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19 de julho de 2007

Comédia do Poder

A comédia do Poder



L'Ivresse du pouvoir, França/Alemanha, 2006. DE claude Chabrol. COM Isabelle Huppert, François Berléand, Thomas Chabrol. 110 min. DRAMA.

O cinema de Chabrol é o do comportamento. Basta observar o modo de agir de alguns personagens secundários em A Comédia do Poder e facilmente nota-se os pequenos detalhes que compoem uma estética diferenciada que só mesmo um veterano da Nouvelle Vague poderia se preocupar em proporcionar, não só aqui, mas também em seus ultimos trabalhos. Mesmo com um tema aparentemente mais importante, o famoso escândalo político ocorrido na França em meados anos 90, conhecido como ELF, que é o trampolim narrativo, mas é na construção dos personagens, a linguagem corporal de cada um em quadro e nos bastidores da trama que se concentram as preocupações de Chabrol, que ainda aporveita para lançar um olhar cínico sobre a burguesia francesa. Isabelle Hupet está maravilhosamente ácida no papel da juiza que impõe-se no jogo da disputa de poder, cujas cenas são verdadeiras revelações de direção repleta de detalhes que tornam o cinema de Chabol obrigatório.

por ronald
ao som de smokers outside the hospital doors, editors

10 de junho de 2007

A Beta deve Morrer

A Besta Deve Morrer



Que la bête meure, França, 1969. DE Claude Chabrol. COM Michel Duchaussoy, Caroline Cellier, Jean Yanne. 110 min. DRAMA.

A grosso modo, A Besta Deve Morrer é um filme que trata do tema vingança. Mas conhecendo seu diretor, sabe-se que algo diferente vem à tona, pois o tema fora desgastado em todas as formas de arte possíveis. A película é tratada de maneira mais sensível, sem apelar, em momento algum, para o melodrama, mesmo com o trágico acontecimento logo no início do filme. Chabrol utiliza o motivo “vingança” para se aprofundar na mente de seu personagem e fazer um bizarro estudo do comportamento humano diante da situação da morte. A morte na família, o planejamento de uma morte, sob diversos pontos de vista. O filme se estrutura em forçar suposições e espectativas na cabeça do espectador. Mas Chabrol consegue sair de todos os clichês possíveis intensificando o suspense ao mesmo tempo em que foge do gênero. A personificação do mal é muito bem criada no personagem de Jean Yanne, o que ajuda ainda mais a aceitar o crime planejado pelo protagonista. A Besta Deve Morrer é de difícil acesso no Brasil. Mas como na era da internet, tudo é possível, ou quase tudo, não há desculpa para não ver a filmografia de alguns diretores. Chabrol é obrigatório.

por ronald
ao som de as above so below, klaxon


Factotum - Sem Destino



Noruega/EUA/Alemanha, 2005. DE Bent Hamer. COM Matt Dillon, Lily Taylor, Marisa Tomei, Grace Stevens. 94 min. Califórnia. DRAMA.

Pra quem conheçe o mundo literário do poeta, contista e novelista Charles Bukowski, se torna complicado a cada frame acreditar em Factotum - Sem destino, do diretor norueguês Bent Hamer, baseado no romance homônimo do escritor e em vários de seus contos. Em minha singela opinião, a dita dificuldade começa com a escolha de Matt Dillon para viver Henry Chinaski - o deprimente alter ego do autor -, um homem que vive de emprego medíocre em emprego medíocre, de bebedeira em bebedeira, de jogos de azar em jogos de azar e de mulher em mulher. Chinaski não tem nada: endereço, laços e sequer renda. Só o desejo de se tornar escritor. É um obcecado sem paixão, derrotista e derrotado. Nada a ver com Dillon e seu visual milimetrica e estudadamente desarrumado. Até a porra dos cenários por onde passa o personagem não combinam com o universo bukowskiano da boca do lixo, dos perdedores, das prostitutas e de uma vida desregrada...! E digo que não se trata da busca de verossimilhança. Mas de uma verdade que emana dos textos e não combina com nada do que emana da tela.

por felipe
ao som de isabel, brakes

8 de junho de 2007

Um Assunto de Mulheres

Um assunto de Mulheres



Une affaire de femmes, França, 1988. DE Claude Chabrol. COM Isabelle Huppert, François Cluzet, Nils Tavernier. 108 min. DRAMA.

