mesmo feriu. Quando ela descobre que foi Jefrey quem a feriu, ela não fica apavorada, simplesmente entende a dor de Jefrey e o ajuda em sua jornada.
Antes de se tornar um dos diretores mais respeitados atualmente, David Cronenberg realizou vários filmes de horror de baixo orçamento, com histórias sem qualquer complexidade de seus filmes futuros, mas uma criatividade na direção que mostrava um estilo diferente e único que se destacaria a cada trabalho do diretor canadense. Em Calafrios, um verme parasita transmite uma compulsão sexual nos moradores de um luxuoso edifício isolado numa ilha. Os “infectados” passam a agir como zumbis em busca de sexo frenético. Uma bizarrice só!
"Quem diria que John Woo já soube fazer filmes de ação um dia?" Essa foi a primeira coisa que eu disse quando acabei de assistir a um dos mais conceituados clássicos de John Woo. Hard Boiled ou Fervura Máxima, como é chamado aqui no Brasil, conta a história de um policial "casca grossa", interpretado por Chow Yun Fat, sangue-frio, sem medo nem remorso de matar ou morrer, que durante a tentativa de prisão de um suspeito, acaba perdendo seu parceiro e melhor amigo. Será que daí pra frente dá pra adivinhar o que vai acontecer? Se você disse que ele vai atrás de vingança, você acertou. Mas diferente do ditado "vingança é um prato que se come frio", a vingança nesse filme ferve, ultrapassando o ponto de ebulição, como indica o nome do filme.
Sam Peckinpah passou à história como o "esteta da violência", servindo de pavimento para os Walter Hills e Tarantinos da vida que vieram depois. Ao criar uma linguagem e definir o tom certo para fitas tão dramáticas quanto sanguinárias, o cara corrompeu a nossa inocência, mas, também, ofereceu um viés deveras mais honesto da agressividade humana. Esse western talvez seja a a sua obra quintessencial - é uma história anticonvencional, em que, por força das circunstâncias, acabamos torcendo por uma quadrilha de foras da lei (liderada por um ótimo William Holden) quando esta se torna presa de gente ainda mais amoral e perigosa do que ela. Genial. Mesmo.
É interessante como uma simples história de um filme de crime e ação pode muito bem virar uma obra prima do gênero nas mãos de alguém como Peckinpah. O mesmo não aconteceu em 1994, quando Roger Donaldson fez a refilmagem de Os Implacáveis com Alec Baldwin e Kim Basinger. O filme se chamou no Brasil de A Fuga. Uma verdadeira bomba. Na primeira versão, Steve McQueen vive um preso que consegue um acordo com um político corrupto para sair da prisão, mas em troca tem de roubar um banco no Texas e dividir o dinheiro com o tal político. Para isso, conta com a ajuda de sua própria mulher (MacGraw) e dois capangas que Beynon (o político) lhe mandou. Logo se vê envolvido num perigoso jogo de traição onde Peckinpah pode brincar com seu estudo sobre a violência mesclada com os artifícios cinematográficos (camera lenta, edição) que influenciou vários diretores hoje em dia. Mais uma vez, Peckinpah vai contra os costumes (na época era) e inverte o papel mocinho e bandido como em Meu Ódio será Sua Herança e Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia. De acordo com as circunstâncias, somos obrigados a torcer pelo vilão. Mesmo que seja um vilão bonzinho.
X-Men – O Confronto Final tinha tudo para ser o grande trunfo da série. Pra “fechar” com chave do Ouro. Digo fechar, mas todos vocês já devem ter lido em algum lugar que é para esperar até o final dos créditos, pois há uma surpresa e blá, blá, blá sobre uma possível continuação. X-Men 3 tem o roteiro mais elaborado da trilogia e todos os diálogos possuem sua importância dentro do entrecho que narra a descoberta da cura que acaba com a mutação. É lógico que Magneto e sua trupe vão criar problemas e cabe aos X-Men’s resolverem a situação. Mas a coisa dessa vez é mais complicada. Há ainda o caso de Jean Gray e a famosa Fênix que todos os fãs de quadrinhos já aguardavam. Mas não esperem nada igual à Saga da Fênix dos quadrinhos. Na verdade não espere nada que você já tenha lido ou assistido. No filme acontecem fatos absurdos e inesperados que muda o totalmente o rumo do filme e até mesmo o destino de muitos personagens.
