Mostrando postagens com marcador suspense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador suspense. Mostrar todas as postagens

2 de julho de 2006

O Pássaro das Plumas de Cristal

O Pássaro das Plumas de Cristal



Uccello dalle piume di cristallo, L', ITA, 1970. DE Dario Argento. COM Tony Musante, Suzy Kendall, Enrico Maria Salerno. 98 min. CCC. SUSPENSE.

Filme de estréia da carreira do diretor Dário Argento e a primeira parte de uma trilogia onde sempre há um nome de animal no título. Os outros são O Gato de Nove Caudas (71) e Quatro Moscas no Veludo Cinza (71). Repleto de citações a Hitchcock, O Pássaro das Plumas de Cristal conta a história do escritor americano que acaba sendo testemunha ocular de um assassinato de uma mulher por uma pessoa misteriosa. Como a policia não ajuda muito no caso, os crimes vão acontecendo um atrás do outro enquanto o escritor tenta investigar o crime por conta própria.

Dario Argento foi um dos idealizadores do subgênero chamado Giallo, filmes que traziam como tema assassinatos sinistros, de preferência de mulheres indefesas e assassinos implacáveis com luvas pretas. Todos esses elementos compõem perfeitamente a trama de O Pássaro das Plumas de Cristal e ajudam a desenvolver o estilo único de Argento, que acabou influenciando diretores de todo mundo nos anos 80.

Antes desse filme, Argento já havia trabalhado como roteirista no maravilhoso Era uma Vez no Oeste (68), de Sérgio Leone. Com isso, conheceu grandes figuras que deram suas contribuições artísticas ao filme, como genial diretor de fotografia Vittorio Storaro e o maior maestro do cinema, Ennio Morricone. Enfim, apesar das imperfeições e do final insatisfatório, O Pássaro das Plumas de Cristal não é mais um filme qualquer de suspense dos anos setenta, é um verdadeiro clássico do gênero.
Por Ronald

16 de junho de 2006

Non Si Sevizia a Paperino

Non si Sevizia un Paperino



ITA, 1972. DE Lucio Fulci. COM Florinda Bolkan, Barbara Bouchet, Tomas Milian. 102 min. Medusa. SUSPENSE.

Ainda não me familiarizei com os filmes do italiano Lucio Fulci. Porém, dos dois filmes que eu vi, deu pra perceber um estilo pessoal mesmo em diferentes gêneros. Os Quatro Cavaleiros do apocalipse (75) é o western mais bizarro que existe e este Non si Sevizia un Paperino é um suspense que comprova totalmente porque Fulci é tão respeitado entre os cinéfilos que conhecem sua obra.
Em um vilarejo italiano, estranhos assassinatos de crianças aterrorizam a pequena população. O que leva um considerável número de policiais e a imprensa para o local. Várias pessoas são suspeitas pelos assassinatos, mas Fulci consegue criar a duvida e o suspense até o final antológico com uma atmosfera densa e uma direção inovadora ao estilo dos filmes italianos dos anos 70.
O filme conta com a participação da brasileira Florinda Bulcao (ou Bolkan), que fez bastante sucesso na Itália nesse período trabalhando com diretores importantes como Elio Petri, Vittorio de Sica, Luchino Visconti, Damiano Damiani, entre outros. É com ela que Fulci cria uma das cenas mais impressionantes do filme, digna de um verdadeiro mestre do horror italiano.
Por Ronald

12 de abril de 2006

À Queima Roupa, No Tempo das Diligencias e Tróia



À Queima Roupa (John Boorman, 1967)



Pouca gente da minha geração viu esse ótimo exemplo de como se faz um filme de suspense policial. À Queima Roupa é o filme do qual O Troco, com Mel Gibson, foi baseado. Lee Marvin faz o papel de um homem traído por seu amigo enquanto aplicava um golpe. Com sede de vingança, vai atrás da sua parte do golpe. Lee Marvin está excelente utilizando suas fortes expressões sem exagerar, nem perder a qualidade dramática. Anos luz a frente de Mel Gibson. Quem viu O Troco, não espere aqui cenas de ação. À Queima Roupa é um primoroso suspense psicológico. Com uma belíssima direção de arte e uma estrutura narrativa totalmente de vanguarda para a época. O filme impressiona, principalmente pelo seu final. Simples, seco e inesperado dando uma sensação de que tudo foi em vão.

