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26 de janeiro de 2011

Oscar 2011



Faz muito tempo que não comento sobre a cerimônia do Oscar -- na verdade, nunca tive muito saco para fazê-lo. Não assisti a todos os filmes indicados, muito embora todos já estejam me esperando. Decidi ater-me aos indicados das principais categorias (atores, filmes e direção) e não às faltas. Quando começamos a analisar o que deveria ter sido indicado e não foi, o post normalmente fica enorme demais e rabugento demais. Entonces...

Sem muitas novidades (como todo o ano), o realmente ótimo The King's Speech' (o Discurso do Rei), como no Bafta e no Golden Globe, lidera a lista de indicações -- doze no total. Logo atrás, com dez, vem o filme dos irmãos Coen, True Grit (Bravura Indômita). The Fighter (O Vencedor) e The Social Network (A Rede Social) tiveram oito indicações cada um.

Nos indicados para direção, o grande nome é o de David Fincher, ganhador do Golden Globe por The Social Network. O páreo conta ainda com Tom Hooper, com The King's Speech', Aronofsky com Black Swan (o meu favorito) e David O. Russel, com The Fighter.

Em melhor ator, o nome disparado é Colin Firth, na pele de George IV em The King's Speech'. Apesar de ainda não ter visto Biutiful, com o sempre ótimo Javier Barden, e gostar muito de Jeff Bridges em True Grit (e que se ganhar será pelo segundo ano consecutivo, já que levou o ano passado por Crazy Heart), as minhas apostas ainda são no ator britânico.

Natalie Portaman segue firme na ponta pelo seu trabalho visceral em Black Swan. Annet Bening, do hilário The Kids Are All Right (Minhas Mães e Meu Pai) come pelas beiradas. A minha aposta vai ser sempre em Natalie Portman.

Com os coadjuvantes, Geoffrey Rush e seu excêntrico fonoaudiólogo em The King's Speech' terá uma disputa acirrada com o viciado de Christian Bale em The Fighter. Gosto da atuação de Bale, sinto uma ponta de simpatia por Mark Ruffalo, mas aposto tudo no veterano australiano.

Com as atrizes, a unanimidade recai sobre Melissa Leo em The Fighter, de fato sublime. Apesar de sempre achar a Helena Bonham Carter fantástica, e de ter gostado muito da pequena Hailee Steinfeld, fico mesmo com a massa.

Entre os filmes, o meu disparado favorito é Black Swan, apesar da utopia, já que The Social Network e The King's Speech' são os grandes apontados. Com as novas regras, os indicados a categoria de melhor filme são dez -- o que permite a alguns filmes "quase" entrar na disputa com os grandes favoritos. Toy Story 3, depois da incansável campanha, concorre também na categoria de melhor filme, mas deve mesmo acabar com a estatueta de melhor animação (onde estão também, no mesmo páreo, o ótimo e divertido How  To Train Your Dragon (Como Treinar Seu Dragão), e o estupendo drama de animação francês, do mesmo criador de As Bicicletas de Bellevile, Jacques Tati, L'illusionniste (O Mágico).

E embora não tenhamos sido indicados com filme estrangeiro (e eu estranharia se fôssemos), o Brasil está lá em uma co-produção com o Reino Unido: Lixo Extraordinário fala sobre o trabalho social que o artista plástico brasileiro radicado em Nova York, Vik Muniz, faz com os catadores de lixo do Rio de Janeiro. É um forte candidato na categoria locumentário/longa e pode sim sair no dia 27 de fevereiro com a estatueta.

O Oscar este ano será apresentado por James Franco e Anne Hataway. A premiação rola no dia 27 de Fevereiro, domingo, no costumeiro Kodak Theatre.  A transmissão na TV aberta fica a cargo da Globo; já na TV paga, o trabalho é da TNT. Ambas com tradução simultânea. O canal pago E! também está na transmissão, tradicionalmente mostrando o tapete vermelho -- esse, sem tradução simultânea. A nós, cinéfilos mortais, cabe decidir quem são os menos chatos: Rubens Ewald Filho e Cris Nicklas, ou Maria Beltrão e Zé Wilker.

