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22 de novembro de 2007

Vicio Frenetico

Bad Lieutenant, aka Vício Frenético (1992), de Abel Ferrara



Existe até certo, ponto uma história policial onde uma freira é estuprada e Harvey Keitel inicia as devidas investigações policiais. Mas nada disso interessa para o diretor Abel Ferrara, a não ser como pano de fundo, pois não deixa de ser um tanto subversiva uma trama como essa. Ainda mais se ela perdoa os estupradores e se recusa a identificá-los perante a polícia. O que importa realmente é a descida ao inferno do personagem de Keitel, um policial de Nova York viciado em jogos, drogas e com a cabeça à prêmio por causa de dívidas. Apesar do mundo de corrupção, prostituição, violência e drogas em que vive, não consegue suportar a idéia do estupro da freira, por isso, dedica na medida do possível, resolver o caso para sua redenção ao mesmo tempo em que aposta sua própria vida num jogo de baseball. Vício Frenético é daqueles filmes pesados e melancólicos, desses que têm a capacidade de colocar o espectador pra baixo com situações desconfortáveis e imagens escuras e sufocantes. Além de ter Harvey Keitel dando uma aula de atuação.

por ronald

28 de maio de 2007

Maria

Maria



Mary, EUA/ITA/FRA, 2005. DE Abel Ferrara. COM Juliette Binoche, Forest Whitaker, Matthew Modine. 83 min. DRAMA.

Maria passou em meados de 2006 em algumas mostras (foi a época que eu assisti) e agora foi lançado comercialmente nos cinemas brasileiros. Eu nem deveria comentar sobre esse ele pois, só vi naquela ocasião, e com certeza, muito da essência se perdeu com o tempo. Mas como aqui no meu estado é bem capaz de não chegar, então, acho que vale a pena dissertar pelo menos algumas impressões que tive do filme, mesmo que vagas. O filme questiona as possibilidades de encontrar fé num mundo turbulento e confuso, onde as pessoas não conseguem enxergar, e a grande maioria nem tenta, um salvador, uma entidade maior. O público é assim também, age como os personagens, por isso o filme pode chocar o espectador mais perspicaz. Os indivíduos buscam alguma mensagem, algo maior, faz o que querem, mas buscam redenção, não dão nada em troca, apenas procuram. A personagem de Binoche entendeu isso muito bem e após interpretar um filme que trata da vida de Jesus, larga mão de todo materialismo e parte por uma busca mais centrada, um objetivo que sabe exatamente o que quer e o que fazer para encontrar, enquanto os outros continuam seus questionamentos em vão. A mensagem, na verdade, não é complexa, apesar de ser bastante sutil, diferente de alguns filmes de Ferrara que fazem um discurso mais explícito como Vício Frenético. Maria, além de acrescentar um pouco mais na lista de idiossincrasias, se assimila a filmes mais visuais e pessoais do diretor como Blackout e New Rose Hotel, que definem o pensamento do cineasta, cuja importância para o cinema contemporâneo é revelada em cada película.

por ronald
ao som de whatever happened to corey hain, the thrills

4 de setembro de 2006

Alguns filmes visto recentemente

Apenas algumas observações:


O Tempo que Resta (Franços Ozon, 05)



Um dos mais delicados de Ozon. Um tanto exagerado no sentimentalismo gratuito que não faz muito o estilo do diretor, mas nada que beire ao melodrama nem que seja prejudicial ao filme em geral. O filme apresenta a morte iminente na vida de um personagem de maneira objetiva e repleta de paradoxos. É interessante notar que apesar de ser seu oitavo longa, O Tempo que Resta é o primeiro filme de Ozon em que o personagem central é masculino. E Jeanne Moreau ainda possui uma presença formidável em cena.

Gozu (Takashi Miike, 03)



Uma espécie de Alice no País das Maravilhas bizarro e subversivo quando um Yakuza que perdeu seu irmão que ficou completamente louco e paranóico, resolve procura-lo. Cada situação que o personagem se mete é uma surpresa tão non sense, surreal e sutilmente cômica, que a impressão é que ele se encontra mesmo num mundo de fábulas, remetendo em demasiado a obra escrita por Lewis Carrol. Gozu surpreende a cada revelação do roteiro e com um dos finais mais inusitados e pertubadores do cinema moderno.


Batalha no Céu
(Carlos Reygadas, 05)

½

Filme estranho. Extremamente bem dirigido com movimentos de câmera originalíssimos e uma beleza de fotografia. Mas tudo desperdiçado numa história oca. Subestimado pelo encanto da excelente direção e é claro, da essência do conflito psicológico que se passa na cabeça do personagem principal, a batalha no céu. Não é minha intenção difamar o filme. Pelo contrário, pois gostei muito. Mas um roteiro mais elaborado poderia elevá-lo ao status de obra prima do cinema atual.

Edmond (Stuart Gordon, 05)

½

Uma bela surpresa do diretor Stuart Gordon. William H. Macy estrela essa jornada de uma noite exacerbada onde tudo pode acontecer e todos os tipos podem surgir. Baseado numa peça de David Mamet, o filme investe totalmente em um personagem. Um sujeito contido que está a beira de explodir e ecoar sua critica ao mundo de merda. Quando acontece, as conseqüências são das mais perturbadoras.

Mary (Abel Ferrara, 05)

½

Pra quem começou a carreira de longas como diretor de um pornô, Ferrara está muito religioso pro meu gosto. Não que o tema seja um problema, mas a forma que o diretor aborda, deixa a impressão de um filme cansativo, apesar de alguns momentos esporádicos de contemplação, ou de performance muito bem conduzida por Ferrara e executada pelos protagonistas. Nem mesmo a virtuosidade do seu estilo conceitual e único de filmar, que funcionou tão bem em filmes como Blackout, por exemplo, é capaz de livrar Mary de um filme que não possui nenhum avanço em relação ao progresso de construção de uma linguagem própria do diretor. Mas é um filme que vale a pena conferir, principalmente para os fãs de Ferrara.

Silent Hill (Christophe Gans, 06)



O visual incrível não foi suficiente para esconder os defeitos de Silent Hill. Com pouquíssimos momentos de horror, medo, violência visual e com uma historinha bastante enrolada, Silent Hill acaba decepcionando ao tentar se explicar demais no seu contexto, ao mesmo tempo em que tenta ser fiel ao jogo, inclusive na linguagem. Não combinou.

Por Ronald

20 de maio de 2006

The Blackout

The Blackout



USA , 1997. DE Abel Ferrara. COM Matthew Modine, Dennis Hopper, Claudia Schiffer. 98 min. CIPA. DRAMA

Com uma direção totalmente pessoal, Ferrara expõe o drama de um ator de cinema, vivido por Mathew Modine, e seus problemas com drogas, álcool e, principalmente, seus relacionamentos conturbados. Modine surpreende com uma complexa atuação que expressa o desejo de libertação de um passado muito recente. Um passado que possui aterradoras surpresas para o próprio personagem. Além disso, o elenco é completado por excelentes atuações como, por exemplo, Dennis Hopper (sempre competente) e até da Top Model Cláudia Schiffer (não tão competente assim).

Ferrara espanta o grande publico deixando apenas os fiéis apreciadores de sua obra utilizando-se de uma estrutura bastante alternativa. Mas o que mais impressiona é a atmosfera pesada e densa criada pelas câmeras de uma forma experimental, a fotografia escura e carregada de Ken Kelsch e a edição repleta de fusões de imagens e seqüências urbano-poéticas deixando sempre um gosto amargo que poucos cineastas conseguem atingir.
Por Ronald