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15 de agosto de 2010

Notas breves: Inception e The Expendables


(A Origem, de Christopher Nolan, 2010)

Inception me deu uma estranha sensação de déjà vu. Não que existam muitas semelhanças entre o filme de Scorsese e Nolan... quer dizer, há o tema ilusão x realidade, de certa forma há o drama conjugal/familiar, e também há Leonardo DiCaprio como protagonista. Mas assim como Shutter IslandInception pensa ser mais esperto que o expectador... No final você acaba percebendo que perdeu quase duas horas e meia da sua vida com toda aquela bobagem. Não que eu não entenda ou não aprecie a insana viagem de Nolan ao maravilhoso mundo dos sonhos.  Mas por que diabos um filme concebido para abalar minha estrutura psicológica me faz sentir, na melhor das hipóteses, indiferente?

 Tudo bem, algumas cenas impressionam, como a já clássica ‘dobra’ da cidade arquitetada pelo personagem de Ellen Page, e a incrível cena de luta em gravidade zero. E há certo prazer, pelo menos na primeira hora de projeção, onde tentamos acompanhar o joguete entre ilusão e realidade e da miríade de regras para manipulação dos sonhos. Mas depois da primeira hora e meia tudo parece muito barulho por nada.

Inception é tão ousado, mas tão ousado que perde um tempo precioso explicando o quão corajoso e ousado ele é (com sua ingenuidade estrutural quase tão impressionante quanto a qualidade técnica). Infelizmente em termos humanos é quase nulo, e muito diferente dos sonhos mais bacanudos, esse não fica na lembrança.

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(Os Mercenários, Sylvester Stallone, 2010)

Nem sei o que dizer... The Expendables é tudo o que eu esperava e mais! É sem dúvida a grande sacada de Sly Stallone, e uma ode ao cinema de ação dos anos 80: mudo, barulhento e explosivo! É trinitrotolueno purinho, minha gente!

A fita é um mash-up com as grandes estrelas dos filmes de ação (levaria menos tempo pra dizer quem não está no elenco do que o contrário)! E o enredo não poderia ser mais old-school: alguns bandidos canastrões e os caras legais que estão atrás desses bandidos em algum lugar do terceiro mundo.  Perseguições insanas, explosões literais, armas de fogo (de todos os estilos e calibres), facas bem grandes, aviões, caminhões, Harley Davidson’s e sangue -- muito sangue. É Tarantino, só que sem a costumeira ironia.

As explosões, o caos e os crânios esmagados preenchem com maestria as lacunas do roteiro. Sly, que escreve e dirige essa divertida e empolgante confusão muscular, sabe muito bem como filmar cada sequência de forma visceral, sem dar muita atenção a continuidade ou ao desenvolvimento de seus personagens (o único com um background raso aqui é o personagem vivido pelo inglês Jason Statham).

The Expendables é a retomada de fôlego do cinema de ação; é uma mistura maravilhosa de entretenimento visceral que nos oferece o top do cinema truculento! Um filme feito para se lembrar dos dias de glória dos blockbusters de ação. É Sly Stallone arrebentando as pregas, descobrindo um novo jeito de ensurdecer uma nova geração tão desacostumada a essa overdose de testosterona nas telas de cinema! ;D

24 de fevereiro de 2008

Rambo 4

Rambo 4 (2008), de Silvester Stallone: O que mais surpreende em Rambo 4 é como Stallone realizou, em pleno século XXI um filme da década de 80. Uma ode à nostalgia e ao autêntico cinema de ação. O filme é bem seco e direto com uma trama superficial e alguns diálogos piegas. Mas quando a ação acontece, vale o filme todo. A violência é extrema e Stallone tem muita noção de onde coloca sua câmera e de como movimentá-la. Trabalho de um verdadeiro mestre de ação. O diretor parece um pouco perdido na tentativa de humanizar o personagem tornando-o uma variação de Rocky na selva. Ainda assim é um deleite para os fãs ver o personagem de volta às telas. Já as mocinhas, vão achar tudo muito violento, uma falta de respeito contra a vida humana. O filme mostra explicitamente atrocidades, decapitações, estupro, crianças morrendo, membros decepados aos montes, um verdadeiro Canibal Holocausto do cinema de ação. Só faltou o Stallone arrancar um pedaço de carne e enfiar na boca.

15 de fevereiro de 2007

Rocky Balboa


Rocky Balboa



EUA, 2006. DE Sylvester Stallone. COM Sylvester Stallone, Burt Young, Milo Ventimiglia. 102 min. FOX. DRAMA.

Engraçado... Mas no início da década de noventa (em 90, pra ser mais exato), quando Stallone lançou o seu fatídico Rocky V, sua carreira não estava lá essas coisas. O que o astro de Rambo fora para o cinema era nada mais que lembrança, o ator estava num período não muito bom e nada confortável - seus filmes não faziam o mesmo sucesso de antes, e depois do fracasso de Rocky V, o cara, inevitavelmente, foi tocar o fundo do poço com participações fracas em filmes mais fracos ainda. Desde então, Stallone conseguiu algo que se assemelhava a seus antigos arrasa-quarteirões (Risco Total, de 93) e um único filme de verdade (Cop Land, de 97). A coisa ficou tão preta, mas tão preta, que o astro parecia fadado a terminar sua carreira com fitas lançadas diretamente em vídeo (vide o horrível Steven Seagal e o não menos horrível Van Damme). Até Rocky Balboa tomar forma.

O que foi motivo de piada pra muita gente, acabou se tornando um de seus maiores triunfos. Acho que porque Rocky Balboa é o filme certo, no lugar certo, na hora certa, e que, como o seu primogênito - vencedor do Oscar de melhor filme em 76 -, reflete a vida do protagonista. Agora Rocky é um velho que vive do que fora os seus dias de glória e da sua esposa, Adrian (ou Adriaaaannnnnnn!, se preferirem), que está morta. Até que surge a ele a chance de novamente lutar, e desta vez contra o atual campeão.

Ao contrário dos três derradeiros episódios da franquia, Rocky Balboa não é sobre uma luta - é sobre um homem que luta para não cair no esquecimento enquanto chega ao fim da linha. É sobre Sly Stallone. É sobre Rocky Balboa.

por felipe