Se o Kibe Loko fizer o live quinem o ano passado, eu fico com eles!

;D

♪ Post fechado ao som do álbum A Strange Arrangement, de Mayer Hawthorne.

25 de fevereiro de 2008

Oscar 2008

Oscar mais que merecido.

Ps: era óbvio que isso iria acontecer mas achei uma pena a Academia ignorar, na homenagem aos que morreram, um dos grandes diretores do cinema trash italiano, Bruno Mattei, que faleceu em 2007.

24 de fevereiro de 2007

Especial Oscar 2007.


É pessoas, não tem mesmo muito jeito. É todo ano a mesma ladainha... Quando anunciam os indicados à estatueta dourada, sobram surpresas. Não importa o que digam - nem sempre os cinco indicados são os nomes mais óbvios, os mais festejados, e sequer os que merecem. Fato é que se um filme vier a levar todas as estatuetas a que fora indicado, seriam no máximo seis para enfeitar a sua capa de DVD - o que pode acontecer com A Rainha, Babel, Dreamgirls ou com a grande surpresa da festa: O Labirinto do Fauno. Aliás, surpresa nenhuma, já que a fita de Del Toro foi um dos poucos que mais bem representou o poder da narrativa cinematográfica no ano passado. Pros leitores do cine art, seguem cinco mini-resenhas dos indicados ao Oscar de melhor filme este ano. Façam suas apostas! (;

felipe, editor especial cine art.

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Cartas de Iwo Jima



Letters From Iwo Jima, EUA, 2006. DE Clint Eastwood. COM Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya, Tsuyoshi Ohara, Ryo Kase. 140 min. Warner. DRAMA.

Quando Eastwood resolveu recontar a história da tomada da ilha de Iwo Jima pelos americanos durante a Segunda Guerra Mundial, ele certamente não imaginava ir mais além de A Conquista da Honra - que chegou a ganhar força para o Oscar, porém perdeu gás. Mas o cineasta viu uma trama mais rica do outro lado das trincheiras e filmou, quase que simultaneamente e em japonês. Cartas..., que reconstrói o lado perdedor e a vida do general Kuribayashi (Watanabe, magnífico) de maneira delicada e única, superando até mesmo o (bom) longa "americano".
por felipe

Pequena Miss Sunshine


Little Miss Sunshine, EUA, 2006. DE Jonathan Dayton e Valerie Faris. COM Abigail Breslin, Greg Kinnear, Alan Arkin, Toni Collette, Steve Carell, Paul Dano. 101 min. FOX. COMÉDIA.

Alternando o drama melancólico à cenas de humor negro, sempre relacionados às dificuldades de seus personagens, Pequena Miss Sunshine flui perfeitamente ao som da bela trilha sonora, excelentes atores e a direção que envolve o publico de forma sedutora, emocionando, divertindo e tocando em questões importantes da vida, como a união familiar. Impossível não se identificar.

por ronald

A Rainha



The Queen, Inglaterra/França/Itália, 2006. DE Stephen Frears. COM Helen Morren, Michael Sheen, James Cromwell. 97 min. Europa. DRAMA.

Talvez o mais inusitado de todos os indicados, A Rainha surgiu aos poucos (ovacionada no Festival de Veneza, estreou no Reino Unido e, só depois foi percebida pelos críticos americanos) e chega ao Oscar com forte pinta de estraga-festa. O que não deixa de ser extraordinário se levarmos em conta que a obra de Stephen Frears é um retrato íntimo da família real britânica nas semanas que sucederam à morte da ex-princesa de Gales, Diana. Cortesia do diretor de fotografia, o brasileiro Affonso Beato.

por felipe

Os Infiltrados


The Departed, EUA, 2006. DE Martin Scorsese. COM Leo DiCaprio, Jack Nicholson, Matt Damon, Mark Wahlberg, Alec Baldwin. 152 min. Warner. POLICIAL.