No Tempo das Diligencias (John Ford, 1939)

1/2

Um grupo de marginalizados de uma pequena cidade do Oeste foge da cidade que os rejeitou. É o ponto de partida para que John Ford realizasse um dos grandes filmes de sua carreira e uma das maiores perseguições do Western e, por que não, do cinema?
Todas as personas que viriam habitar os filmes de Western foram sintetizadas e colocadas dentro da diligencia. Uma prostituta, o médico bêbado, um banqueiro, um jogador de cartas, o xerife, o cocheiro e é claro, o pistoleiro valentão interpretado por John Wayne. O filme é um verdadeiro marco dos filmes de Bang Bang.

Tróia (Wolfgang Pettersen, 2003)



Parei pra ver esse filme há algumas semanas (um pouco atrasado) apenas pra relaxar um pouco e ver as batalhas. E disso Tróia pode se orgulhar. As cenas de luta são muito bem feitas e violentas até certo ponto. Claro que a irregularidade do filme prejudica demais o todo. Nenhum ator consegue salvar o filme, nem mesmo o grande Peter O’Toole como rei de Tróia. Um filme esquecível. Na verdade, já estava. Nem sei pra que falar sobre ele de novo...
Por Ronald

21 de março de 2006

Barton Fink - Delírios de Hollywood

Barton Fink - Delírios de Hollywood

1/2

Barton Fink, EUA, 1991. DE Joel e Ethan Coen. COM John Turturro, John Goodman, Judy Davis, Steve Buscemi. 116 min. Working Title Films. DRAMA/SUSPENSE.

A obra prima dos irmãos Coen é Barton Fink (91), um clássico moderno sobre o submundo dos filmes B de Hollywood na década de 40. Numa de suas melhores atuações, John Turturro é o personagem título, Barton Fink, o dramaturgo mais elogiado pela crítica e pelo publico da Broadway. Ao receber o convite de uma produtora, ele parte pra Hollywood para fazer um roteiro de um filme B sobre luta livre. A falta de inspiração é um dos grandes problemas que Fink começa a sofrer ao sentar em frente a sua máquina de escrever, além de acontecimentos bizarros que se iniciam envolvendo um assassinato, um calor infernal e um estranho vizinho.

A maior virtude dos irmãos Coen é a construção dos personagens. Cada um é criado com tantas características que bastam colocar atores talentosos para dar tom perfeito, como John Goodman, Judy Davis, Tony Shalhoub e Steve Buscemi. Além de John Turturro que ganhou o prêmio de melhor ator no festival de Cannes com a sua interpretação.

Barton Fink surgiu na mente dos irmãos justamente quando os dois passavam por uma crise de criatividade ao escreverem o filme de gangster O Ajuste Final (90). Mas inspiração é que não faltou ao dirigir Barton Fink. Uma direção segura e simples deu a Joel Coen o premio de melhor diretor em Cannes. O filme também tem uma direção de arte impecável que passa uma sensação escatológica e nauseante dos cenários escuros e misteriosos. O filme ainda ganhou a Palma de Ouro em Cannes, sendo o único, até então, a receber os prêmios de melhor filme, diretor e ator.

