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24 de março de 2008

Alguns filmes do feriado...

Youth Without Youth (2007), de Francis Ford Coppola: Coppola é um artista e este seu ultimo trabalho é um surpreendente exercício visual. O problema está no material que escolhe e no objetivo de sempre ser épico e pretencioso. Há 10 anos sem filmar, o veterano cineasta entrega uma obra desigual, bagunçada que se perde depois da primeira hora e se arrasta sem propósito até o desfecho com elementos à David Lynch. Coppola precisa entender que a simplicidade da primeira hora é muito mais interessante que a busca pretensiosa do restante. Mas quem sabe daqui alguns anos vire cult como várias outras obras incompreendidas do diretor como O Fundo do Coração?

The Mist (2007), de Frank Darabont: Ótima adaptação de uma história de Stephen King, cujo resultado é uma obra realmente funcional no campo do gênero que se propõe. É um típico clássico filme de monstro, mas levado à inesperadas consequências pessimistas, principalmente para o protagonista que se deixa levar pelo irracional desumano um pouco antes de perceber que foi tudo em vão. Marcia Gay Harden e toda a questão fanática-religiosa é uma sacada muito bem aproveitada. E a direção de Darabont entrosa muito bem a atmosfera de terror com o estudo humano em contato com situações extremas.

12 de março de 2007

Maria Antonieta

Maria Antonieta



Marie Antoinette, JAP/FRA/USA. DE Sofia Coppola. COM Kirsten Dunst, Judy Davis, Jason Schwartzman. 123 min. Columbia. DRAMA.

Em Maria Antonieta, Sofia Coppola fecha uma espécie de trilogia onde mulheres são submetidas a uma prisão emocional e física dentro de um contexto histórico, social e machista. Em As Virgens Suicidas, existem as irmãs que ficam trancadas em casa por causa do conservadorismo patriarcal. Há a recém casada que vive isolada em um apartamento de hotel no Japão em Encontros e desencontros, e agora, Maria Antonieta, que se tornou Rainha da França e sai de seu país entrando nos conformes dentro do palácio de Versalhes, sendo praticamente obrigada a casar-se (com objetivos políticos, claro) com o jovem príncipe Luis XVI que mais parece uma princesa.

Filmado como se passasse nos dias de hoje, o filme mistura elementos da cultura francesa do séc. XVIII, como as vestimentas, acessórios, ambientes contrastando com os da cultura pop dos 80’s com a trilha sonora composta de bandas como New Order e The Cure, além de um tenis All Star surgindo ao fundo de uma cena, e traça paralelos entre as épocas onde a personagem principal parece mais uma patricinha de filme adolescente oitentista às voltas com as formalidades da corte francesa.

Maria Antonieta pode gerar uma sensação de vazio e desconforto em relação à essência e o ritmo do filme. Mas há quem enxergue uma certa poesia visual em grande parte dos enquadramentos criados por Sofia. Visualmente, não há como negar a beleza e a riqueza de detalhes da fotografia, dos cenários e figurinos. Talvez sejam essas as motivações que a diretora obteve para realizar um filme que é de certa forma, banal.

por ronald

10 de janeiro de 2007

Do Fundo do Coração

Do Fundo do Coração (1982), de Francis Ford Coppola

Tenho minhas razões para apreciar esse filme que foi tão massacrado pela crítica na época. Primeiro porque Coppola é um dos meus diretores americanos favoritos e segundo é que Do Fundo do Coração é seu filme mais experimental e inventivo em termos de direção. Mais até que seus filmes famosos como a série do Poderoso Chefão e Apocalypse Now. Coppola parece ter total controle sobre todos os artifícios de fusão, edição, direção de arte, fotografia que contribuem para que o filme se torne um verdadeiro épico. Cada cena foi calculada e executada pelas câmeras de forma grandiosa, com travellings e planos seqüência muito bem sincronizados com direito a números musicais e enquadramentos que beiram ao surreal. O problema é que todo o aparato técnico/estético é desperdiçado em uma ingênua história romântica que poderia passar na Sessão da Tarde. É o típico exemplo onde a técnica supera a essência anos luz à frente. Mesmo assim, é um filme que vale a pena.

Por Ronald

26 de abril de 2006

Kagemusha, Terra Estrangeira, O Selvagem da Motocicleta

Kagemusha, a Sombra do Samurai



Japão, 1980. DE Akira Kurosawa. COM Tatsuya Nakadai, Tsutomo Yamazaki. 179 min. FOX. DRAMA.

A história do cara comum que assume o lugar de um governante por se parecer com ele é um tema batido do cinema. Em seu épico, Kurosawa explorou todas as possibilidades da situação. No Japão do século 16, durante uma guerra civil, Shingen, chefe do clã Takeda, fere-se em uma batalha. Antes de morrer, ele pede a seus conselheiros que não contem a ninguém que um kagemusha, ou sósia, tomou o seu lugar, tudo isso para manter as tropas motivadas. Antes um ladrão de galinhas, o sósia aos poucos assume o caráter do grande guerreiro que substituiu. Kurosawa alia o talento para o grande espetáculo, em seqüências de batalha de incrível plasticidade, com a delicadeza para cenas mais intimistas.



Terra Estrangeira

e 1/2

Brasil, 1995. DE Walter Salles. COM Fernando Alves Pinto, Fernanda Torres, Laura Cardoso, Luís Melo, Alexandre Borges. 100 min. DRAMA.

Algumas das muitas qualidades da obra de Salles estão presentes neste filme: o olhar extremamente sensível sobre a questão da identidade e a síntese harmoniosa de influências (dos clássicos hollywoodianos ao Cinema Novo brasileiro). Bem como alguns dos problemas: um certo embelezamento da realidade que dispersa o centro da narrativa. Depois da morte da mãe, amargurada com o confisco promovido por Collor (àquele do cooper, lembram?), Paco (Alves Pinto) aceita entregar um pacote misterioso em Portugal. Envolve-se com Alex (Torres) e é perseguido por bandidos. A incredulidade e a crise política que assola o país conferem atualidade ao filme.



O Selvagem da Motocicleta

e 1/2

EUA, 1983. DE Francis Ford Coppola. COM Mickey Rourke, Matt Dillon. 100 min. DRAMA.

Filme menor na obra do cineasta, fora um dos mais cultuados dos anos 80. Assombrado pela fama do irmão mais velho – Motorcycle Boy (MRourke), legendário líder de gangues -, o pequeno marginal Rusty James (Matt Dillon) arruma briga com um rival, começa a ser perseguido pela polícia e vê a sua vida desabar. Ele passará por uma série de provações até aceitar o fato de que os tempos mudaram. Em alguns momentos, o diretor parece mais interessado na estética do que em seus personagens. Em outros, porém, revela uma profunda compreensão das angústias juvenis.

Por Felipe