Há muito que eu não ficava motivado em assistir um filme de ação (o ultimo foi Sin City. É, não foi há tanto tempo assim, mas quem não ficou animado pra ver os quadrinho de Miller na telona?). 16 Quadras apareceu de repente em outdoors, é estrelado por Bruce Willis e dirigido por um dos grandes responsáveis por filmes de ação dos anos 80, Richard Donner (Máquina Mortífera), que estava meio sumido e seus últimos filmes, fiascos. Os comentários que surgiam era que o cinema de ação oitentista voltava à tona no filme. Realmente 16 Quadras surpreende no seu inicio, com uma premissa simples, mas interessante. Um policial (Willis) tem o dever de escoltar um preso por 16 quadras até o tribunal para depor. Porém esse preso é uma peça chave de um julgamento e seu testemunho pode acabar com um poderoso esquema de corrupção. Donner consegue segurar a tensão muito bem, dosando com cenas de ação. Bruce Willis faz o papel de um policial velho e manco. Muitos o comparam com Hartigan, personagem de Sin City. Minha opinião é que lembrou mais de Joe Hallenbeck, do filme O Ultimo Boy Scout. Enfim, Willis está excelente com seu personagem e mais acabado do que nunca. Aceitou bem a velhice.
“Não filmarás em cenários”, “não incluirás trilha sonora”, “não utilizará filtros e efeitos ópticos”, “a obra nunca trará o crédito do diretor”, e blá-blá-blá... Há pouco mais de dez anos, a dupla de dinamarqueses von Trier e Vintemberg lançava o Dogma-95 – espécie de manual de castidade cinematográfico composto por essas quatro regras, além de outras seis. A reedição estética dos dez mandamentos servia para diretores avessos à infantilização do cinema e uma acentuação do quesito verdade em suas fitas. Neste mar de inovações estéticas, a também dinamarquesa Susanne Bier foi uma das convertidas e teve em seu Corações Livres o selo de autenticidade. "Agora", ela retorna com Brødre, que a exemplo do seu longa anterior, não segue ao pé da letra a tal fórmula. Como Corações Livres, Brødre é um meio-drama construído sobre um triângulo: Michael (Thomsen) é um militar enviado a uma missão no Afeganistão, na qual o helicóptero em que ele viaja é abatido e ele é dado como morto. Seu irmão Jannik (Kaas), ex-presidiário e ovelha negra da família, passa a ocupar seu lugar no coração das sobrinhas e da cunhada, Sarah (a bela Conie Nielsen). Até que...
Já li em todos os blogs e sites de criticas que ninguém gostou desse filme. Eu achei A Lula e a Baleia um interessante drama que explora a desintegração de uma família na década de 80. O filme, escrito e dirigido por Noah Baumbach é o resultado das próprias experiências do diretor vividas na adolescência. Porém, o ponto de vista da trama é alternado entre os personagens dos filhos. Jeff Daniels, que vive um escritor e o chefe da família, surpreende com uma excelente e séria (ou cômica) atuação. O elenco é bom em alguns momentos, principalmente Owen Kline, que vive o irmão mais novo. As situações e diálogos (repleto de citações literárias e cinematográficas) são bem escritos evocando um Woody Allen lá longe. Algumas situações lembram Todd Solondz, mas sem o choque temático. A direção é bastante segura e autoral para um estreante, diferenciando dos grandes estúdios, mesmo não conseguindo realismo suficiente para superar a superficialidade de algumas cenas.
Quando Spike Lee deixou o discurso panfletário, metade de seus fãs entrou em desespero. A outra metade, mais centrada, respirou aliviada. Afinal de contas, a carruagem andou, e mesmo que Faça a Coisa Certa seja absurdamente atual, um pouco de renovação nem faz mal a ninguém. O Spike Lee de O Plano Perfeito Perfeito é o cineasta de mão cheia, perefeito no timing de seus atores, magistral no domínio da cena e inteligente ao transformar um tema batido – o assalto a banco à prova de falhas – em um jogo de poder, em que três vértices exercem pressão igual para ver quem peida primeiro. O policial não-tão-bonzinho é Denzel Washington. Ele assume o pepino de arrancar os reféns de dentro do banco, que estão na mira de Clive Owen, deixando claro, ao nem sequer tocar no dinheiro e nas jóias, sua intenção. A peça final é Foster, “consultora” de extrema influência, convidada pelo dono do banco (Plummer) para retirar um item que não pode cair em mãos insuspeitas. Diverte-se Lee, exercitando o bom cinema, e a gente, que precisa de gente boa comandando o fluxo de pipoca.