Barton fink é um dos melhores filmes produzidos nos Estados Unidos nas ultimas décadas comprovando o talento dos jovens diretores e roteiristas que realizaram ainda algumas obras primas como Na Roda da Fortuna, Fargo e O Homem que Não Estava Lá, mas nenhum com a qualidade fílmica que obteve Barton Fink.
Por Ronald Perrone

9 de março de 2006

Os Pássaros e Match Point

Carnaval supimpa. Surpresas no Oscar. Correria (bem, essa é costumeira). Sejam bem-vindos à 2006!

felipe, editor especial cine art


---


Os Pássaros



The Birds, USA, 1963. DE Alfred Hitchcock. COM Tippi Hedren, Rod Taylor, Jessica Tandy, Veronica Cartwrigh. 119 min. Universal. SUSPENSE.

Como uma história tão absurda como a do filme Os Pássaros, pode ser tão importante para o processo cinematográfico e ainda, para a história do cinema?

Numa pequena cidade, Bodega Bay, ao norte de São Francisco, pássaros de várias espécies declaram guerra à humanidade. E como pano de fundo, uma historinha de amor entre dois personagens em meio a toda situação.

Porém, não é nessa história que está a atenção principal. É o que está por trás dela, nos detalhes técnicos e nas imagens puras e simples. As situações fenomenológicas acontecem, e pronto. Isso é o cinema. Isso é Hitchcock em busca do seu processo próprio, sem influências.

Os Pássaros é um espetáculo sem limites a cada plano. Sem a utilização de qualquer trilha sonora durante toda a projeção, Hitchcock cria um ambiente realista, com personagens definidos em meio a uma situação absurda, porem, sem divagar metafisicamente nem arranjar explicações. Os pássaros são pássaros e só. Hitchcock posiciona sua câmera em lugares fora do comum e a cada take é uma revelação que cria cenas antológicas como:

a) O ataque dos pássaros após a explosão do posto de gasolina. Brilhantemente conduzida por Hitchcock, que inicia a cena num incrível panorama subjetivo dos próprios pássaros. b) O ataque brutal dos pássaros em Tippy Hayden no sótão. c) O magnífico e inesperado final apocalíptico no silencio das aves.

Os Pássaros é um desses filmes que estão na linha de frente na filmografia de Alfred Hitchcock como Janela Indiscreta, Um Corpo que Cai, Rope e Psicose. Um clássico absoluto do mestre do suspense.
Por Ronald Perrone


Match Point

e 1/2

Inglaterra/Luxemburgo, 2005. DE Woody Allen. COM Jonathan Rhys-Meyers, Scarlet Johansson, Emilly Mortimer, Brian Cox, Mathew Goode. 124 min. Playarte. DRAMA.

Nada como uma mudança de ares. Woody Allen, ao deixar Nova York, seu cenário preferido, também abandonou a inércia que pareceu tomar conta de seus últimos filmes – apesar de Melinda e Melinda ter faíscas do velho diretor. Em Londres, Allen se vestiu de Alfred Hitchcock para compor um grande thriller sobre desejo, ambição, acaso e discrepância cultural – todos os ingredientes que o cinema britânico ama e constrói com perfeição.

Não seria incorreto afirmar que Match Point é um filme anti-Wood Allen: por mais que já tenha usado de narrativas de suspense em seus trabalhos (Tiros na Brodway sendo o mais notável, que eu me lembre) o diretor agora se despe de longos diálogos sobre relacionamentos para testemunhar as (in)conseqüências de uma paixão arrebatadora e proibida. Para conseguir isso, abusou da sua técnica limpa (a direção é tão leve que até parece fácil) e de um elenco perfeito.

Rhys-Myers é Chris, um tenista que nunca alcançou o topo e decide ensinar o esporte num clube de ricaços londrinos. Lá conhece Tom (Goode) e sua irmã (Mortimer, ótima), com quem se casa, sem nunca ficar muito claro a importância da situação financeira no meio. Formando o quadrilátero amoroso, Scarlett Johansson (deliciosa como sempre) é a noiva de Tom, uma candidata a atriz que atrai as atenções de Chris.