A mais interessante percepção absorvida em Um Assunto de Mulheres é a forma como Claude Chabrol negligencia todas as formas possíveis de manipulação dramática perante o publico. Outro ponto a destacar é a própria direção do cineasta que abre mão dos seus planos elaborados, influenciados por Hitchcock, limitando em filmar o necessário, com simplicidade, sem sobressaltos, dificultando mais ainda a empatia com os personagens. No caso, Marie, vivida por Isabelle Hupert, que em plena segunda guerra mundial empreende-se em uma profissão ilícita e clandestina. Dificilmente o público se identifica com a protagonista, e esse nem é o objetivo de Chabrol. Apesar disso, sua personagem é completa, e nela se estrutura o filme, graças ao belo trabalho de interpretação de Hupert. Marie sonha em ser cantora, tem dois filhos, procura ser uma mãe dedicada e trabalha sempre em prol dos seu sonho, mesmo que esse trabalho tenha um certo risco. Além disso perde gradativamente seu amor pelo marido que luta na guerra e quando retorna, se afasta de vez. Recentemente, O Segredo de Vera Drake, do inglês Mike Leigh, levantou um tema similar em alguns pontos da narrativa com este aqui, porém com uma personagem que é totalmente o oposto de Marie. Os espectadores têm repulsa de Marie, julgam errado o que ela faz, ao contrário da boa e ingênua Vera, na qual o publico cai no maquineismo de Leigh. Chabrol já era um diretor maduro quando fez Um Assunto de Mulheres e não se importava de criar uma protagonista maldita. O final frio, quase indiferente, não choca, mas pesa no consciente, faz o publico querer voltar atrás nos julgamentos. Tarde demais. Chabrol encerra de forma direta e rápida. Uma experiencia hermética, até para os conhecedores de sua obra.

por ronald
ao som de automatic stop, strokes

23 de maio de 2006

Template Novo e A Dama de Honra

Nada como mudar. E, nós, mas uma vez, seguindo a lei da irregularidade, mudamos o nosso template. O logo ainda não é o definitivo - teremos de escolher em uma pequena lista de logos bacanas qual deles ocupará o cargo oficial, para dar de vez uma nova cara ao blogue. Mas como eu já havia terminado o trabalho, e estava ansioso pra ver a pocilga de roupa nova, eis! Espero que gostem, e nos ajudem! (;

felipe, editor cineart



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A Dama de Honra



La Demoiselle d'honneur, FRA/ALE/ITA , 2004. DE Claude Chabrol. COM Benoît Magimel, Laura Smet, Aurore Clément. 111 min. Alicéléo. DRAMA

A dama de Honra é o segundo filme do Chabrol que eu assisto e é também seu filme mais novo, para os desinformados. O filme é um estudo do comportamento humano diante de relações e situações inusitadas. Cada personagem age de forma diferente às mesmas situações, mas o foco principal é no personagem Phillippe (Benoit Magimel). Além disso, Chabrol faz uma brincadeira de gêneros, o que parece ser uma constante em sua filmografia. É criada toda uma atmosfera de suspense, mistério, crime com o objetivo de envolver o publico ao mesmo tempo em que lança elementos e impressões de uma crônica sobre o amor. Chabrol é um desses idosos diretores da velha guarda que ainda estão em atividade como Alain Resnais, Eric Rohmer, Manoel de Oliveira e Jean Luc Godard. Porém, diferente desse ultimo (não desmerecendo a atual fase de Godard, o poblema é que é muito inferior aos seus filmes dos anos 60), os filmes de Chabrol parecem ainda possuir um certo vigor cinematográfico e A Dama de Honra é a prova disso. Um dos melhores lançados este ano.
Por Ronald