Talvez esse seja o ano de Scorsese. Os Infiltrados é o melhor trabalho do diretor em muitos anos e conseguiu reunir um elenco de classe numa frenética trama policial baseado em Conflitos Internos, filme de Hong Kong. Simples, mas muito bem pensado, com um elenco super afiado (Nicholson e Di Caprio estão fenomenais), um roteiro bem escrito com muitas situações envolventes, e uma trilha sonora arrebatadora causou um grade efeito nos fãs do cineasta.


por ronald

Babel

Babel, França/USA/México, 2006. DE Alejandro Gonzáles Iñárritu. COM Brad Pitt, Cate Blanched, Mohamed Akhzam, Peter Wight. 142 min. Paramount. DRAMA.

Dos indicados a melhor filme, Babel é o que possui a proposta mais séria, apesar de ser bastante irregular. Mas é um bom filme e demonstra mais uma vez o talento de Alejandro Gonzáles Iñarritu em filmar dramas humanos em situações extremas. Mas o que incomoda é que Iñarritu e o roteirista Guillermo Arriaga repetem pela terceira vez a mesma fórmula. De certa forma, funciona e conta com momentos e situações criativas, porém parecem cada vez mais óbvias de maneira geral, perdendo aquele tesão que Amores Brutos (00) proporcionou, por exemplo.

por ronald

6 de março de 2006

Crash

E o Oscar vai para...

Crash – No Limite



Crash, USA, 2004. DE Paul Haggis. COM Karina Arroyave, Dato Bakhtadze, Sandra Bullock, Don Cheadle, Matt Dillon, Brendan Fraser, Terrence Howard, Ryan Phillippe. 113 min. Bull's Eye Entertainment. DRAMA.

Eu particularmente fiquei surpreso com a vitória de Crash, o filme do estreante diretor Paul Haggis, porém, já conhecido por ter escrito o roteiro de Menina de Ouro de Clint Eastwood, batendo na cara o favoritismo de O Segredo de Brokeback Mountain (que era o meu favorito), do diretor Ang Lee, que levou o prêmio de melhor diretor no Oscar 2006.

Em Crash – No Limite, o foco principal é o racismo. Não um determinado tipo de racismo, mas um racismo generalizado entre todas as raças e etnias. O roteiro, também escrito por Heggis, utiliza-se de uma estrutura não muito original, que é a utilização de vários personagens em situações diferentes ou não, e que acabam se entrelaçando nestas situações. Teve seu ápice na década de 90 com filmes como Short Cuts de Robert Altman e o seu melhor representante até hoje, Magnólia, de Paul Thomas Anderson. Em contrapartida, filmes que possuem essa estrutura narrativa podem ser criativos de acordo com a imaginação do roteirista mesmo que seja uma estrutura batida, como é o caso de Crash. O diretor consegue criar situações interessantes e ambienta-las em atmosferas realistas dando o clímax necessário para que os acontecimentos funcionem. Haggis tem ainda a sua disposição um ótimo elenco contando com Don Cheadle, Matt Dillon, Sandra Bullock, Brendan Fraser e muitos outros.

Entretanto, como a maioria dos filmes americanos, gera em determinados momentos de Crash um sentimentalismo forçado com a utilização de trilhas sonoras melancólicas forçando o espectador a cair em lágrimas, coisas de Hollywood. Porém, esse problema não tira o brilho do filme e aos poucos notamos o surgimento de novos diretores que deixam de lado estes artifícios Hollywoodianos; Graças ao belíssimo e bem trabalhado roteiro de Haggis, Crash é um filme que está acima da média de muitos dramas lançados nos Estados Unidos nos últimos anos.
Por Ronald Perrone


PS: Texto publicado anteriormente no antigo blog do Cine Art e republicado agora pela vitória de Melhor filme no Oscar 2006.