Match Point segue, a partir daí, um passo cômodo e sempre inesperado até culminar num final que somente poderia sair da mente do Allen engraçado e trágico que aprendemos a admirar.
Por Felipe Mappa

20 de fevereiro de 2006

Capote, Sob o Domínio do Medo e Sam Peckinpah



Hoje seria a vez do rei da violência no cinema, Sam Peckinpah, completar 81 anos de vida, mas infelizmente, o rapaz partiu dessa para uma melhor (ou pior) em 1984. E como hoje é dia de crítica, e nóis num somo besta nem nada, segue abaixo a resenha de um dos seus melhores filmes, junto de um indicado ao Oscar.



---


Capote

e 1/2

EUA, 2005. DE Bennett Miller. COM Philip Seymour Hoffman, Catharine Keener, Clifton Collins Jr., Chris Cooper, Bruce Greenwood. 98 min. Columbia DRAMA

Meses antes de Capote estrear nos Estados Unidos, o burburinho era alto como num buteco carioca em plena sexta-feira de verão. Alto. Bastante alto. Críticos especiais, convidados por pessoas mais especiais ainda, pregavam a palavra de ordem em relação à obrigatória indicação de Philip Seymour Hoffman ao Oscar. Quando o longa finalmente estreou, não houve quem dissesse o contrário. Tirando algumas raras associações de resenhistas, Hoffman e seu retrato intenso do escritor Truman Capote eram cartas certas nos baralhos das premiações.

Assisti à trama no conforto do meu lar, e devo dizer: o estreante Bennett Miller soube focar bem a trama do filme e capturar todas as facetas polêmicas e geniais de seu retratado. E isso se deve ao fato de Capote não ser a biografia completa do autor, mas a captura dele duraente a realização e pesquisa de À Sangue Frio, livro que cimentou o conceito de literatura jornalística nos Estados Unidos.

A fita não é hermética como se esperava. Quem nunca leu a obra de Capote pode digerir com facilidade a história do escritor que sai de Nova York para uma pequena cidade do Kansas para investigar a morte de toda uma família de classe mpedia alta – sempre acompanhado de Harper Lee (Keener), antes da fama de To Kill a Mockingbird. Na verdade, a investigação não é sobre quem foram os culpados (dois jovens capturados poucas horas depois), e sim acerca de quem eram os culpados e suas vítimas. Nessa caminhada, conhecemos um pouco sobre Truman, que se vê em um dos assassinos (“É como se tivéssemos crescido na mesma casa. E um dia ele saiu pela porta dos fundos e eu saí pela frente.”) e sua pesquisa se torna cada vez mais complexa e aparentementem pessoal. Há flashes do escritor meticuloso, do sujeito arrogante, do investigador objetivo, do homosexual histérico e do palestrante cativante. Não é qualquer ator que conseguiria capturar tamanhos extremos. Mas Philip Seymour Hoffman não é um ator qualquer. Nem Capote diria o contrário.
Por Felipe Mappa


Sob o Domínio do Medo



Straw Dogs, EUA/ING, 191. DE Sam Peckinpah. COM Dustin Hoffman, Susan George, Peter Vaughan. 118 min. Europa SUSPENSE

A incursão de Sam Peckinpah ao território do suspense, gerou um dos filmes mais sufocantes e surpreendentes do gênero. O roteiro enxuto de David Zelag Goodman e do próprio Peckinpah (baseado em um livro de Gordon Williams), constitui de uma estrutura narrativa lenta, mostrando a convivência do casal David e Amy. Dustin Hoffman, que vive David, é um matemático americano que resolve se mudar para a Inglaterra com sua esposa (Amy, Susan George), que é inglesa. Nesse novo local, uma casa de fazenda aparentemente tranqüila, David pretende escrever um livro e resolve reformar a garagem da casa. Logo no início, somos apresentados a alguns personagens e descobrimos até a existência de um sujeito que foi namorado de Amy no passado. Tomamos conhecimento também, de uma história secular (porem de grande importância para o entrecho) de um deficiente mental que se envolve com uma garota cujo pai jurou de morte o pobre idiota se ele se aproximasse dela.

Para trabalhar na reforma da sua garagem, David contrata um bando de preguiçosos que passam a invadir a privacidade do casal. Entre eles, ninguém menos que o ex-namorado de Amy. A situação sai totalmente de controle quando o bando consegue convencer David a sair de casa e os vagabundos têm total liberdade para entrar na casa e se aproveitar de Amy. A convivência do casal torna-se difícil (apesar da ignorância de David, pois Amy não conta o ocorrido). A incomunicabilidade é constante de ambos os lados. David cada vez mais se dedica somente ao seu trabalho e Amy acaba ficando de lado. Tudo isso é mostrado com muita calma pelas câmeras de Peckinpah, preparando o terreno para o que está por vir. Para que o choque seja maior.

Durante uma festa na igreja da cidade, o idiota deficiente mental sai com a garota proibida pelo pai. Essa sua aventura é o motivo que cria tragédias atrás de tragédias. Ao saber que o pai da garota o está procurando, o pobre idiota (só consigo chamá-lo assim) foge e acaba atropelado por David. Este o leva para casa e quando se dá conta, está totalmente cercado pelo pai e todo aquele bando de vagabundos (inclusive os homens que estupraram sua esposa) querendo que lhe entregue o idiota. David, sua mulher, e o idiota atropelado ficam sozinhos confinados em sua fazenda pelo cerco de mal feitores sedentos de sangue.

Deste ponto em diante, o filme se resume em uma só palavra: tensão. Peckinpah cria uma atmosfera claustrofóbica enquanto Dustin Hoffman defende sua casa com todos os recursos que possui contra a invasão. Esqueçam a lentidão narrativa do filme. Peckinpah, numa elogiável direção, impressiona o público com a violência sangrenta e selvagem bem ao estilo que ele próprio criou. Claro que o filme foi proibido durante muitos anos pelo governo britânico, porque é, indiscutivelmente, a obra mais forte e densa de Sam Peckinpah. Uma belezura!
Por Ronald Perrone

16 de fevereiro de 2006

Boa Noite e Boa Sorte e Wolf Creek

Boa Noite, e Boa Sorte



Good Night, and Good Luck, EUA, 2005. DE George Clooney. COM David Strathairn, Robert Downey Jr., Patricia Clarkson, Jeff Daniels, George Clooney, . 93 min. Warner. DRAMA.

George Clooney é o queridinho do momento em Hollywood. Boa pinta, um ator competente e agora, um bom diretor e roteirista. Na verdade, eu prefiro Clooney atrás das câmeras do que à frente delas. Em Boa Noite, Boa Sorte, Clooney explora os bastidores do programa See it Now da CBS na época que o Senador MacCarthy enxergava comunistas para todos os lados realizando a famosa “caça às bruxas”, o que ficou conhecido como Marcathismo.

Apesar do resgate histórico e até mesmo importante, Clooney realiza um filme que já não nos interessa. Principalmente para nós, brasileiros, no qual, quase ninguém ouviu falar de Edward R. Murrow (David Strathairn). As situações vividas pelo personagem real acabam sendo mais ousadas que o próprio filme, ou seja, eu não diria que Clooney criou um filme ousado ou algo desse tipo. Se o filme fosse feito na época, teria mais impacto, mas chega, eu já estou divagando. Se uma análise mais profunda for praticada, é possível que se note um tom de crítica do jornalismo atual, a censura e pererê pererê, nada que esteja muito exposto.

Além disso, Clooney não consegue explorar com profundidade seus personagens. Nem mesmo o protagonista, limitande-se em apenas ser direto e objetivo. Há uma tentativa de um melodrama (não sou nada contra) com os personagens de Robert Downey Jr. e Patricia Clarkson, mas nada que atrapalhe o andamento da trama principal, o famoso nem fede nem cheira.

Boa Noite, Boa Sorte é o segundo filme que Gorge Clooney cai nas graças da direção (o primeiro foi Confissões de uma Mente Perigosa). Ambientado praticamente todo no estúdio da CBS, a câmera de Clooney flutua nos corredores e salas focalizando seus atores com um controle totalmente seguro. A belíssima fotografia é capaz de espantar um pouco a bilheteria no Brasil, já que a maioria dos brasileiros não assiste a filmes P&B. Porém é um ótimo artifício para recriar a época.

O ator David Strathairn, que foi indicado ao Oscar, está muito bem e seguro no papel principal, mas o personagem não exige muitas interpretações (exige muito cigarro). Até mesmo nas cenas em que ele apresenta o programa (Talvez o personagem real também não tivesse muita expressão facial). Clooney, que também faz um personagem no filme, fica neutro, apesar de aparecer em muitas cenas, deixando brilhar a estrela de David Strathairn.

Mas uma das grandes vantagens de Boa Noite, Boa Sorte é a duração. Nas mãos de um Oliver Stone, o filme teria umas 5 horas. Clooney o fez com duração de 1h e 30m. O filme consegue ser bom, pois, já que o tema, que não é tão impactante e interessante para os nossos dias, não dá tempo de ficar chato.
Por Ronald Perrone


Wof Creek



EUA, 2005. DE Greg McLean. COM Peter, John Jarratt, Cassandra Magrath. 99 min. Imagem. SUSPENSE.

Depois dos burburinhos causados em Sundance, do arrombo em Cannes e dos elogios da crítica, pude finalmente ter as minhas expectativas superadas. E nem é pelos dedos decepados, ou pelos sons de ossos massacrados, ou ainda imagens de pulsos pregados: Wolf Creek é um thriller do balaco porque trava um jogo psicológico tão poderoso com o espectador que... não tem como terminar a sessão sem a respiração ofegante.

A fita, baseada no assassinato de mochileiros e no caso Falconio, causou polêmica na terra dos cangurus por conta do dito sadismo em explorar o sofrimento de vítimas reais do seqüelado Ivan Milan (assassino que inspirou o personagem Mick Taylor).

Ok, agora me diga se tudo isso não é ingrediente de sobra prum puta filme de terror?

Ao contrário dos slashers atuais que dominam o cinema, o assasino dá a sua cara a tapa. Sua identidade pouco importa. Além dele, mais três amigos formam o elenco principal. Junte isso ao deserto australiano (onde a imensidão não se rende a abrigos, que não por acaso, é a primeira coisa que procuramos quando nos sentimos ameaçados). McLean constrói a trama em favor dos personagens: nos apresenta, torna-nos íntimos, cria afeição. E quando eles passam a ser tordurados é que a coisa fica feia - o espectador sente na pele.

Wolf Creek é um filme indie, de baixo orçamento e pequeno - tanto em escala quanto em duração. A fotografia inebriantemente preciosa de Brandon Trost captura a verdadeira essência do deserto australiano - de sua beleza inóspita ao isolamento cruel e assustador.

Mas o grande segredo desta produção australiana está mesmo na primeira parte - até quase metade do filme, o que você vê são três jovens com o pé na estrada, se divertindo num clima de aventura ingênua. Depois de horas de viagem, passam a manhã numa cratera, a Wolf Creek, e acabam no escuro, com a bateria do carro arriada, os eletrônicos pifados e sem nenhum sinal de vida humana em raios de quilômetros. É justamente neste momento que aparece um cara simpático à Crocodilo Dundee, e que, claro, promete ajuda. A partir daí o tom inocente é castrado por uma faca afiada e a tela tomada por seqüências pra lá de pustulentas. É a necessidade da sobrevivência, é o terror real e próximo à nossa realidade - o que sobra é nada menos que o medo, medo de gente. Eis aí o mais puro estado de aflição instaurado.
Por Felipe Mappa